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Le dumping et le droit de la concurrence déloyale

3.1.1 Método

O método adotado na pesquisa é o hipotético-dedutivo. As hipóteses são formuladas a partir da percepção de uma lacuna nos estudos concernentes à recategorização, no que se refere à explicitação dos mecanismos cognitivos subjacentes a esse processo referencial, particularmente quanto à construção de expressões recategorizadoras instanciadas pela interação metáfora-metonímia. Constatada a lacuna, por um exame preliminar do fenômeno, levantamos a hipótese primária de que o processo de recategorização pode ser redimensionado mediante o seu estudo na interface entre a Linguística de Texto e a

Linguística Cognitiva. Dessa primeira conjetura, surgem duas outras, que particularizam mais o recorte da investigação:

a) Na atividade discursiva, o processo cognitivo da interação metáfora- metonímia instancia expressões linguísticas recategorizadoras;

b) A visão de um continuum no tratamento das recategorizações instanciadas por metáforas e metonímias permite a sistematização de casos de recategorizações com coocorrência dos dois processos cognitivos (metáfora e metonímia).

O passo seguinte, na aplicação do método, foi a testagem das hipóteses por meio da análise qualitativa do corpus, definido na sequência.

3.1.2 Definição do corpus

O corpus é constituído por um total de quatro poemas dos seguintes autores da literatura brasileira: Castro Alves, Da Costa e Silva, Manuel Bandeira e Mário Quintana. Selecionamos um poema de cada autor:

• “Quando eu morrer”, de Castro Alves;

• “De profundis”, Da Costa e Silva;

• “A morte é que está morta”, de Mário Quintana;

• “Consoada”, de Manuel Bandeira.

O critério norteador da seleção dos poemas para o estudo da recategorização foi a temática da morte. A escolha da temática deve-se, principalmente, à sua complexidade conceitual e ao seu alto grau de abstração, sem dizer sua riqueza em razão de crenças e valores socioculturais. Além disso, a existência de estudos que abordam a conceitualização da morte, a exemplo de Lakoff e Turner (1989) e Fauconnier e Turner (2002), no âmbito da Linguística Cognitiva, também motivou a escolha, considerando que esses autores já investigam metáforas e metonímias usadas na estruturação desse conceito.

Julgamos que o número de poemas selecionados para a constituição do corpus seja o bastante para a testagem das hipóteses levantadas, considerando o nosso propósito de uma análise qualitativa, cujo foco é a descrição das ocorrências e não a sua quantificação. Ademais, a natureza desta tese é de cunho essencialmente teórico, de forma que o corpus constituído tem o caráter muito mais de um exemplário. Notadamente, a riqueza da temática

escolhida, como demonstraremos na análise, possibilita a exploração de máximas consequências de um corpus não muito extenso.

Além do conteúdo, a seleção dos poemas para a constituição do corpus seguiu também um critério textual-discursivo, optando-se por aqueles cuja progressão/continuidade referencial fosse mais propícia à identificação de ocorrências de recategorizações. Ao constituir um corpus com poemas, levamos igualmente em consideração a própria estrutura dessa modalidade textual, cuja coesão, em grande parte, não se dá pela presença de conectores, ficando muito mais a cargo das expressões nominais. Assim, o objeto de estudo da recategorização se torna potencialmente mais produtivo nessa modalidade textual.

Em referência à temática eleita, é fato inconteste que, nas mais diversas culturas, a morte é abordada em termos de mitos, teorias e doutrinas teológicas, tendo, assim, muitas interpretações, podendo ter o caráter de celebração ou de interdição. As próprias noções de morte no ocidente e no oriente, por exemplo, são totalmente diferentes, e os rituais presentes em cada uma delas se relacionam à forma como a morte é concebida em cada uma dessas culturas. Kovács (1992, p. 48) afirma que, no ocidente, “a morte é vista como fim, ruptura, fracasso, como interdita, oculta, vergonhosa”, daí a postura, em face dela, de ocultamento, vergonha, raiva e temor. Por outro lado, “na visão oriental, a morte surge, fundamentalmente, como um estado de transição e principalmente de evolução, para o qual deve haver um preparo” (KOVÁCS, 1992, p. 48). Ademais, a morte é uma realidade presente durante toda a vida da espécie humana, fazendo-se acompanhar de ritos.

Os elementos míticos construídos em torno da morte colaboram para que a temática seja abordada de forma metafórica e metonímica, respectivamente, pela necessidade de eufemizar o temor que lhe é peculiar e pela representação de todo o ritual que a circunda, além do que, dado o seu caráter ritualístico, é previsível, nas suas mais diferentes conceptualizações, a presença dos modelos cognitivos proposicionais (frames, scripts) e de modelos metafóricos e metonímicos.

