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Limiter les risques professionnels

Dans le document Transitions professionnelles et risques (Page 55-58)

De l'imprévisibilité dans les ruptures professionnelles Sophie Denave *

2. Limiter les risques professionnels

Com base em Magnani, o método etnográfico é compreendido em sentido amplo, englobando as estratégias de contato e de inserção no campo, bem como as condições tanto para as práticas como para as experiências (MAGNANI, 2012). Enquanto um exercício antropológico, a etnografia em sua fase da escrita, produzida em “gabinete” (being here) é considerada por Roberto Cardoso de Oliveira (1998) como o momento mais fecundo de interpretação. Nesta fase, além das consultas ao diário de campo, a realização da etnografia

envolve o uso de esquemas e quadros criados para facilitar a análise das informações produzidas em campo.

No caso da presente pesquisa, a análise é resultado e resultante de interpretações. Estas, por sua vez são balizadas por categorias e conceitos constitutivos das ciências sociais. Assim, para interpretar as informações produzidas durante o trabalho de campo, adotei categorias que considero que são centrais nesta pesquisa, a saber: Risco, Desastre, Fator-ameaça, Dinâmica familiar/comunitária e Mobilização política.

Categoria compreende uma noção ou a ideia geral que se tem sobre um assunto. A noção que compõe a categoria foi construída a partir de aproximações teóricas e mediante o conhecimento de alguns conceitos8. Abaixo segue com as categorias da pesquisa e a noção correspondente a cada uma delas.

Quadro 1- Categorias da pesquisa e seus significados.

Categorias de

Análise

Ideia central

RISCO

Na presente pesquisa, o risco se refere ao risco de desastre que atinja moradias no morro, por exemplo: deslizamento de barreira. Enquanto categoria, risco representa uma noção que corresponde à possibilidade de acontecer um evento extremo indesejado pelos moradores, podendo esta possibilidade ser definida por profissionais peritos da prefeitura do Recife, a partir do conhecimento técnico; ou pelos moradores, a partir de seu conhecimento empírico. Por envolver estimativas ou impressões, considerei em torno da categoria risco, as falas que os moradores remetessem a suas expectativas de caráter permanente em torno do imprevisível, do incerto, do arbitrário que possam acontecer com sua moradia.

DESASTRE

Refere-se a desastre socioambiental que atinjam direta ou indiretamente moradias nas áreas de morro. Enquanto categoria, compreende o acontecimento, um fato que provoca a ruptura da rotina dos indivíduos e suas famílias e implica em perdas materiais e simbólicas para os moradores afetados.

FATOR- AMEAÇA

Compreende elementos materiais ou não relacionados diretamente a desastres. Geralmente o fator-ameaça é compreendido como produtor do risco ou elemento provocador do desastre, por exemplo: chuva, barreira, muro de contenção, ausência de infraestrutura etc. DINÂMICA

FAMILIAR/ COMUNITÁRIA

Envolve práticas e arranjos sociais com o caráter de autoproteção individual ou comunitária com vistas a se evitar um desastre ou amenizar as consequências deste. Também são consideradas nesta

8 No terceiro capítulo é possível conferir uma explanação das principais teorias produzidas nas ciências sociais e

pesquisa ações ou rotinas desenvolvidas pelas famílias que já foram atingidas por um desastre relacionado a moradia na barreira, ou aquelas ações geradas em torno do risco do desastre (da possibilidade da ocorrência de um evento desastroso). Nesta pesquisa, foram consideradas ações baseadas na solidariedade, na consciência coletiva, de responsabilidade individual, política ou outra.

MOBILIZAÇÃO POLÍTICA

Envolve iniciativas individuais ou coletivas, por parte dos moradores, que estejam ligadas a sua inserção em instâncias de decisões políticas para decidir ou influenciar mudanças que lhes tragam benefícios. São consideradas ações de mobilização política, individual ou coletiva, a participação em associação dos moradores, clubes e outras entidades da comunidade; participação em conselhos e conferências (municipais, estaduais ou nacionais) de políticas setoriais, tais como conferência das cidades, conferência municipal de defesa civil; da política de habitação e outras; também são consideradas as ídas das pessoas, organizadamente ou não, às secretarias ou órgãos públicos responsáveis pela execução de políticas, programas ou projetos que os moradores sejam usuários ou que tenham direitos.

