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Les nouveaux modes de formation ne sont pas exclusifs des anciens

Dans le document The DART-Europe E-theses Portal (Page 137-141)

Chapitre1 : La force de travail dans les banques Tunisiennes et Allemandes

Chapitre 2 : Le système de formation bancaire en Tunisie et en Allemagne Tunisie et en Allemagne

2.4 Les pratiques de formation et de transmission des connaissances

2.4.4 Les nouveaux modes de formation ne sont pas exclusifs des anciens

A poética das águas e o encontro com a

outra margem. 08 textos

6.2 Crônica O cinza e o verde na cidade e na floresta. 11 textos 6.3 Excertos de textos

literários e letras de música

Entre letras, traços e cores, a recriação do

verbal no visual. 07 textos

6.4 Fotografia Cenas do cotidiano são poéticas da periferia. 08 textos 6.5 Bilhete Travessia da escola à vida na margem

ribeirinha. 07 textos

Total 41 textos

Fonte: autoral, a partir da pesquisa de campo desenvolvida entre janeiro e junho de 2017.

Em 2017, os 28 estudantes participantes da pesquisa cursando o sexto ano do ensino fundamental anos finais, já haviam ingressado no processo de escolarização há ao menos cinco anos. Apesar da ausência de dados sobre a vida escolar pregressa desses jovens, existe grande probabilidade de eles terem cursado as séries iniciais nas escolas municipais mantidas pelo poder público presentes nas comunidades ribeirinhas, onde a cultura local assume valor social de referência para as associações com a cultura escrita-urbana.

Visualmente, as três escola-lócus da pesquisa não eram lugares acolhedores. E os estudantes ribeirinhos distinguiam-se dos outros alunos pelos trajes mais simples, caderno e lápis nas mãos, gestos contidos e a variante oral sussurrada.

No microcontexto da sala de aula, essas características pareciam motivar estigmas e discriminações entre os estudantes. Outrossim, no macrocontexto social, eram indícios de mecanismos de exclusão social que distinguem os sujeitos e destinam espaços sociais periféricos.

A fim de interpor a estas distinções reproduzidas no espaço escolar, tornou- se urgente realizar a travessia e ultrapassar o que se apresentava como realidade dada. Realizar o movimento que permitisse penetrar em diferentes realidades sociais e desestabilizar mecanismos de poder e subalternidade. O entrelugar da cultura urbana escolar e da cultura ribeirinha estava diante de nós e precisávamos habitá- lo, colocando-se em diálogo com os estudantes ribeirinhos então autores de suas travessias.

6.1 Narrativas verbo-visuais: a poética das águas e o encontro com a outra margem

A escuta dialógica inicia na travessia dos estudantes de suas comunidades para a escola. O embarque e o desembarque são dimensões de um deslocamento espaço-temporal, discursivamente materializado na forma de oito narrativas verbo- visuais abaixo dispostas ao longo da seção.

Orientamos a análise para as formas semióticas e para os registros verbais, ambos constitutivos de projetos de dizer de sete estudante ribeirinhos em uma situação de comunicação na esfera escolar.

Disposta em par, as duas narrativas abaixo constituem uma sequência. Da direita para a esquerda, RayM, 11 anos, narra o percurso que faz para chegar de sua casa, na comunidade Nossa Senhora do Livramento, no igarapé do Aurá90, até

o porto da praça Princesa Isabel, no bairro da Condor, onde desembarca e caminha aproximadamente 500 metros até a porta da escola.

Imagem 3 – Sequência narrativa: entre a comunidade ribeirinha e a escola no bairro da Condor

Fonte: autoral, com base em material obtido na pesquisa de campo realizada em 2017.

A sequência espaço-temporal tem início no texto posicionado à direita, na comunidade situada em um braço de rio, o igarapé do Aurá. Ocupando todo o espaço da página, as formas geométricas justapostas reconstituem: (a) habitações e embarcações – triângulos, trapézios e paralelogramas dão forma aos telhados e cascos das embarcações; retângulos e quadrados recriam paredes, portas, janelas,

90 Das seis comunidades investigadas, a comunidade Nossa Senhora do Livramento é a única

localizada na parte continental de Belém, contudo, o acesso até a comunidade só se dá pelo rio Guamá.

pontes e trapiches; (b) a vegetação e os animais dispostos no igarapé do Aurá, em sua margem superior e na parte de baixo do papel, têm formas arredondas e boleadas, semelhantes a círculos e elipses.

Aqui, os elementos semióticos – traços arredondados, formas boleadas, os desenhos geométricos e as cores – reproduzem uma margem de Belém que “aparentemente” parou no tempo, onde a vida urbana dá lugar à floresta e à fauna, estes têm espaço privilegiado, um cenário idílico.

