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IV. L’écriture prométhéenne

IV.2. Anatomie d’un enrôlement

IV.2.2. La conversion dans Les ténèbres…

A partir do interesse do presente estudo em compreender como se manifestam os componentes capacidade de inovação em organizações do setor financeiro brasileiro, entende- se necessário compreender e delimitar o que são os componentes da capacidade de inovação. Damanpour (1991) demonstrou que há evidências da existência de estabilidade na relação entre fatores determinantes e inovação. Sobre estudos relativos a inovação em organizações, Wolf (1994) sugere que sejam desenvolvidos com foco na difusão da inovação, determinantes da capacidade de inovação e em processos de inovação. Seguindo essa recomendação Valladares, Vasconcellos e Di Serio (2014), efetuaram revisão sistemática da literatura sobre o tema e apresentaram como resultado uma relação de fatores determinantes e resultantes da capacidade de inovação.

Segundo Valladares, Vasconcellos e Di Serio (2014), foi possível levantar muitos estudos sobre o tema capacidade de inovação a partir de 1991, época em que Damanpour (1991) publicou sua meta-análise sobre fatores de inovação organizacional. Dessa maneira, de acordo com Valladares, Vasconcellos e Di Serio (2014), a partir de uma base estruturada foi possível identificar como principais fatores determinantes da capacidade de inovação: i) liderança transformadora, ii) intenção estratégica de inovar, iii) gestão de pessoas para inovação, iv) conhecimento do cliente e do mercado, v) gestão estratégica da tecnologia, vi) organicidade da estrutura organizacional e vii) gestão de projetos. No presente estudo optamos por aplicar a denominação de componentes da capacidade de inovação para o que Valladares, Vasconcellos e Di Serio (2014) definiram como fatores determinantes da capacidade de inovação, uma vez que estes autores reconhecem a existência de outros fatores como cultura e aprendizagem organizacional não contemplados no escopo do estudo realizado, motivo pelo qual entendemos que o uso da denominação como componentes seja mais adequada. Esses sete componentes da capacidade de inovação identificados na literatura por Valladares, Vasconcellos e Di Serio (2014), descrevem características associadas com a descrição de Innovation Capacity relatada

na Tabela 6. Cada componente é descrito por mais de um autor e possui sua respectiva definição explicada na Tabela 7.

TABELA 7. Relação dos Componentes da Capacidade de Inovação

Componente Definição Referências

Liderança transformadora

Aquela que torna seus seguidores mais conscientes da importância e do valor do trabalho; ativa suas necessidades de ordem superior; e os induz a transcender seus interesses pessoais em prol da organização.

Avolio et al. (1999); Podsakoff, MacKenzie, Moorman e Fetter (1990). Mumford et al. (2002) Intenção estratégica de inovar

Grau que a empresa está disposta a assumir riscos para favorecer a mudança, o desenvolvimento tecnológico e a inovação, e a competir agressivamente a fim de obter uma vantagem competitiva para sua empresa.

Covin e Slevin (1989); Miller (1983); Ahmed (1998); Cottam et al. (2001) Gestão de pessoas para a inovação

Orientação da gestão de pessoas para a inovação, provendo a concessão de liberdade ou autonomia de atuação aos empregados, estabelecendo metas desafiadoras, permitindo que decidam como alcança-las e favorecendo a autorrealização e o comprometimento com os objetivos da organização. Amabile (1998); Amabile, Schatzel, Moneta e Kramer. (2004); Cummings e Oldham (1997); Mumford et al. (2002); Shalley e Gilson (2004). Conhecimento do cliente e do mercado

Habilidade para detectar os eventos, necessidades, expectativas, mudanças significativas e tendências do cliente e do mercado. Perceber as mudanças do mercado na frente dos seus competidores fornece vantagem competitiva à empresa. Day (1994); Kohli e Jaworski (1990); Rothwell (1992); Ahmed (1998); Athuane-Gima et al. (2005). Gestão estratégica da tecnologia

Gestão do processo de criação e desenvolvimento de tecnologias, visando à criação de valor. O processo de gestão tecnológica compreende cinco etapas: identificação, seleção, aquisição, explotação e proteção.

