1.2 Élastomères et renforcement
1.2.3 Dynamique et relaxation de polymères
1.2.3.1 Modèle de Rouse
Esta pesquisa tem como meta, em última instância, ajudar a trabalhar a conscientização, principalmente dos professores, para a questão das normas linguísticas. Especialmente no Brasil, o professor formado nos moldes tradicionais tem a visão de que seu
papel é ser intolerante e tirano em relação ao que considera erros de português. Com este trabalho, pretendemos verificar de que maneira a Sociolinguística Educacional pode contribuir para a mudança no padrão do ensino de Língua Portuguesa. Podemos pensar o padrão de duas maneiras: 1) o padrão de como ensinar; o que está padronizado como tradição de ensino de Português, que é o ensino de gramática descontextualizada, de análise sintática sem objetivo prático, de memorização de nomenclatura gramatical, sem reflexão sobre os termos e seus usos. 2) o padrão de o que ensinar; o que hoje é considerado como padrão de referência no ensino, a norma gramatical: que tem um padrão único (mesmo em um país continental como o Brasil), o silêncio a respeito da variação linguística e o apego à língua literária escrita no período clássico (CASTILHO, 2010, P. 101). No primeiro caso, há uma mudança nos procedimentos didáticos; no segundo, há uma mudança no conteúdo em si.
Todo esse processo de mudança pode começar na formação continuada de professores, uma vez que estes já são profissionais experientes, já reconhecem que o ensino como está hoje não tem trazido resultados positivos. A seguir, essa mudança que podemos considerar cultural, se estenderia para toda a sociedade, não só à sociedade escolar. Pode parecer um projeto ambicioso ou uma ideia utópica, mas temos consciência de que é possível mudar cultura. Presenciamos grandes mudanças culturais na sociedade em relação a diversas normas de comportamento sociais, como em relação ao fumo de cigarro e ao uso do cinto de segurança, por exemplo. Nesses dois casos, a mudança começou com informação à sociedade. No caso do cigarro, a informação é veiculada no próprio maço de cigarros. Um hábito que era considerado bonito, chique, elegante, pela sociedade, tornou-se feio, incômodo, insalubre. Hoje, há leis39 estaduais, distritais, federais que proíbem fumar em determinados locais, o que ajudou nessa mudança cultural. No caso do uso do cinto de segurança, além da legislação, houve fiscalização por parte da polícia militar e de trânsito e multa para os infratores da lei,
39 Lei Federal n. 9.294, de 15 de julho de 1996, dispões sobre as restrições ao uso e à propaganda de produtos
fumígeros;
Lei n.º 8.069, de 13 de julho de 1990 – Estatuto da Criança e do Adolescente. Proíbe vender, fornecer ou entregar, à criança ou ao adolescente, produtos cujos componentes possam causar dependência física ou psíquica;
Lei n.º 10.702, de 14 de julho de 2003, proíbe o patrocínio de eventos esportivos internacionais por marcas de cigarros a partir de 30 de setembro de 2005. Determina a veiculação de advertências sobre os malefícios do tabagismo na abertura, no encerramento e durante a transmissão de eventos esportivos internacionais, em intervalos de quinze minutos. Faculta ao Ministério da Saúde a colocação de propagandas fixas, com advertências sobre os malefícios do tabagismo, no local da realização do evento;
Lei n.º 7.488, de 11 de junho de 1986, Cria o Dia Nacional de Combate ao Fumo e determina a realização de comemorações no dia 29 de agosto em todo o território nacional.
Dentre muitas outras disponíveis em http://www.inca.gov.br/tabagismo/economia/leisfederais.pdf acesso em 24 nov. 2010.
além de campanhas informativas para a sociedade tomar consciência da importância do uso do cinto de segurança.
Acreditamos que o processo de mudança se inicia com informação. Os indivíduos munidos de informação iniciam mudanças no seu comportamento individual e, a seguir, as mudanças chegam ao nível coletivo, gerando mudanças nas culturas da sociedade, em um processo que poderíamos ilustrar da seguinte forma:
Imagem 9. Ilustração do Processo de mudança.
