1.2 LA CULTURE COMME ATOUT ÉCONOMIQUE, RECETTE MAGIQUE ET RHÉTORIQUE INCANTATOIRE
1.2.2 Instrumentalisation de la culture, mode d’emploi
Na que pode ser considerada a primeira revisão de estudos sobre influência parental na carreira, Schulenberg, Vondracek e Crouter (1984) referem que se lhes fosse solicitado escolher uma única variável para prever o estatuto profissional de um indivíduo, esta seria o estatuto socioeconómico (ESE) da família de origem. Os autores dão conta de uma grande variedade de estudos empíricos realizados nas três décadas seguintes a 1950, que associam consistentemente o ESE da família de origem – avaliado através do estatuto profissional do pai (por vezes conjugado com o da mãe), do nível de escolaridade dos pais e do rendimento da família, isoladamente ou em diferentes de combinações entre estes fatores – com variáveis da carreira dos filhos, nomeadamente, com as aspirações e expetativas de nível educacional e de estatuto profissional expressas; com o nível educacional e o estatuto profissional que vêm a alcançar; e com a ocorrência de mobilidade intergeracional no estatuto profissional. A exploração dos aspetos socioeconómicos que caracterizam as gerações de pais e de filhos constitui um dos primeiros domínios de estudo da influência parental na carreira (Schulenberg et al., 1984).
O modelo de aquisição de estatuto, proposto por Blau e Duncan na obra The
impacto positivo do ESE familiar nas perspetivas de carreira das gerações, assim como a mobilidade profissional (ascendente ou descendente) mais frequente entre indivíduos de ESE médio, comparativamente aos de ESE extremos (altos ou baixos).
O modelo de aquisição de estatuto considera fatores de oportunidade, relacionando diretamente a escassez ou abundância de recursos financeiros proporcionados pela profissão do pai com o nível educacional alcançado pelos filhos e, posteriormente, com o estatuto profissional destes (Schulenberg et al., 1984). Esta consiste na forma mais simples do modelo, que vem a integrar formulações de complexidade crescente, integrando aspetos relativos à configuração familiar e a características específicas da cultura das raças/etnias, para melhor explicar a transmissão de ESE entre pais e filhos, constituindo-se um referencial da disciplina sociológica nas décadas de 1960 e 1970. No entanto, mesmo as versões mais elaboradas do modelo são alvo de fortes críticas, por não contemplarem a complexidade de variáveis envolvidas no processo, omitindo como as estruturas sociais interagem com características individuais (Hotchkiss & Borow, 1990).
Uma linha de estudos que inicia a integração de variáveis processuais considera os valores que as diferentes classes sociais tendem a adotar, respetivas práticas de socialização dos filhos e subsequentes escolhas de carreira (Wright & Wright, 1976; Kohn, 1976). O estudo do impacto do ESE no comportamento de carreira dos indivíduos passa a integrar, progressivamente, a análise de variáveis psicológicas, quer porque se supõem mediadoras daquele, quer porque o ESE se toma como variável caracterizadora dos participantes das amostras. Para além da linha de investigação sobre valores, outras variáveis psicológicas são consideradas, por exemplo, MacKay e Miller (1982) questionam crianças que frequentam o primeiro ciclo do ensino básico sobre qual a profissão que consideram exercer quando forem crescidas, classificam as “escolhas” de acordo com os códigos do Dictionary of Occupational Titles (DOT), e constatam relação positiva entre o ESE parental e a complexidade na manipulação de dados envolvidas nessas “escolhas” profissionais, por sua vez considerada crítica para o aumento de estatuto socioprofissional da profissão considerada.
Os estudos empíricos desenvolvidos sob o tema do modelo de aquisição de estatuto dão a conhecer diferenças entre os sexos, alguns referindo forte relação entre o ESE parental (avaliado sobretudo com recurso a variáveis relativas ao pai) e a consideração, por parte das filhas, de profissões que não tradicionalmente femininas (MacKay & Miller, 1982; Schulenberg et al., 1984). MacKay e Miller (1982) relatam
que a relação positiva entre o nível do ESE parental e as aspirações profissionais de crianças, adolescentes e jovens adultos é mais forte nos rapazes do que nas raparigas, resultado que relacionam com o facto das profissões tradicionalmente femininas serem em menor número que as masculinas e se encontrarem em níveis mais baixos da hierarquia do estatuto profissional.
A consistência com que no passado o ESE de proveniência se revelou associado aos resultados de carreira dos indivíduos, assumindo quase um valor axiomático, levou a que nos vinte anos decorridos entre 1980 e o início dos anos de 2000, tenha decrescido o número de estudos que abordam o seu papel, conforme apontado na revisão de estudos sobre influência parental de Whinston e Keller (2004). Ainda assim, as autoras consideram que alguns dos estudos realizados nesse período (sobretudo com amostras de adolescentes e jovens universitários) mantêm que indivíduos de famílias de ESE mais baixo apresentam aspirações e expetativas profissionais mais reduzidas notando, contudo que esse efeito pode ser mais complexo ou indireto do que o sugerido por estudos anteriores, ou ter-se complexificado, dadas as mudanças sociais entretanto ocorridas. Recomendam que seja retomado o seu estudo para aferir da aplicabilidade de conclusões anteriores e analisar como o ESE interage com outras variáveis da família, quer estruturais, quer processuais.
