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Chapitre 3 - Présentation de la démarche en 2 étapes : cadres théoriques,

1. Les approches du fonctionnement technique et de l’organisation du travail

1.1. Analyser le fonctionnement d’un système d’élevage du point de vue de

1.2.2. Deux approches de l’organisation du travail

O deslocamento do leste da RDC até ao Rio de Janeiro é longo para a maioria dos congoleses que vem desta região. Antes de chegar ao Brasil, eles costumam passar por algum país vizinho ou pela capital Kinshasa. Entre as entrevistadas, somente, uma não disse ter estado em outro país nem na capital da RDC, as outras alegaram terem passado por Burundi, Uganda, Ruanda, Quênia ou Kinshasa. No entanto, até virem para o Brasil de avião ou navio um longo caminho foi percorrido (Anexo 2).

O relato de P. sobre seu percurso foi breve. Porém nota-se a dificuldade do primeiro dia em que fugiu, quando teve que andar ou correr até não escutar mais qualquer barulho de tiro. A estratégia encontrada por P. foi fugir pela mata até se sentir segura, longe da presença de rebeldes. Em seguida, ao chegar em uma cidade sua estratégia foi pedir ajuda a um policial para saber onde poderia se abrigar com segurança e, depois, foi de seguir as orientações da ONU, local em que se instalou por 5 dias (Anexo 2).

O relato de E. é rico em detalhes, ela contou sobre o sofrimento que foi caminhar na mata, sem água limpa, se alimentando somente de frutas, com medo de animais e rebeldes. A estratégia adotada por E. foi de acompanhar os outros congoleses, deixando que os demais que ela encontrou no caminho a guiassem. Quando E. chegou no Burundi e cada pessoa foi para um lugar, ela decidiu sentar no chão e esperar que algo acontecesse pra que saísse de onde estava, assim apareceu uma pessoa que a levou na igreja, portanto continuou com a estratégia de se deixar levar pelas oportunidades que aparecessem diante dela. Apesar de

poder representar uma atitude passiva, essa tática é inteligente na medida em que garante a sobrevivência e auxílio estando em grandes grupos (Anexo 2).

I. realizou um percurso similar ao de E. No entanto, I. estava acompanhada do marido e de seu filho que tinha apenas 1 ano, além disso, ela era gestante. As escolhas realizadas dentro do Burundi, também foi diversa de E.. I. e sua família passaram por várias províncias dormindo em casa de moradores locais e algumas vezes em tendas improvisadas, em decorrência de grupos armados na região. Durante a entrevista de I., não ficou claro se as decisões que estiveram nessa parte do percurso relatado foram em conjunto com seu marido, somente, dele, ou só dela. Contudo, considerando a cultura local analisada no capítulo anterior em que o homem é o responsável pelas decisões da família, é provável que as escolhas tenham sido realizadas pelo marido de I. Assim, pode-se considerar que as estratégias utilizadas por I. até esse momento foi seguir o marido e ter fé em Deus, pois colocou em suas crenças a justificativa para ter ficado bem (Anexo 2).

D. contou que saiu da sua cidade, Lubero, no Kivu do Norte e foi para capital de Ruanda, Kigali. Ela partiu, somente, no dia seguinte ao ataque e, assim, antes de deixar sua casa vendeu algumas coisas e pegou o dinheiro que havia guardado. D. contou que seu trajeto na mata durou alguns dias e ela foi andando à pé e sentando, por vezes, para descansar. D., assim como, E. utilizou a estratégia de ir junto com outras pessoas para onde elas estivessem indo. Quando estava em Ruanda, ela aproveitou a oportunidade de conhecer um homem local para se abrigar na casa dele com a sua família. Essa tática, provavelmente, lhe garantia segurança no país segundo suas percepções (Anexo 2).

C. contou que estava grávida quando fugiu da sua casa com seu marido, suas três filhas e seus vizinhos. A estratégia utilizada por ela, seu marido e seus vizinhos foi sair pela mata junto com vários outros congoleses que fugiam do conflito instalado na cidade. Muitas dificuldades se apresentaram no caminho e, mesmo encontrando um restaurante e tendo dinheiro, não conseguiram se alimentar, pois os grupos armados chegaram um pouco depois deles e pegaram todos os mantimentos do local. No entanto, encontraram um ônibus da ONU no percurso que os levaram para a capital de Uganda. Segundo C. eles já estavam indo para esse país, quando entraram nesse transporte e os perguntaram para onde iriam. Em Uganda, eles foram levados para uma igreja Católica, onde era o único lugar seguro, até que tiveram que sair em razão da instituição estar muito cheia e não conseguir mais prover suporte aos indivíduos que lá estavam. C. não deixou claro se as escolhas realizadas ao longo desse

deslocamento foram em conjunto com o seu marido, somente dele ou dela. No entanto, assim como I., considerando a cultura da RDC, é possível que as decisões tenham sido unilaterais do seu cônjuge (Anexo 2).

