Chapitre II : Arts, culture et silence
II.1. Les voix du silence dans l’univers sonore et des harmonies
II.1.2. La coexistence du silence complice et des bruits
O setor de comércio varejista possui características bem específicas. A atividade comercial pode ser compreendida, segundo Salgueiro (1995 apud França Junior, 2010) como a fase que vai fazer a intermediação entre a produção de bens e o seu efetivo uso e consumo, sendo a sua finalidade fazer com que o produto chegue até seu destinatário final, que é o consumidor. De acordo com a caracterização feita pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o setor de comércio varejista é dividido em três tipos: comércio atacadista, comércio varejista, comércio de veículos e motocicletas e comércio a varejo de combustível. A empresa estudada aqui pertence ao segmento de comércio varejista de grandes supermercados.
O setor de varejo supermercadista se segmenta em formatos diferentes de estabelecimento: hipermercados, supermercados, lojas de conveniência, delicatessens, clubes de compra e homecenters. O formato de hipermercado, disseminado pelas grandes cadeias de supermercados, surgiu na década de 60, sendo este uma invenção francesa, nascida da necessidade de aumento de consumo e da redução dos custos com mão de obra, uma vez que determinadas funções foram extintas ou transferidas para os próprios consumidores. Neste tipo de empreendimento estão inseridos diversos serviços e produtos, pois além de produtos alimentícios, de higiene e limpeza, têm-se também outros serviços oferecidos, a exemplo de padarias, vestuário, equipamentos automotivos (FRANÇA JUNIOR, 2010).
É necessário considerar a revolução que foi feita a partir da introdução deste formato de loja na economia, que trouxe o processo conhecido como auto-serviço, em que o próprio cliente pode escolher e recolher o produto que deseja, sendo facilitado pelo uso de carrinhos e da disposição das mercadorias em prateleiras. Apesar de gerar facilidade no acesso aos produtos e agilidade no momento da compra, o que está por trás deste processo é a questão da redução do número de funcionários em relação ao tamanho das lojas, uma estratégia que transfere para o consumidor determinadas operações que antes eram executadas
pelos trabalhadores, como é o caso do ato de o consumidor pesar determinadas mercadorias ou conferir preços em terminais eletrônicos.
No entanto, o setor do comércio varejista consegue absorver trabalhadores que antes trabalhavam na indústria e no campo e, principalmente, os jovens de baixa instrução, que o veem como primeira oportunidade e opção de emprego. Além destes aspectos levantados, faz-se necessário considerar que o setor do comércio varejista mostra-se como essencial e estratégico para que seja possível o processo de acumulação do capital, pois, de acordo com Padilha (2006 apud França Junior, 2010), é neste setor que ocorre a retirada da mercadoria de circulação, ou seja, a compra da mercadoria pelos consumidores, através do comércio. É por este motivo que o capital comercial, segundo argumentação de Marx (1975, p. 115) passa a fazer parte do processo produtivo, a partir do momento em que “a produção não produz, pois, unicamente o objeto de consumo, mas também o modo de consumo, ou seja, não só objetiva, como subjetivamente. Logo, a produção cria o consumidor”, e, consequentemente, o comércio participa da reprodução e da realização do lucro do capitalista, considerando que o lucro só se realiza quando ocorre a efetiva venda da mercadoria.
Quando se analisa as mudanças mais recentes ocorridas neste setor, nota-se que essas se deram a partir do avanço do capital estrangeiro e da abertura econômica, através da expansão do comércio pelo mundo. No entanto, a reestruturação do comércio varejista se intensificou na última década do século XX, com a internacionalização dos negócios das corporações transnacionais, por meio de fusões e aquisições. Essas mudanças trouxeram consigo a inserção de novas tecnologias e novas formas de gestão do trabalho. No caso das grandes cadeias supermercadistas assistiu-se a introdução dos códigos de barra, terminais de computadores e do PDV8 (BASTOS, 2002).
Uma das mudanças centrais trazidas pelo processo de reestruturação deste segmento foi a necessidade do controle de estoque, principalmente, no que se refere ao espaço de armazenamento e a agilidade no processo de entrada e saída dos produtos. Atendendo a essas necessidades e a própria falta de espaço, muitos hipermercados já possuem depósitos centrais, onde os produtos são armazenados para futura distribuição. Essa foi uma via encontrada para os supermercados administrarem as falhas no suprimento por parte dos fornecedores. A lógica do just in time no ato, de abastecer as gôndolas de acordo com a
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Um PDV (ponto de venda) é o conjunto de equipamentos eletrônicos que permitem a realização da venda de forma automatizada, rápida nos “check-outs” (caixas), geralmente dotados de leitor ótico, impressora de cheque e nota fiscal, terminal de cartão de crédito, um sistema que interliga o processo de fornecimento ao de vendas, potencializando a lógica just in time qual imperou modelo toyotista de gestão (CORIAT, 1994; FRANÇA JUNIOR, 2010).
demanda, abastecimento este realizado, muitas vezes, por funcionários dos próprios fornecedores, teve como consequência a eliminação de atividades que não agregam valor e, consequentemente, de postos de trabalho.
Tem-se, portanto, o uso de novas tecnologias, principalmente, as ligadas a informatização dos processos, uso de novos equipamentos tecnológicos e à ampliação da contratação de funcionários por via da terceirização, sobretudo, por meio dos chamados promotores, que são pessoas disponibilizadas pelos fornecedores para organizarem os produtos nas gôndolas, eliminando, assim, o trabalho dos repositores da própria empresa.
França Junior (2010) ressalta que as mudanças ocorridas no comércio, principalmente nas grandes cadeias varejistas, não alteraram apenas os aspectos estruturais e funcionais, a exemplo da disposição dos produtos nas prateleiras, da inserção de novas tecnologias, do aumento do número de check-outs (caixa), mas alteram, também, as formas de gestão, incorporando técnicas advindas do sistema toyotista, como o uso de aspectos subjetivos de persuasão psicológica para capturar a subjetividade do trabalhador. Dentre os meios utilizados, tem-se a adoção da remuneração variável, que vai depender do desempenho do funcionário, assim como a busca do envolvimento dos trabalhadores com os ideais e os valores da organização, utilizando-se de novas palavras que procuram esconder o real sentido das palavras originais, a exemplo do uso do termo “colaborador” ao invés de “trabalhador”, pois assim, o mesmo tem a falsa ilusão de que faz parte da empresa, de que está sendo valorizado por colaborar com o sucesso da organização.
Apesar das mudanças tecnológicas e organizacionais facilitarem e agilizarem o atendimento, tornando os processos de trabalho mais eficazes, levando ao aumento da produtividade e, consequentemente, da lucratividade das empresas, isto não garante melhorias reais nas condições de trabalho dos trabalhadores. Ao contrário, se percebe mais exploração dos mesmos, através de vias mais sutis, que se escondem por trás das políticas de engajamento e que levam o trabalhador a ter que se comprometer mais com a empresa. Este tema será retomado mais adiante, sendo central nessa pesquisa. Antes, porém, segue a contextualização da empresa estudada.