CHAPITRE I. Symboles mythiques d’Occident
2. Une lecture historique-poétique de la conquête et un regard occidental sur les montagnes
2.3. Le domaine de la vie : naissance, mort, abîme
A Escola Municipal Eurico Silva é situada no Residencial Viviane, que faz parte dos pequenos loteamentos de bairros integrados no Bairro São Jorge. O Bairro São Jorge se localiza na zona sul de Uberlândia e é considerado um dos maiores bairros da cidade, sendo denominado de Grande São Jorge.
Há poucas publicações sobre as atividades da escola. Uma reportagem encontrada foi a de 2011, quando se iniciou o Programa Mais Educação:
Na Escola Municipal Eurico Silva, no bairro São Jorge, zona sul, está tudo pronto para o início das atividades que serão desenvolvidas no período contrário ao de aulas do aluno. A escola atende 180 estudantes com oficinas, cursos, atividades esportivas, artísticas e culturais, além de acompanhamento pedagógico. “Temos obtido ótimos resultados. Selecionamos para participar, principalmente, os alunos com problema de disciplina, baixo rendimento e que ficam parados em casa. Tudo para ocupar o tempo livre e melhorar o desempenho deles”, disse a coordenadora do programa, Flavia Queiroz de Araújo Maciel (SILVA, 2011)
A coordenadora da Escola Municipal Eurico Silva diz estarem obtendo ótimos resultados com as oficinas, mas o curioso é que a reportagem é sobre o Período Integral do Programa Mais Educação, que ainda não havia começado. Supomos, com isso, que assim como a experiência com arte educação da educadora que escreve o presente trabalho, também tenha sido desenvolvida experiência semelhante nesta escola, como analisamos a nossa no capítulo anterior.
As aulas do Período Integral do Programa Mais Educação, do governo Federal, nas escolas municipais do ensino fundamental de Uberlândia deveriam começar na semana seguinte à publicação do artigo supracitado. Silva (2011) explica que
Apesar de o ano letivo nestas escolas ter começado no dia 3 de fevereiro, o turno integral não foi iniciado por falta de uma publicação no “Diário Oficial do Município” sobre a designação de professores municipais cedidos ao programa. Na cidade, 12 escolas do município fazem parte do ciclo 2010/2011 do programa, com 1.755 estudantes do 1º ao 8º ano sendo atendidos (SILVA, 2011)
Apenas para elucidar a afirmação acima, sobre os equívocos de datas considerando que o Programa federal Mais Educação iniciou suas atividades na cidade de Uberlândia no ano de 2010, os sujeitos da reportagem, quando falam das ações que estavam acontecendo, estão se referindo ao Programa Atenção Integral à Criança e ao
Adolescente, não fazendo diferenciação dos programas proposto pelo governo federal e o que já estava em andamento no município.
Isso posto, a iniciativa Cultural Parceira número 3, que propôs o Projeto de Atividade Cultural na Escola Municipal Eurico Silva, é a Universidade Federal de Uberlândia, cujo objetivo era a difusão da cultura Indígena por meio do Museu do Índio:
O Museu do Índio foi a público em outubro de 1987, fruto da organização de coleções etnográficas doadas, inicialmente, por pessoas da comunidade. É um órgão do CDHIS (Centro de Pesquisa e Documentação em História) que por sua vez é ligado ao INHIS (Instituto de História) da Universidade Federal de Uberlândia. Assim criado, o Museu reveste-se de singular importância em relação a preservação da memória das populações indígenas brasileiras, e, a partir do seu Acervo, implementa programas que democratizam o conhecimento sobre essas culturas criando uma consciência cultural. Dispondo de um Acervo que pode servir como instrumento educativo, o Museu viabiliza a indicação de vários caminhos para a ação pedagógica, além de se construir num Centro de Pesquisa e Difusão Cultural. Desta forma, tem desenvolvido cursos, encontros, palestras e oficinas no intuito de trazer à realidade escolar, a questão indígena brasileira. Sendo o único Museu Etnográfico do Estado de Minas Gerais, o Museu do Índio tem implementado ações no sentido de capacitar profissionais de Museu, para atender à demanda constante de instituições congêneres (DESCUBRAMINAS.COM, s/d)
Com a décima sétima (17ª) mostra etnográfica denominada “Os Índios Somos
Nós, A Presença Indígena Na Cultura Brasileira” a TV Un
iversitária (2015), ao entrevistar a coordenadora do Museu do Índio, relata que o objetivo da iniciativa era difundir a cultura indígena utilizando de três elementos interligados à sociedade brasileira: i) a culinária e componentes da gastronomia ou plantas medicinais introduzidos nos hábitos da sociedade brasileira; ii) o vocabulário, palavras que estão arraigadas em nossas falas e são de origem indígena; iii) a cultura material, objetos que existem no acervo como coleção do museu e estão incorporados na vida dos brasileiros.Ainda segundo a TV Universitária (2015,) em entrevista com a coordenadora do Museu do Índio da UFU, o objetivo era aproximar os grupos escolares que visitavam o local com a realidade indígena. A ação era promovida pelo município em parceria com a Universidade no intuito de realizar o encontro para levar o conhecimento a quem dá aula e multiplicar o conhecimento e informações nas escolas. A coordenadora do projeto informou que o público da mostra era infantil e escolar e considerava importante que as crianças entendessem como aconteceu a presença cultural da gastronomia, do vocabulário e da cultura material foram trazidas pelos povos indígenas na vida dos brasileiros.