A. R. Fusfeld (2004); H. I. Fusfeld (1995); Phaal, Farrukh e Probert (2001); Gregory (1995). Organicidade da estrutura organizacional

Grau em que a estrutura é caracterizada pela concessão de autonomia, controles flexíveis, comunicação horizontal desimpedida, valorização do conhecimento e da experiência e informalidade nas relações pessoais. Estruturas ditas orgânicas permitem resposta mais rápida às mudanças no ambiente externo do que as denominadas mecanicistas.

Burns e Stalker (1961); Khandwalla (1977); Damapour (1991); Amabile et al. (1996); Cottam et al. (2001); Mumford et al. (2002); Ahmed (1998) Gestão de Projetos

Planejamento, provisão dos recursos, execução e controle do processo de inovação. Inclui cuidadosa avaliação dos projetos, análise e planejamento visando, principalmente, ganhar compreensão, compromisso e apoio tanto corporativo quanto do pessoal que estará envolvido no projeto.

Cooper e Kleinschmidt (2007); Rothwell (1992); Rothwell (1994); Ahmed (1998). Nota. Fonte: Adaptado de Valladares, Vasconcellos e Di Serio (2014, pp.604-605).

De acordo com Teece (2017) uma adequada compreensão da natureza da organização e de como ela faz inovação e mudança, auxilia em um melhor entendimento da empresa. Segundo

este autor, isso ajuda a entender melhor não só os determinantes do desempenho da empresa, mas também os efeitos da gestão sobre a organização. O entendimento de que é interessante uma abordagem de como a organização faz inovação, sobre a ótica da gestão, também é compartilhado por Valladares, Vasconcellos e Di Serio (2014), estes autores sugerem a realização de estudos empíricos apoiados pelo desenvolvimento de escalas de medição embasadas por uma extensa lista de práticas observadas na literatura. Nesse sentido, para cada componente da capacidade de inovação é possível identificar e associar práticas adotadas nas organizações que possibilitam a descrição de como esses componentes se manifestam na organização. Portanto, de maneira a aprofundar o conhecimento sobre cada componente e as práticas organizacionais que os descrevem, se faz necessário aprofundarmos a descrição de cada componente com as principais práticas associadas.

O componente Liderança Transformadora, cuja descrição resumida consta da Tabela 7, está associado com a atuação dos gestores no sentido de influenciar a adoção de novas ideias (Mumford, Scott, Gaddis & Strange, 2002), na disposição para assumir riscos e explorar oportunidades (Amabile, Conti, Coon, Lazenby & Herron, 1996; Mumford, Scott, Gaddis & Strange, 2002; Wang & Ahmed, 2004), no estimulo a geração e busca por ideias inovadoras (pioneirismos) para a solução de problemas (Amabile, Conti, Coon, Lazenby & Herron, 1996; Wang & Ahmed, 2004) e na comunicação da visão de futuro e da compreensão da importância do papel de cada indivíduo no trabalho para a organização (Avolio, Bass & Jung, 1999).

O componente Intenção Estratégica de Inovar, descrito na Tabela 7 pela disposição da organização em assumir riscos para favorecer a mudança, o desenvolvimento tecnológico e a inovação, representa segundo Ahmed (1998) uma das melhores práticas características de organizações inovadoras. Entre as práticas relacionadas a esse componente, Cottam, Ensor e Band (2001) destacam a importância da adoção de métricas para medição do sucesso da estratégia de inovação da empresa. Além disso, diversos autores relatam que a inovação deve estar inserida no escopo da estratégia da organização de maneira clara (Rothwell, 1992; Rothwell, 1994; Ahmed, 1998; Cottam, Ensor & Band, 2001) com o estabelecimento de objetivos e/ou metas desafiadoras associadas à inovação (Ahmed, 1998; Shalley & Gilson, 2004) e a previsão de recursos necessários para sua execução (Cottam, Ensor & Band, 2001; Wang & Ahmed, 2004).