Nesses dois exemplos, vimos que, a partir da informação, das mudanças nas políticas do Estado e, no caso do uso do cinto de segurança, da punição, presenciamos mudanças consideráveis nas normas sociais. Reconhecemos que nem sempre a mudança começa apenas com informação, é necessário, muitas vezes, uma ação normativa para legitimar e dar força às mudanças que começam a surgir.
Voltando para o foco desta Tese, podemos afirmar que, assim como constatamos mudanças nas normas sociais, em relação ao fumo e ao uso do cinto de segurança, observamos mudanças na educação linguística: nos livros didáticos, nas políticas educacionais de formação inicial e continuada de professores, nos conteúdos a serem ensinados em sala de aula, propostos pelos PCN. Entretanto, tais mudanças ainda não alcançaram de forma efetiva o que deveria ser o padrão de ensino nas escolas; um histórico que, como vimos no capítulo 1, tem uma tradição muito longínqua no tempo e no espaço. Temos que ter claro em mente que o objetivo do ensino de português brasileiro como língua materna na escola é: 1) favorecer que o aluno – independente de suas origens socioculturais – tenha condições de ler com compreensão e redigir com competência diversos gêneros textuais que lhe darão acesso às diversas práticas da cultura letrada e às diversas variedades linguísticas; 2) proporcionar ao aluno o domínio da linguagem oral para que ele seja competente comunicativamente em diversos meios, como em entrevistas para admissão em um
emprego, apresentações sobre a empresa em que trabalha, um projeto que tenha elaborado, uma ideia que tenha desenvolvido. Mesmo um agricultor, em determinados momentos, precisará utilizar uma linguagem mais formal quando for comprar uma máquina industrial ou pedir um empréstimo no banco. Situações que exigirá que ele leia contratos e compreenda o que está sendo informado ali, sem se sentir subordinado ao conhecimento que ele não adquiriu.
Aprender ―dicas de português‖ não dará ao cidadão o domínio às exigências das diversas situações formais da sociedade. O aluno pode até achar curioso descobrir que a vida toda escreveu as saudações do dia bom-dia, boa-tarde, boa-noite, sem hífen, embora a norma ortográfica padronize tais expressões com hífen. Mas os alunos não podem ser ingênuos de acreditar que esse pequeno capital simbólico (BOURDIEU, 1998) é mais relevante que aprender a importância de saber redigir um texto claro, objetivo, conciso, com coesão e coerência e compreender a linguagem adequada aos diversos contextos dos gêneros textuais. A correção gramatical faz parte das qualidades do texto, mas ela não é a única qualidade. Sabe-se que o que a sociedade considera ―erro gramatical‖, especialmente as variantes estigmatizadas, chama mais atenção do que uma falha no uso de um conectivo, por exemplo, mas problemas estruturais no texto, como a falta de coesão e coerência, podem ser mais prejudiciais. Se profissionalmente uma pessoa redigir um relatório prolixo, longo, pouco objetivos, suas ideias podem ficar prejudicadas, por melhores que sejam. Ao mesmo tempo que, se essa pessoa tiver que apresentar oralmente o mesmo relatório e não adequar o seu vocabulário ao seus interlocutores, se não conseguir trabalhar as ideias para que elas se tornem interessantes e acessíveis, esse profissional pode perder grandes oportunidades profissionais.
O papel da educação em Língua Portuguesa é mostrar tudo isso aos alunos, futuros profissionais, e não continuar incentivando o aprendizado de ―dicas‖, de conhecimento isolado, de estruturas gramaticais que, por mais que achem interessante, os alunos não poderão aplicar em textos bem redigidos ou apresentações orais eficientes, se eles não têm domínio das ferramentas básicas, que são ler, escrever e falar com competência, conforme as exigências do contexto social.