ET LA DIVERSITE DES ACTEURS « VUS PAR LE HAUT »
A PARTIR DES PRATIQUES DES TOURISTES ET DES HABITANTS
C) Les non partants 55
I- II1- Les activités liées aux voyages
A – Entrevistador
Entrevistado 1 (G3.A)
Entrevistado 2 (G3.B)
Entrevistado 3 (G3.C)
Os colegas G3.A, G3.B e G3.C concordaram, desde o primeiro momento, em conceder esta entrevista. A entrevista decorreu numa sala de reuniões cedida pela Direcção da escola. O nosso diálogo decorreu de forma descontraída, procurando “dar a palavra” aos entrevistados, de forma organizada. Uma conversa prévia e descontraída permitiu aflorar os principais temas, contextualizando os blocos temáticos.
A: Começo por agradecer a vossa disponibilidade e autorização para efectuar a gravação, pelo que podemos partir para a análise do tema proposto. Um tema que já conhecem e, por isso, acredito que partiremos à descoberta de aspectos que marcaram a formação contínua ao longo dos últimos anos e conhecer, na vossa opinião, os factores que terão contribuído para níveis de satisfação ou de insatisfação face às necessidades sentidas quer pelos docentes quer pelas escolas, enquanto organização. É um tema muito geral que, provavelmente, nos coloca algumas reticências, algumas questões de futuro perante os desafios do novo ECD e, complementarmente, no que respeita à avaliação de desempenho. Começaria por perguntar quais as virtualidades que vocês identificam na formação contínua realizada ao longo dos últimos anos?
G3.A – Direi que teve muitas virtualidades. Todo este sistema de formação permitiu a articulação entre os diferentes níveis de ensino não superior, através da sua representação e presença nas Comissões Pedagógicas onde se discutiam os planos de formação. Por isso, creio que houve preocupação em procurar temas de interesse para a escola no intuito de corresponder a desafios que se lhes iam sendo colocados. Mas agora, não deixo de perguntar: mas qual é a instituição ou como é que se queira chamar neste caso ou um Centro de Formação, ou seja, qual é o projecto que desde o início não
tem pontos fracos? O que interessa é conseguir melhorar esses pontos fracos.
G3.B – Houve uma evolução significativa, em termos de qualidade das acções, da resposta, do atendimento (pausa) houve um crescendo. A partir do momento em que há isso, tem de se chegar ao fim e dizer que afinal foi positivo. Se calhar, numa fase inicial, ainda havia muita coisa que estava a ser pensada e repensada. Eu, pessoalmente, penso que a filosofia que está por detrás é boa. Permite o enquadramento, a contextualização e vai ao encontro do que são as filosofias pedagógicas, desde a contextualização do ensino, o desenvolvimento curricular entre outros temas. No entanto, tendo em conta as limitações que as escolas têm, isto é pouco exequível. E é pouco exequível, porquê? Sobretudo no que respeita à nova legislação, diria que nós não temos pessoas com horas estabelecidas para fazer isto e as escolas não as podem disponibilizar e nem têm dinheiro para as levar por diante. Terá de ser o estado a dar essa garantia, caso contrário será injusto que sejam os colegas a pagarem a formação.
G3.A – Disseste que era pouco exequível e eu direi que é quase utópico. Acho que a filosofia que está por detrás é boa, positiva e importante mas para isso tinham que dotar as escolas de meios para levar isto a bom porto, recursos humanos e financeiros. Depois há outro aspecto importante. Eu, se tiver algumas dificuldades em determinadas áreas e não conseguir resposta dos centros de formação, terei a responsabilidade de pesquisar e tentar encontrar soluções para o problema. E o professor terá de ter a capacidade para fazer isso. Terá de ter a capacidade para ser autodidacta. Será talvez aí que as escolas vão conseguir material humano, com alguma qualificação, para concretizar os projectos educativos.
G3.C – Outro aspecto importante que sobressai da formação contínua realizada nos últimos anos é o facto de muita dela respeitar, se integrar nos contextos em que os docentes trabalham e o facto de se terem realizado muitas acções em que era possível testar os conhecimentos adquiridos na formação presencial com as práticas lectivas, como foi o caso das oficinas e círculos de estudo. A formação contínua proporcionou certamente o ambiente adequado para a implementação da inovação curricular e novas formas de organização do trabalho pedagógico nas escolas, isso não pode ser esquecido. A: Há, então, uma ideia muito positiva…
G3.C – É claro que não podemos esquecer alguns pontos menos positivos. De escola para escola, os procedimentos e as atitudes variavam. Nem sempre o funcionamento de alguns CFAES seria o melhor e muito menos a sua articulação com as escolas. Os
nossos colegas também nem sempre terão tido a melhor colaboração… há aqui culpas de muita gente! Depois há a questão dos créditos de formação… a sua associação à progressão na carreira.
