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2. LA CULTURE COMME INSTRUMENT DANS LES TERRITOIRES POSTINDUSTRIELS, MODE D’ACTION DÉCONTEXTUALISÉ OU

2.3 POSITIONNEMENT ET APPROCHE SCIENTIFIQUE

2.3.3 Une approche par les pratiques spatiales et l’appropriation

Referem-se estudos que focam as atividades de pais e filhos no âmbito das temáticas da carreira. Uma linha de investigação tem vindo a ser conduzida por Young e colaboradores, desde o final da década de 1980 até à atualidade sobre o caráter coconstruído dos projetos de carreira e intenções subjacentes às ações conjuntas, uma linha de aplicação e testagem da teoria da ação intencional da carreira (Young, Valach & Collin, 1996).

Influência parental desejável em termos de resultados e processos

Com o objetivo de explorar o domínio interativo da influência parental, Young, Friesen e Dillabough (1991) solicitam a pais (n=123) e jovens (n=159) adultos que escolham entre itens (cartões), em que se apresentam atividades e relações interpessoais consideradas “influenciadoras do desenvolvimento da carreira”. De seguida os participantes justificam por escrito a razão das escolhas. Estas devem ser feitas de acordo com o que os sujeitos consideravam serem "boas" influências. A metodologia-Q e posterior análise fatorial revela dois tipos de fatores: um relativo a resultados de carreira considerados desejáveis como consequência da influência parental: responsabilidade e autonomia; outro relativo aos processos considerados desejáveis para que ocorra desenvolvimento de carreira: comunicação aberta, suporte/encorajamento e direção/orientação. Os resultados sugerem a consideração de diferentes formas de influência, nomeadamente, alguns sujeitos valorizam mais aspetos bilaterais (comunicação aberta) e outros valorizam mais aspetos unilaterais (direção/orientação).

Categorização das intenções parentais

Em entrevistas a pais de jovens com idades compreendidas entre os dez e os 18 anos Young e Friesen (1992) encontram dez categorias representativas das intenções dos pais quando relatam situações (incidentes) em que pretendem promover o desenvolvimento da carreira dos filhos: (1) aquisição de certas competências; (2) aquisição de valores e crenças específicas; (3) proteção de experiências indesejadas; (4) promoção de pensamento e ação independentes; (5) diminuição de estereótipos sexuais; (6) gestão da relação pais-filhos; (7) facilitação do relacionamento interpessoal; (8) promoção do desenvolvimento moral; (9) desenvolvimento da responsabilidade pessoal; (10) realização de objetivos referentes aos pais. Os autores concluem que as categorias construídas consubstanciam o ponto de vista de que os autoconceitos constituem importantes dimensões do desenvolvimento da carreira, na medida em que várias dessas categorias se centram no desenvolvimento de autoconceitos considerados adequados.

Influência parental como um processo interativo

Young (1993) analisa a influência parental de um ponto de vista interativo. A partir da análise de gravações vídeo de diálogos entre díadas de pais e filhos subordinados ao tema da carreira destes é possível estudar as ações conjuntas de pais e filhos. Os dados apontam no seguinte sentido: (1) a quantidade de ações conjuntas

relaciona-se positivamente com o nível de empatia na díada e com a mudança de atitude num dos elementos. Por seu lado, a ausência de ação conjunta (cada elemento fala sobre aspetos que só a si dizem respeito) caracteriza-se pela ausência de objetivos comuns e tende a conduzir a posições divergentes na discussão; (2) ocorrem dois tipos de ações conjuntas: conflituosas e cooperativas. No primeiro tipo ocorre um conflito e a díada procura encontrar uma solução satisfatória para o problema, o que envolve mudanças de atitudes. No segundo tipo não ocorre conflito e os elementos da díada cooperam validando a posição de cada um. Contudo, neste tipo de ação comum apenas são reafirmados valores e perspetivas previamente partilhadas, o que poderá significar o sacrifício de posições individuais. O autor considera que o estudo da ação conjunta de díadas de pais-filhos poderá fornecer informações importantes sobre a forma como pais e filhos constroem mutuamente o processo social de influência parental.

