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RECHERCHE ET IDENTIFICATION D’UN VIDE CONCERNANT LE TEMPS

A análise do conteúdo dos Relatórios Públicos de Certificação teve como finalidade

conhecer as pré-condições e condições para que os projetos pudessem receber o selo FSC. O

conhecimento dessas questões possibilita esclarecer quais pontos são particulares e quais

pontos são comuns entre os projetos para depois se verificar se eles estão presentes no padrão

nacional para a Amazônia, visto que para a Amazônia também tem sido usado padrões

genéricos das próprias certificadoras com checklist adaptado ao padrão nacional, enquanto

este não é aprovado.

A Tabela 6 ilustra o tratamento dado a esse corpus composto de cinco Relatórios

Públicos de Certificação, em que pode-se perceber as (ir)regularidades em itens contidos nos

relatórios. A presença de um determinado item em cada relatório está marcada com P e sua

ausência indicada com A.

A partir dessa análise da presença (P) e ausência (A) dos itens identificados, torna-se

possível perceber quais pontos são comuns e quais são particulares, quando da avaliação para

a certificação em projetos de manejo florestal comunitário na Amazônia brasileira. Os

relatórios públicos selecionados são das operações comunitárias ACAF, COOPER-CA,

APAS, A.C. Santo Antônio do Abonari e ASPPAE-SE.

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Tabela 7: Questões Ambientais identificadas nos Relatórios Públicos.

Itens encontrados nos Relatórios

Públicos ACAF COOPER-CA APAS A. C. Santo A. do Abonari ASPPAE-SE

Revisão das práticas de manejo onde há

“eliminação” de outras espécies A P A A A

Planejamento A P A A A

Sistema de monitoramento do manejo P P P P A

Sistema de controle e monitoramento da

floresta (crescimento, fauna etc.) A A P P P

Definição de florestas de alto valor para

conservação A P P A A

Critérios para construções de estradas, P A A A A

Sistema de manejo de resíduos (orgânicos

e não-orgânicos) A P P A P

Regras de uso do fogo A A A P P

As questões ambientais revelaram que um ponto importante, mas pouco observado nos

projetos comunitários, se refere à existência de um sistema de monitoramento do manejo

florestal. Também mencionado nas entrevistas, o monitoramento representa um item

importante para a certificação FSC, possuindo inclusive um Princípio inteiramente dedicado à

sua aplicação.

Os projetos de manejo florestal comunitário precisam criar, através da união de

conhecimentos técnicos/acadêmicos e tradicionais – das próprias comunidades –

procedimentos de avaliação dos impactos do manejo florestal não apenas na floresta e sua

biodiversidade, recursos hídricos e solos, mas também na vida da comunidade, ou seja, no

aspecto social do manejo. Essa união de conhecimento, se bem trabalhados podem resultar em

métodos participativos de avaliação e estarão dando um passo na consolidação futura desse

procedimento de monitoramento pelas próprias comunidades.

Em segundo lugar, aparecem a necessidade da existência de um sistema de

monitoramento da própria floresta, incluindo fauna etc., e a necessidade de implantar um

sistema de gestão de resíduos orgânicos e não-orgânicos. Esses dois pontos também estão

contemplados no Padrão de certificação.

Em terceiro lugar aparecem a falta de discussões a respeito das florestas de alto valor

para conservação (FAVC) e a falta de regras claras para uso do fogo nas áreas das

comunidades. As discussões de FAVC sugere que a comunidade conhece o conceito, o que

pode não ser verdade para a maioria dos projetos, enquanto que em relação ao uso do fogo,

trata-se de uma atividade comum em projetos comunitários e que possivelmente faz parte das

discussões nas associações comunitárias.

Mais uma vez, assim como na questão do monitoramento, as florestas de alto valor de

conservação devem ser identificadas pelas próprias comunidades, pois espera-se que elas

tenham um conhecimento particular da fauna, flora e das características das áreas localizadas

dentro e nas margens das unidades de manejo florestal. Essa “identificação participativa”

também pode gerar benefícios locais no tocante à conservação de áreas especiais e, no

contexto mais amplo, no gerenciamento do manejo florestal pela comunidade.

