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Chapitre 2. La naissance de l’Organisation internationale du travail

2.1. La Commission de législation du travail

COMO PERCEBE O

PE2-Aí assim, eu percebo que esse alunos que tem dificuldade de aprendizado às vezes é mais um problema emocional que estão

causando o problema da

aprendizagem. Mas tem alunos que tá diagnosticado também com o TDAH e não é. Que o diagnóstico não está preciso

Ou seja, não confio muito no que tem ali naquela lista. (lista dos alunos com NEE)

É, eu não confio nesses diagnósticos que tem aqui. Porque assim, quando a gente estuda a gente vê “vixe, não tem nada a ver com o que ta aí não...”

Tem aluno que tem transtorno de déficit de atenção e hiperatividade e colocaram com deficiência intelectual. Então, com certeza tem aluno aqui que não está com diagnóstico e tem dificuldade de aprendizagem porque tem um déficit de atenção, sem ter a hiperatividade. Tem muito mais do que tem aí.

olha, eu lembro que eu tava

fazendo um curso sobre

superdotação, que é as altas- habilidades... e ela disse que o alto- habilidoso é muito confundido com o TDAH. Porque assim, eles têm... eles fazem logo a atividade e querem passar para outra atividade. Aí o professor acha que ele é hiperativo. Ele não aguenta o professor ta dando aula sendo que ele já sabe tudo aquilo ali, aquilo ele já pegou! Então ele tende a se dispersar, porque aquilo já não ta mais interessante pra ele. Então eu noto que é muito confundido o TDAH com altas-habilidades, o diagnóstico não é muito preciso. Aí causa insegurança na gente. PE1- porque tem que persistir

também esses sintomas, né? Esses sintomas eles podem mudar.

Eu já tive crianças autistas aqui, que dizem que tinha TDAH também, mas sem laudo... só o autismo, o TDAH não... Aí essa criança era agitada, era agressiva e tudo... um ano depois ele já não apresentava aquele comportamento de se jogar embaixo da cadeira, ou de mexer nas coisas, querer derrubar as coisas, ficar desatento... então pode mudar.

P2- tem várias crianças com comportamento parecido, mas que

nem todas possuem um

diagnóstico. E, por outro lado, têm outras com o mesmo diagnóstico, mas com comportamentos bem diferentes.

Vem um monte de coisa pra cima da gente, vem pra sala de aula muita coisa, e a impressão que eu tenho é que todo mundo precisa achar um nome pra aquilo tudo... vamos achar um nome praquela criança que se comporta assim assado... então a gente fica o tempo todo procurando nomes.

tenho a sensação que nós lidamos atualmente com muita criança adoecida. Pensando na questão da saúde, o termo eu acho que é esse

P1- Às vezes eu tenho a impressão que virou uma moda. Às vezes eu tenho essa sensação: virou moda!

Então é como se essa criança estivesse mais adoecida, de modo geral. Então até um tempo atrás a gente lidava com questões de aprendizagem. Ah, tinha todo o resto? Claro que tinha! Sempre existiu.

Então às vezes eu acho que a gente, inclusive nesse sentido, se atrapalha e nomeia coisa quando não devia nomear e desconfia de coisas que não é bem aquilo, e não dá tempo de ir buscar, e não tem o apoio nem do pai nem da mãe, não tem a estrutura na escola... então tudo isso eu acho que é muito confuso

Mas é como se tivesse começado a discutir muito tudo isso... e isso é bom, por um lado, mas a impressão que eu tenho é que acaba dando munição, digamos assim, pra que a gente saia dando nomes.

Fonte: Elaboração própria da autora

Na percepção de familiares, professores e educadores é necessário ter cautela na construção de um diagnóstico como o TDAH, que expressa uma condição de existência do sujeito. Primeiro, é importante que seja levado em consideração a idade em que se manifestam tais comportamentos. Embora este seja um transtorno de detecção prioritária na infância e que, segundo o DSM-IV e a ABDA alguns sintomas precisam estar presentes antes dos 7 anos de idade, deve-se ter prudência para não rotular como patológicas manifestações

próprias do sujeito infantil. Além disso, por ser a infância um período em que a criança encontra-se em formação de suas características subjetivas, é imprescindível observar a permanência ou não do comportamento por certo período de tempo. As vivências sociais podem levar a criança à manifestar respostas tidas como indevidas, o que pode ser contornado através de novas experiências e do auxílio à criança na construção de novas respostas.

