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- L’apparence physique

Chapitre 5 : Les migrations effectives

2) Adultes et errantes

Se é certo que os indicadores de tráfego se mostram extremamente animadores e crescentes ao longo dos anos, os indicadores de rentabilidade têm evidenciado um sector de actividade com elevados períodos conturbados e níveis de rentabilidade extremamente baixos. Aliás, como mencionado por Bisignani G. (2010), a aviação tem vivido dos piores momentos da sua história, tendo assistido, em 2009, à perda de receitas de mais de 81 mil milhões de USD e resultados líquidos negativos a rondarem os 10 mil milhões de USD nesse ano.

Alguns factores têm contribuído de forma decisiva para este comportamento verificado ao longo dos últimos anos, afectando quer o tráfego de passageiros e/ou a rentabilidade registada.

Doganis R. (2010, 2006) e Vasigh B. et al. (2008) salientam alguns desses aspectos, como sejam:

 Processos de liberalização, dos E.U.A. à Europa e aos acordos de Open Skies entre estes;

 Continuada pressão para a queda continuada dos yields;

 Variações conjunturais do preço do petróleo e, consequentemente, do Jet Fuel;  Abrandamento das economias mundiais;

60  Políticas de alianças e consolidação;

 Instabilidade político-económica mundial e terrorismo.

Depois de meses com decréscimos acentuados ao longo do tempo, que originariamente levaram a que as primeiras estimativas feitas em Setembro de 2009 (IATA, 2009b) apontassem para perdas em 2010, na ordem dos 5,6 mil milhões de USD, novas previsões, em Junho de 2010 (IATA, 2010a), inverteram esse valor para um lucro expectável de 2,5 mil milhões de USD (em Março, as previsões ainda apontavam para um resultado negativo de 2,8 mil milhões de USD (IATA, 2010e)). Na sua última previsão de Setembro (IATA, 2010c), a IATA reviu em alta os dados, com os resultados a atingirem os 8,9 mil milhões de USD em finais de 2010.

-20 -15 -10-5 0 5 10 15 20 25 mM USD 1980 1984 1988 1992 1996 2000 2004 2008E Anos

Evolução da rentabilidade do Transporte Aéreo (1985-2011)

Res. Operac. Res. Líq.

Fonte: Até 2008 – ICAO (via ATA, 2010); 2009-2010: IATA (2010c); E: Estimado, F – Forecast

Figura 15. - Evolução da rentabilidade do Transporte Aéreo (1985-2011)

A evolução da rentabilidade da aviação comercial, ao longo dos últimos anos, conforme consta do Anexo 6., permite evidenciar as dificuldades sentidas nos últimos anos de actividade, onde os custos com combustíveis ocupam uma parcela cada vez mais importante na estrutura de custos das companhias aéreas.

Como se pode também verificar, a margem sobre o Lucro Líquido atingiu o seu valor mais elevado na década em 2007, representando apenas uma margem positiva de 2,5%.

Mas nem todas as áreas irão evoluir positivamente em 2010. Mesmo depois de corrigido em alta a última previsão da IATA (2010c), como anteriormente mencionado, a Europa manter-se-á negativa com um resultado negativo esperado de 1,3 mil milhões (uma evolução face aos 2,8 mil milhões de USD negativos previstos em Março de 2010). A região da Ásia e Pacífico atingirá os 5,2 mil milhões de USD (2,2 mM de USD em Março), seguida da América do Norte com 3,5 mil milhões (1,9 mM USD em Março). A região da América Latina, depois de ser a única positiva em 2009, atingirá os 1.000 milhões de USD (+ 100 milhões que na previsão de

61 Março), com a região do Médio Oriente a atingir os 400 milhões de USD (100 milhões de USD em Março). A África com 100 milhões previstos, manteve a mesma previsão de Março.

A situação da Europa, além da crise financeira e monetária que perdura, decorre ainda dos impactos sofridos com o encerramento do seu espaço aéreo em Abril, devido ao vulcão Eyjafjallajokull, cujo impacto negativo a IATA (2010f) estimou em perdas de receitas na ordem dos 1,7 mil milhões de USD (para a região da Europa o impacto foi de 70%).

Previsões para 2011 (IATA, 2010c) levam a que se assista a uma moderação nos resultados nesse ano, atingindo globalmente os 5,3 mil milhões de USD, sendo que a Europa é a única região a crescer (com um resultado nulo), em recuperação do resultado negativo ainda previsto para 2010.

No seguimento desta tendência positiva para 2010, também o Índice de Confiança da IATA (2010g, h), baseado no seu inquérito trimestral, mostra uma maior confiança das companhias aéreas. De acordo com o inquérito realizado em Julho, quase 70% das companhias aéreas sentiram uma melhoria dos seus níveis de rentabilidade e mais de 80% afirma que o seu tráfego tem aumentado este ano, cuja tendência se irá manter para os próximos 12 meses.

Também ao nível dos Yields a situação de confiança se mostra mais favorável, com 50% dos inquiridos a manifestar melhorias no último trimestre (mesmo assim, 27,8% dos inquiridos viu o

Yield diminuir, sendo que, no anterior inquérito esse valor era de 46,7%) e com expectativas

mais elevadas nos próximos 12 meses (72,2% e apenas 5,6% com expectativas de diminuição).

Resultados já disponibilizados pela IATA (2010i) no seu relatório de Outubro apontam para uma melhoria na confiança das operadoras aéreas mas antevê igualmente algunas preocupações para 2011, em consonância com as previsões já apontadas pela IATA (2010c).

Como define Vasigh B. et al. (2008), desde o período de liberalização nos E.U.A. (mais conhecido pelo US Airline Deregulation Act of 1978) que a indústria, em particular nesse país, tem sentido uma enorme volatilidade. Momentos de elevados rendimentos são seguidos por períodos de elevada recessão, com um dos períodos mais conturbados a verificar-se após os ataques terroristas do 11 de Setembro. Como os autores mencionam, “esta volatilidade veio produzir falências nas companhias aéreas, extensivos períodos de layoff dos trabalhadores e cortes salariais, perda de riqueza dos accionistas e grande incerteza no mercado”.

Como refere Darcy Olmos, M. (2010), a aviação é extremamente cíclica e correlacionada com o PIB, pelo que, períodos de crise colocam uma enorme pressão na rentabilidade da indústria.

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