Y. se perdeu do seu marido que ficou com um dos seus filhos. Quando estava na mata, somente com o seu pai e os seus filhos, ela sofreu um estupro coletivo, enquanto seu pai foi brutalmente assassinado à facadas pelos rebeldes. Y. disse que ficou “louca”, depois de todas essas tragédias e, por isso, não sabia contar o percurso dela sozinha com os seus três filhos até o Uganda, somente se lembrava que havia ido de carro até lá, porém não era capaz de se lembrar como entrou nesse veículo nem o que aconteceu neste caminho. Em Uganda, ela foi acolhida por uma igreja católica. O estado psicológico de Y. não permitiu fazer uma avaliação sobre as suas estratégias e agência durante esse período (Anexo 2).

M. foi para Kivu do Norte com outras pessoas quando concluiu que precisava fugir sozinha de sua cidade. No entanto, não ficou claro se sua escolha foi realizada em razão de todas as pessoas estarem indo para esse local ou se ela decidiu ir para Goma pela proximidade entre as províncias e porque tinha amigos nessa região. M. quando chegou no Kivu do Norte encontrou sua irmã ao acaso e, apesar de possuir amigos que morassem nesta província, preferiu procurar abrigo numa igreja, a qual a ajudou com alimentação e vestuário. Depois, M. decidiu ir para Kinshasa, onde possuía família, porque mesmo permanecendo na igreja estava em perigo. Já que a região em que se encontrava havia, também, muitos conflitos. Assim, ela e sua irmã foram para a capital utilizando avião e barco, provavelmente, porque possuíam boas condições financeiras. A estratégia de M. foi sair da zona de guerra o mais rápido. Logo, utilizou o avião, e depois o barco quando estava em uma região mais segura. A estratégia de ir para Kinshasa, possivelmente, ocorreu por ter familiares na cidade, o que facilitava a sua instalação. O percurso realizado por M. parece ter sido bem planejado, apesar do pouco tempo em que teve para tomar decisões e de, possivelmente, no início não haver pensado nele e, simplesmente, haver ido para onde todos estavam indo. A formação de M., o seu trabalho com pessoas em vulnerabilidade, as posses financeiras e parentes na capital foram fatores que, provavelmente, colaboraram para formação de sua estratégia. Ainda, ela utilizou a estratégia da religião, alegando que Deus a protegeria e por isso, não tinha qualquer medo (Anexo 2).

Logo que ocorreu o conflito, K. fugiu com sua família e se instalou numa igreja por duas semanas, porém a necessidade de realizar uma cirurgia em razão do seu corte fez com

que todos se deslocassem para Kinshasa. A estratégia utilizada por K. foi sair da zona de conflito e ir a um hospital longe, no qual pudesse realizar a sua cirurgia. Sua família, novamente, escolheu uma igreja como estratégia para se abrigar, possivelmente, por ser um dos lugares que mais oferece abrigo. Todavia, assim, como os outros casos de mulheres casadas, é possível que todas essas decisões tenham sido realizadas pelo marido de K. que a acompanhou durante todo o deslocamento, porém isso não é citado em nenhum momento da entrevista (Anexo 2).

O relato de J. foi um pouco confuso e não ficou muito claro o percurso que ela fez, apesar da minha insistência para compreendê-lo. Ela contou haver enfrentado muitas dificuldades e haver presenciado extrema violência. J. desmaiou durante o caminho, provavelmente, em decorrência de estar fraca e grávida, sem ainda saber. No entanto, uma das estratégias utilizadas por J., nesse momento, foi pedir ajuda aos militares, os quais a guiaram na fuga. Assim, como outras entrevistadas, ela não sabia para onde estava indo, só estava tentando sair da região do conflito em segurança junto com pessoas que trabalhavam com ela na praça (Anexo 2).