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3.3 Influence du traitement thermique des ´ echantillons sur la diffusion Raman 103

3.3.1.2 Interpr´ etation th´ eorique

Para efeito de entendimento, definimos aqui como participantes todos que contribuíram com informações para esta pesquisa e que estão alocados nos seguintes grupos:

Para preservar a integridade e identidade dos jovens participantes, nesta pesquisa os jovens foram nominados com pseudônimos.

Dentre os participantes do grupo A e do grupo B alguns profissionais e jovens contribuíram também como interlocutores, uma vez que nos primeiros passos da

pesquisa de campo, possibilitaram a inserção e imersão na rotina do CSE-RR.

Quadro 1: Dos participantes

Fonte: Elaborado pela autora

3.1.2.1 Da seleção dos participantes a sistematização e análise de dados documentais

A seleção dos participantes ocorreu com base em alguns critérios que a aqui diferencio em critérios comuns aos dois grupos e critérios específicos. Dentre os critérios comuns ao grupo A e B, o principal foi o interesse e concordância em participar. Neste sentido além dos contatos iniciais e das conversas informais estabelecidas, os informantes concordaram e autorizaram a utilização de suas informações, falas e até mesmo fotografias por dois meios: via gravação e via assinatura do Termo de Consentimento Livre e Esclarecido34F34F

35.

Os critérios para o grupo B inicialmente, foram os seguintes: · Responder por ato infracional de natureza grave.

· Indicados por participantes do grupo A; · Facilidade de expressão e comunicação;

35 O Termo de Consentimento Livre e Esclarecido é uma exigência do Conselho Nacional de Saúde, regulamentada pela Resolução no 466, de 12 de dezembro de 2012. Sua obrigatoriedade se aplica a pesquisas envolvendo seres humanos na área da saúde. Para este estudo, na área das Ciências sociais, não há obrigatoriedade para autorização no Conselho de Ética Nacional, tão pouco a aplicação do Termo de Consentimento Livre Esclarecido. Por uma questão de ética pessoal da pesquisadora, o Termo foi utilizado e aplicado a participantes do Grupo A. No grupo B os esclarecimentos quanto a pesquisa, suas concordâncias quanto a participação e divulgação de informações, foram realizadas por gravação.

No decorrer da pesquisa outros critérios foram sendo estabelecidos em função das variantes que foram surgindo.

1o Variante: Fluxo de jovens:

Embora tenham sido internados por haverem cometido atos infracionais de natureza grave, os jovens no CSE-RR encontram-se em Regime de internação provisória (aguardando decisão judicial que, por força de Lei, deve ser promulgada no prazo máximo de 45 dias); ou Regime de internação após julgamento, cumprindo medida socioeducativa determinada pelo Juiz. Assim, o primeiro recorte necessário para seleção foi de exclusão dos jovens em Regime de internação provisória, pois poderiam, como de fato ocorreu, serem libertos no decorrer da pesquisa. A seleção considerou apenas os jovens ‘já sentenciados’.

2a variante: Tipos de Medidas socioeducativas.

No decorrer da leitura dos processos, a noção de que a medida socioeducativa que os jovens do CSE-RR estavam cumprindo naquele momento, estava relacionada a natureza do ato infracional cometido, foi redimensionada e forçou a realização de um novo recorte. A aplicabilidade inicial da medida socioeducativa, de fato, tem relação com a natureza do ato infracional cometido, entretanto, no decorrer do período de internação o jovem pode sofrer progressão e passar, por exemplo, de uma medida de internação sem possibilidade de atividades externas, para semiliberdade. Portanto, o fato de estar em semiliberdade não implica dizer que não tenha cometido ato infracional de natureza grave. O segundo recorte foi para selecionar jovens que tenham cometido ato infracional de natureza grave, independente da modalidade de medida socioeducativa.

3a variante: Local de Cumprimento das medidas socioeducativas por modalidade.