O componente Gestão de Pessoas para a Inovação é descrito objetivamente como a orientação da gestão de pessoas para a inovação fundamentada em práticas como a concessão de liberdade e autonomia de atuação, de maneira a favorecer a auto realização e o comprometimento com os objetivos da organização (Valladares, Vasconcellos & Di Serio,

2014). A caracterização desse componente na organização pode ser observada através de práticas de avaliação e desempenho direcionadas para a geração de inovação, ações de reconhecimento para atitudes inovadoras, bem como pela adoção de critérios de promoção e progressão na carreira associados à inovação e criatividade (Gupta & Singhal,1993; Mumford, Scott, Gaddis & Strange, 2002; Shalley & Gilson, 2004). Além disso, outros autores destacam a relevância do investimento em treinamentos sobre inovação e criatividade (Brockbank, 1999), na disponibilização rotineira de oportunidades de capacitação (Mumford, 2000; Shalley & Gilson, 2004) e na utilização de estímulos a troca de ideias entre as divisões hierárquicas das unidades da organização mediante a rotatividade de funções (job rotation), conforme observamos em Mumford (2000) e em Chadwick e Dabu (2009).

A descrição do componente Conhecimento do Cliente e do Mercado pode ser resumida pela habilidade da organização em identificar necessidades do cliente e tendências do mercado (Valladares, Vasconcellos & Di Serio, 2014). Para esse componente, Valladares (2012) relata que não se trata exclusivamente da identificação de necessidades cuja manifestação pelo cliente é clara, destacando que é ainda mais importante a identificação de necessidades ocultas do cliente, para as quais ele ainda não possui discernimento sobre a existência da demanda. Isso exige da organização uma atuação proativa, atenta e orientada ao mercado, o que segundo Atuahene-Gima, Slater e Olson (2005) se traduz como benefícios para o negócio pela antecipação de demandas de mercado, possibilitando uma resposta através de inovações incrementais e radicais na disponibilização de novos produtos.

O envolvimento do cliente e/ou usuário no processo de desenvolvimento de novos produtos e/ou serviços é uma prática associada ao componente Conhecimento do Cliente e do Mercado. Observamos em Rothwell (1992) e em Ahmed (1998) que essa prática é definida como um dos elementos dos fatores chave do sucesso em inovação nas organizações. Essa prática encontra-se alinhada com o que Gallouj e Weinstein (1997) descrevem como um dos principais elementos de evidenciação da diferenciação das atividades de serviços, onde estes autores descrevem diferentes maneiras de expressar o envolvimento do cliente em serviços, conforme Tabela 2. No âmbito do setor financeiro, esse componente demonstra-se como um elo singular para a geração de inovações, uma vez que nesse setor as atividades de negócio são essencialmente de serviços.

O componente Gestão Estratégica da Tecnologia pode ser resumidamente descrito como a gestão do processo de criação e desenvolvimento de tecnologias com objetivo de criação de valor, sendo compreendida das etapas: identificação, seleção, aquisição, explotação e proteção (Valladares, Vasconcellos & Di Serio, 2014). De acordo com Phaal, Farrukh e Probert (2001)

cada etapa faz parte de um modelo de gerenciamento da tecnologia pelo qual a organização integra a estratégia tecnológica com as demais estratégias. Porter (1986) destaca como importante a integração das estratégias organizacionais na elaboração de uma estratégia competitiva, o que reforça a relevância da Gestão Estratégica da Tecnologia para a geração de inovação nas organizações como um meio para se adquirir vantagem competitiva. Segundo Prajogo e Ahmed (2006) duas perspectivas sobre tecnologia são relevantes nesse contexto, sendo a primeira uma visão da tecnologia como um motor de mudança e inovação e, a segunda, em como o avanço tecnológico pode ser alavancado pelas organizações. Estes autores ainda destacam que é comum observarmos a relação entre tecnologia e inovação sob à ótica da exploração de oportunidades tecnológicas através da oferta de inovações radicais, o que segundo McKelvie e Davidsson (2009) representa a capacidade de introdução de rupturas no mercado.

