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Absorption par des particules bim´ etalliques

2.3 Spectrophotom´ etrie d’absorption

2.3.2 Absorption par des particules bim´ etalliques

Historicamente, é possível verificar que o conceito de jovem e juventude varia de acordo com a época, com o local, a cultura e o modo de inserção dos indivíduos em um determinado contexto social (VERMELHO, 1995).

A juventude é uma categoria social que começa a se constituir e adquirir o sentido atual (multiplicidade/diversidade) a partir da Modernidade. Isso implica dizer que as percepções e correntes teóricas sobre ela são decorrentes de questões sociais, culturais, historicamente desenhadas na Modernidade. É dizer também que os indivíduos “jovens” de períodos historicamente anteriores têm significados,

papéis, características, comportamentos bastante diversos do que se atribuem recentemente (WEISHEIMER, 2013). É importante ressaltar neste sentido uma questão relativa à universalidade e temporalidade: neste resgate histórico deste recorte, apesar da sistematização cronológica adotada, as mudanças ocorridas, a internalização de alguns conceitos, concepções e princípios não ocorreram nem ocorrem de maneira linear e universal.

Desde a Grécia Antiga até o século V, as raízes filosóficas tinham suas âncoras em Homero, Sócrates, Platão e Aristóteles. Neste período, a vida era organizada em torno do efebo. Segundo Ortega y Gasset (1987), apresentava-se como modelo a ser seguido a figura do homem maduro que educa e dirige. Na Roma Antiga, que tem início em 753 a.C., com a fundação de Roma, até por volta do século V, os estudiosos eram Lucrécio, Cícero, Sêneca e Quintiliano. E, no governo de Augusto, os meninos de 16 anos eram inseridos em uma classe denominada “príncipes da juventude”.

Por volta do século VI e VII, na Idade Média, as delimitações começavam a assumir características etárias, definidas como: infância (de 0 a 7 anos), puberdade (de 8 a 13 anos), adolescência (de 14 a 21 anos) e juventude (de 22 a 30 anos). Uma consideração importante trata do fato de que, apenas aos 40 anos, os homens podiam participar dos cargos políticos, porque esta idade representava o fim da idade dos perigos.

Na aristocracia urbana da Idade Média, o conceito de juventude era essencialmente “romântico” e estava ligado aos estudos, às atividades artísticas e às paixões que, muitas vezes, terminavam tragicamente. Para o ocidente judaico- cristão, a juventude significa missão, a necessidade de buscar o sustento para realizar o casamento, constituir família e, então, procriar.

Com o advento da industrialização, os jovens, como indivíduos em outros ciclos de vida, seriam mais referenciados por seu lugar no mundo do trabalho:

O surgimento da sociedade do trabalho, no século XVI, impõe uma condição nova: o jovem, para possuir condições materiais para manter uma família, deve ter um emprego. Esta ideia se dissemina ao longo do século XVII, com a expansão industrial. A relação com o mundo se faz a partir das relações de trabalho, que irão definir a situação social do indivíduo e a identidade da juventude. (Vermelho, 1995)

Embora a existência do termo adolescência remonte ao princípio do período industrial, sua democratização, segundo Feixa (2006, p. 3) só aconteceu por volta do

início do século XX, a partir de uma série de mudanças que se processaram no mundo e nas principais instituições (escola, família, mercado de trabalho), contribuindo para o reconhecimento da existência da adolescência enquanto uma fase da vida atrelada à idade, situada entre a infância e a maioridade, cujos indivíduos que nela se encontrassem carregavam o status de quem não era adulto, mas também não era criança. No campo do direito, uma das primeiras manifestações de reconhecimento da existência da adolescência ocorreu em 1899 com a promulgação de lei Britânica que proibia o encarceramento de jovens menores de 16 anos junto a adultos.

Segundo Pais (1990, p. 148),

na segunda metade do século XIX, os problemas e tensões a ela [adolescência] associados a tornaram objecto de «consciência social». O envolvimento dos jovens em grupos de amigos e os comportamentos que começaram a ser identificados como fazendo parte de uma «cultura adolescente» foi fonte de preocupações, tanto de educadores como de reformistas de meados do século passado [século XIX].

Entretanto, é com o psicólogo norte americano G. Stanley Hall (1904), responsável pela Teoria Psicológica da Recapitulação27F27F

28 e considerado autor do

primeiro Tratado Teórico sobre a Juventude Contemporânea, que surge o conceito de adolescência (uma espécie de primeira etapa da juventude) associado a transitoriedade, maturação biológica e faixa etária. O termo adolescência na obra de Stanley Hall (1904) corresponde a um processo primariamente biológico, que transcende à área psicossocial e que constitui período durante o qual se acelera o desenvolvimento cognitivo e a estruturação da personalidade simultaneamente.