Quando iniciei a pesquisa de campo, ainda na fase de leitura dos processos, o CSE-RR comportava todos os jovens que respondiam medidas socioeducativas, independentemente de sua modalidade. Assim, junto aos Sentenciados com ou sem possibilidade de atividades externas, ficavam os jovens em semiliberdade. Muitos destes jovens passavam o dia lá mesmo pelo CSE-RR. No decorrer da pesquisa, os jovens da semiliberdade, por força de Lei, foram retirados do CSE-RR e enviados para Unidade especifica de atendimento a esta modalidade de medida sócio- educacional. Essa determinação de mudança de prédio realizada após muitas ações impetradas pelo MP, embora necessária e demandasse providências por parte do

estado, dificultou o acesso a estes jovens para a realização da pesquisa etnográfica, pois nas novas instalações a medida socioeducativa de semiliberdade começou a ser cumprida a termos, com o retorno à nova unidade apenas a noite. Frente a este contexto, os jovens que haviam cometido ato infracional de natureza grave, mas encontravam-se em semiliberdade foram excluídos e nova seleção foi feita dentre os jovens que encontram-se respondendo por medida socioeducativa com e sem possibilidade de atividades externas. Aqui vale uma ressalva. Os jovens que cumprem medidas socioeducativas com possibilidade de atividades externas não foram excluídos neste recorte porque não se ausentam do CSE-RR. Segundo a gestão, o trabalho de acompanhamento a esses jovens para a realização das atividades externas é inviabilizado devido ao quantitativo de socioeducadores insuficiente para atender a demanda.

4a variante: Período de cumprimento da medida socioeducativa.

Após o recorte anterior e tendo estabelecido como novo critério que consultaríamos apenas os jovens que haviam cometido ato de natureza grave e estivessem em cumprimento de medida socioeducativa com e sem liberdade de atividade externa surge a 4a variante: independente do período da sentença estabelecida pelo juiz no ato do julgamento, a medida socioeducativa deve ser revista pelo Juizado da Infância e Juventude a cada seis meses. Portanto era necessário considerar o interstício de tempo da internação do jovem e a previsão de encerramento da pesquisa de campo, evitando assim que a coleta de dados e a relação etnográfica não fosse concluída em detrimento a uma possível progressão para a semiliberdade extinção da medida socioeducativa (liberdade).

5a variante: Representação de exacerbado perigo a integridade física da pesquisadora.

Essa variante surgiu em função da existência de alguns laudos psiquiátricos, atestando em alguns jovens quadros psicopatia; quadros de explosões repentinas e extrema agressividade decorrente de crises de abstinência química, relatados por profissionais do CSE-RR e presenciados pela pesquisadora nas visitas as celas e assedio físico a professora. Alguns desses jovens, quando consultados do interesse em participar, se dispuseram de pronto, com bastante interesse. Entretanto, apesar das constantes cobranças por parte deles, por uma questão de assegurar minha integridade física, o quinto corte foi realizado.

dos processos, análise documental e informações coletadas junto aos profissionais do CSE-RR, todas antes do primeiro contato pessoal com os jovens, descrito no na seção 4.4 deste capitulo. Faz-se uma ressalva para última variável que surgiu também por meio do contato direto com os jovens.

A cada variante um recorte foi realizado, estabeleceu-se novos critérios de seleção e um novo quadro de possíveis participantes do grupo B se apresentava. A consulta aos jovens quanto ao interesse de participação foi realizada simultaneamente a elaboração do último quadro com levantamento dos jovens (Apêndice A) a partir dos critérios que foram se estabelecendo.

Em síntese, após as variantes e recortes apresentados, os critérios de seleção para participantes do grupo B se conformaram da seguinte maneira:

· Responder por ato infracional de natureza grave.

· Ter indicação do grupo A (esse critério não foi aplicado em todos os casos);

· Ter facilidade de expressão e comunicação;

· Não estar no Regime de internação provisória, aguardando deliberação do juizado;

· Encontrar-se respondendo por medida socioeducativa com e sem possibilidade de atividades externas;

· Responder por ato infracional de natureza grave, independente da modalidade de medidas socioeducativa;

· Período de cumprimento da medida socioeducativa considerando o interstício de tempo da internação do jovem e a previsão de encerramento da pesquisa de campo;

Com objetivos iniciais de selecionar os possíveis jovens participantes com base nos critérios estabelecidos no projeto desta de pesquisa, o primeiro passo foi, simultâneo as interações com os profissionais do CSE-RR, organizar um quadro que dispusesse as informações acerca dos jovens internos no CSE-RR, partindo dos diversos documentos contidos em suas pastas individuais tais como: cadastros, relatórios técnicos, plano de atendimento individual – PIA, relatórios de ocorrências internas, processos judiciais e demais formulários. O quantitativo desses documentos variam de acordo com as reincidências e consequentes retornos ao

CSE-RR, bem como ao período maior ou menor de internação. Encontrei casos com dois extensos volumes.