A ação foi, portanto, fruto da parceria da Escola com o Museu do Índio, como explica o informativo da UFU:
O Museu do Índio em parceria com a Escola Municipal Eurico Silva promove nesta quinta-feira, dia 02/06, às 19h30, na sede da própria escola, o encerramento do projeto Cultura dos povos Indígenas. A mostra dos trabalhos dos alunos desenvolvidas por esta proposta ficará em exposição no período de 02 a 11/06. O projeto é fruto da parceria entre o Museu e a escola, vinculado ao edital “Mais Cultura nas Escolas”, implantado pelo Ministério da Cultura, juntamente, com o Ministério da Educação. O edital tem como objetivo central promover a escola como espaço de circulação e produção da diversidade cultural brasileira. No projeto foram realizadas oficinas, palestras e atividades educativas, possibilitando ainda a aquisição de equipamentos. Com isso, o Museu do Índio cumpre com sua função no intuito de difundir a história e cultura indígena com a perspectiva de aprofundar a compreensão crítica da realidade indígena brasileira (COMUNICA UFU. BR, 2016)
O Relatório entregue pela SME/UDU sobre os trabalhos realizados pelo Mais Cultura nas Escolas na Escola Municipal Eurico Silva explica que:
Na Escola Municipal Professor Eurico Silva a proposta de trabalho foi difundir a cultura indígena, com visitações, palestras, exposições no Museu do índio da Universidade Federal de Uberlândia. Os(As) alunos(as) realizaram oficinas, exposição dos trabalhos, confecções de cartazes e banner, sessão de cinema com a comunidade e outras ações que constam na proposta de trabalho. Fizeram pagamento de palestrantes e pessoas para realizar as oficinas com os alunos e a compra de materiais (de consumo e de capital). A prestação de contas da 1º parcela foi repassada oficialmente ao Setor de Caixa Escolar no final de 2014. (Anexo A)
Analisar a escola como espaço de discussão de uma determinada cultura é entender, como nos explica Bourdieu (1983), que as relações vivenciadas pelos sujeitos sociais são predeterminadas pelo campo, assim sendo, estes atores devem realizar tarefas que eles realmente conseguem concretizar. A Universidade Federal e o Município atuaram, portanto, juntos nesta proposta, assim a pesquisa entende que os proponentes do Plano aceito pelo Programa Mais Cultura nas Escolas foram duas vezes conduzidos por segmentos do Estado. Sendo assim, ainda ancorados em Bourdieu (1983), entendemos que os sujeitos pertencentes a um campo respeitam as regras e as condições de funcionamento de um campo, acolhem e consagram um certo tipo de
habitus
, ohabitus
estruturado das instituições.Entender, portanto, as culturas indígenas no tempo presente da sociedade brasileira significa ir além de posições românticas, mas compreender também as conjunções críticas e preocupantes que passam os povos indígenas brasileiros. Matos (2013) considera válido, nesse caso, o ato da escola de buscar outros espaços culturais, como o museu, porém é preciso estar atento, como propõe Bourdieu, com a preocupação em fomentar uma política cultural para possível transformação do espaço.
