La diffraction d’atomes dans l’approximation de B ORN
7.3 Etude de la figure de diffraction dans la limite semi- semi-classique
7.3.3 Influence du facteur d’obliquit´e
A posição sujeito Presidente da República é reiterada na fala de Dilma Rousseff principalmente quando ela busca demonstrar o trabalho do seu governo no combate à corrupção, ou quando defende a importância e a legitimidade de seu trabalho à frente da chefia de estado brasileiro. Esta posição não aparece de uma forma autoritária ou taxativa de normas e regras, ao menos não de maneira explícita, mas sim como a posição de um sujeito que é líder de um país e está trabalhando em prol desta nação e busca legitimar este trabalho diante de seus eleitores.
Sdr. 1 [...] Essa é uma responsabilidade de cada governo.
Responsabilidade que assumimos, ao fortalecer nossas instituições. Construímos o Portal Governamental da Transparência que
assegura, ao cidadão, acessar os gastos governamentais em 24 horas.
Aprovamos a Lei de Acesso à Informação que permite ao cidadão, o
soberania do país. Fortalecemos e demos autonomia aos órgãos que
investigam e também ao que faz o controle interno do governo. Criamos leis que punem tanto o corrupto, como o corruptor. O
fortalecimento de tais instituições é essencial para o aprimoramento de uma governança aberta e democrática. A recente reeleição do Brasil para o Comitê Executivo da "Parceria para o Governo Aberto" vai nos permitir contribuir também para governos mais transparentes no plano mundial. [...] (BRASIL, 2014, grifos nossos).21
Pronunciado durante abertura de debate da 69ª Assembleia Geral das Nações Unidas (ONU), em setembro de 2014, fase de intensa campanha à reeleição e de constantes protestos no Brasil diante das denúncias constantes de corrupção envolvendo a Petrobrás, o trecho do pronunciamento presente, na Sdr.1, enfatiza uma suposta tentativa de transparecer o compromisso do governo com estas demandas, com o combate à corrupção. Uma antecipação de resposta, da presidente, aos questionamentos que poderiam surgir em face da situação vivida pelo país naquele período, perguntas que outras nações poderiam fazer naquele momento, e as quais ela se antecipa enumerando as principais ações de seu governo para o enfrentamento da corrupção.
Sdr. 2 [...] O Brasil sabe que jamais compactuei com qualquer ilícito ou malfeito. Meu governo foi o que mais apoiou o combate à
corrupção, por meio da criação de leis mais severas, pela ação incisiva e livre de amarras dos órgãos de controle interno, pela autonomia da Polícia Federal como instituição de Estado, e pela independência assegurada ao Ministério Público.Os governos e a
justiça estarão cumprindo os papéis que se espera deles se punirem exemplarmente os corruptos e corruptores[...] (BRASIL, 2015, grifos nossos).22
A segunda sequência de corpus citada faz parte do pronunciamento de Posse do segundo Mandato no dia 01 de janeiro de 2015, depois de uma reeleição bastante disputada
21
Discurso da Presidenta da República, Dilma Rousseff, na abertura do Debate de Alto Nível da 69ª Assembleia Geral das Nações Unidas (ONU)- 24 de Set. de 2014.
alcançada em meio a fortes protestos e manifestações populares e midiáticas. Esta fala tem uma grande importância em nosso corpus analítico, e, especificamente nesse trecho, traz a posição sujeito presidente reeleita justificando as ações de seu governo diante da situação envolvendo a corrupção no país, mesmo o pronunciamento já sendo previamente preparado ele surge sim como resposta aos questionamentos de grande parcela dos brasileiros diante da situação de crise política que já começava a se desenhar nessa fase, a presidente reitera a posição de tranquilidade diante do compromisso de governar em meio à turbulência gerada pelas investigações da operação ―Lava Jato‖. Isso se repete nos dois trechos citados abaixo, de dois pronunciamentos realizados nos meses logo sequentes a sua posse, a sequência 3 ainda em janeiro em uma Reunião Ministerial na Granja do Torto e a sequência 4 em março de 2015 durante a Cerimônia de Lançamento do Pacote Anticorrupção, sendo esta certamente uma resposta às reivindicações populares naquele período.
Lembrando que em março de 2015 aconteceram as principais movimentações populares de insatisfação com a corrupção e o governo brasileiro em si, com centenas de pessoas lotando ruas e praças, fase em que já se ouviam rumores de um possível Impeachment. O lançamento deste Pacote Anticorrupção pode ser considerado um apoio na construção deste ethos de líder preocupada com os problemas enfrentados pelo país, aquela que já está enfrentando estes problemas com ações concretas e não alguém que ainda precisa se comprometer com promessas de melhoria.