CATEGORIAS EMERGENTES

Com este espaço, eu quis garantir a presença de assuntos surgidos nas entrevistas, ligados ou não à temática da pesquisa, mas que foram relevante para compreender o contexto das falas dos indivíduos.

Fonte: Elaborado pela pesquisadora.

As informações obtidas nas entrevistas foram tratadas a partir de um quadro, que chamo de quadro analítico das entrevistas (o modelo deste quadro consta no quadro 2 em apêndice B). Este quadro foi criado por mim no intuito de organizar/sistematizar as falas dos moradores em torno das categorias de análise explicitadas acima, e possibilitar:

a) A compreensão de como os interlocutores vêem e interpretam suas vivências em relação ao risco, ao desastre, bem como os fatores-ameaças;

b) Identificar estratégias e práticas, comuns ou isoladas, que representem um aspecto da vida das pessoas cujas moradias estão em contexto de risco de desastre.

c) Identificar as práticas que se configurem como práticas de mobilização política. Assim, o quadro analítico das entrevistas se compõe de três colunas e seis linhas. As colunas são nomeadas por: Categorias, preenchidas com os termos de cada categoria da pesquisa; Trechos das falas, preenchidas com fragmentos das entrevistas que interpretei correspondente às categorias; e Notas e Observações, preenchidas com as minhas análises preliminares a respeito de cada parte da entrevista extraída. Nos apêndices desta dissertação,

segue um modelo do quadro analítico usado para cada entrevista. Vale ressaltar que, na parte superior do quadro, constam informações relativas a composição e organização familiar bem como as condições materiais das pessoas entrevistadas.

De forma operacional, procedi com algumas práticas, que, até certa medida, foram dadas em sequência como um passo-a-passo; contudo, vale ressaltar que o trabalho etnográfico demarca interferências impossibilitando que esta análise pudesse ser dada em uma sequência rígida e inflexível. Assim, os procedimentos postos abaixo servem apenas para exemplificar como se deu a análise das informações.

1) Realização de leitura atenta da transcrição das entrevistas;

2) Marcação das partes das entrevistas (usando a ferramenta de sombreamento do Word) com as cores escolhidas para representar cada categoria;

3) Transferência dos trechos marcados para o quadro analítico que foram fixados nas linhas da categoria correspondente no quadro. Vale ressaltar que não me restringi a destacar as partes das entrevistas a aparição dos termos das categorias, por exemplo, quando as palavras risco, desastre ou chuva foram citadas nas entrevistas. Os trechos que elegi para unidade de registro foram aquelas partes da fala que, de acordo com a minha compreensão/interpretação, fizessem menção explícita ou implícita as categorias desta pesquisa.

4) Depois de reunidos os trechos nas células da categoria correspondente no quadro, procedi com a análise propriamente dita das entrevistas. Contudo, devo mencionar que esta, ainda era uma análise preliminar (parcial), a qual se complementa com o passo seguinte;

5) Por fim, a análise (preliminar) das falas recortadas de acordo com cada categoria, foram cruzadas com as informações relativas ao contexto particular de cada morador (fator de geração e gênero, dinâmica familiar, condições estruturais da casa em que mora e outros). A partir daí, busquei entender o surgimento de outros assuntos abordados espontaneamente durante as entrevistas, em geral, também relacionados ao lugar de moradia, como: violência, direitos de herança, habilidades profissionais etc.

A análise tem por base a teoria interpretativa de uma antropologia simbólica, que considera, no mesmo patamar, os sentidos e os elementos políticos envolvidos na produção de tais significados no espaço urbano.

Nos apêndices desta dissertação, segue o modelo do quadro analítico das entrevistas (quadro 2 do Apêndice B). O motivo de constar aqui um modelo e não propriamente o quadro utilizado, deve-se ao fator praticidade, tendo em vista que as entrevistas geraram quadros que

variam de 8 a 25 páginas de Word. Diante do propósito deste estudo, considerei suficiente apresentar o modelo do quadro utilizado nas análises.

2.3 SABERES URBANOS DA ANTROPOLOGIA: UM PANORAMA DOS ESTUDOS A

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