Na sequência narrativa percebe-se mudanças: árvores e arbustos começam a dividir espaço com construções. As embarcações, à bombordo91, conduzem o

interlocutor à cidade, onde as ruas, os carros, as motocicletas, a sorveteria, o relógio marcando 7h16 e a Escola Monsenhor Azevedo são destinos.

Assim como RayM, MayS e GaS também moram na comunidade Nossa Senhora do Livramento. Porém, cada travessia é única. Para MayS e GaS, Belém é margem oposta. Ambos reproduziram sua comunidade de origem na parte superior da página, e a outra margem, a cidade, na parte inferior.

Imagem 4 – Belém é margem oposta

91 Em termos náuticos, bombordo é o bordo à esquerda do rumo da embarcação.

Fonte: autoral, com base em material obtido na pesquisa de campo realizada em 2017.

GaS, com 12 anos de idade na época, constrói sua narrativa de maneira bastante peculiar. O tamanho das formas que recriam as duas margens (a comunidade ribeirinha e a cidade) dispostas nas extremidades superior e inferior, em comparação com a dimensão do rio que ocupa os outros espaços da página, recria posicionamentos espaciais e sociais para o interlocutor que visualiza o percurso a partir de uma distância espacial aérea, isto é, para alcançar aquele ângulo é preciso estar a quilômetros de distância do solo – esta é a visão que temos quando se parte ou se chega a Belém de avião, em sobrevoo. Perspectiva semelhante é utilizada por RayM (em sua sequência narrativa) e CaP.

Imagem 5 – O sobrevoo

Fonte: autoral, com base em material obtido na pesquisa de campo realizada em 2017.

Na segunda etapa da narração de RayM, as margens estão próximas, os elementos que figuram os diferentes contextos sociais mudam de tamanho, estão maiores. O destino aproxima-se. Chega-se à escola às 7h16. O tamanho é o dêitico semiótico que permite à narradora estabelecer uma sequência espaço-temporal com sua narrativa (o mesmo ocorre nas narrativas de Fag, FeM, LuL e MayS).

Imagem 6 – Dimensões como dêiticos semióticos

RayM, 11 anos

Fonte: autoral, com base em material obtido na pesquisa de campo realizada em 2017. FeM, 13 anos

Esse jogo semiótico com as dimensões, quando menor o rio maior os elementos que figuram nas margens e vice e versa, produzem, ainda, outros posicionamentos valorativos no interior das narrativas. Dessa forma, a aproximação

versus o distanciamento são maneiras de narrar que constituem o ato ético e

inauguram distinções nas formas do narrador estabelecer relações entre o ato e a realidade em sua volta.

Tendo em vista a demanda informacional implicada em ao menos duas leis discursivas: (a) a da informatividade – nos atos ilocutórios de asserção, só se enunciam coisas que a pessoa a quem se fala não conheça; (b) e a da exaustividade – diz respeito à taxa de informação que se deve apresentar numa troca verbal, exigindo que o enunciador exponha sobre um dado tema as informações mais fortes que ele tem (FIORIN, 2016, p. 29); deduz-se que a variedade de animais marinhos reproduzidos nos rios, a diversidade da flora, os diferentes tamanhos e tipos de embarcações, as nuances narrativas registradas a partir das dimensões das figuras nas duas margens, constituem demandas informacionais da atividade responsiva dos estudantes naquele evento de letramento.

Considerando o importante papel da visualidade na sociedade contemporânea, é mister observar a constituição dos sujeitos e suas identidades com base na análise semiótica do material visual. As cores, os traços, as formas da escrita são índices de valor social nos enunciados verbais, visuais e verbo-visuais.

Visto que as diferenças espaciais separam nossos narradores, tal qual as distinções socioculturais entre os narradores e seu narratário vão sendo evidenciadas nas narrativas, conclui-se que: (a) a quantidade e o tipo de elementos que figuram nas narrativas, (b) o plano enunciativo-discursivo que recria as distâncias a partir das dimensões dadas aos elementos que compõem as narrativas (rio, casas, barcos, flora, fauna, ruas, pontes, rio etc.), e (c) a construção do todo, as duas margens com o rio ao centro; estas são formas de registro dos deslocamentos socioculturais entre as margens, e a concretização das diferenças na forma de conceber a realidade a partir do espaço fronteiriço entre a cultura ribeirinha e a cultura urbana.

Tematiza-se a travessia entre as comunidades ribeirinhas e a zona urbana de Belém com ênfase valorativa. Cada margem constitui uma maneira de conceber a realidade em volta. No entanto, os estudantes estão no meio do rio, posicionam-se naquele espaço fronteiriço a fim de narrar suas histórias de travessia deixando

emergir a interação viva e tensa constitutiva da orientação dialógica de seus discursos.

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