Ressalte-se ainda que não se pode negar a concretude da morte. Assim, “o medo de morrer é universal e atinge todos os seres humanos, independente de idade, sexo, nível socioeconômico e credo religioso”. (KOVÁCS, 1992, p. 16). O que muda, de fato, é o surgimento de diferentes teorias do senso comum que vão sendo construídas em torno da verdade existencial da morte, derivando personificações várias do fenômeno nas mais distintas culturas, como uma forma de lidar com os mistérios que acarreta. Entretanto, não interessa aqui fazer um levantamento exaustivo dessas teorias, importando mais o fato de que

se trata de um tema produtivo e favorável à construção de expressões metafóricas e metonímicas, que podem ser usadas em função recategorizadora. Nesse sentido, não vemos

entrave à constituição de nosso corpus por poetas de diferentes escolas literárias (i.e., Romantismo, Simbolismo e Modernismo), já que não é nossa intenção vincular a análise

dos poemas às características dos estilos de epóca, embora reconheçamos que cada um desses períodos tem uma forma própria de conceber a temática da morte. Essas diferentes concepções ou modelos aparecerão diluídas na análise.

3.1.3 Procedimentos de análise

A análise propriamente dita se pauta por duas bases teóricas admitidas para o estudo: a Linguística de Texto e a Linguística Cognitiva. A partir da definição do fenômeno da recategorização pela Linguística de Texto, o propósito é explicitar as ocorrências de recategorização instanciadas por metáforas e metonímias, presentes na construção de quatro poemas sobre a temática da morte, aplicando-se o modelo da Teoria dos Modelos Cognitivos Idealizados (LAKOFF, 1987 e colaboradores), erigida no âmbito da Semântica Cognitiva, de forma a promover a interface entre as duas áreas referidas no tratamento do objeto eleito para a investigação.

Os passos da análise na aplicação do modelo da TMCI seguem parcialmente proposta de análise desse modelo elaborada e aplicada nos Estudos 1 e 2, do Capítulo 4, de Feltes (2007), que tem como base o tratamento de modelos metafóricos e metonímicos, a partir de corpora constituído de unidades discursivas, para a análise dos conceitos TRABALHO, EMPRESA e REALIZAÇÃO PROFISSIONAL, e da categoria RELIGIÃO, respectivamente. Acrescemos ao modelo de análise da autora os modelos proposicionais do tipo frame, por meio dos quais evocamos a descrição dos MCIs metafóricos e metonímicos e, consequentemente, dos modelos de esquemas de imagens.

Dessa forma, seguindo a mesma estratégia de Feltes (2007), aproveitamos as potencialidades da arquitetura da TMCI para aplicá-la na descrição de um processo instaurado na linguagem efetivamente em uso, diferentemente de Lakoff (1987) que, na apresentação de seu modelo teórico, objetivou a explicitação dos MCIs como fontes de efeitos prototípicos. Ademais, na nossa proposta de análise, consideramos tanto as ocorrências de recategorizações que se manifestam explicitamente na superfície textual, pela presença de um novo item lexical recategorizador, quanto as que só se explicitam no nível das estruturas e funcionamento cognitivo, não se manifestando necessariamente pela presença explícita do referente

recategorizado. Embora a nossa atenção esteja mais voltada para o último tipo de ocorrência, assim procedemos devido à natureza do corpus, cuja fragmentação não seria condizente com o desenvolvimento de nossa tese nem com o propósito de abordagem do fenômeno da recategorização numa perspectiva cognitivo-referencial. O trabalho apenas com o recorte do último tipo de ocorrência comprometeria a validação da análise em termos da precisão e coerência das relações cognitivo-referenciais que se estabelecem nos poemas analisados como um todo. Dessa forma, desenvolvemos a análise em quatro fases:

1. Esquematização dos poemas a partir da aplicação da Teoria dos Modelos Cognitivos Idealizados (TMCI), focalizando o processo de recategorização, para fornecer o quadro preliminar da análise.

2. Análise qualitativa dos poemas, a partir da esquematização proposta, estabelecendo, na descrição das ocorrências de recategorização licenciadas por metáforas e metonímias, a interface entre a Linguística de Texto e a Linguística Cognitiva.

3. Proposta interpretativa das ocorrências de (re)categorizações instanciadas por metáforas e metonímias, na perspectiva de um continuum.

4. Proposição de um redimensionamento do processo de recategorização, a partir das evidências encontradas na análise.

Os procedimentos constante das fases 1 e 2 da análise, divididos para efeito didático, serão desenvolvidos simultaneamente, ou seja, a esquematização dos poemas será devidamente acompanhada de sua análise qualitativa.