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II Opposition et rapprochement des politiques publiques de l’aménagement et de l’environnement

II.1 Bases conceptuelles et orientations de la dialectique

1.23 Activité et pollution

2.1.4.1.

A ideia

Qualquer documentário parte de uma ideia, de uma impulsão do seu criador de mostrar determinada realidade, contar uma história ou promover o debate acerca de um assunto que considere especialmente relevante (Rosenthal, 1996). Normalmente, estas ideias não surgem de forma totalmente espontânea, encontrando-se fortemente associadas à experiência do autor e à sua observação do mundo que o rodeia. Alguns acontecimentos tornam alguns assuntos mais pertinentes, não só a um nível global, mas muitas vezes sob uma perspectiva mais pessoal e é vulgarmente deste tipo de perspectiva ou impulsão individual que um documentário nasce (Rosenthal, 1996). A ideia do autor começa por surgir como uma simples vontade, evoluindo ao longo do tempo para algo mais concreto. Esta vai-se tornando mais clara, deixando antever alguns dos passos necessários para a realização do documentário, como por exemplo a narrativa ou alguns dos planos que se poderão gravar, noções que deverão ser tidas como fundamentais antes de avançar para a produção do documentário (Rosenthal, 1996).

Alan Rosenthal defende que a realização de um documentário exige uma considerável quantidade de recursos e tempo que, muitas vezes, terão que ser encontrados pelo próprio autor do documentário. Tendo em conta o compromisso pessoal que cada documentário pressupõe, é conveniente que a ideia que está na sua origem seja suficientemente interessante e se encontre aliada a uma vontade suficientemente forte para o justificar (Rosenthal, 1996, p. 11 e 12).

Barry Hampe refere ainda que a ideia do documentário não deverá, contudo, ser encarada como uma estrutura rígida e inalterável, devendo ser, ao invés, flexível e capaz de se adaptar ao desenrolar da produção do filme. O contacto com os intervenientes e com o cenário em que o documentário terá lugar apresentam dificuldades que condicionam o crescimento da obra

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mas também oportunidades, que podem apresentar ao autor do documentário perspectivas interessantes que mereçam ser exploradas mais aprofundadamente (Hampe, 1997).

Uma vez consolidada a ideia do documentário, o seu autor pode proceder à transposição desta para um guião.

2.1.4.2.

Guião

De acordo com Barry Hampe alguns documentários de carácter mais espontâneo, sobretudo os de maior relação com o estilo Cinéma-Vérité, raramente se baseiam numa narrativa sólida e dispensam muitas vezes a escrita de um guião (Hampe, 1997). Para o autor estes sobrevivem essencialmente da espontaneidade do momento da captura de um acontecimento tal como ele sucede, por vezes de forma inesperada. Tudo depende daquilo que vai acontecer no local e no momento da filmagem e que é, geralmente, imprevisível, não sendo possível o seu enquadramento e previsão total num guião. Ainda assim, e mesmo neste tipo de filmes é possível escrever, não um guião propriamente dito, mas um documento de planificação até certo ponto, incidindo sobretudo no tipo de cenas que se pretende e espera visualizar, assim como na sua organização logística na medida do possível, ao invés de uma escrita mais focada na narrativa e no diálogo (Hampe, 1997, p. 1).

Por outro lado, documentários com um estilo mais objectivo e estruturado e com uma ideia relativamente clara da informação que pretendem recolher e transmitir, beneficiam bastante da redacção de um guião que permita planear, prever e orientar as diversas etapas da realização do documentário (Hampe, 1997). Neste caso o guião deverá descrever, tanto quanto possível, as acções e diálogos que irão ocorrer ao longo da gravação. Naturalmente que, nalguns casos, como acontece por exemplo no diálogo com os intervenientes, não é possível prever totalmente aquilo que irá suceder ou o que será dito. Barry Hampe defende que nessa situação cabe ao autor do documentário indicar aquilo que espera que seja dito ou o que pensa que será mais provável acontecer (Hampe,1997, p. 6).

Rosenthal (1996) olha o guião como o documento de arquitectura do documentário. Este documento deverá responder à pergunta "O que devo filmar?” (Das, 2007, p. 3) e fornecer o planeamento e preparação necessários para filmar as cenas previstas. Ainda que possamos considerar o guião como um documento de cariz predominantemente estruturador e descritivo, é também de suma importância permitir no mesmo alguma margem de manobra, tendo em conta a flexibilidade necessária para permitir a evolução de liberdades criativas aquando das filmagens no local, indispensáveis à obtenção de um tom genuíno e verosímil à obra final (Rosenthal, 1996).

