Introduction de la première partie
1.2. Pour une lecture globale des phénomènes migratoires
Fontes documentais assinalam ao ouro como o primeiro metal trabalhado pelo homem. Este mineral não foi o único, metais como o cobre, ferro, bronze e alheações, foram cenário de aportes tecnológicos que facilitaram e melhoraram as condições de vida de numerosas pessoas. Fontes primarias então geraram através da forja, fundição e ligas, ornamentos e instrumentos capazes de atravessar o comportamento do homem, capazes de estabelecer a relação objeto, símbolo e cultura.
De acordo com Valladares (1986, p. 12) no Brasil o conceito de artesanato está muito próximo ao arte, ou seja, perto da criatividade onde dificilmente se pode diferenciar as fronteiras entre arte e artesanato, como dizem alguns antropólogos, “O artesanato está mais próximo da cultura do que a civilização”. Acontece assim, um distanciamento de palavra artesanato frente à representação da manipulação manual de um objeto, descrevendo o conceito como uma noção criativa.
O indígena brasileiro não conheceu a técnica da fusão e tratamento de metais. O artesanato que aqui se desenvolveu é tradicionalmente de europeus e africanos. Portugueses como os espanholes, introduziram em suas colônias todo o instrumental necessário à produção de certos artigos em metal. Como necessitaram também de mão-de-obra melhor preparada e adestrada trouxeram artesãos habilitados em diferentes misteres. Os missionários reclutaram igualmente, em vários países europeus, voluntários habilitados em artes e ofícios diversos, principalmente os chamados ofícios mecânicos. A metrópole, não podendo suprir a colônia de mão-de- obra especializada, estimulou a trabalho artesanal, com índios e negros, mas criou toda sorte de dificuldades à instalação de estabelecimentos e fabris. (VALLADARES, 1986, p. 119):
Em São Carlos, durante a época da abertura da estrada de ferro que une Rio Claro a São Carlos, foram encontradas urnas funerárias e diversos utensílios indígenas próximos à estação do Conde do Pinhal, este legado cultural é herança hoje dos índios do território paulista (SERRA et al, 2008).
Para o ano de 1908 de acordo com Serra et al (2008), a cidade é declarada sede do Bispado e sua igreja matriz foi elevada a catedral, fato que se reveste de enorme importância regional. A população migrante, aportou também diversidade e mudanças culturais ao interior da cidade, o surgimento de atividades industriais, favoreceram o surgimento das industrias, enriquecendo os ofícios existentes, aportando novas técnicas, não só no contexto São-carlense, senão em vários contextos onde o fator cultural se diversifico consideravelmente. Atividades como a ourivesaria brasileira, são parte da identidade de várias cidades que consolidaram diferentes
técnicas metalurgias ao redor das representações sociais. De acordo com Valladares (1986, p. 120):
Na linha de produção de objetos de metais nobres distingue-se no Brasil, pela originalidade e variedade, os ornamentos que as crioulas baianas trazem pendurados na cintura, nos dias de festa, principalmente na do Senhor de Bomfim, os chamados balangandãs. Os balangandãs são um conjunto de miniaturas em prata e ouro, artisticamente trabalhadas, contendo os mais variados motivos
Respeito ao tema das corporações no Brasil, estas tiveram existência geralmente apropriada por médio de confrarias e irmandades religiosas, que agrupavam centos de trabalhadores; a Irmandade de São Jorge em Rio de Janeiro por exemplo, era uma organização que integrava os ofícios de serralheiro, ferreiro, cuteleiro, espingardeiro, latoeiro, pilhereiro, funileiro, coureiro, dourador e seleiro; uma organização destra na arte dos metais (VALLADARES, 1986).
Retomando São Carlos analisou-se alguns referentes importantes dos joalheiros na relação com o entorno da cidade. O Almanack de São Carlos classificado por anos por exemplo, registra o nome, profissão, oficina e publicidade de alguns locais e princípios do século XX. Ressaltamos a importância deste analises, porque ajuda na reconstrução da memória da história dos artesãos, ademais de brindar um panorama mais geral dos habitantes artesãos trabalhadores de ferro na cidade.
Apresenta-se a continuação, as joalherias encontradas durante 1894 – 1928 na cidade de São Carlos, a partir dos Almanack da cidade.
Tabela 8. Almanack de São Carlos. Joalheiros encontrados de 1984 – 1928
Ano de publicação de anuário Joalheiros trabalhadores do arte Joalherias comerciais
1894 - José Ricchezza
- Cocoz Guiseppe - Braz Massao
- Joalheria Parisiense (importação) - Joalheria e ourivesaria (sortimento de
José Ricchezza.
1905 Ninguém - Relojoaria e Joalheria Suissa de Jóse
Coccoz & Comp. (Casa importadora)
1915 Ninguém - Relojoaria e Joalheria Suissa de Jóse
Coccoz & Comp. (Casa importadora) 1916 – 1917 - João M. Cardoso (Fabricante de
joias) ourives
- Relojoaria e Joalheria Suissa de Jóse Coccoz & Comp. (Casa importadora)
1927 Ninguém Ninguém
1928 Ninguém - Casa Maricondi
- Relojoarias S. Carlos Fonte: Autora
Registra-se ademais em alguns Almanack de São Carlos, publicidade de oficinas de joalheria. Se mostra a continuação, uma representação da publicidade encontrada no Almanack de São Carlos de 1894 – 1928:
Figura 41. Publicidade oficina de relojoaria e joalheria. Fonte: Almanack de São
Figura 42. Publicidade oficina de ourives. Fonte: Almanack de São
No texto de Damiano (1996), encontra-se alguns são-carlenses representativos no artesanato local:
a) Helio Frigori: Natural de São Carlos, nascido em 1935. Descendente de uma família de joalheiros, aprendeu a profissão com seus pais, tendo trabalhado, mas de 30 anos como ourives. Faleceu em 1994. (Damiano, 1996, p. 93). b) Italo Paino: Também conhecido como “Chulipa”, nasceu em 1912 e foi
relojeiro de ourives. Juntamente com Antônio Fiorentino, neto, o Totó da tarde, foi um dos grandes animadores do carnaval São-carlense e assíduo colaborador do jornal A Tarde, escrevendo sobre esportes; nessa modalidade, foi um dos pioneiros na impressa local (Damiano, 1996, p. 98).
c) João Vilari: imigrante italianos, cuja participação ao desenvolvimento local deu-se através das atividades comerciais, como proprietário de uma relojoaria e joalheria à rua Geral Osório, cujo comercio foi continuado, despois, por um de seus filhos. (Damiano, 1996, p. 111).
d) José Riga: Nascido na Itália, foi comerciante, longos anos, nesta praça. Foi proprietário de uma joalheria, que ficava na rua General Osório, que um dos seus filhos ainda continuou mais alguns anos. (Damiano, 1996, p. 130).
Nota-se a presença de artesãos joalheiros na cidade de São Carlos, incluso até finais do século XX. Este analises reflexivo através da história da cidade de São Carlos, mostra a participação como figura social dos joalheiros no ambiente urbano. Contudo, a mudança social dos ofícios mediante de seus técnicas, oficinas e práticas, mostra câmbios significativos.