L’origine, élément indispensable à l’application des mesures tarifaires
I. Les classifications et les fonctions des droits de douane
A presente investigação associa-se a uma metodologia mista onde o método quantitativo e qualitativo dialogam e se complementam. Ao longo dos anos foi-se reconhecendo que diferentes métodos de análise são úteis porque se dirigem para diferentes tipos de questões começando-se a utilizar simultaneamente ambos. (Morais e Neves; 2007)
De acordo com Almeida e Freire (2008)
o investigador pode comparar, isto é, recolher vários conjuntos de dados e estimar eventuais diferenças em termos de proporção ou médias, pode associar, ou seja, apreciar o grau de variação conjunta apresentada por dois ou mais conjuntos de dados, ou pode ainda correlacionar, isto é, apreciar o grau de variação conjunta de duas ou mais variáveis, ou em que medida os valores de uma variável tendem a aparecer associados com a variação dos valores na outra. (Almeida & Freire, 2008, p.22)
Foi esta sequência operacional que fomos realizando ao longo deste trabalho, envolvendo uma posição mais empírico-analítica que segundo Almeida e Freire (2008, p.24) “explora um campo mais quantitativo e experimental (…) tendo como objetivo explicar, predizer e controlar os fenómenos e uma posição mais humanista-interpretativa associada à investigação qualitativa (…) assumindo-se como uma perspetiva mais dinâmica, fenomenológica e associada à história individual e aos contextos.” Para as autoras, a modalidade quantitativa “está particularmente identificada com os modelos correlacionais de análise e com os esforços da Psicologia da Educação de explicação do desenvolvimento psicológico, dos comportamentos humanos e dos rendimentos por referência a outros constructos ou variáveis internas, por exemplo o questionário, ou externas (tentativa de explicação recorrendo às variáveis)” (Almeida & Freire, 2008, p.26)
Já a modalidade qualitativa implica uma maior abrangência da sua análise, encontrando expressões como “perspetivas qualitativa-interpretativa, de algum modo decorrentes do tipo de instrumento de observação usados nesta abordagem (por exemplo, as entrevistas)” (Almeida & Freire, 2008, p.27)
Em relação ao método qualitativo, três dos seus princípios reforçam a pertinência e a necessidade de uma postura interpretativa dos comportamentos e fenómenos sociais (Almeida & Freire, 2008):
a) a primazia da experiência subjetiva como fonte do conhecimento;
b) o estudo dos fenómenos a partir da perspetivas dos outros ou respeitando os seus marcos de referência;
c) o interesse em se conhecer a forma como as pessoas experienciam e interpretam o mundo social que também acabam por construir interativamente.
Almeida e Freire (2008, p.111) dizem que com este método “pretende-se a busca da globalidade e da compreensão dos fenómenos. (…) Estuda-se a realidade sem a fragmentar e sem a descontextualizar, ao mesmo tempo que se parte sobretudo dos próprios dados, e não de teorias prévias, para as compreender ou explicar e se situa mais nas peculiaridades do que na obtenção de leis gerais”. Também através da análise de conteúdo, realizada no método qualitativo, Almeida e Freire (2008) referem que se pode
(…) integrar uma análise de pendor mais quantitativo e outra mais qualitativa. A primeira centra-se na frequência de diversas categorias do conteúdo, podendo servir um objetivo para testar a hipótese. A segunda é mais intensiva e tende a centrar-se nas informações, possivelmente menos frequentes, mas mais detalhadas e complexas com a preocupação de aí detetar a presença ou a ausência de certas características do discurso, podendo através disto ensaiar ou projetar hipóteses. (Almeida & Freira, 2008, p.25)
Creswell e Clark (2011) definem o método misto combinando métodos, filosofias, e o desenho da orientação na investigação.
Num método misto o investigador:
- Recolhe e analisa de forma persuasiva e rigorosa os dados qualitativos e quantitativos (baseados nas questões de investigação);
- Mistura (integra ou liga) as duas formas de dados, combinando-os ou intrincando- os um no outro;
- Dá prioridade a uns ou ambos os dados (dependendo aqueles a que a investigação dá mais ênfase);
- Usa estes procedimentos num único estudo ou em várias fases do programa do estudo;
- Enquadra estes procedimentos em vários pontos de vista filosóficos, e várias perspetivas teóricas;
- Combina esses procedimentos num desenho especifico de investigação que direciona o plano de condução do estudo. (Creswell & Clark, 2011)
O método misto de investigação segundo (Creswell & Clark, 2011) encoraja o uso de múltiplos pontos de vista, ou paradigmas (crenças e valores), em vez de fazer a associação típica de certos paradigmas com a investigação quantitativa e outros com a investigação qualitativa. Tuckman (2005 p. 307) refere que “os questionários e as entrevistas são usados pelos investigadores para transformar em dados a informação diretamente comunicada por uma pessoa” permitindo ter acesso a conhecimentos, a valores, a preferências, atitudes e crenças.
Tuckman (2005) realça ainda que os questionários e as entrevistas são processos para adquirir dados acerca das pessoas, sobretudo interrogando-as e não observando-as, ou recolhendo amostras do seu comportamento.