Sdr. 3 [...] Vou chegar ao final deste mandato podendo dizer o
mesmo que disse do primeiro: nunca um governo combateu com tamanha firmeza e obstinação a corrupção e a impunidade [...]
(BRASIL, 2015, grifos nossos).23
Sdr. 4 [...] O meu compromisso quero dizer a vocês, com o combate
à corrupção e à impunidade é coerente com a minha vida pessoal, com a minha prática política [...] E é coerente com a minha atuação como presidenta da República. [...] (BRASIL, 2015, grifos
nossos).24
23Discurso da Presidenta da República, Dilma Rousseff, durante abertura da Reunião Ministerial - Granja do Torto – 27 de Jan. de 2015.
24Discurso da Presidenta da República, Dilma Rousseff, durante cerimônia de Lançamento do Pacote Anticorrupção – 18 de Mar. de 2015.
O que fica mais evidente quando nos detemos na posição sujeito Presidente da República presente na fala de Dilma Rousseff é a preocupação com os problemas e as dificuldades enfrentadas pelo país, as quais, segundo ela, seriam as prioridades de seu governo, a vida pessoal não interessa a esta posição. Assim, ela fala da posição de alguém que coloca a sua responsabilidade como líder do país à frente dos interesses pessoais, alimentando sua legitimidade e credibilidade de governante séria e comprometida com o Brasil.
Outro ponto importante da análise desta posição sujeito é o movimento de busca por legitimação da presidente, movimento esse que interpela o interlocutor na demanda por convencimento e adesão. Deste modo, sempre que acontece a inquisição direta ou indireta sobre o combate à corrupção a resposta é de que ele já está acontecendo, uma maneira de esfriar esta demanda constante nesse período, ao invés de dizer que realmente será necessário criar mecanismos mais eficientes para combater a corrupção e assumir esta responsabilidade diante dos interlocutores, a justificativa é de que esse combate já está sendo realizado. Isso é perceptível ao analisar suas falas, como as citadas acima, e identificar a enumeração de justificativas e supostas ações que já estariam sendo realizadas por seu governo desde o primeiro mandato para enfrentar o gargalo criado pela corrupção no país, que era a questão mais debatida nessa fase da operação ―Lava Jato‖.
Outro ponto que é necessário ser apontado, sobre o qual, no entanto, não aprofundaremos a análise em nosso trabalho, é a questão da dificuldade da presidente em se expressar com clareza em grande parte de seus pronunciamentos, tanto entrevistas como discursos, o que pode gerar diversos efeitos de sentido, entre eles certa proximidade com o povo, além de uma maior franqueza, uma vez que as falas não parecem ser preparadas para convencer de algo irreal. Mesmo os pronunciamentos, que já são escritos com antecedência, sempre deixam transparecer momentos de improvisação ou espontaneidade, que geraram muitas críticas e até piadas em diversos momentos de sua vida pública e principalmente depois da posse na presidência, mas que em poucos momentos foram avaliados sob a perspectiva de uma maior transparência discursiva, ou maior dificuldade de controle da linguagem, mesmo sabendo, sob a ótica da análise do discurso, que não existe uma maneira de controlar a linguagem, existe sempre esta tentativa por parte do sujeito e uma grande variação de sucesso neste ―domínio‖ entre um sujeito e outro.
Em todas as falas enumeradas acima ela comenta alguma ação criada pelo governo no combate à corrupção, como a criação de leis, do portal da transparência, além da autonomia dada à Polícia Federal e ao Ministério Público, o que possibilitou inclusive, a autonomia das
investigações da operação ―Lava Jato‖. Deste modo, percebemos, nesse jogo de sentidos e imagens, a transposição de um ethos de governante que sempre esteve cumprindo seu papel, ou seja, a tentativa de esfriar os ―ânimos‖ relacionados à demanda por parte de seus interlocutores pela criação de soluções para os casos de corrupção. Ela se posiciona como alguém que já vem enfrentando este problema, como se tudo estivesse como deveria e não houvesse necessidade de criar outros mecanismos de combate à corrupção além dos que já são utilizados pelo seu governo, como se fosse uma questão de tempo para que tudo fosse resolvido e dessa forma não havia necessidade de se comprometer.
Predomina uma posição sujeito democrata que está respeitando as solicitações do povo sem reprimir as manifestações, mas que, no entanto, não dá grande ênfase à problemática da corrupção por se colocar como aquela que já a está combatendo. Existe a tentativa de demonstrar coerência entre o seu discurso, de democrata e patriota, com a sua atuação como Presidente da República, mas mantendo um afastamento seu e de todos que estão envolvidos em seu governo, podemos considerar o Partido dos Trabalhadores, desta realidade problemática que era enfrentada pelo país, ela mantém, de certa forma, o discurso da não responsabilidade já utilizado anteriormente pelo governo Petista.