Para o autor, a adolescência é uma fase da vida humana de transição entre a infância e a fase adulta, compreendida entre os 12/13 e 22/25 anos, de natureza crítica, carregada de emoções, tensões e comportamentos rebeldes, oscilantes e contraditórios, a qual denomina de storm and stress, conceito análogo ao sturm und drang difundido pelos alemães28F28F

29. Segundo Feixa (2006), por esta teoria de G.

28 Hall, tomando como referência a teoria biologista de evolução das espécies difundida por Darwin, elaborou a Teoria Psicológica da Recapitulação, cujas bases se alicerçam na premissa de que a estrutura genética da personalidade leva incorporada a história dogênero humano: cada organismo individual, no transcorrer de seu desenvolvimento, reproduz as etapas que também ocorreram ao longo da evolução da espécie humana, desde a pré-história até os dias atuais.

29Segundo Spenlé (1945, p.2) a expressão ‘Sturm und Drang’ foi utilizada como título em uma peça teatral de autoria do alemão Friedrich Maximilian Klinger, publicada em 1776, na qual autor, inspirado no Estado da Natureza de Rousseau, enfatizava as emoções humanas e a expressão individualista e subjetiva sobre a ordem natural do racionalismo. A peça deu nome ao movimento literário romântico

Stanley Hall,

La adolescencia está dominada por las fuerzas del instinto que, para calmarse, reclaman un período largo durante el cual los jóvenes no sean obligados a comportarse como adultos porque son incapaces de hacerlo. (FEIXA, 2006, p. 4).

Sua obra teve uma enorme influência no reconhecimento do status de adolescente pelas mais diversas instituições – escolas, internatos, tribunais de menores, prisões, serviços de ocupação e bem estar, mas trouxe consigo um caráter ambivalente: se por um lado aclamava-se o novo status enquanto edificação de uma visão positiva da adolescência, como um modelo do progresso da civilização industrial, “celebrando la creación de un período de la vida libre de responsabilidades, caracterizado por el conformismo social” (FEIXA, 2006, p. 5); por outro lado despertou críticas que apontavam a existência de um caráter elitista, com base no argumento de que implementação da adolescência nos termos de Hall (enquanto fase de transição, de preparação para vida adulta, na qual o indivíduo está livre de responsabilidades laborais e se dedica à escolarização e à expressão de sua criatividade e etc.), estava atrelada à pertença a dada classe social, portanto privilegiando uma em detrimento da outra.

Mientras para los jóvenes burgueses significaba un período de moratoria social dedicado al aprendizaje formal y al ocio, para los jóvenes obreros era una de las consecuencias de la segunda industrialización, que los expulsaba del mundo del trabajo y los condenaba al paro forzoso y a la calle. (FEIXA, 2006, p. 4)

Uma outra crítica a Stanley Hall diz respeito à determinação da fase da adolescência e manifestações comportamentais cronologicamente atreladas à maturação biológica, desconsiderando outros aspectos que fazem parte do contexto em que o sujeito está inserido (social, cultural). Embora seja inegável o fato de que universalmente o ser humano passa por transformações físicas e emocionais especificas (surgimento de pelos, crescimento dos órgãos genitais), pensar a adolescência apenas como manifestação de atitudes e comportamentos resultante

alemão, que contestava o racionalismo iluminista do século XVIII e primava pela sentimento, a emoção natural. As palavras ‘Sturm’ e ‘Drang’ juntas expressam conceito único com uma tradução que se aproxima do sentido de “ímpeto tempestuoso”, “tempestade de sentimentos”, “efervescência caótica de sentimentos” ou “tempestade e ímpeto”. As obras publicadas por defensores deste movimento apresentam o homem contra o convencionalismo.

do desenvolvimento da natureza humana é aprisioná-la em moldes vazios de valores, emoções e expressões características de sua inserção nos paradigmas sociais e culturais.

Segundo Pais (1990, p. 146), Reuter, em artigo publicado no American Jornal of Sociology, foi um dos primeiros sociólogos a reconhecer que o surgimento da adolescência, enquanto fase da vida humana situada entre a infância e a fase adulta, não se processa, necessariamente, de mesmo modo em todas as sociedades. No campo da Antropologia, Mead (1935) também já havia contestado a tese de que a adolescência estava limitada a uma proposição inexorável da maturação biológica e psicológica, ao afirmar que a fase da adolescência apresentava limites cronológicos e duração, diferenciados, variantes de cultura para cultura, de sociedade para sociedade.

Frente a este breve contexto interdisciplinar, é possível identificar as raízes de diversos movimentos, tendências e correntes teóricas que, corroborando, refutando e/ou redimensionando as teorias em torno da adolescência, fundamentam discussões e concepções sobre jovem e juventude.

Para este estudo, considero importante aprofundar as questões teóricas relativas à concepção de transitoriedade relacionada ao estabelecimento de marcos etários e às principais correntes teóricas relativas à sociologia da juventude. Assim, dois recortes foram feitos e desenvolvidos nos itens: adolescência e marcos etários; Concepção de Juventude: Tendências e correntes teóricas.