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Passif circulant

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u bilan con

IV.1.8. Passif circulant

Os EBPs contribuem para uma nova maneira de estudar a aprendizagem e a geração do conhecimento nas organizações, por oferecer uma nova ontologia e epistemologia. Desse modo, o mundo apresenta-se racionalmente constituído, assemelhando-se a uma rede de elementos diversificados, conectados e perpetuados por um processo ativo de organização e sentido (NICOLINI; GHERARDI; YANOW, 2003). Os autores sugerem uma classificação com quatro tradições dentro dos Estuados Baseados em Prática, afirmando ser essa apenas uma forma de enxergar as perspectivas existentes no campo de estudos que empregam as práticas como ponto de vista.

Para um melhor entendimento dos EBPs, serão apresentadas as descrições das tradições, quais sejam: tradição cultural interpretativista; tradição das comunidades de prática; tradição da atividade cultural e histórica; tradição da Sociologia da Translação ou Teoria Ator-Rede (TAR); e, tradição dos estudos no local de trabalho (workplace studies). Dessa forma, possibilitando o entendimento de como é possível estudar as práticas a partir dessas referências sem, necessariamente, apoiar-se somente em uma delas (BISPO, 2011).

Primeiramente, a tradição cultural interpretativista enfatiza, sobretudo, as coletividades e seus atos, incluindo as interações com os objetos, que são o foco desses atos, além da linguagem utilizada em cada um deles, também os espaços específicos de significados dos vários artefatos para os atores nas situações vivenciadas. Para Weick e Westley (2004), focar os estudos de aprendizagem nas organizações, dando prioridade à cultura, implica ponderar o conhecimento como condição de grupo, não somente cognitivo.

Já a tradição das comunidades de prática tem como foco compreender como ocorre a transmissão do conhecimento nas organizações, originado no trabalho de Lave e Wenger (1991). O conceito de participação periférica legitimada busca compreender como é o processo de socialização de um novo membro do grupo até ganhar condição de membro efetivo, assim ser capaz de disseminar o conhecimento assimilado para reproduzir as práticas com propriedade. A competência, no que se refere às comunidades de prática, contempla três aspectos, a saber (WENGER, 2003): (i) peculiar ao desenvolvimento coletivo da percepção de que há uma comunidade e a definição do motivo de sua existência e sobre a responsabilidade de

cada membro; (ii) foca na ação entre os membros da comunidade de forma engajada para o estabelecimento de normas e convívios que reflitam as ações; e, (iii) associado à produção de uma compilação que envolve linguagem, rotinas, sensibilidades, artefatos, ferramentas, histórias, estilos, entre outros integrantes, oportunos a cada grupo social.

No que se refere à tradição da atividade cultural e histórica, é uma forma de analisar as organizações como sistemas de conhecimento distribuídos, descentralizados e emergentes (BLACKLER; CRUMP; MACDONALD, 2003).

Vilas-Boas, Davel e Bispo (2018) destacam que não há liderança sem cultura. Liderança é uma expressão cultural que abrange questões e conflitos conectados aos líderes e seguidores dentro de uma variedade de contextos internacionais, nacionais, regionais e organizacionais. Pesquisas realizadas envolvem liderança cultural, ressalta-se que liderança representa uma ação social, expressada em sua atividade simbólica e na criação de significado. Ademais, é concebida como uma ação simbólica que representa influência sobre os objetivos e estratégias, sobre o comprometimento e consentimento em relação aos comportamentos necessários para alcançar os objetivos, sobre a vida e a identificação do grupo e sobre a cultura de uma organização.

A tradição da Sociologia da Translação ou Teoria Ator-Rede (TAR) conduz ao processo pelo qual o conhecimento prático emerge, é sustentado, torna-se durável e, eventualmente, desaparece. A Sociologia da Translação pode ainda ser entendida como Sociologia da Mediação (GHERARDI; NICOLINI, 2003; 2005). Desse modo, os autores adotam ainda o conceito de rede como forma de compreender como ocorre a circulação do conhecimento em determinados grupos ou comunidades. A Teoria Ator-Rede busca estudar empiricamente como os padrões de ordem social e material emergem em consequência da organização de diferentes elementos na comunidade. Nesse sentido, a parte central dessa teoria é a existência de intermediários que circulam entre vários atores. Os intermediários incluem objetos naturais ou artefatos, indivíduos e grupos, com suas respectivas competências, textos e registros. Callon (1992) salienta que há quatro tipos gerais de intermediários: (i) seres humanos com suas habilidades e conhecimentos que geram e reproduzem; (ii) artefatos que incluem todas as entidades não humanas que facilitam o desempenho de uma tarefa; (iii) textos e “registros”, expressão que inclui tudo o que é escrito ou gravado, assim como o canal pelo qual circulam; e, (iv) dinheiro em suas várias

formas.

Finalmente, a abordagem da tradição dos estudos no local de trabalho (workplace studies) busca compreender como as formas de trabalho são incorporadas pelos indivíduos, assim como as rotinas tácitas do trabalho (GHERARDI, 2006). A tecnologia recebe atenção especial como elemento constitutivo dos locais de trabalho, assim como é influenciadora na produção da cultura. A principal contribuição da tradição dos estudos no local de trabalho é a comunicação e a interação mediada pela tecnologia (BRUNI; GHERARDI; PAROLIN, 2007; GHERARDI, 2006; SCHULMAN; HARMER; LUSK, 2001). Uma forma de ilustrar o movimento dos EBP está representada na Figura 1:

Figura 1 – Representação dos estudos baseados em prática

Fonte: Bispo (2011).

No livro publicado por Gherardi, em 2016, com o título How to Conduct a Practice-based Study: Problems and Methods, destaca a evolução dos EBPs. Esses estudos têm raízes comuns em tradições filosóficas e sociológicas que datam do início do século XX, principalmente em Schutz (1962), Hidromel (1934) e Vygotsky (1934- 1987), o pragmatismo de Dewey (1938) pertence ao mesmo meio que influenciou a teoria da ação desenvolvida por Joas (1997), e uma orientação pragmatista dentro da aprendizagem organizacional (ELKJAER, 2003; ELKJAER; SIPPSION, 2011). Uma representação gráfica das correntes dos Estudos Baseados em Prática é fornecida na Figura 2. Ela ilustra mais o legado moderno dos Estudos Baseados em Prática para

usar a terminologia de Miettinen et al. (2009) - do que a elaboração mais recente sobre a prática como epistemologia.

Figura 2 – Evolução dos estudos baseados em prática

Fonte: Gherardi (2016, p. 201).

A partir dessas diferentes correntes que originaram os Estudos Baseados em Prática, destaca-se que esta tese segue a linha que teve início em 1960 com as propostas de Schutz, voltadas para a ação situada e pelas ideias de Hughes sobre sociologia no local do trabalho. Essa corrente é continuada pelos estudos de Garfinkel em 1965 que tratava da etnometodologia (indicialidade). A partir de então, verificam- se novas contribuições a essas correntes feitas por Suchman (1985), voltada para ação situada. Inspirada nessa corrente, Gherardi (2000), propõe a abordagem teórica knowing-in-practice, que será abordada na sequência.

Na seção, a seguir, será discriminada a relação dos conceitos de saberes do trabalho e a noção de knowing-in-practice, por visualizar a importância de considerá- los na composição das práticas de trabalhos da alta gestão.

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