Influência parental enquanto construção subjetiva sujeita a reconstruções Young, Friesen e Borycki (1994) analisam narrativas de jovens adultos (com idades entre os 18 e 25 anos) respeitantes a acontecimentos significativos através dos quais os pais influenciaram o curso das suas carreiras. A análise revela cinco tipos de narrativas: (1) narrativa progressiva com um ponto de viragem dramático; (2) narrativa progressiva num contexto positivo; (3) narrativa progressiva com fases negativas; (4) narrativa antecipatória de regressão; (5) narrativa triste. Nos primeiros três tipos de narrativa os participantes referem percursos conducentes a progressos nos seus objetivos pessoais; as influências recebidas dos pais (ou de um em especial) podem (2) ou não (1 e 3) apresentar características positivas. Nos dois últimos tipos referem percursos de narrativas que antecipam resultados negativos (4) ou estagnação (5); em ambos os casos a influência parental é perspetivada como negativa.

A maior parte dos jovens revelam narrativas inseridas nas três primeiras categorias, o que segundo os autores, é consistente com as expectativas sociais para este grupo etário. No entanto, este facto não significa que os jovens tenham avaliado positivamente a influência dos seus pais nas suas carreiras; aquilo que foi avaliado negativamente no passado pode ser reconstruído como parte integral de uma história bem-sucedida. De igual modo, aquilo que é interpretado pelo sujeito como positivo em dada altura da sua vida, pode ser posteriormente reavaliado como negativo. Segundo os autores, através das narrativas os sujeitos procedem a construções e reconstruções da forma como perspetivam o papel desempenhado pelos seus pais nos seus cursos de vida.

Em futuras narrativas, os sujeitos poderão elaborar novas construções. Assim, a influência parental é perspetivada como um fenómeno socialmente construído (na interação de pais e filhos) e sujeito a reinterpretações, de acordo com as experiências que os sujeitos vão colhendo na vida e com a necessidade que sentem de atribuir sentido aos seus percursos de carreira.

Projeto vocacional: uma construção familiar

Young, Valach, Ball, Paseluikho, Wong, DeVries, McLean e Turkel (2001) estudam os projetos vocacionais dos filhos enquanto construções familiares, recorrendo ao registo audiovisual de momentos de interação entre jovens e pais (n=20 díades pais- filhos) durante um período de 6 meses. Os resultados indicam que o adolescente não está isolado nas atividades de desenvolvimento da carreira e que estas consubstanciam um projeto vocacional de família. Identificam-se cinco propriedades promotoras do sucesso dos projetos: (1) objetivos comuns; (2) comunicação; (3) congruência entre os objetivos e os meios para os alcançar; (4) disponibilidade parental para apoiar ativamente; e (5) individuação do adolescente e autonomia face aos pais.

O projeto vocacional de família, por sua vez, está também relacionados com outros projetos de família em que os pais e adolescentes participam, quer em conjunto quer individualmente. Os outros projetos de família são: (1) o projeto relacional, que apresenta a maior relevância no projeto vocacional, diz respeito à expressão e partilha de afetos e sentimentos positivos; (2) o projeto de parentalidade, envolvimento dos pais na garantia de uma base segura de apoio aos filhos; (3) o projeto de identidade, delimitação de valores, crenças e objetivos pessoais dentro da identidade sistémica da família; e (4) o projeto cultural, que medeia a fidelidade à cultura de origem da família com a necessidade de desenvolver novas competências que acomodem diferenças culturais emergentes.

Na mesma linha, Young, Marshall, Domene, Graham, Logan, Zaidman-Zait, Mart e Lee (2008) sublinham o modo como as ações conjuntas dos pais e filhos facilitam a transição dos jovens para a idade adulta, monitorizando os objetivos e estratégias utilizados por díades pais-filhos (n= 20 díades, filhos com média de idades de 19 anos) ao longo de 8 meses, através de um estudo de carácter qualitativo baseado na teoria da ação. Os participantes percecionam a transição para a idade adulta simultaneamente como o desenvolvimento de uma identidade adulta e a inclusão no mundo dos adultos. Os resultados revelam três dimensões de suporte específicas que se relacionam e

promovem o projeto de transição: (1) transferência do poder, responsabilidades anteriormente atribuídas aos pais são delegadas aos jovens através de processos de negociação, partilha de conhecimentos e desenvolvimento de competências; (2) processos relacionais, qualidade e natureza da comunicação, interação e apoio entre pais e filhos ao longo dos tempos; e (3) promoção da carreira, continuação dos estudos após a conclusão do ensino secundário, persecução de profissões específicas, aquisição de experiências de vida e competências relacionadas com o futuro educacional e profissional.