Neste trabalho de investigação optou-se por realizar dois estudos sequenciais, o Estudo 1 que corresponde à Construção e adaptação de questionários a serem usados no ensino pré escolar, concretamente para educadores de infância de ambos os sexos, de diferentes faixas etárias e com diferentes níveis de formação e anos de serviço. Os educadores de infância, como já foi referido em capítulos anteriores, têm um papel crucial no acompanhamento do desenvolvimento infantil. Embora haja estudos que interlaçam o pré escolar e a literatura para a infância, como verificamos anteriormente, consideramos que o presente estudo vem complementar este universo e trazer uma maior consciencialização do potencial da literatura para a infância para o desenvolvimento infantil. A descrição detalhada da amostra, mediante as diferentes fases desta investigação, estão analisadas mais adiante quando se apresentarem os diferentes estudos.
O Estudo 2 correspondente à realização das entrevistas semiestruturadas a especialistas na área da literatura para a infância (escritor, ilustrador e investigador especializado em LI).
Quadro 2– Etapas do desenho da investigação
Etapas do desenho da investigação
Estudo 1 Estudo 2:
Construção e adaptação dos questionários Estudo piloto dos questionários
Aplicação dos dois questionários às 270 educadoras de infância: - Questionário de Conhecimento sobre Literatura para a Infância
- Questionário de Critérios de Seleção da Literatura para a Infância;
Entrevistas semiestruturadas a três especialistas na área da literatura
para a infância
(1 investigador especializado em LI; 1 escritor e 1 ilustrador);
A realização de dois estudos procurou que a análise dos resultados obtidos através dos questionários pudesse introduzir reflexões aos sujeitos entrevistados. Desta forma, considerou-se que através do Estudo 1 se poderia refletir acerca dos objetivos referentes à perceção dos educadores sobre o livro de literatura para a infância, suas dimensões e variação consoante a competência face à LI (concretamente, o sentimento de competência face ao conhecimento sobre LI), a idade, anos de serviço e formação do educador. Com o Estudo 2 procurou-se ainda identificar e analisar os indicadores de qualidade para a seleção de um livro de literatura para a infância. Com esta vertente mista de investigação considerou-se que seria mais rico e consistente identificar e analisar, os indicadores de qualidade para a seleção de um livro de LI em contexto de JI bem como refletir sobre a valorização da LI na formação inicial e continuada dos educadores de infância e construir um guia de orientação para a utilização de qualidade da LI em contexto de JI.
4.2.1 Questões éticas e deontológicas
O processo de investigação, segundo Tuckman (2005 p.19), tendo como objeto de estudo a aprendizagem e o comportamento dos seres humanos, muitas vezes ainda crianças, “pode dificultar, prejudicar, perturbar, tornar-se enganoso, ou afetar, de qualquer outro modo, negativamente, a vida dos que nele participam”. Algumas organizações como a APA (American Psychological Association) tem desenvolvido alguns códigos com princípios éticos para a investigação que envolve seres humanos. Tendo em conta estas recomendações considerou-se bastante relevante referir as considerações éticas utilizadas na investigação.
Segundo Almeida e Freire (2008) alguns dos principais aspetos éticos a ter em consideração e os quais foram respeitados neste trabalho de investigação são os seguintes: - o investigador tem a responsabilidade de fazer uma avaliação cuidadosa da aceitabilidade ética do seu estudo, antes de iniciar a pesquisa, evitando estudos que ponham em causa os direitos dos participantes. Também Tuckman (2005) sublinha esta ideia dizendo que “cada um dos participantes de uma investigação tem o direito de contar que o investigador seja sensível à dignidade humana” (p.22). Neste trabalho assegurou- se, particularmente a todos os participantes que lhe seriam facultadas as linhas orientadoras do estudo, nomeadamente os objetivos que se pretendiam clarificar; o consentimento informado: os participantes foram previamente informados acerca da
natureza, objetivos e procedimentos da investigação, e do mesmo modo sobre os seus direitos e responsabilidades.
É importante clarificar que o sujeito tem o direito a recusar a proposta de participação ou a desistir em qualquer momento da aplicação. Assim poderão decidir se pretendem participar ou não na investigação. Tuckman (2005) também se refere a este ponto dizendo que “a pessoa tem o direito de não participar e que o investigador deverá salvaguardar o uso de questões que invadam a privacidade dos participantes”(p.20). Estas considerações foram tidas em conta tanto na aplicação dos questionários, nomeadamente nos itens que dele fazem parte, mas também ao longo das entrevistas, respeitando toda e qualquer abordagem mais particular e privada. Desta forma adotou-se uma postura de ouvinte à medida que se iam gerindo os conteúdos e direcionando o entrevistado para as perguntas que efetivamente faziam sentido para o presente estudo. Foi também considerado a confidencialidade das respostas, respeitando o direito à privacidade da informação dada pelos participantes. Tuckman (2005) também se refere ao direito dos participantes permanecerem no anonimato. Na presente investigação teve-se, nos seus procedimentos, o cuidado de alertar os participantes para a confidencialidade das suas respostas. Em relação aos dados foram colocados números em vez de nomes e os questionários em papel foram sempre entregues em mão ao investigador e nunca a terceiros, precisamente para sublinhar o direito à confidencialidade. Nas entrevistas optou-se por ocultar os nomes de forma a garantir a sua privacidade e um profundo respeito e descrição sobre o que nos foi permitido observar e estudar.