A sistematização e análise dos dados destes documentos permitiram também, a partir de um contexto mais amplo, situar os jovens desde uma perspectiva institucional com os dados uniformizados (idade, sexo, trabalho, situação conjugal, escolaridade, renda familiar, moradia e quanto ao conhecimento atos infracionais cometidos e medidas socioeducativas aplicadas) - até uma perspectiva subjetiva por meio das narrativas de familiares e dos próprios jovens. Além disso possibilitou que eu conhecesse o que deu causa a sua internação.

O conjunto dessas informações permitiram elaborar um quadro institucional geral dos jovens infratores no CSE, que apresento no Capítulo 4; reunir informações a partir das quais, junto aos dados coletados em conversas informais com funcionários e indicações, estabeleci o primeiro contato face to face com os jovens, fazendo a pesquisa de sondagem de interesse em contribuir com este estudo na qualidade de participante; elaborar o roteiro semiestruturado para a realização da entrevista com os jovens que se voluntariassem.

Em conformidade com os critérios de seleção após a realização de alguns recortes e com o quantitativo de 16 jovens tendo manifestado interesse de participação na pesquisa, passei para a segunda etapa do processo de seleção efetuando as entrevistas com os jovens.

3.1.2.2 Das Entrevistas

Semiestruturadas, a partir de um roteiro prévio com questões que além de suas trajetórias de vida abordaram dimensões relativas a identidade e projetos de vida (Apêndice B), as entrevistas além de contribuírem para a conclusão da seleção dos participantes, possibilitaram acessar o olhar do jovem sobre sua trajetória de vida e o modo como a violência aparece em suas narrativas, em especial a violência que deu causa a sua internação (todos fizeram questão de falar).

Com duração média de 60 minutos, a primeira entrevista com os jovens foi realizada em sala especifica e devidamente gravada com anuência dos jovens.

As dimensões exploradas na entrevistas semiestruturada foram se aprofundando durante a observação direta, em momentos em que foi possível realizar entrevistas semiestruturadas e observar situações de interação pessoal que trazia informações relativas as dimensões exploradas.

Desde as primeiras inserções no universo da pesquisa de campo, mesmos as de caráter meramente exploratórios, houve uma preocupação em zelar pelo olhar atento aos movimentos que dão vida ao CSE-RR, sem perder de vista acontecimentos que quebram a rotina (fugas, agressões a funcionários e etc).

3.1.2.3 Da Observação participante

Para observação participativa segundo Eckert (2008), “a interação é a condição da pesquisa. Não se trata de um encontro fortuito, mas de uma relação que se prolonga no fluxo do tempo e na pluralidade dos espaços sociais vividos”. Entretanto algumas situações inerentes ao próprio contexto em que se insere a pesquisa, condicionaram as interações estabelecidas a momentos específicos, já que a maior parte do dia os jovens ficam em suas celas. Os “espaços sociais” para interação foram limitados ao ambiente escolar, a sala de leitura, a momentos de visitação as celas e atividades extracurriculares, a exemplo dos torneios esportivos quando pude circular na quadra de esportes e ter acesso a todos. A regularidade da presença nos ambientes e momentos que era possível interagir com os jovens foi o que facilitou a inserção no campo e possibilitou a interação e a participação direta na rotina.

As observações e entrevistas não-estruturadas foram registrados em caderno de notas e transcritas para o diário de campo. As entrevistas semiestruturadas realizadas com os 16 jovens, foram degravadas e sistematizadas em quadros organizados por dimensão investigada para a realização da análise de dados. Com base na análise do discurso.

A análise de dados foi extremamente complexa principalmente por causa da quantidade de informações coletadas e da natureza subjetiva das questões e da própria análise. Frente a infinidade de registros contidos nos diários de campo e nas entrevistas alguns cortes foram feitos para que se pudesse evitar desvios do foco.

3.1.2.4 Concepção para procedimentos de análise

Considerando a orientação etnográfica quanto aos procedimentos de análise, neste estudo a sistematização, interpretação subjetiva e análise de dados foram feitas simultaneamente, logo em seguida a utilização do instrumento de coleta. Ou seja, a medida em que as entrevistas foram sendo realizadas, a transcrição, as análises e a natural comparação com informações coletas por meio das

observações registradas em diário de campo, iam acontecendo. Ao cruzar algumas informações registradas em diferentes dias e instrumentos (diário de campo e transcrição das entrevistas) foi possível identificar várias vezes diferentes discursos sobre uma mesma realidade.