G3.B – É verdade. Também concordo contigo mas deixa-me voltar atrás e referenciar que me parece, pelo menos na nossa escola isso é sentido, que a formação promoveu o associativismo entre estabelecimentos de ensino, valorizou a formação solicitada pela escola… Sei que a escola, através dos grupos disciplinares delineava as áreas de intervenção que considerava prioritárias e sei que, muitas delas eram consideradas, até as modalidades de formação variavam, a partir dos contextos organizacionais. Não queria aqui deixar de referir um outro aspecto que por vezes é esquecido, o do desenvolvimento pessoal, o do encontro e partilha entre os docentes (pausa)…na procura de sugestões de actividades motivadoras na sala de aula. Era importante pensar no sucesso dos alunos.
G3.A – É óbvio que não deixo de concordar sobretudo porque nesta escola sempre existiram boas experiências. No entanto, permite que te diga que um dos aspectos negativos desta nova forma de desenvolver a formação é o facto de mexer com questões de direitos e deveres. Ou seja não tem em conta os limites dos deveres e dos direitos, do ponto de vista do profissional. A escola pretende que se consiga determinado tipo de coisas para a comunidade escolar. É uma obrigatoriedade mas, tendo em conta aquilo que é exigido para que possa ser concretizado com qualidade, não lhes são dadas as condições. Enquanto profissionais têm o dever de o fazer, pela avaliação, pela progressão, pelo sucesso dos alunos e pelo brio profissional, mas existe uma conflitualidade porque este sistema não respeita os direitos que as pessoas têm relativamente aos seus tempos pessoais. A escola absorve em demasia os docentes não lhes dando o espaço suficiente para a formação.
A: Com um início tão interessante, não devo interromper mas, permitam-me que vos solicite a vossa opinião quanto aos procedimentos adoptados na construção/planificação dos planos de formação, durante esse período?
G3.B – De um modo geral, houve uma evolução em termos de qualidade, permitiu uma boa ligação dos docentes aos centros de formação e, no nosso caso, a evolução foi tão significativa que nós passámos a contar com o nosso centro para a nossa formação em exclusividade e correspondia ao que pretendíamos. Foram sempre identificados os
aspectos negativos e procurando melhorá-los.
G3.A – Houve sempre partilha quer de necessidades quer de possibilidades em termos de facultar a formação e sempre se tentou aferir esses vários pontos de forma a que os docentes pudessem manifestar as suas necessidades em termos de formação e, por outro lado, o centro pudesse ter em conta todos esses aspectos para no conjunto reunir tudo o que se conseguir.
G3.C – Entre a escola e o Centro sempre existiu uma boa articulação, algo que neste momento, com os novos ajustamentos de centros, nem sempre acontece. Os grupos disciplinares procediam ao levantamento de necessidades que eram levadas a Conselho Pedagógico para aprovação e, posteriormente, o representante na comissão pedagógica do centro apresentava o plano da nossa escola. E aqui, temos de reconhecer, que nem sempre o que era considerado como fundamental fazia parte do plano global do Centro. Porquê? Várias razões. Umas vezes falta de formadores, pelo menos essa era a razão invocada, outras vezes por falta de financiamento suficiente e haveria que gerir prioridades com outras escolas, outras vezes sobretudo nos últimos anos, obedecendo a orientações superiores quanto a prioridades. E aqui esqueciam-se as realidades locais…Muito triste. Enfim, globalmente a formação foi positiva mas com muitas incertezas e atritos num percurso grande parte das vezes muito sinuoso e oscilante. G3.B – Não sejamos tão pessimistas. Afinal, a formação trouxe muitas coisas positivas levando o docente a não entrar no marasmo. O que mais terá faltado? Se calhar até há uma certa responsabilidade da tutela ao não ter podido ou querido implementar um sistema de mais rigor na avaliação dos formandos e da formação. Apesar de alguns erros, creio que na nossa área sempre existiu alguma reflexão articulada com o CFAE. Essa articulação permitiu que, dentro do possível, a formação atendesse ao desenvolvimento pessoal, ao desenvolvimento profissional e ao desenvolvimento organizacional. Por isso, a construção dos planos era da responsabilidade do centro mas sem nunca deixar de auscultar a escola e os docentes. E a formação ia correspondendo às necessidades sentidas pelos docentes de conhecerem novas práticas que os levassem a aperfeiçoar os seus desempenhos. E reconheço que a área da informática foi uma primeira alavanca importante para muitos professores que hoje dominam as novas tecnologias e muito ficam a dever a estas primeiras formações. E hoje, passados estes anos, é altura de os Centros de Formação de Associação de Escolas repensarem o contexto das práticas até ao momento presente e transformarem as possíveis intenções