Tabela 8: Questões Sociais identificadas nos Relatórios Públicos.

Pontos Críticos encontrados nos Relatórios

Públicos ACAF COOPER-CA APAS A. C. Santo A. do

Abonari

ASPPAE- SE

Entendimento da legislação P A A A A

Atendimento à legislação trabalhista A P A A A

Conhecimento dos Tratados internacionais

ratificados pelo Brasil P A A A A

Comprovação de pagamento de impostos P A A A A

Regularizar áreas com órgãos do governo P A A P A

Regras para participação no grupo

(associação) P P A P P

Criação de novos cargos (ex Conselho Fiscal

etc) A A A P A

Demarcação da área certificada e

disponibilizar mapas, controlar invasões P A A P P

Mecanismos para Resolução de Conflitos P P P P A

Construção de melhor infra-estrutura com

condições de “habitabilidade” P A A A A

Normas e monitoramento da segurança do

trabalho P P P P A

Qualificação de pessoas da comunidade em

administração P A A A A

Qualificação/capacitação precisa atingir toda a

comunidade P P A A A

Programa de treinamento em manejo P P A A A

Regras de contratação/demissão de pessoas envolvidas (fábrica, beneficiamento, terceiros etc.)

A P A A P

Apresentação de atestados de vacinas em dia

por parte dos membros da Associação P A A A A

Prestação de contas para Associação A A P P A

Em relação às questões sociais, três itens foram quase unânimes nos cinco relatórios:

(1) a necessidade de se criar regras para a entrada no grupo de manejo (associação); (2)

criação de mecanismos para resolução de conflitos; e (3) criação e monitoramento das ações

de segurança do trabalho. Apesar das entrevistas não explorarem a fundo esses itens, faz

sentido a necessidade de se estruturar diretrizes para um manejo e certificação em grupo, para

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situações conflituosas, e de ações relacionadas à segurança do trabalho, pois se garante

procedimentos mínimos para prevenir e resolver possíveis acidentes de trabalho.

Em segundo lugar veio a necessidade de se controlar as áreas de manejo certificadas,

por meio da demarcação em campo e do registro dessas unidades de manejo florestal em

mapas ou croquis, e em terceiro o treinamento e a capacitação de pessoas das comunidades e a

necessidade de criar mecanismos para contratação por parte das associações.

Tabela 9: Questões Econômicas identificadas nos Relatórios Públicos.

Itens encontrados nos Relatórios

Públicos ACAF COOPER-CA APAS A. C. Santo A. do Abonari ASPPAE-SE

Sistema de controle de custos e produção

(contabilidade das atividades) P P P P P

Estrutura de vendas (tabelas de preço,

plano de comercialização etc) P A P A A

Fundo para capital de giro para

manutenção das atividades P A A A A

Valorização de espécies florestais menos

conhecidas no mercado P A A A A

Implementação de outros manejos (ex.

produtos florestais não-madeireiros) P A A A A

Diminuição do desperdício no

processamento da matéria-prima P A A A A

Em relação às questões econômicas (Tabela 8), a implantação de sistemas de controle

de custos de produção do manejo, aliado a um mecanismo de gestão contábil das atividades

econômicas da associação, foi ponto unânime necessário nos projetos avaliados. Esses dois

itens também foram identificados nas entrevistas como pontos importantes para a

continuidade das atividades.

Em segundo lugar vem a necessidade de se ter um plano de comercialização dos

produtos florestais comercializados pelos responsáveis pelo projeto de manejo e a existência

de documentos que facilitem a negociação futura dos produtos, com uma construção de tabela

de preços. Essas questões econômicas objetivam, pelo que consta nos P&C do FSC, a

sustentabilidade econômica do manejo florestal, embora seja um conquista que demande

tempo de amadurecimento dos projetos.

A partir desta análise dos Relatórios Públicos, foi possível identificar poucos pontos

críticos gerais, ao passo que houve um maior número de pontos que são particulares de cada

operação analisada. Isso reflete que os contextos locais são sim bastante diferentes entre si, e

que é a avaliação da sustentabilidade provavelmente estará associada ao cumprimento de

poucos critérios, mas que são comuns em projetos de MFC.