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Différenciation pédagogique

10. PROBLÉMATIQUE ET QUESTION DE RECHERCHE

12.1 Analyse globale du discours de l’enseignant

12.1.3 Différenciation pédagogique

A história da Rede Globo mistura-se com a história da televisão no Brasil, ainda que haja um intervalo de 10 anos entre a primeira transmissão televisiva no Brasil, em 18 de setembro de 1950, e a inauguração da Rede Globo, em 26 de abril de 1965. Diversos jornalistas e apresentadores de programas de entretenimento da TVs Tupi e Excelsior, canais já existentes na década de 1950, participaram do lançamento da TV Globo e foram essenciais para que o canal se adaptasse ao gosto do público desde a sua criação.

De seu desenvolvimento até sua inauguração, a Globo recebeu apoio técnico e financeiro do grupo Time-Life, respaldo que foi retirado em 1967 para se adequar às

regras do regime militar e poder adquirir a concessão, dado que Código Brasileiro de Telecomunicações, vigente naquele período, proibia a sociedade entre empresas de radiodifusão e grupos estrangeiros. Entretanto, o canal manteve o estilo americano de produzir conteúdos que fossem de fácil compreensão e do gosto das classes socioeconômicas mais baixas, e consequentemente menor escolaridade. As telenovelas, os programas de auditório e os filmes americanos caíram no gosto do público, e ao final dos anos 1960 a emissora já obtinha larga audiência em comparação com outros canais. Esse modelo popular durou até 1971, quando estrategicamente montou um departamento de pesquisa e análise da audiência e “[...] através do qual planejou a publicidade e adaptou programas para diferentes gostos, adequando cada um deles aos resultados das pesquisas socioculturais” (MATTOS, 2010a, p. 33).

Os anos 70 foram dedicados para atingir um alto nível de qualidade técnica, o conhecido “Padrão Globo”, e para que seus programas se tornassem competitivos no mercado externo.Segundo Rezende (2000, p. 32), a televisão é um meio que facilita essa padronização, “[...] a TV apresenta um conjunto de programas de vários gêneros, que conjugados, propiciam a continuidade da emissão num certo padrão técnico”. Em 1979 os programas da emissora já haviam sido exportados para mais de 90 países. As novelas brasileiras produzidas pela Rede Globo tornaram-se o primeiro conteúdo de sucesso fora do Brasil. Nos anos 1970, o retorno financeiro ainda era baixo, cerca de US$ 300 mil, conforme Mattos (2010a). Mas nas décadas seguintes o Padrão Globo conquistou o mundo. Em 1992, o faturamento anual da Globo Internacional atingiu os US$ 6 milhões. O segmento de entretenimento da emissora era o que recebia maior investimento, já que era o mais bem-sucedido. Em 1999, foi criada a TV Globo Internacional, um canal em português direcionado aos brasileiros que moram fora do Brasil. Essa foi uma estratégia para fortalecer ainda mais sua presença no exterior.

Na década de 1990, com a queda da audiência, causada pela inserção das televisões por assinatura no mercado nacional, a emissora inovou ao criar um formato de programa interativo, representado pelo Você Decide, que foi exportado para outros países. No Você Decide “[...] o público opinava, por telefone, entre dois finais para a história, produzidos previamente, e a versão vitoriosa era veiculada” (SILVEIRA, 2002, p.101). Havia também microfones instalados em locais públicos previamente estabelecidos, através dos quais o público poderia escolher o destino do personagem

da história. A ficção tratava de temáticas polêmicas e o público poderia decidir, por exemplo, se um pai policial deve entregar o filho criminoso.

Ainda que com raízes no sistema americano de televisão, que originalmente possui uma grade de programação vertical, concentrando programas semelhantes em um único dia da semana, a Globo utilizou-se do modelo de grade de programação que oferecia os mesmos programas nos mesmos horários todos os dias da semana, a fim de tentar fidelizar o público.

A TV tradicional articulou-se a partir do conceito de grade de programação, organizada por horários fixos de difusão em fluxo contínuo. Esse padrão de distribuição derivou para políticas públicas capazes de configurar a linha de produção da cadeia produtiva, formatar hábitos de consumo e, especialmente, organizar socialmente o fornecimento de informações e o lazer (WINCK, 2007, p. 286). Segundo Borelli e Priolli, (2000), a supremacia da audiência do canal até o final dos anos 1980 se deve a esse modelo horizontal e vertical de programação. Essa organização e estruturação da grade só foi possível de ser implementada após a criação do videoteipe.

