EXPLORATION GÉNÉALOGIQUE DU JOURNAL INTIME MANUSCRIT
CHAPITRE 1 BENJAMIN CONSTANT : LA POSTURE D'UNE AUTO-DESTINATION EXCLUSIVE
1.1 CONTEXTUALISATION 1 P OURQUOI B ENJAMIN C ONSTANT ?
a) Fale um pouco sobre você, sua formação, origem, idade, quando e começou a trabalhar com unidades de conservação.
b) Você já conhecia a região? Como foi a vinda para cá?
c) Quando você chegou aqui, qual era a situação do parque? O que chamou sua atenção?
d) Como foi o processo de decisão de criação do parque (critérios, relevância)? Quem estava envolvido, quem influenciou na decisão?
e) Como foi implantação do parque do seu ponto de vista? Como tem se dado à fiscalização?
f) Qual é o seu conhecimento sobre o Plano de Manejo? O Plano de Manejo auxilia na tomada de decisão? Há dificuldades no “uso” do Plano de Manejo?
g) Qual a relação do parque com as comunidades do entorno?
h) O que você conhece sobre o extrativismo vegetal e mineral na região?
i) Gostaria de acrescentar mais alguma coisa? Indica alguém para ser entrevistado?
Cabe ressaltar que a entrevista semi-estruturada valoriza não somente a presença do investigador, como também oferece todas as perspectivas possíveis para que o informante alcance a liberdade e espontaneidade necessárias, enriquecendo a investigação. Assim, de acordo com Selltiz et al. (1974), o papel do entrevistador é servir como catalisador da compreensão dos sentimentos e crenças do entrevistado, bem como da sua significação pessoal.
Para isso, a presente pesquisa também utiliza como método a observação participante, que segundo Oliveira (1996), salienta a importância de olhar, ouvir, escrever/refletir- de modo a favorecer a interação com o olhar do outro. Essa interação, segundo a autora, nos aproxima da visão de mundo do outro e nos faz refletir sobre a nossa própria visão, embora nosso olhar, disciplinado, muitas vezes dificulte tal exercício, sendo necessário, portanto, relativizar essa interpretação. O olhar, o ouvir e o escrever são importantes na percepção e pensamento deste tipo de pesquisa, se completam e permitem um resultado mais fidedigno do universo a ser estudado.
Valladares (2007) afirma que a observação participante é atualmente utilizada de forma constante em pesquisas ligadas aos campos da Sociologia, Antropologia e Geografia, principalmente em estudos de caso de "comunidades carentes" ou territórios urbanos demarcados social e geograficamente. Tal afirmação demonstra que o uso desse mecanismo é pertinente à realidade dessa pesquisa.
Tendo como fundamento a publicação de Whyte (2005) e Valladares (2007) nota-se que:
1) A observação participante implica, necessariamente, um processo longo. Muitas vezes o pesquisador passa inúmeros meses reconhecendo e intermediando sua entrada em uma área. Uma fase exploratória é, assim, essencial. O tempo é também um pré-requisito para os estudos que envolvem o comportamento e a ação de grupos: para se compreender a evolução do comportamento de pessoas e de grupos é necessário observá-los por um longo período e não num único momento.
2) O pesquisador desconhece as teias de relações que marcam a hierarquia de poder e a estrutura social local.
3) A observação participante supõe a interação pesquisador/pesquisado. As informações que obtém, as respostas que são dadas às suas indagações, dependerão, ao final das contas, do seu comportamento e das relações que desenvolve com o grupo estudado. Uma auto-análise faz-se, portanto, necessária e convém ser inserida na própria história da pesquisa. A presença do pesquisador tem que ser justificada e sua transformação numa pessoa local não se verificará, ou seja, por mais que seja sua inserção social, o estranhamento sobre o seu papel em determinadas situações será sempre evidenciado.
4) O pesquisador deve mostrar-se diferente do grupo pesquisado. Seu papel de pessoa de fora terá que ser afirmado e reafirmado. Não deve enganar os outros, nem a si próprio.
5) Uma observação participante não se faz sem um intermediário que auxilia sua inserção num determinado grupo.No decorrer do trabalho tal intermediário pode se tornar um colaborador da pesquisa. Determinadas interpretações edificadas terão fortes influências decorrentes de esclarecimentos e diálogos tecidos na relação entre o pesquisador e agora colaborador.
6) O pesquisador quase sempre desconhece sua própria imagem junto ao grupo pesquisado. Seus passos durante o trabalho de campo são conhecidos e muitas vezes controlados por membros da população local. O pesquisador é um observador que está sendo todo o tempo observado.
7) A observação participante implica saber ouvir, escutar, ver, fazer uso de todos os sentidos. É preciso aprender quando perguntar e quando não perguntar, assim como que perguntas fazer na hora certa. As entrevistas formais são muitas vezes desnecessárias, devendo a coleta de informações não se restringir a isso. Com o tempo os dados podem vir ao pesquisador sem que ele faça qualquer esforço para obtê-los.
