Aperçu des chapitres
2. La base de données comme outil cognitif
2.3 Mémoire et algorithmes dans la psychologie
2.3.4 La nature algorithmique du cerveau
Em uma reunião de diretoria do Instituto Dona Placidina no ano de 1953, o então presidente, Benedito Sérvulo, fez o seguinte relato sobre o Externato:
... o Externato Santana desta cidade, fundado pelo saudoso Cônego João Lourenço de Siqueira. Como é de conhecimento de tôdos nós a idéia da criação do Instituto Dona Placidina não é minha, coube-me apenas o praser de executá-la. Já estava fundado o Externato Sant’ Ana e funcionando em casa onde se não me engano nasceu o Padre João, em frente a sua residência, na qual trocamos as primeiras idéias sôbre a fundação desta casa. Infelizmente a morte o ceifou antes de a iniciarmos. Os dados coligidos do citado livro das Irmãs de São Vicente diz respeito ao Externato Sant’Anna que veio funcionar no Instituto Dona Placidina, imediatamente à sua fundação, isto é, passou daquela casa para esta, perdendo então a sua denominação. Pois bem, nesse livro estão anotados fatos que dizem
18 Por trás do nome asilo podia estar estabelecimentos diversos como demonstraram os estudos de Kuhlmann
respeito a êsse Externato desde o ano de 1937. Creio, entretanto, que a sua fundação remonta alguns anos àquela data, porque nessa época era superiora desta casa a Irmã Superiora Eufrásia a quem coube a incumbência de mudar o Externato para êste Instituto. Creio que com a Madre Aparecida que hoje dirige o Ginásio Laranjal que parece-me ter sido a sua primeira diretora do Externato Sant’Anna, poderíamos, conseguir o histórico das duas casas que no seu conjunto deve-se considerar um todo... (Ata de 09 de junho de 1953, f.72)
A memória é seletiva e, após 22 anos da fundação do Instituto Dona Placidina e 39 anos da fundação do Externato Sant’Anna, passou a reconstruir uma periodização, bastante confusa, sobre o surgimento do Instituto. Mas, a análise do trecho fornece um dos poucos relatos sobre a transição das instituições que tinham como elo o projeto de atendimento à infância pobre sob a influência do padre João. Como se consolidou a transição entre as duas instituições?
... Como é de conhecimento de tôdos nós a idéia da criação do Instituto Dona Placidina não é minha, coube-me apenas o praser de executá-la. [pois] Já estava fundado o Externato Sant’Anna e funcionando em casa onde se não me engano nasceu o Padre João, em frente a sua residência... (Ata de 09 de junho de 1953, f.72)
Segundo a ata, o Pe João fundou o Externato e idealizou o Instituto. Coube ao Sr. Sérvulo Santana executar a segunda tarefa a qual o Padre não pôde executar em vida. Segue o registro:
... [o] Externato Sant’ Ana que veio funcionar no Instituto Dona Placidina, imediatamente à sua fundação, isto é, passou daquela casa para esta, perdendo então a sua denominação... (Ata de 09 de junho de 1953, f.72)
Este trecho precisa ser dividido em duas partes. A primeira afirmação é a de que o Externato veio funcionar no Instituto, após sua fundação. Isso significaria que o Externato Sant’Anna funcionou no prédio do Instituto em outubro de 1931, o que seria impossível, pois, conforme apontou Grínberg, no ano de 1933
Cumprindo o desejo do Cônego João Lourenço de Siqueira, falecido há dois anos, o dedicado amigo do falecido e prestante mogiano Sr. Benedito Sérvulo de Sant’Anna – residente na Capital – inicia às suas expensas, a construção de esplêndido prédio á Rua Senador Dantas, para o Colégio Dna. Placidina. (Grínberg, 1961, p.224)
Sobrado de Dona Yayá de Mello Freire, em 1927, que seria demolido para a construção do Instituto Dona Placidina. (Grínberg, 2001, 159)
O prédio do Instituto foi terminado em meados de 1937 e inaugurado em 1939. No período que vai de 1931 a 1937, pelo menos, o Externato Dona Placidina - se é que ele existiu para além do papel - funcionou no prédio do Externato Sant’Anna, atendendo as mesmas alunas (os).
Em 1936, Grínberg registra um fato bastante esclarecedor:
A 20 de abril muda-se para uma das salas do novo edifício do Colégio Dona Placidina, já quase concluído, o 1° ano do Colégio das Freiras que até aqui funcionava à rua Padre João. Realiza-se, assim, graças aos esforços do mogiano
Benedito Sérvulo de Sant’Anna, o desejo de outro mogiano: o Cônego João Lourenço de Siqueira. (Grínberg, 1961, p.236)
Construção do prédio sede do Instituto Dona Placidina de Mogi das Cruzes, a foto foi tirada, provavelmente, entre 1933 e 1935. (Ferreira, 1935, p.32)
O funcionamento do Instituto entre 1931, data de sua fundação, e 1939, quando o novo prédio foi inaugurado, é difícil saber. Porém, quando o novo edifício estava quase concluído recebeu “o 1° ano do Colégio das Freiras”, pois, em 1937, “Passa a funcionar em seu novo edifício a Rua Senador Dantas o Instituto D. Placidina, que se fundara em Mogi em 1914”. (Grínberg, 1961, p.239)
Prédio do Instituto Dona Placidina em 1940. (Grínberg, 2001, p.158)
Não houve, portanto, até 1939, uma ampliação no atendimento educacional na cidade de Mogi, ao que indicam os cronistas, o recém inaugurado asilo de meninas órfãs pobres - que passou a funcionar como internato e externato - recebeu, até aquela data, apenas a transferência de turmas de um prédio para outro.
Há um território comum, ou uma memória coletiva, no que se refere ao caráter do Externato Sant’Anna, o jornal O Liberal, Grínberg (1961) e Toledo (2004), afirmam que a Instituição fundada em 1914, atendia meninas pobres. Do final dos anos de 1930 em diante, após a inauguração do novo prédio do Instituto, passou a circular uma segunda versão sobre o que teria sido o Externato Sant’Anna, agora convertido pela memória, em algumas ocasiões, num “Asilo para meninas órfãs pobres”, quando a instituição criada para atender esta infância foi, na verdade, o
Instituto. É possível que os cronistas trabalhem com diversas camadas de memórias, construídas ao longo de anos, criando assim uma simbiose entre as duas Instituições.
As questões fundamentais que permanecem são: qual o lugar reservado às órfãs na Instituição criada para atendê-las? Quem administrava o Instituto? Com quais projetos?
No capítulo dois discutirei quem administrava o Instituto após 1931, tentando compreender quais as disputas internas na administração desta instituição, e de que modo estas disputas foram dando forma ao Instituto. No capitulo três discutirei o tratamento dado às órfãs.
Capítulo 2
O Poder e seus ocupantes
2.1. A ação da Igreja Católica e a dinâmica interna do Instituto Dona