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RESÉMANTISATION DES TERRITOIRES POSTINDUSTRIELS ET RENOUVELLEMENT DES TERRITORIALITÉS

2. LA CULTURE COMME INSTRUMENT DANS LES TERRITOIRES POSTINDUSTRIELS, MODE D’ACTION DÉCONTEXTUALISÉ OU

2.2 RESÉMANTISATION DES TERRITOIRES POSTINDUSTRIELS ET RENOUVELLEMENT DES TERRITORIALITÉS

A construção da carreira implica a identificação com figuras consideradas significativas, figuras essas que constituem, simultaneamente, modelos de papéis (Super, 1990). Diversos autores consideram que os pais, durante um período significativo da carreira se apresentam como os modelos de papéis mais acessíveis, considerando que os papéis desempenhados pelas figuras significativas atuam no processo da construção da carreira dos filhos.

Os estudos abordam os modelos fornecidos pelos pais na relação com variáveis da carreira dos seus filhos, com ênfase no modelo fornecido pelo pai enquanto representante do papel de trabalhador, apontando que a ausência do modelo paterno em famílias monoparentais apresenta impacto negativo no desenvolvimento da carreira dos jovens (Rosenthal & Hansen, 1980).

Transmissão profissional intergeracional

Oren, Caduri e Tziner (2013) investigam a transmissão profissional intergeracional entre pais e filhos em estudantes universitários (n=260, média de idades de 24 anos). Verificam que a probabilidade de intensão de escolha da profissão parental é mais elevada quando (1) ocorre adesão à norma subjetiva de agradabilidade às figuras

significativas (parentais ou outras); a escolha também se relaciona (2) com o facto do jovem possuir uma atitude favorável à possibilidade de obter resultados desejados a partir da profissão dos pais; e ainda com (3) a perceção de que terá sucesso na profissões dos seus pais. A intenção e a perceção do jovem de que terá sucesso na profissão dos seus pais são preditoras da congruência entre a profissão escolhida pelo jovem e a profissão dos seus pais. No entanto, a atitude é preditora do nível de congruência profissional apenas se a perceção de que terá sucesso na profissão dos seus pais for alta. Salienta-se ainda que, ao contrário de vários estudos anteriores, não foram encontradas diferenças entre os sexos. Os autores consideram que, a um nível prático, os resultados ajudam os profissionais a compreender os factores relacionais que podem influenciar as escolhas profissionais. O estudo da influência da família e da comunidade, assim como das pressões sentidas pelos jovens, podem ajudar e encurtar o processo de aconselhamento. Da mesma forma, também os jovens deverão estar cientes das pressões proximais e tê-las em consideração.

A investigação desenvolvida por Cullingford (1997) coloca o foco no ponto de vista dos filhos, como estes percepcionam os seus pais e o papel que desempenham nas suas vidas. Através da aplicação de entrevistas semiestruturadas a crianças dos 6 aos 9 anos, de origens variadas (n=160), o autor verifica uma uniformidade no tom e na atitude das respostas. As crianças apreciam e reconhecem a importância dos pais nas suas vidas, mas referem pouca discussão sobre relacionamentos diretos: aquilo que os seus pais fazem afigura-se mais claro do que aquilo que dizem. Identifica-se também uma grande escassez de conversas e de partilha de ideias. As crianças sentem-se inseguras do afecto dos seus pais, sabem que devem ser amadas, mas nem sempre sentem que os pais o demonstram. O autor relata ainda que as crianças competem pela atenção emocional dos pais, detetando as nuance de favoritismo no tratamento dos irmãos. Os pais não são vistos com heróis, mas como pessoas normais, reais, idiossincráticas, que por acaso desempenham certos trabalhos, vivem em certos locais e fornecem (ou não) certas instalações. A relação com os pais é percebida como um arranjo prático, inevitável. Algumas crianças aceitam estas circunstâncias de forma pragmática, outras reagem com raiva contra os pais. O autor conclui que muitos dos pressupostos em que as nossas perspectivas sobre as crianças se baseiam poderão estar equivocados. Embora a criança possa não ter ainda aprendido a controlar e a adaptar a sua inteligência como os adultos, ela é capaz de perceber e compreender o que a rodeia, sendo igualmente capaz de reconhecer criticamente as suas necessidades.

Diferenças entre os sexos

Com base no método narrativo, Pizzorno, Benozzo, Fina, Sabato e Scopesi (2014) estudam o papel que os pais desempenham no desenvolvimento de cadeira dos filhos em função do sexo. O estudo envolve nove famílias italianas compostas por duas figuras parentais, um filho e uma filha (n=36). Os autores verificam que as díades do mesmo sexo (mãe-filha, pai-filho) tendem a construir histórias de carreira típicas, em que as raparigas se interessam sobretudo pelo domínio das humanidades e os rapazes pelo das ciências. Na maior parte das famílias o pai é referenciado pelo filho como sendo a figura parental de maior influência. Nas díades mãe-filha, as raparigas tendem a considerar-se autónomas e “self-made”, reconhecendo, contudo, que as mães desempenharam um papel muito mais significativo que os seus pais. Com efeito, as díades de sexos opostos (pai-filha, mãe-filho) tendem a ser percepcionadas como tendo pouca ou nenhuma influência na construção da carreira.