Prajogo e Ahmed (2006) ressaltam ainda que entre as diversas abordagens de gerenciamento da tecnologia são percebidas práticas como o monitoramento de tendências nas tecnologias existentes, identificação de tecnologias emergentes, manutenção de posição de vanguarda tecnológica, antecipação do potencial de novas tecnologias e a realização de avaliação das capacidades tecnológicas dos concorrentes. Entre as práticas relatadas por Prajogo e Ahmed (2006), verifica-se que algumas se assemelham ao que Cohen e Levinthal (1990) relatam como uma habilidade da organização de reconhecer valor em informações externas e assimila-las, bem como no que Lane, Koka e Pathak (2006) descrevem como a capacidade de identificar, assimilar e explorar o conhecimento externo. O entendimento das práticas como habilidades organizacionais observado em Cohen e Levinthal (1990) e em Lane, Koka e Pathak (2006) podem ser definidos como capacidades adaptativas e absortivas da firma no contexto das capacidades dinâmicas das organizações (Wang & Ahmed, 2007), reforçando o entendimento de que os componentes da capacidade de inovação são elementos constituintes das capacidades dinâmicas.

A organização ser caracterizada pela concessão de autonomia, controles flexíveis, comunicação horizontal desimpedida, valorização do conhecimento e da experiência e informalidade nas relações pessoais são as principais características que definem a Organicidade da Estrutura Organizacional (Valladares, Vasconcellos & Di Serio, 2014). Segundo Damanpour (1991) questões como a verticalização hierárquica, centralização do processo decisório e um alto nível de formalização estão associados negativamente com a geração de inovação pela organização, enquanto uma comunicação interna voltada para facilitar a dispersão de ideias é associada positivamente com a geração de inovação ao elevar a

diversidade e favorecer a sobrevivência de novas ideias na organização. Desenvolver uma comunicação interna e a integração de todos os departamentos da organização nos projetos são elementos descritos por Rothwell (1992) entre os fatores chave de sucesso para a inovação na organização, sendo o entendimento da comunicação interna como um fator importante para a geração de inovação também compartilhado por Amabile, Conti, Coon, Lazenby e Herron (1996) e por Ahmed (1998) ao descrever as melhores práticas adotadas por organizações inovadoras. Em relação a tomada de decisão, Teece (2007) destaca que a adoção de um processo descentralizado é vital à medida em que as organizações expandem, pois de modo contrário a flexibilidade e a capacidade de resposta às mudanças pela organização irão diminuir. Quanto ao alto nível de formalização descrito por Damanpour (1991), diversos autores sugerem práticas que limitem esse tipo de efeito negativo na geração de inovação, como a adoção de controles flexíveis (Shalley & Gilson, 2004) e estrutura que facilite o fluxo de conhecimentos e favoreça a inovação e melhorias (Amabile, Conti, Coon, Lazenby & Herron, 1996; Cottam, Ensor & Band, 2001; Mumford, Scott, Gaddis & Strange, 2002; Shalley & Gilson, 2004).

O componente Gestão de Projetos é descrito resumidamente (Tabela 7) pela adoção de um planejamento estruturado, provisão dos recursos, execução e controle do processo de inovação através de etapas de análise e avaliação dos projetos, para o qual demanda-se um compromisso e apoio tanto corporativo quanto do pessoal envolvido no projeto (Valladares, Vasconcellos & Di Serio, 2014). As características que descrevem esse componente são observadas no conjunto de fatores chave que sustentam a inovação bem-sucedida nas organizações (Rothwell, 1992; Ahmed, 1998). Segundo Rothwell (1994) as práticas utilizadas na gestão de projetos com o objetivo de assegurar o compromisso corporativo e o envolvimento no projeto buscam evitar eventuais barreiras ao desenvolvimento dos mesmos. Além disso, alguns autores destacam diversas práticas que podem ser associadas a esse componente, como a definição clara de critérios de seleção dos projetos de inovação (Ahmed, 1998; Mumford, Scott, Gaddis & Strange, 2002), a adequada alocação de recursos (Amabile, Conti, Coon, Lazenby & Herron, 1996; Mumford, Scott, Gaddis & Strange, 2002; Shalley & Gilson, 2004), o uso das experiências dos projetos, sejam elas bem ou malsucedidas, como aprendizado para futuros projetos (Ahmed, 1998), o monitoramento regular dos projetos (Mumford, Scott, Gaddis & Strange, 2002) e a capacidade da organização em aceitar erros (Ahmed, 1998).

A presente pesquisa se propôs em adotar uma abordagem embasada na literatura demonstrada neste capítulo, em especial a desta seção, considerando que práticas e demais aspectos organizacionais possibilitam evidenciar a manifestação dos componentes da capacidade de inovação nas organizações lócus da pesquisa.