Face a essas considerações e entendendo o momento político que o país vive, consideramos que a busca de novos espaços culturais com a mediação escolar dever oferecer condições para reflexões do momento político e social. Trazer esta reflexão para a escola significa, na perspectiva de Bourdieu (1989), opor-se ao
habitus
conservador da escola e instaurar o que ele chama demovimentos heréticos
, ou seja, adotar estratégias que contestassem o poder dos grupos dominantes no espaço social. Assim, tanto as Universidades quanto as escolas de educação básica podem assumir o desafio de pensar nos dilemas do tempo histórico e trabalharem com produções simbólicas. Podem contrapor desse modo a hierarquia cultural dominante e valorizar a cultura dominada de modo efetivo. Esse seria o movimento herético de Bourdieu, ou seja, o ato de valorização da cultura popular de modo a conscientizar para reverter a posição ocupada pela cultura dominada.Nas escolas, todavia, o
habitus
, de acordo com Boudieu (1983), está predisposto a funcionar como uma estrutura estruturante, sendo assim, ohabitus
dos indivíduos está ajustado em suas representações sociais presidindo as suas escolhas. As aprendizagens e o conjunto de disposições fazem com que o sujeito se oriente de acordo com a posiçãosocial ocupada no campo. “Um campo pode se cont
entar em acolher e em consagrar um certo tipo dehabitusjá mais ou menos integralmente construído”. (BOURDIEU, 1983a,
p.90). Portanto, as táticas de transformação ou conservação da sociedade são adotadas de acordo com as condições subjetivas de cada agente.Como não tivemos acesso a outros documentos que nos possibilitasse entender toda a dinâmica da proposta do Plano de Cultura, não podemos afirmar com certeza se as ações (oficinas, exposição dos trabalhos, confecções de cartazes e banner, sessão de cinema com a comunidade, dentre outras) traziam uma proposta romântica conservadora ou crítica às relações de dominação postas para com os povos indígenas. Segundo Bourdieu (2013), o contato com as diversas culturas está ligado às próprias condições de possibilidades presentes na essência dos bens simbólicos. A elaboração de bens simbólicos está, por sua vez, relacionada com a decisão das diversas categorias de
produtores em definir a quem destinará seus produtos. Para uma “possível compreensão”
dos objetos dispostos nos museus, consideramos o seguinte posicionamento:[...] o museu de arte é a disposição estética constituída em instituição: de fato, nada manifesta e realiza melhor a autonomização da atividade artística, em relação a interesses ou a função extraestéticas, que a justaposição de obras que originalmente subordinadas a funções
completamente diferentes, até mesmo incompatíveis – crucifixo e
fetiche, Pietá e natureza morta – exigem tacitamente que a atenção seja prestada, de preferência a forma e não a função, à técnica e não ao tema, e que, construídas segundo estilos perfeitamente exclusivos e, no entanto, igualmente necessários, questionam praticamente a expectativa de uma representação realista tal como definem os cânones arbitrários de uma estética familiar, conduzindo assim naturalmente do relativismo estilístico a neutralização da própria função de representação. O acesso a objetos, até então, tratados como curiosidades de colecionadores ou de documentos históricos e etnográficos, ao estatuto de obras de arte materializou a onipotência do olhar estético e, ao mesmo tempo, tornou difícil ignorar que, sob pena de ser apenas uma afirmação decisória e, por conseguinte, suspeita, deste poder absoluto, a contemplação artística deveria comportar, daqui em diante, um componente erudito próprio para invalidar a ilusão da iluminação imediata que é um elemento indispensável do prazer puro. (BOURDIEU, 2013, p.33)
No caso do projeto da Iniciativa Parceira que se propôs a difundir a cultura indígena, o que tivemos acesso sobre suas ações nos possibilita entender que essas proporcionaram uma estética própria de museu para acesso a crianças que nunca tiveram contato com essas culturas. Não fica claro se há possibilidades de, nessa parceria, desenvolver uma consciência crítica sobre as relações de dominação estabelecidas.
As instituições envolvidas são vinculadas ao governo municipal e federal, cumprem a proposta do edital, mas não há indícios de que avançam para possibilidades emancipatórias. Nesse campo, então, o jogo pode ter sido o de usar a mesma tática de conservação da proposta do Estado. A proposta do Mais Cultura nas Escolas e a ação empreendida pela Inicitiva Cultural de número 3, podem, por isso, seguir uma diretriz que não ameaça as políticas neoliberais com críticas e mobilização de massas, mas um projeto homogeneizador com ideias conservadoras para reformar o Brasil e não transforma-lo.
No caso do projeto da Iniciativa Parceira que se propões a difundir a cultura indígena, o que tivemos acesso sobre suas ações nos possibilita entender que essas proporcionaram uma estética própria de museu para acesso a crianças que nunca tiveram contato com essas culturas. Não fica claro se há possibilidades de, nessa parceria, desenvolver uma consciência crítica sobre as relações de dominação estabelecidas.
As instituições envolvidas são vinculadas ao governo municipal e federal, cumprem a proposta do edital, mas não há indícios de que avançam para possibilidades emancipatórias. Nesse campo, então, o jogo pode ter sido o de usar a mesma tática de conservação da proposta do Estado. A proposta do Mais Cultura nas Escolas e a ação empreendida pela Inicitiva Cultural de número 3, podem, por isso, seguir uma diretriz que não ameaça as políticas neoliberais com críticas e mobilização de massas, mas um projeto homogeneizador com ideias conservadoras para reformar o Brasil e não transforma-lo.