Cria-se o hábito de ver TV, em família, com programações e horários reforçando-se mutuamente e garantindo a fidelidade de público e um aumento vertiginoso dos índices de audiência, nos vinte anos subsequentes: alguns acompanham à primeira telenovela, enquanto esperam o telejornal e outros assistem ao telejornal, enquanto aguardam a próxima telenovela (BORELLI; PRIOLLI, 2000, p.19). Criou-se assim um modelo de horário nobre, no qual ficava estabelecido que os programas mais importantes da emissora fossem diariamente veiculados naquele horário. Em muitos lares essa ideia permanece vigente até hoje. “Quando os brasileiros ligam os aparelhos de televisão durante o horário nobre para saber quais são as últimas notícias ou simplesmente relaxar, a grande maioria deles assiste a Rede Globo” (PORTO, 2007, p.11).

A Rede Globo, como a maioria dos canais abertos do Brasil, enquadra-se no modelo de televisão generalista23, termo utilizado por Wolton (1996) para classificar um canal que busca a identificação coletiva, visando oferecer conteúdos que possam agradar a todos os telespectadores, podendo, portanto, abranger uma gama maior de público telespectador. De acordo com o gráfico a seguir, em 2015 a emissora priorizou

23 Wolton (1996) denomina generalista como o estilo de organização da programação de um canal que

visa atingir todo tipo de público e fragmentado: o canal que busca selecionar o público telespectador, seja pela temática seja pelo formato dos programas oferecidos.

os programas de entretenimento. Os conteúdos informativos ocuparam 26,48% da programação enquanto o entretenimento chegava a quase 70%.

Gráfico 15 – Percentual segmentado de conteúdo na Rede Globo em 2015

Fonte: Ancine (2016, p. 22).

O modelo de grade de programação vertical e horizontal foi replicado por outras emissoras brasileiras, e o público passou a se dividir entre quais seriam as suas prioridades para o horário nobre, dessa forma a batalha pela audiência passou a ser mais justa. Segundo a agência de pesquisas Kantar, do Instituto Brasileiro de Opinião e Estatística (Ibope), a Rede Globo é o canal que alcança os maiores picos de audiência em rede nacional, no horário nobre com maior frequência semanal. Entretanto, o programa Bem Estar não está listado entre os programas mais assistidos.

Tabela 2 – Programas com maiores índices de audiência na TV aberta (20 a 26 de junho de 2016)

A Rede Globo também inovou no quesito participação popular em sua programação. A emissora criou em 1992 um formato de programa interativo de dramaturgia, o Você Decide, no qual o público decidia o fim do desfecho da história através de votação por telefone.

Em 2008, com a disseminação da internet entre os telespectadores brasileiros, a Rede Globo iniciou a inclusão do canal VC no G1, possibilitando que telespectadores enviassem textos, vídeos e fotos de fatos que estavam acontecendo em sua região através do site de notícias G1, que fazia a convergência entre a televisão e a internet. Inicialmente essas participações eram utilizadas apenas na internet, mas pouco tempo depois foi possível visualizar a publicação desses vídeos em telejornais como o Jornal Hoje. Com isso, o público pode visualizar a manifestação de fenômenos climáticos como ciclones e tempestades, creditadas como “imagens de cinegrafista amador”. Entretanto, apenas em 2011 surgiu a iniciativa de criar um programa produzido com base nas manifestações do público, indo ao ar o programa Bem Estar.

Em conformidade com os princípios editoriais do Grupo Globo, presente no portal G1 e linkado no site do programa Bem Estar, os conteúdos colaborativos passaram a ser utilizados de forma mais frequente nos meios de comunicação do Grupo a partir de 06 de agosto de 2011, mesmo ano em que o programa Bem Estar começou a ser veiculado. De acordo com o texto, o Grupo estaria aberto para a colaboração do público, mas frisa que essas inserções seriam veiculadas como conteúdo de fonte amadora:

Com a consolidação da Era Digital, em que o indivíduo isolado tem facilmente acesso a uma audiência potencialmente ampla para divulgar o que quer que seja, nota-se certa confusão entre o que é ou não jornalismo, quem é ou não jornalista, como se deve ou não proceder quando se tem em mente produzir informação de qualidade. A Era Digital é absolutamente bem-vinda, e, mais ainda, essa multidão de indivíduos (isolados ou mesmo em grupo) que utiliza a internet para se comunicar e se expressar livremente. Ao mesmo tempo, porém, ela obriga a que todas as empresas que se dedicam a fazer jornalismo expressem de maneira formal os princípios que seguem cotidianamente. O objetivo é não somente diferenciar-se, mas facilitar o julgamento do público sobre o trabalho dos veículos, permitindo, de forma transparente, que qualquer um verifique se a prática é condizente com a crença (Grupo Globo, 2011).