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Chapitre I. La G enèse des idées des Trois contes

C. La faillite et les motivati ons de la création des Trois contes

3. De « quelque chose, de court » aux Trois contes

2.1.1. Objetivo principal e questões de investigação

A presente investigação tem como principal objetivo explorar a influência da experiência de adoção na construção da identidade de adultos emergentes adotados, num sentido simultaneamente de continuidade e diferenciação, bem como no desenvolvimento da sua capacidade para a construção de uma relação segura de proximidade e intimidade com um par amoroso.

Nestas condições, optou-se por realizar um estudo de natureza exploratória, orientado para a emergência e construção de hipóteses, uma vez que estudos desta natureza se caracterizam pelo seu valor predominante criativo e pela impossibilidade de generalizar as inferências daí retiradas (De Ketele e Roegiers, 1993). Assim, pelo caráter exploratório assumido, não foram definidos objetivos específicos mas antes questões de investigação orientadoras:

I. Quais as representações que os adultos emergentes adotados possuem da sua família biológica? II. Quais as representações que os adultos emergentes adotados construíram acerca do tempo que mediou o seu afastamento da família biológica e a sua integração na família adotiva?

III. Quais as representações dos adultos emergentes adotados acerca da sua experiência de adoção na infância e adolescência, bem como a forma como esta continua a ser vivida na atualidade, quer a nível intra e interpessoal?

(i) De que forma foi e tem sido abordada no contexto da família adotiva e no contexto exterior à família adotiva a sua experiência de adoção?

(ii) Terão os adultos emergentes adotados conseguido desenvolver um sentimento de pertença à sua família adotiva e, caso o tenham conseguido, quais os fatores que terão contribuído para a construção deste sentimento?

(iii) Quais as perdas sentidas pelos adultos emergentes relativamente à sua experiência de adoção?

(iv) Relativamente à sua integração na família adotiva, o que terá sido por eles sentido como mais difícil, mais fácil e mais importante?

IV. De que forma os adultos emergentes adotados percecionam as relações que estabeleceram com os seus pais adotivos na infância?

(i) Tendo por pano de fundo a teoria da vinculação, quais as representações que os adultos emergentes adotados têm da atuação dos seus pais na infância, não só ao nível da expressão de afetos, mas também ao nível da gestão das suas condutas e da comunicação?

V. Como terá evoluído a relação dos atuais adultos emergentes adotados com os seus pais adotivos, na adolescência?

(i) Terão sido sentidas transformações na relação com os seus pais adotivos? (ii) O que percecionam ter estado na origem da evolução dessa relação?

VI. De que forma os adultos emergentes adotados descrevem a sua relação com os pais adotivos na atualidade?

VII. De que modo os adultos emergentes adotados terão construído a sua identidade em torno das várias dimensões que integram a sua história de vida?

(i) Como se percebem os adultos emergentes adotados, enquanto indivíduos simultaneamente diferentes e semelhantes aos seus pais adotivos?

(ii) Em que medida e domínios se consideram autónomos relativamente às suas figuras parentais?

(iii) De que forma a sua experiência de adoção, mas também os seus pais adotivos e o seu par amoroso influenciam o que atualmente percecionam ser?

VIII. Quais as representações dos adultos emergentes adotados acerca da relação conjugal dos seus pais adotivos?

(i) Que recordações possuem acerca da expressão de afeto entre o seu pai e a sua mãe adotivos?

(ii) Quais as suas representações acerca das situações de conflito entre o seu pai e a sua mãe adotivos?

IX. De que forma os adultos emergentes adotados se entregam à construção de uma relação de intimidade com um par romântico?

(i) Como vivenciam, no contexto da relação com o par amoroso, as dinâmicas do afeto e do conflito, mas também da autorrevelação, do investimento, do compromisso e da interdependência?

X. De que forma se processa a transferência das componentes de vinculação aos pais para o par amoroso, nos adultos emergentes adotados?

(i) Quais as componentes que se encontram ainda vinculadas aos pais e aquelas que os adultos emergentes adotados assumem como função do par amoroso?

Desta forma, no presente estudo, procura-se sistematizar o processo de desenvolvimento da identidade do adulto emergente adotado, partindo de um processo de separação-individuação relativamente a duas famílias (biológica e adotiva), bem como o processo de construção de uma

relação de envolvimento íntimo, pautada pelo afeto, conflito, autorrevelação, investimento, compromisso e interdependência, com o par romântico, considerando que esta capacidade vai amadurecendo ao longo do desenvolvimento, neste caso até à adultez emergente.

2.1.2. Metodologia qualitativa

No presente estudo, enveredou-se pelo uso de uma metodologia qualitativa, uma vez que esta permite a descrição e compreensão contextualizada de fenómenos, centrando a sua análise no significado e tendo em conta a intersubjetividade e complexidade das experiências (Stiles, 1993).

Dado que os objetivos das investigações do tipo qualitativo passam fundamentalmente pela compreensão mais ampliada acerca de um fenómeno, importa ter em conta que as que stões da fidelidade e validade e, consequentemente, da generalização de resultados e objetividade parecem não se legitimar nos mesmos moldes que nas investigações do tipo quantitativo (Stiles, 1993). No entanto, não significa que devem ser abandonadas preocupações acerca do rigor e acerca da necessidade de provar a validade dos resultados produzidos (ibd.).

Atenta-se ainda que a metodologia qualitativa encara a interação do investigador com o campo como parte explícita da produção do saber, em lugar de a excluir a todo o custo, como variável interveniente, sendo as reflexões, impressões e sentimentos do investigador parte integrante dos dados produzidos, nomeadamente ao influenciar a interpretação que do discurso dos participantes é feita (Flick, 2002). Por sua vez, os participantes podem ser vistos como colaboradores ou co-investigadores, auxiliando na criação de sentido e na construção de compreensões sobre os fenómenos (ibd.).