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La participation associative et la démocratie

I.2 Fait  libéral  et  fait  associatif

I.2.1 Déliaison  des  individus  et  lien  social  moderne

Local da entrevista: Associação Albergues Nocturnos do Porto – Rua dos Mártires da Liberdade, nº 237

Data: 17/02/2016

Hora de início: 14h42m Hora de término: 15h07m Duração: 25m49s

CATEGORIAS TRANSCRIÇÃO (EXCERTOS) RESUMO

I. Som da Rua: origem e estruturação Motivos de

integração no projeto

“Ora, nós fomos convidados pela… pelo Serviço Educativo da Casa da Música realmente em fim de 2009 e, desde logo, hmm… participamos na iniciativa porque era uma atividade que se encaixava perfeitamente no âmbito do atelier ocupacional que nós desenvolvemos aqui na instituição. Este atelier ocupacional insere-se no serviço de reabilitação e reinserção social aqui dos Albergues Nocturnos do Porto e têm esta… esta função essencial de promover a integração social das… dos nossos utentes (...)” “Portanto, o Som da Rua aparece como uma iniciativa que visa promover a integração social das pessoas através da prática… hmm… musical (…)”

Uma vez que se preocupam, na associação, com a integração e reinserção social dos indivíduos em exclusão ou em risco de exclusão social, a adesão ao Som da Rua surge como complemento desse trabalho. Focado na prática musical, o grupo também tem esse objetivo de integração e inclusão que vai de encontro ao que os Albergues Nocturnos do Porto visam alcançar.

Data de entrada “Não, desde o início como lhe disse.” Integra o Som da Rua desde a fase inicial.

Função que desempenha no grupo

“A nossa função é fazer a… o acompanhamento dos utentes que nós entendemos… hmm… como utentes que podem beneficiar, que podem ter efeitos terapêuticos ou benefícios terapêuticos da sua participação neste tipo de atividade.”

A função a

desempenhar no grupo

baseia-se no

acompanhamento dos utentes que integram o grupo e que podem beneficiar dessa entrada.

Objetivos do Som da Rua

“Promover a integração social das pessoas em situação de exclusão ou risco de exclusão social através da prática da música.”

O objetivo principal do grupo é a integração das pessoas que dele

fazem parte, nomeadamente em risco ou situação de exclusão social. Particularidades mais acessíveis e mais difíceis

“Estarem lado a lado com músicos conceituados, com maestro conceituado é, por si só, uma situação de inclusão social.”

“E que permitem que os utentes possam ter este acompanhamento e que possam sentir, efetivamente, um processo, num processo de integração social.”

“Agora, o mais difícil acaba por ser esta questão logística, por assim dizer, de termos os horários, neste caso são às quartas-feiras às 14h30, pronto e nem todos os utentes estão com essa… esse horário disponível porque podem

Se por um lado, o mais fácil de manobrar no Som da Rua é a interação com músicos e com um maestro conceituados e que facilitam todo o processo de inclusão e integração dos indivíduos; por outro lado, as dificuldades são a existência de um horário fixo de ensaios e os horários de alguns concertos que vão

estar, por exemplo, numa ação de formação ou podem estar numa outra atividade. Portanto, é um constrangimento que existe aqui. Outro pode acontecer com a situação de os próprios concertos que vêm sendo frequentes desde 2010… hmm… pronto, às vezes realizam-se em horários mais difíceis.”

aparecendo ao longo dos anos. A logística de disponibilidade dos utentes, transportes, alimentação são trabalhosas e são, muitas vezes, os principais entraves.

II. Relação com os participantes Tipo de relação que

assume com os participantes

“É uma relação de técnico-utente.” “Agora, é claro que os técnicos estando a participar também, muitos deles, ativamente no grupo, fazem parte integrante do grupo, acabam por ser colegas de… de banda ou de orquestra, não é?”

A relação de técnico- utente está sempre vinculada, apesar de que alguns técnicos (sobretudo os que

acompanham e

participam ativamente no grupo) acabam por criar uma proximidade com os utentes.

Características comuns dos participantes

“As características comuns é o interesse pela música, isso é óbvio, não é?”

“(…) portanto, o leque de… de participantes é heterogéneo, mas no essencial podemos estar a falar aqui em situação de pessoas com alguma… alguma situação de exclusão ou risco de exclusão social.”

Além da situação ou do risco de exclusão social - nem todos em situação de sem-abrigo -, é o interesse pela música. Caso não o tivessem, estes não tinham a motivação para integrar o Som da

Principais dificuldades ao trabalhar com indivíduos marcados por percursos de exclusão social

“Muitas vezes é esta… é este grau de dificuldade em que as pessoas se encontram.”

“Mas o essencial são estas: a motivação das pessoas para participarem (…) Porque isso exige uma exposição, de estar em palco. Podemos trabalhar aqui… hmm… esta ansiedade que a pessoa possa sentir, a ansiedade de exposição ao outro, não é? Portanto, mas são situações que vamos trabalhando caso a caso.”

As dificuldades iniciam-se com a difícil situação em que estes indivíduos se encontram devido ao seu percurso de exclusão social. Ademais, soma-se a carência motivacional em, por vezes, integrar um grupo, sobretudo um relacionado com a música que obriga a uma certa exposição (quer da pessoa, quer da sua história).

Modo como

ultrapassam as dificuldades

“(…) tentando levar as pessoas a desmontarem esses preconceitos que possam ter em relação à tal ansiedade de exposição.” Tentam fazer um trabalho de desmantelamento de preconceitos que os utentes têm, muito motivados pela vergonha em assumir a cara e a situação em que se encontram. É um trabalho que visa sempre os benefícios que a participação no Som da Rua tem para estes.