A situação torna-se ainda mais controversa devido à imprecisão do diagnóstico. Seus sintomas, por demais inespecíficos, fazem com que ele seja confundido com outros quadros que saem do campo do transtorno comportamental sendo, por vezes, caracterizado como deficiência intelectual ou confundido com altas habilidades e superdotação. Essa diferenciação diagnóstica terá repercussões significativas nas práticas de cuidado que serão estabelecidas, nos processos pedagógicos que serão desenvolvidos para essa criança, em sua construção subjetiva e na sua relação com o outro. A inexatidão sintomatológica gera, assim, uma confusão na representação imaginária do TDAH, tornando difícil a percepção das diferentes representações de um mesmo diagnóstico.

É notória a preocupação com os discursos medicalizantes nas práticas cotidianas. Ao reduzir as experiências da vida cotidiana às racionalidades próprias de uma ciência médica, em uma determinada hegemonização de um modo de fazer e pensar as práticas em saúde, estamos diante de um Paradigma Biomédico, que tem por horizonte normativo as práticas curativistas.

A hegemonia biomédica, ao normatizar processos subjetivos e ampliar o pode científico do saber médico, acaba por diminuir a capacidade das pessoas de lidarem com seus sofrimentos e perdas recorrentes, transformando as dores da vida em doenças, nos conduzindo a um processo de medicalização da vida. (ILLICH, 1970)

Para além de práticas próprias da medicina ou de tratamentos medicamentosos, trata-se da medicalização como um dispositivo de controle da vida. Martins (2007), auxilia na compreensão do conceito no trecho a seguir:

A medicalização da vida e da existência – que difere da medicina tanto quanto o cientificismo difere da ciência – tem essa função de entorpecimento niilista do indivíduo, que encontra na ideologia da medicalização e da patologização uma defesa maníaca legitimada social, coletiva e pseudocientificamente pela indústria médica e farmacêutica, com o apoio lobista da mídia e da indústria da informação, do marketing, da publicidade e da propaganda, impressas e televisivas. (MARTINS, 2007, p. 125)

Michel Foucault (1977), ao discorrer sobre o fenômeno da medicalização, considera que tal processo está ligado a uma medicina que, valendo-se do poder de seu discurso científico, toma a sociedade como objeto de higienização, disciplina os corpos e

amplia sua apropriação sobre os sujeitos de tal forma que chega à regulação de seus comportamentos. A medicina atua como uma tecnologia do biopoder: isso quer dizer que os saberes, práticas e discursos médicos se estabelecem por meio da venda de valores, de modos de existência, de padrões de vida, de saúde e de bem-estar, na promessa de qualidade de vida, e acaba por englobar biotecnologias e difundi-las, fazendo-as permearem por todo espaço social.

O saber médico, assim, passa a atuar a partir de um poder disciplinar, pautado em um novo olhar e novo discurso sobre os corpos e seu funcionamento. Com essa racionalidade científica saúde e doença passam a ser objeto da medicina, sendo a doença um estado corporal a ser lido pela ciência. Os sintomas passam a ser peça central e, considerados os determinantes da doença, tradução direta de sinais patológicos. O sujeito, por sua vez, é separado de seu sofrimento e visto apenas como um conjunto de estruturas biológicas. (SANCHES; AMARANTE, 2014)

Na criança, vemos que a produção da patologização tem se dado de forma majoritária na idade escolar, surgindo uma estreita relação entre educação e saúde. No entanto, a partir da tentativa de se obter maior controle do desenvolvimento e do comportamento infantil, as implicações subjetivas, as características próprias do sujeito, bem como seus desejos e particularidades acabam por ser desconsiderados.

5.3. Práticas Educativas e de Cuidado

5.3.1. Fluxos Assistenciais

A infância especificada a partir do TDAH é perpassada por conhecimentos do campo da saúde e da educação. Esses conhecimentos, no entanto, são postos em contexto, influenciando e sendo influenciados por valores, crenças e costumes. Desse modo, compreender a escolha dos caminhos assistenciais e das práticas de cuidado indicará o lugar social a ela destinado.

Diante de um comportamento atípico significado no campo de um processo patológico, a rede de cuidado se estrutura na construção de um caminho assistencial, abrangendo desde a busca pelo diagnóstico até o estabelecimento das práticas de cuidado. As escolhas feitas ao longo desse percurso são influenciadas por distintos fatores: o contexto em que os primeiros sinais foram manifestados, a assistência entendida como necessária, a assistência disponível, a condição financeira da família, dentre outros.

5.3.1.1. Fluxo Interno

Pretendemos perceber nos discursos como as escolas em questão se organizam internamente diante de uma situação de dificuldade de aprendizagem: quais as relações estabelecidas entre os profissionais da escola (professores, coordenadores, diretores...), quais os fluxos internos construídos e como se estabelecem as relações internas à instituição.