Os autores concluem que a transição para a idade adulta não é necessariamente um processo de individualização e separação dos pais, como Hoffman (1984) sugere. Pelo contrário, são sobretudo os processos relacionais que fornecem uma base segura e ferramentas adaptativas na transição para a idade adulta (Young et al., 2008). Os resultados têm também implicações para os profissionais do aconselhamento, enquadrando o período de transição num contexto baseado em relações e permitindo sensibilizar pais e jovens para o potencial positivo das ações conjuntas.

Influência parental enquanto construção do self

Marshall, Young, Domene e Zaidman-Zait (2008) estudam a construção conjunta de pais e filhos dos possíveis eus. O estudo decorreu ao longo de oito meses, com base em registos escritos e telefónicos e em três reuniões com as díades (n=19 díades mãe- filhos, filhos com idade média de 13 anos, frequentando maioritariamente o 8º ano de escolaridade, centro urbano, Canadá), com registo dos comportamentos dos pais e dos adolescentes em diálogos sobre o futuro e em posterior reflexão dos participantes sobre as suas próprias cognições e emoções, durante esses diálogos, quando da visualização dos vídeos.

A análise revela dois grandes grupos de processos (ou etapas funcionais conjuntas) associadas à construção de possíveis eus: a exploração de opções e a experimentação de possíveis eus. A maior parte das díadas adota a estratégia mais popular de associar interesses pessoais a papéis profissionais específicos, baseando-se num discurso congruente com a tipologia vocacional das personalidades de Holland. Algumas famílias, no entanto, acreditam que os interesses inatos do jovem podem ser aliciados através da exposição a variadas imagens possíveis, recorrendo menos à introspeção e confiando mais na procura de opções através da exploração do ambiente social.

A capacidade de observar graus de congruência na relevância atribuída a possíveis eus revela-se determinante no sucesso da construção conjunta deste processo: se existe acordo quanto à imagem debatida entre pais e filhos, o jovem empreende esforços no sentido de a experienciar e testar, procurando ativamente situações onde coloca em prática o novo possível "eu". Nos casos em que ocorre desacordo entre pais e filhos, os pais tendem a aliciar os jovens a adotar o possível "eu" que consideram mais válido, os filhos podem resistir abertamente ou aceitar as condições dos pais apenas temporariamente, desistindo logo após o ganho da recompensa em causa.

Os resultados constituem um contributo para duas áreas: a investigação sobre possíveis eus estabelece-se como o estudo da coconstrução de imagens, reconhecendo o

self como um fenómeno que emerge de interações sociais; o estudo de possíveis eus

durante conversas sobre a carreira revela o modo como pais e adolescentes ainda empregam uma psicologia naïve durante a construção de imagens relacionadas com o futuro profissional.

Atividades conjuntas, processos diferenciais para filhas e filhos

Num estudo inicial, Young, Friesen e Pearson (1988) abordam duas dimensões referentes à influência parental: atividades e relações interpessoais (entre pais e filhos) que os pais desencadeiam com vista a influenciar o desenvolvimento da carreira dos filhos. São realizadas entrevistas aos pais de crianças e jovens com idades entre os 10 e os 18 anos e posteriormente são identificados incidentes críticos. A análise dos resultados em função do sexo dos filhos revela que os rapazes tendem a ser significativamente favorecidos: na primeira dimensão (atividades), os pais revelam fornecer mais informação aos rapazes, desafiar mais as suas ideias e ações e mostrar mais interesse pelas suas atividades, do que relativamente às raparigas; na segunda dimensão (relações interpessoais), os pais revelam que iniciam mais comportamentos de afirmação e compreensão com os rapazes do que com as raparigas. Diferenças significativas em função do sexo da figura parental revelam maior frequência para os

pais de atividades relacionadas com o fornecimento de informações aos filhos e

estabelecimento de limites e menor frequência de atividades relacionadas com a observação dos filhos, em relação ao sexo feminino. Os resultados confirmam os de outros estudos no sentido dos pais favorecerem os seus filhos do sexo masculino em aspetos relevantes para o desenvolvimento da carreira.