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Assim, o guião constitui-se como uma ferramenta estrutural e orientadora destinada a auxiliar não só o realizador, mas também todos os restantes envolvidos na produção do documentário. Considerando este objectivo comunicacional primordial do guião, o mesmo deverá comunicar a ideia do filme de forma clara e simples, constituindo "um documento de trabalho e não uma obra literária" (Rosenthal, 1996, p. 15).

Rosenthal ressalva também a importância de outro elemento fundamental na construção de um guião – a pesquisa. Quanto mais informação de qualidade o autor tiver à sua disposição, melhor conseguirá delinear um modo de passar a sua mensagem e prever o processo para o fazer (Rosenthal, 1996). Esta informação é primeiramente constituída por elementos básicos como uma lista de pessoas, lugares e eventos a serem filmados (Hampe, 1997, p. 2), mas pode beneficiar também de uma investigação mais profunda, constituída por uma recolha bibliográfica, entrevistas prévias a peritos ou deslocações a locais relevantes (Das, 2007).

De acordo com Trisha Das, para além da pesquisa, o guião deve também definir claramente de que forma as ideias do documentário serão transmitidas visualmente ao espectador. Ainda que o trabalho de câmara possa ser considerado um elemento secundário no guião de um documentário, é bastante importante estabelecer aquilo que se pretende filmar, percebendo a relação dessas imagens com a compreensão do espectador. Este deverá ser o principal factor a ter em conta na redacção de um guião, para além de ser capaz de organizar e sintetizar o processo de filmagem de forma clara, o autor deve sobretudo ser capaz de pensar visualmente e de expor esse pensamento em palavras que descrevam da forma mais precisa possível aquilo que se pretende filmar (Das, 2007, p. 5).

Outro elemento de importância fundamental no guião e que deve transparecer para o documentário posteriormente filmado é a estrutura. Apenas um guião bem estruturado poderá assegurar a manutenção do interesse do espectador ao longo da sua exibição (Hampe, 1997, p. 2). Ainda que a estrutura de um documentário não seja habitualmente tão rígida como a estrutura de um filme de ficção, deverá, segundo Das, ser respeitada a preocupação em distinguir início, desenvolvimento e final do filme, de modo a controlar as expectativas do público e ajudar à compreensão da mensagem inerente ao documentário (Das, 2007).

A fase inicial deverá constituir uma breve e simples apresentação do problema que se encontra na origem do documentário. As informações transmitidas ao espectador deverão restringir-se apenas ao essencial e manter o objectivo de despertar a curiosidade deste para o acompanhamento do desenvolvimento e resolução da questão apresentada (Das, 2007).

Após conseguir cativar o interesse do espectador com sucesso pode dar-se início à fase de desenvolvimento do documentário em que são explorados os “conflitos” do tema apresentado, não devendo contudo deixar antever o seu desfecho, procurando manter o interesse do espectador até ao final do documentário. Alguns documentários não apresentam conflitos propriamente ditos, nomeadamente os documentários mais centrados sobre o comportamento

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humano ou sobre um evento único. Ainda assim, também estes podem revelar algumas tensões e motivos de interesse para o espectador, como por exemplo a resolução de problemas por parte dos intervenientes ou o seu comportamento ao longo do filme. (Hampe, 1997, p. 3)

No final, é apresentada, de preferência com algum dramatismo, a resolução dos conflitos anteriormente referidos (Hampe, 1997, p. 4). No entanto, esta regra não é absoluta, na medida em que é considerável uma outra opção narrativa para o final, o final em aberto, que não termina totalmente as tensões apresentadas e que potencia a reflexão posterior por parte do espectador. (Das, 2007, p. 30)

Relativamente ao formato, o guião do documentário apresenta vulgarmente o tradicional formato cinematográfico ou o formato de duas colunas (vídeo e som) mais utilizado em televisão. Segundo Das, independentemente do formato, o importante é que todos os envolvidos na produção do documentário possam entender de forma clara o que se pretende executar (Das, 2007).

Após a análise do género documentário na sua dimensão histórica e de planificação, procede- se à reflexão acerca do uso do filme na Etnografia.