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La fonction de l’origine dans le traitement douanier des marchandises

Dans le document L'origine des marchandises (Page 87-92)

O Jardim de Infância é o colo do crescimento e amadurecimento da criança. É aqui que, sem se sobrepor à família e à sua incontestável importância, o educador assume um papel de grande responsabilidade. A responsabilidade dos educadores emerge na medida em que deverá ter consciência da importância desta etapa da vida, das implicações que terá, enquanto profissional e cuidador, no desenvolvimento infantil, na construção, na contenção e acolhimento, na formação pessoal e social de um ser humano em desenvolvimento. A consciencialização do seu papel e a formação pessoal é um fator importante para a sua dinâmica profissional, enquanto educador, construtor pedagógico do conhecimento e da relação, mas também enquanto figura plurissignificativa de valores, afetos, figura de representação e modelo. Em 2001, o valor dado à profissão manifesta-se na exigência de possuir um grau universitário para todos os educadores de infância, à semelhança do que acontecia já com os professores de todos os outros níveis de ensino e a publicação do Perfil Geral (Decreto-Lei Nº 240/2001, de 30 de Agosto) e dos Perfis Específicos para os educadores de infância e professores do 1º ciclo do ensino básico (Decreto-Lei nº241/2001, de 30 de Agosto), estabelecendo as competências que estes

profissionais devem possuir em termos da conceção e desenvolvimento e integração do currículo.

Marchão (2013, p.25) reforça esta ideia dizendo que

Nos últimos anos tem crescido a preocupação e a investigação sobre a educação de infância, particularizando-se essa preocupação e investigação, sobretudo, com a qualidade dos contextos e das práticas educativas desenvolvidas com as crianças mais novas. Esta preocupação crescente e os processos de investigação desenvolvidos confirmam que contextos de qualidade e práticas educativas que enfocam a criança têm efeitos duradouros na pessoa em que a criança se transforma e, por consequência, nos contextos onde se opera a cidadania plena. (Marchão, 2013, p.25)

Também a Lei-Quadro da Educação Pré-escolar n.º 5/97 de 10 de fevereiro (ME, 1997) estabelece que a educação no jardim de infância é complementar da ação educativa da família com a qual a relação deve ser constante permitindo o desenvolvimento equilibrado da criança tendo em vista a sua integração plena na sociedade. Na mesma a Lei são definidos os objetivos gerais e pedagógicos para a educação pré- escolar, entre eles:

a) Promover o desenvolvimento pessoal e social da criança com base em experiências de vida democrática numa perspetiva de educação para a cidadania; b) Fomentar a inserção da criança em grupos sociais diversos, no respeito pela pluralidade das culturas, favorecendo uma progressiva consciência do seu papel como membro da sociedade; c) Contribuir para a igualdade de oportunidades no acesso à escola e para o sucesso da aprendizagem; d) Estimular o desenvolvimento global de cada criança, no respeito pelas suas características individuais, incutindo comportamentos que favoreçam aprendizagens significativas e diversificadas; e) Desenvolver a expressão e a comunicação através da utilização de linguagens múltiplas como meios de relação, de informação, de sensibilização estética e de compreensão do mundo; f) Despertar a curiosidade e o pensamento crítico; g) Proporcionar a cada criança condições de bem-estar e de segurança, designadamente no âmbito da saúde individual e coletiva; h) Proceder à despistagem de inadaptações, deficiências e precocidades, promovendo a melhor orientação e encaminhamento da criança; i) Incentivar a participação das famílias no processo educativo e estabelecer relações de efetiva colaboração com a comunidade.”

(ME, 1997, p. 15) Estes objetivos encontram um lugar comum no acolhimento do desenvolvimento da criança nesta etapa crucial da vida. É por isso que estes objetivos terão que ser reforçados no jardim de Infância e de alguma forma operacionalizados nas dinâmicas, linguagens e abordagens criadas no contexto de educação pré escolar.

As Orientações Curriculares para a Educação Pré-escolar, publicadas em 1997 (Despacho n.º 5220/97), acabaram por se tornar um documento fundamental para a educação pré-escolar e para todos os educadores, sendo através deste documento que, os mesmos, fundamentam e organizam a sua prática pedagógica no desenvolvimento do processo educativo, promovendo o desenvolvimento das crianças (ME, 1997).