8) Desenvolver uma rotina de trabalho é fundamental. O pesquisador não deve recuar em face de um cotidiano que muitas vezes se mostra repetitivo e de dedicação intensa. Mediante notas e manutenção do diário de campo, o pesquisador se autodisciplina a observar e anotar sistematicamente. Sua presença constante contribui, por sua vez, para gerar confiança na população estudada.
9) O pesquisador aprende com os erros que comete durante o trabalho de campo e deve tirar proveito deles, na medida em que os passos em falso fazem parte do aprendizado da pesquisa. Deve, assim, refletir sobre o porquê de uma recusa, o porquê de um desacerto, o porquê de um silêncio.
10) O objetivo das atividades realizadas pelo pesquisador sempre serão questionados pelo grupo pesquisado. Haverá sempre uma expectativa de um resultado prático da pesquisa que trará algum benefício direto para o indivíduo ou grupo.
3.4–Etapas de campo e realização de entrevistas
Os trabalhos de campo iniciaram nesta fase com foco nas comunidades e gestores de parques para realização de entrevistas.
A seleção dos entrevistados foi realizada tendo por critério inicial a opinião geral dos moradores das comunidades acerca de quem seriam as pessoas mais envolvidas com as UC‟s. Dentre os representantes selecionados pode-se citar: os envolvidos no processo de criação das unidades, os líderes locais, participantes de associações de moradores, vítimas de ações fiscalizatórias, e aqueles que auxiliam na atual gestão dos parques, os que apresentam conhecimento tradicional sobre a região e os que passaram, ou ainda passam, pelo processo de desapropriação de terra. Foram também entrevistados, em menor número, representantes de entidades e empresas que atuam direta ou indiretamente nas áreas dos Parques e de seus entornos.
porção Norte da Zona de Amortecimento do PERP, município de São Gonçalo do Rio Preto. Estabeleceu-se um contato inicial com os moradores, abrangendo apresentação do pesquisador e a explicação das intenções da pesquisa. Buscou-se reconhecer as lideranças das comunidades e diminuir a situação de estranhamento entre o entrevistado e entrevistador.Durante esta etapa foram realizadas dezesseis (16) entrevistas, distribuídas da seguinte forma: catorze com os moradores dessas comunidades, uma com o gestor e outra com um funcionário do Parque Estadual do Rio Preto. Foram realizadas em Fevereiro de 2011 e Setembro de 2012. Em paralelo, foi mantida a observação direta das ações cotidianas dos moradores de ambas comunidades.
Em Junho e Outubro de 2011 as etapas de campo para entrevistas foram realizadas em conjunto com pesquisadores do GIPE e abarcaram as seguintes comunidades: Pinheiro (Oeste da ZA), Maria Nunes (Nordeste da ZA) e Mendanha (Leste do PEBI), além de moradores ainda residentes na área do parque.Cabe ressaltar aqui que, apesar de Mendanha e não ser entendida pelo Plano de Manejo como comunidade de entorno do PEBI e portanto não estar inserida em sua ZA, decorrente de sua proximidade com o parque optou-se pela realização das atividades nesta comunidade.
As atividades realizadas nessas comunidades seguiram os mesmos procedimentos das entrevistas em Alecrim e Santo Antônio. Porém outros setores da sociedade foram entrevistados gerando, assim, informações mais abrangentes quanto aos olhares sobre o PEBI. Realizou-se dezenove (19) entrevistas distribuídas entre a comunidade e os seguintes atores: representante da Associação dos Guias Turísticos de Diamantina;representante da Associação Montanhas do Espinhaço (parte do Conselho Consultivo do PEBI); Gestor do parque; representante de Operadora de Turismo (parte do conselho consultivo do PEBI), representantes do poder público municipal de Diamantina(Secretaria de Turismo, Secretária de Meio Ambiente e Gabinete do Prefeito) e representantes da EMATER.
Entre Outubro e Dezembro de 2012, trabalhos de campo ocorreram nas comunidades de Loronha, Canela, Cabeças e Cotó, situadas na porção Leste da Zona de Amortecimento do PERP, município de Felício dos Santos.Foram realizadas dezessete (17) entrevistas com moradores das comunidades, sendo quatro(4) na comunidade de Loronha, seis(6) em Canela, três (3) em Cotó e quatro (4) em Cabeças.A observação direta das ações cotidianas dos moradores dessas comunidades ocorreu de forma menos intensa
Em Março de 2012, trabalhos de campo para entrevistas ocorreram nas comunidades de Água Espalhada, Amendoim e Abóbora, situadas na porção Oeste da ZA do PERP, município de Couto de Magalhães de Minas. Foram realizadas sete (7) entrevistas com
moradores das comunidades, sendo três (3) na comunidade Amendoim, duas (2) em Água Espalhada e duas (2) Abóbora. A observação direta das ações cotidianas dos moradores dessas comunidades ocorreu de forma menos intensa