O Centro Português de Design foi instituído pelo Decreto-Lei 47/85, de 26 de Fevereiro de 1985, como uma pessoa colectiva de utilidade pública, sem fins lucrativos, inicialmente com o nome de Centro Nacional de Design. O Ministério da Indústria e Energia pretendeu caracterizar o perfil institucional do Centro, através de um grupo de sócios fundadores que abrangesse organismos estatais de apoio à Indústria e à Cultura, e as associações industriais mais representativas a nível nacional: LNTI, actual Instituto Nacional de Engenharia Tecnologia e Inovação (INETI), Instituto de Apoio às Pequenas e Médias Empresas (IAPMEI), Centro para o Desenvolvimento e Inovação Tecnológicos (CEDINTEC), Instituto Português da Qualidade (IPQ), Fundo de Fomento Cultural (FFC), Instituto Português do Património Cultural (IPPC) - actual Instituto Português do Património Arquitectónico, Associação Industrial Portuguesa (AIP) e AI Portuense, actual Associação Empresarial de Portugal.
No entanto, e apesar de ter sido nomeada, nessa altura, uma comissão instaladora, a que presidiram os Arquitectos Duarte Nuno Simões e Tomás Taveira, só em 1990 se dá o arranque das actividades do CPD, presidido pelo Arquitecto Sena da Silva.
As estratégias iniciais de actuação apontavam para relações preferenciais com quatro parceiros: Empresas Industriais, consideradas, à data, como o “principal agente de mudança”, em que o Design e sua gestão deveriam assumir um papel preponderante; Instituições de Ensino e Formação, que tivessem como objectivo uma acção fomentadora da “instalação de Escolas de Arte e Design nos
principais pólos industriais do país”; Organismos Públicos, nomeadamente, os sócios fundadores do Centro com os quais se deveriam promover programas comuns de promoção e divulgação do Design; Meios de Comunicação Social (média) como canal de “sensibilização do público para alguns conceitos básicos de Design”, no sentido de desenvolver uma atitude crítica em relação a uma certa agressão por parte do marketing internacional, fomentando o bom-senso e a capacidade de escolha. Em 2000, a actividade do CPD era já de interface entre os parceiros do Design (tais como empresas industriais, de serviços, designers, escolas e consumidores) e tinha, como estratégia, dar grande ênfase à comunicação (fosse nos média ou nos novos meios), e também ao Design Urbano que constituía uma forte aposta, com cursos de pós-graduação em colaboração com a Universidade de Barcelona. Outras acções desenvolvidas com a colaboração do CPD, foram levadas a cabo na Indústria Vidreira (com especial relevo para a Marinha Grande), na Indústria Têxtil (através da implementação de vários programas), e no lançamento de acções internacionais com outros centros de Design europeus. A promoção de encontros entre as escolas do ensino superior de Design, a criação de um Observatório do Design, a ampliação das acções de formação anteriores para designers e empresários e a atribuição dos Prémios Nacionais de Design(59) foram outras iniciativas relevantes.
Em finais de 2003, concluiu-se o “Plano para o Design”, plano bienal que dava especial relevo à tónica “valor: a competitividade e a qualidade, na gestão das empresas precisa do Design” e do qual destacamos as seguintes acções: iniciativas com empresas e entidades, através de cursos de gestão multimédia para as PME, de concursos como o Bombay Sapphire, do trabalho de animadores de Design (cultura do Design), da 9ª edição do programa “Jovens designers nas empresas”, e da Vitrocristal - projecto que privilegiava a vertente de gestão do Design, aplicada na criação de uma marca colectiva. Foi organizado um Congresso intitulado Use(r) Design, onde durante quatro dias, profissionais portugueses e estrangeiros, falaram do Design em Portugal e no Mundo, e foram realizadas acções de promoção dos melhores produtos e marcas portuguesas, das boas práticas em gestão do Design, bem como de formação de recursos humanos nas empresas(60).
Actualmente, e desde 2005, está a ser implementado o programa “Design +”, descrito, no site(61)do
CPD, como uma acção para a internacionalização das empresas portuguesas, através do recurso ao Design, como factor de competitividade, e ao desenvolvimento de competências nesses domínios. O seu delineamento teve em consideração os pressupostos de uma política de Design, no sentido da adequada valorização deste factor de competitividade para o desenvolvimento económico. Tem, como principal objectivo, contribuir para a promoção externa de marcas e produtos integrados, de empresas portuguesas, desenvolvidos numa óptica de captação do valor através do Design, para a conquista ou o reforço de mercados europeus.
(59) Souto, Maria Helena, 100 anos de Design Português, O Tempo do Design, Cadernos de Design, Anuário 2000, CPD, Ano oito, nº 21/22, 2000, p. 87
(60) Design - para uma cultura de valor, CPD, brochura laçada no Jornal Expresso e na revista Visão, Novembro de 2003 (61) Design mais, CPD, 2005 - www.cpd.pt
Dirige-se a 75 empresas do sector produtivo e a 15 associações, proporcionando às empresas: estágios de designers juniores com acompanhamento de formadores seniores; informação sobre tendências de mercados e estilos de vida; sessões de trabalho de direcção de Design; seminários de formação para os quadros da empresa; desenvolvimento de um produto integrado num universo: Pessoa / Casa / Cidade; inclusão de produtos da empresa em exposições nos mercados externos; participação de um membro da empresa numa missão empresarial no exterior; possibilidade de integração dos seus produtos nas acções em pontos de venda; possibilidade de acesso a novos canais de distribuição; referência à empresa em publicações promocionais e inserções nos média; assistência especializada por parte de consultores e peritos. É ainda de referir que, este programa elegeu, como mercados alvo internacionais, a Expohogar - Barcelona, Espanha (2005), uma feira a realizar em Moscovo, Rússia (2006), a Design Week, Milão, Itália (2006), uma feira a realizar em Barcelona, Espanha (2006) e a 100% Design, Londres, Inglaterra (2006).
No que diz respeito às associações, proporciona: estágios de designers juniores com acompanhamento de formadores seniores; informação sobre tendências de mercados e estilos de vida; seminários de formação para os quadros da associação; referência à associação em publicações promocionais e inserções nos média.
O CPD, além do que foi descrito, presta igualmente serviços de aconselhamento contratual no âmbito do Design, de consultoria em Design, de diagnóstico de Design, de formação / qualificação de recursos humanos, de gestão de projectos integrados, de organização de concursos e eventos e de selecção de designers, constituindo-se como um organismo dinamizador e de interface entre todos os parceiros anteriormente referidos, mantendo, ao mesmo tempo, relações com outros centros e instituições internacionais de Design.