Folque (2014, p.7) considera que

“A identidade holística e transdisciplinar do currículo na Educação Pré Escolar, o seu caráter emergente e socialmente contextualizado nas vivências das crianças e a valorização das pedagogias participativas são, por vezes, pouco valorizados e, em algumas situações, chegam a ser afetados diretamente pelas orientações organizativas gerais para toda a escola; alguns exemplos são certos modelos de avaliação das crianças impostos pelas direções, numa lógica classificativa e não formativa, bem como as regras de organização da rotina semanal, com tempos dedicados às diversas áreas do currículo. Importa igualmente levar em conta as recentes orientações do Ministério da Educação e Ciência (a partir de 2011) (…) colocando uma enfâse no conhecimento científico centrado nas áreas consideradas áreas nucleares da matemática e do português, desvalorizando necessariamente as áreas de conhecimento do mundo, da formação pessoal e social e as áreas das expressões artísticas. (Folque, 2014, p.7)

A ênfase que se pretende dar a esta etapa da vida prende-se com o acolhimento e suporte ao nível do desenvolvimento na sua globalidade não afunilando este percurso para uma vertente curricular de aprendizagens formais e direcionadas para um mero cumprimento curricular. É importante reforçar o papel do jardim de infância no desenvolvimento infantil, na estrutura do ser humano enquanto cidadão do mundo, relacional, consciente e com iniciativa, consciente do seu papel e da importância do respeito por si e pelos outros. O desenvolvimento da criança e a noção das diferentes etapas pelas quais passa tem implicações, naturalmente, no tipo de comportamento e de interação, na compreensão e análise reflexiva que se faz acerca delas. A sensibilidade que é suposto existir no jardim de infância face ao desenvolvimento humano e a todo o processo que está a ser vivenciado pelas crianças pode ser operacionalizada através da exploração de livros de literatura para a infância no sentido de poder abraçar estes estádios, mais ou menos atribulados, de uma forma mais contentora e securizante.

De acordo com estudos anteriormente revistos (Afonso, 2014; Bastos (2014); Bataus e Girotto (2013); Brito (2004); Burgess et al (2001); Cantarelli et al (s/d); Carvalho (2010); Correia (2014); Elia et al (2010); Ferreira (2013); Flevares e Schiff

(2014); Loureiro e Rodrigues (2008); Lourenço (2011); Marchão (2013); Martins (2011); Martins (2013); Martins e Mendes (2012); Gomes (2013); Gönen, et al (2009); Gönen et

al (2011); Lourenço (2011).; Santos (2013) e Silva (2014), considerámos pertinente

estudar a seguinte problemática :

A perceção dos educadores sobre as potencialidades do livro de literatura para a infância como promotor do desenvolvimento e aprendizagem da criança.

Associada a esta problemática é nossa convicção que a formação e a consciencialização do potencial da literatura para a infância é sempre uma forma de redefinir conceitos e alargar processos de reflexão e intervenção, enveredámos por realizar esta investigação. Neste estudo a questão de investigação que se pretende responder é:

Qual a perceção dos educadores acerca da potencialidade do livro de literatura para a infância como forma de promover o desenvolvimento e aprendizagem da criança?

Desta questão ramificaram-se as seguintes sub questões:

1. Quais as perceções dos educadores sobre um livro de LI?

2. Quais as dimensões da perceção dos educadores sobre um livro de literatura para a infância?

3. As dimensões da perceção dos educadores sobre um livro de literatura para a infância variam em função do sentimento de competência face à literatura para a infância?

4. As dimensões da perceção dos educadores sobre um livro de literatura para a infância variam em função da idade, dos anos de serviço e das formações que tiveram, ou não, na área?

5. Quais os critérios de seleção de um livro de literatura para a infância?

Pretende-se, com a presente investigação, dar resposta às questões mencionadas e assim contribuir, num contexto mais alargado, para o reforço e (re)conhecimento, no campo da educação pré-escolar, do potencial do livro de literatura para a infância enquanto promotor do desenvolvimento e aprendizagem da criança e respetivos critérios de seleção, bem como, do valor da formação na área da LI ao longo do percurso académico e profissional.

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