Estes resultados confirmam a significância das díadas do mesmo sexo no desenvolvimento de carreira das crianças, anteriormente avançadas por Paa e McWhirter (2000) e por Poole e Gelder (1985), assim como as considerações de Noller e Callan (1990) e Young e colaboradores (1988) sobre a díade pai-filha enquanto menos influente, excepto quando a jovem empreende uma carreira atípica para as mulheres, conforme verificado por Lease e Dahlbeck (2009) e Scott e Malinckrodt (2005) (Pizzorno et al., 2014).

Mortimer (1974, 1976, citada por Schulenberg et al., 1984) verifica uma forte tendência para jovens do sexo masculino que frequentam o ensino superior proferirem projetos profissionais semelhantes às atividades profissionais dos seus pais.

Também Jackson e Meara (1981) realizam uma série de estudos inseridos numa investigação longitudinal, com a duração de dez anos. Numa fase inicial da investigação, rapazes residentes numa área rural, que em 1971 completaram o ensino secundário, são divididos em duas subamostras de acordo com o julgamento de três júris independentes. Estes referem os pais dos estudantes enquanto constituindo "fortes modelos de identificação" ou "fracos modelos de identificação". No estudo que aborda os sujeitos dez anos mais tarde, verifica-se que, tal como naquele que os havia abordado cinco anos antes, os filhos de pais considerados fortes modelos de identificação apresentam as variáveis estatuto profissional alcançado, aspirações profissionais e nível

educacional alcançado significativamente mais elevadas do que os filhos de pais considerados fracos modelos de identificação.

Oliver (1975, citado por Burlin, 1976) aborda os modelos parentais e de desenvolvimento da carreira no sexo feminino, verificando que estudantes do ensino superior que se revelam orientadas para o papel de donas de casa, apresentam intensa identificação com as suas mães, ao passo que as estudantes que se revelam orientadas para o papel de trabalhadoras se identificam mais frequentemente com os seus pais.

Por seu lado, Ridgeway (1978, citado por Schulenberg et al., 1984) constata que entre estudantes do ensino secundário do sexo feminino, a orientação de carreira e expectativas educacionais (vir ou não a obter um grau académico superior) estão significativamente relacionadas com a avaliação negativa, por parte dos seus pais, do papel de dona de casa. Mais uma vez se constata que o modelo fornecido pelo pai se apresenta determinante para promoção do desenvolvimento de carreira, desta vez nas filhas.

No entanto, o papel fornecido pela mãe, também tem sido significativamente relacionado com o desenvolvimento da carreira das raparigas. Em geral, se as mães desempenham o papel de trabalhadoras, tal facto aumenta a probabilidade das suas filhas também o virem a fazer, assim como aumenta o prestígio associado às aspirações vocacionais destas e a consideração de profissões menos tradicionais para o sexo feminino (Shulenberg et al., 1984). No estudo de Burlin (1976) verifica-se que a consideração, por parte das jovens, de profissões inovadoras (tradicional versus não tradicional) se encontra relacionada com a tradicionalidade da atividade profissional das mães.

Narrativas sobre identidade e relação parental

Sankey e Young (1996) verificam que as narrativas de influência parental sobre o desenvolvimento da carreira refletem a etapa de formação de identidade em que individuo se encontra. O estudo é realizado a partir de entrevistas a jovens adultos (n=11) sobre eventos significativos. As narrativas resultantes são avaliadas na sua relação com a pontuação que cada participante atingiu numa medida de caracterização do estatuto de identidade, distribuindo-se por três categorias: (1) identidade conseguida, os participantes possuem um conhecimento claro dos seus valores e objetivos pessoais e dos processos através dos quais estes poderão ser concretizados. As suas narrativas relatam a ocorrência de episódios de encorajamento e suporte parental na tomada de

decisões autónomas, considerando que foram fundamentais na persecução de objetivos de carreira. Referem a existência de conflitos com os pais, mas estes situam-se no passado e encontram-se resolvidos, tendo ocorrido um processo de aceitação das diferenças. Os resultados deste grupo sublinham a importância do suporte e encorajamento dos pais, sugerindo que a existência de uma ligação saudável aos pais aumenta o desenvolvimento de identidade. Os seis participantes colocados nesta categoria são do sexo feminino, o que indica possíveis diferenças na natureza da individualização de rapazes e raparigas no final da adolescência. (2) Moratória, os participantes são capazes de reconhecer valores pessoais distintos dos parentais, mas ainda são vagos e incertos, o processo de descoberta de objetivos pessoais através da ponderação de alternativas (p. ex., através do questionamento da perspetiva parental) também se encontra incompleto. Estes resultados apoiam estudos anteriores que sugerem uma forte relação entre a atividade exploratória e a experiencia de uma crise interior que, uma vez resolvida (Identidade Conseguida) possibilita um estatuto de identidade psicossocial mais avançado. (3) Identidade difusa, os participantes percecionam os valores parentais como apropriados, acomodando totalmente a influência parental na persecução dos objetivos de carreira. As narrativas não apresentam episódios de rebelião e questionamento. Embora a relação com os pais seja descrita como positiva e conferidora de suporte, a total ausência de conflito entre pais- filhos sugere que famílias altamente coesas podem desencorajar a exploração, inibindo assim o desenvolvimento da identidade.

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