Domene, Arim e Young (2007) estudam as semelhanças e diferenças no modo como as díades mãe-filha e mãe-filho (n=10 díades, filhos frequentam maioritariamente o 8º ano de escolaridade, Canadá) se envolvem em projetos de carreira. Verifica-se que a variável sexo não surge como relevante enquanto fator contextual nas relações entre as mães e os seus filhos no início da adolescência. identificam-se, contúdo, duas dimensões em que as díades se distinguem: (1) projectos que são explicitamente vocacionais na sua natureza são comuns entre mães e filhos, enquanto entre mães e filhas as carreiras são conceptualizadas de forma mais ampla; (2) embora algum grau de conflito se encontre presente em todas as díades, os conflitos interpessoais e as estratégias de evitamento são percecionados como obstáculo ao desenvolvimeno dos projetos de carreira apenas nas díades mãe-filha.

Mais recentemente, Domene, Socholotiuk e Young (2011) retomam a questão, analisando os projetos de transição para a idade adulta ao longo de um período de 8 meses em díades mãe-filha e mãe-filho (n=18 díadas, Canadá). Conforme sugerido no estudo anterior, as diferenças entre sexos acentuam-se no final da adolescência. Embora os projetos de transição sejam predominantemente similares nos dois sexos, à medida que os adolescentes progridem na idade surgem diferenças no tipo de conflitos e obstáculos experienciados, assim como no grau desenvolvimento do processo de transição para a idade adulta. A diferença mais acentuada diz respeito ao modo como as díades se relacionam: mães e filhas são mais intencionais e estruturadas no tempo que dedicam ao projeto de transição, tendem a comunicar de forma mútua e natural e experimentam níveis mais baixos de conflito; em contraste, mães e filhos comunicam menos e tendem a incorporar o projeto de transição em atividades práticas, sendo que a conversa e os objetivos do projeto são claramente dirigidos pela mãe, com uma participação hesitante dos filhos, verificando-se a tendência destes a considerar intrusivo o interesse das mães na sua vida. O facto de mães e filhas passarem mais tempo a dialogar pode explicar o nível mais alto de progresso que estas alcançam relativamente aos rapazes.

Diálogos, atividades com os filhos e suas intencionalidades

Pinto e Soares (2002b) analisam como os pais interagem com os filhos no âmbito do planeamento da carreira destes com recurso a uma entrevista semiestruturada a pais com idades compreendidas entre os 35 e os 50 anos, cujos filhos frequentam o 6º ano de escolaridade ou no 9º ano (n=64). O guião da entrevista inclui três temas: comunicação,

atividades e expectativas (Pinto & Soares, 2000) e constitui uma proposta de intervenção vocacional com pais de adolescentes, com base nos contributos conceptuais e metodológicos de outros autores, nomeadamente da equipa de Young. As entrevistas são conduzidas por psicólogos conselheiros de orientação e por professores, na fase final de um programa de formação/ação ministrado pelas autoras sobre influência parental e desenvolvimento vocacional. Com recurso a análise de conteúdo das entrevistas identificam-se seis temas nos discursos dos participantes; três derivados diretamente das respostas às questões formuladas aos pais: (1) comunicação pais/filhos; e (2) intervenção da família; e ainda (3) expectativas dos pais. Evidenciam-se ainda os temas: (4) papel dos pais; e (5) fatores de influência; e (6) perspetivas dos jovens vistas pelos pais. Cada tema comtempla diversos subtemas que proporcionam uma grelha útil para o trabalho individualizado com pais: tópicos promotores do diálogo, atividades de acompanhamento e incentivo e perspetivas dos filhos (projetos) vistas pelos pais. Os tópicos abordados são objeto de reflexão reveladora de intencionalidades (p. ex., sempre que é referida uma atividade, é perguntada a intenção da sua realização).

Os resultados do estudo sugerem que os pais portugueses entrevistados se reconhecem como agentes importantes no desenvolvimento vocacional dos seus filhos, ensaiando várias expressões de comunicação e de intervenção familiar com objetivos dirigidos a essa finalidade, falando facilmente dos seus pensamentos e das suas emoções em relação ao futuro que desejam para os seus filhos e daquilo que creem que estes desejam para si próprios, finalmente atribuindo ao desenvolvimento vocacional um importante sentido social (Pinto & Soares, 2002a, 2002b), na linha de resultados obtidos por Young, Valach e Collin (1996).

PARTE II - RELAÇÃO ENTRE VARIÁVEIS PARENTAIS E

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