Motivação dos indivíduos ao procurar projetos como o Som da Rua

“Portanto, dentro da motivação dos utentes, dos interesses demonstrados por eles, vamos tentando capta-los para este envolvimento ativo nestas atividades. E depois de lá estarem acabam por, aqueles que gostam de música acabam por facilmente aderir, não é?”

A instituição filtra aqueles projetos que vão de encontro aos interesses e motivações dos utentes. A partir da sinalização dos projetos estes experimentam (voluntariamente) e acabam por integrar se estes se mostrarem compatíveis com os seus interesses.

Impacto direto (do Som da Rua) na vida dos utentes

“Sim, há utentes que depois de participarem no projeto Som da Rua de facto… hmm… passou a ser mais fácil trabalhar com eles e mais fácil que eles adiram aos projetos que visam o desenvolvimento de competências pessoais e sociais e até profissionais (…)”

“(...) a participação nestas atividades… hmm… são muitas vezes a porta de entrada, o isco, por assim dizer, para que os utentes se envolvam efetivamente numa atitude mais proativa (…)”

O entrevistado diz que existe um impacto na vida destes utentes. Sente que após a entrada no Som da Rua se tornou mais fácil lidar com os utentes e envolve-los em atividades que visam o desenvolvimento das mais diversas aptidões. Além disso, considera que este tipo de projeto é, em alguns casos, o ponto de partida para o desenvolvimento de uma atitude proativa.

casos de abandono do grupo

abandonam o grupo por razões positivas.”

“Há outras em que abandonam o grupo porque o técnico, por exemplo, entendeu que houve uma recaída em consumos e que não o deve voltar a integrar na atividade até ele demonstrar que merece essa oportunidade, essa confiança.”

nem sempre está em sintonia com a regressão ou recaída do utente. Se em certos casos a razão é essa, em outros a razão é positiva sendo, por

exemplo, uma

oportunidade laboral ou a participação em formações.

III. Relação com a comunidade Apoios externos/

contactos

“Sim, nós temos parceria com dezenas de instituições e entidades.”

“Não trabalhamos sozinhos, isso de certeza. Esta parceria com o Serviço Educativo da Casa da Música insere- se… é mais uma das parcerias que nós muito… muito orgulho temos e esperamos dar continuidade a ela… Mas pronto, é mais, é uma dessas parcerias que visa colaborar para a integração social das pessoas.”

A instituição assume um trabalho com diversas instituições, desde aquelas que trabalham com a mesma área, como hospitais, prisões, entre outras. A parceria com o Serviço Educativo da Casa da Música é outra instituição com que exercem um trabalho de integração social das pessoas em risco ou situação de exclusão. Mecanismos de

identificação de

“Olhe nós o que acionamos é através dos nossos centros de alojamento

A instituição onde trabalha o entrevistado

indivíduos em situação sem- abrigo

temporário, todos os utentes que são encaminhados para cá ou que por iniciativa própria se deslocam cá e comprovadamente estão numa situação de carência e que são admitidos a apoio em alojamento ou em apoio alimentar ou de outro género qualquer…”

é de alojamento temporário, sendo que os utentes que integram o Som da Rua estão lá alojados ou por sinalização dos centros ou por iniciativa própria dos indivíduos. Identidade pessoal

e comunitária

“Quando nós participamos num grupo há um sentido de pertença, há uma identificação com as pessoas que connosco participam nesse grupo e formam esse grupo. Portanto, é nessa linha que lhe digo que é importante… hmm… para os utentes terem, por exemplo, um técnico a participar diretamente com eles. É mais um, é mais um no grupo.”

“Há esse sentimento de pertença e há notoriamente nas pessoas que estão envolvidas nesta atividade, seja mais ou menos longa, também um aumento da sua autoestima e o sentimento de utilidade também.” A integração num grupo potencia a criação de sentimento de identificação grupal e comunitário, quer com os restantes utentes, como com os técnicos. Salienta, ainda, a importância de ter um técnico ao lado no grupo. É uma relação de proximidade que acaba por ser necessária. Além disso, esta participação cria

autoestima e

sentimento de utilidade, de valorização destas pessoas.

Visualização do Som da Rua em 10 anos

“(…) eu vejo o Som da Rua como um instrumento, como mais uma ferramenta que acho que deve ter continuidade e que… hmm… contribui para estes processos de integração (…)”

“Portanto, haver aqui a possibilidade de dar continuidade ao projeto mas desejavelmente, digo eu, com outras pessoas porque é sinal que as pessoas que frequentaram em 2010 ou 2011, algumas delas tenham conseguido a integração que tanto… que tanto procuravam.”

Visualiza o Som da

Rua como um

instrumento

potenciador da integração social dos utentes que espera ter continuidade daqui a 10 anos. Deseja que os utentes que constituem o grupo, na altura, sejam diferentes, graças à possível (e tão procurada) integração dos atuais.

Sugestões para o grupo

“(…) dentro das dificuldades que se falou no início, se calhar uma flexibilidade em termos de horários de ensaio, não é?”

“(…) se calhar se os ensaios fossem noutros locais e noutros horários, se houvesse essa flexibilidade, poderiam também participar e o grupo do Som da Rua seria maior.”

Sugere um trabalho continuado das competências de saber estar, dar e receber. Considera que tal é o que mais falta no grupo. E expressa o desejo de ver o grupo novamente com 50 ou 60 pessoas, como em fases anteriores aconteceu.

V. Caracterização sociodemográfica Idade “Sim, 44 anos.”

Local de residência “É cá no Porto.”

Estado civil “ Sou casado.” Habilitações

literárias e área de estudo

“Sou licenciado em Psicologia.”

Condição perante o trabalho

“Sou psicólogo, sou diretor técnico da… do centro daqui dos Albergues Nocturnos do Porto, do centro de alojamento temporário.”