Estatuto socioeconómico parental, escolaridade e desempenho cognitivo
Dada a importância do desenvolvimento cognitivo para o desempenho escolar, e por seu lado, o impacto que o nível educacional assume na entrada no mundo do trabalho e no estatuto profissional alcançado, os estudos voltam-se também para a relação entre o ESE da família e o desempenho cognitivo e escolar dos filhos. Num estudo longitudinal, Alwin e Thornton (1984) utilizam dados de entrevistas realizadas ao longo de 18 anos a uma amostra de mulheres. A primeira entrevista ocorre quando estas são mães, em 1961, e, na última, é paralelamente efectuado um contacto com o filho em causa para abordar aspetos do seu desempenho escolar e solicitar a sua resposta ao subteste de Semelhanças da WAIS. Verifica-se que o ESE da família se encontra positivamente relacionado com variáveis de desempenho escolar e intelectual dos filhos e, por outro lado, que essa relação é mais forte com o ESE da família à época da infância dos filhos. Segundo os autores, os resultados reforçam o argumento teórico de que as experiências precoces na família (condicionadas por variáveis socioeconómicas) têm maior influência no desenvolvimento cognitivo, do que experiências posteriores.
Também Stockard, Lang e Wood (1985) verificam o impacto positivo do ESE familiar nas classificações escolares obtidas por estudantes do ensino secundário.
Nos estudos de aferição e adaptação para Portugal da GATB (General Aptitude
Test Battery), utilizada em contexto de aconselhamento de carreira, com uma amostra
representativa a nível nacional dos alunos entre os 9º e 12º anos de escolaridade, Pinto (1992) constata diferenças relacionadas com o nível das profissões exercidas pelos pais, mais acentuadas no grupo de aptidões simbólicas (especialmente na verbal) do que no de aptidões perceptivas. Verifica também que os jovens cujos pais desempenham profissões intelectuais e científicas tencionam seguir vias de estudo conducentes ao prosseguimento de estudos superiores e os de meios mais desfavorecidos, pretendem formações mais curtas, para entrada mais rápida (e menos qualificada) no mundo do trabalho. Pinto (1992, p. 540) considera: “Apesar de todo o movimento de
democratização do ensino, as características do meio familiar continuam a exercer a sua influência nos projetos de carreira, confirmando-se também quanto a este aspecto outros resultados anteriormente encontrados: os estudantes de meio familiar de nível mais elevado são também os mais novos, os que apresentam resultados escolares mais elevados e mais elevados resultados nos testes da GATB. […] Trata-se de aspectos que outros estudos já registaram há várias décadas e que se confirmam para os estudantes portugueses neste final do séc. XX, apesar de toda a evolução social e pedagógica entretanto ocorrida” (p. 543).
Sirin (2005) replica a meta-análise (1918-1975) realizada por K. White sobre a relação entre o ESE da família de proveniência e o desempenho escolar. O estudo de Sirin (2005) integra 75 amostras distintas (desde o jardim de infância ao 12º ano de escolaridade) de 58 artigos publicados em jornais de referência, entre 1990 e 2000. Conclui que o ESE parental apresenta forte impacto sobre o desempenho académico dos alunos, embora se registe que a média dos efeitos43 diminui, relativamente ao estudo de White (respetivamente, M = .299/ M = .343). Verifica que a magnitude da relação entre ESE e desempenho académico é mediado por fatores como o tipo de medida ESE (baseadas na escolaridade dos pais, profissão dos pais, rendimento familiar, acesso do aluno e/ou apoio social-escolar), fonte da informação sobre o ESE (o jovem, os pais, ou terceiros) e variáveis relativas aos alunos (como nível de escolaridade, pertença a
grupos minoritários) e localização geográfica da escola. Conclui-se que o ESE familiar não só diferencia os recursos disponíveis em casa, mas também o capital social para o desempenho académico: o tipo de escola e o ambiente da sala de aulas ao qual o aluno tem acesso, com diferenças importantes nos métodos de ensino, materiais disponíveis, experiência dos docentes, qualidade da relação professor-aluno e da relação escola-pais (Sirin, 2005).
Wu (2009) estuda a relação entre o ESE das famílias de origem de estudantes universitários em Taiwan (n=1510) e verifica que este se encontra associado ao nível de prestígio das universidades que frequentam. Os que frequentam universidades de menor prestígio vêm de comunidades de baixo ESE, os seus pais não possuem formação superior e os estudantes trabalham várias horas por semana para poderem subsistir e financiar os seus estudos, o que impacta na sua prestação académica, nas suas escolhas de carreira e nas oportunidades de trabalho a que têm acesso, que se localizam a um nível mais baixo comparativamente às dos estudantes provenientes de famílias com ESE elevado. Também Aguayo, Herman, Ojeda e Flores (2011) verificam, numa amostra de estudantes universitários de origem mexicana, relação positiva entre o ESE e nível das crenças de autoeficácia e o seu desempenho na universidade e resultados académicos.
Desafios decorrentes da situação dos pais face ao emprego
Dificuldades na situação dos indivíduos face ao emprego apresentam fortes implicações para os seus recursos financeiros e para as dinâmicas familiares. Cinamon (2002) explora se a situação de desemprego dos pais traz dificuldades acrescidas à carreira dos filhos, considerando uma amostra de jovens que frequentam os 11º e 12º anos (n=91; média etária 17 anos) em escolas públicas de duas cidades de Israel com elevada taxa de desemprego. A subamostra que tem, ou já teve, pelo menos um dos pais desempregado (cerca de metade dos jovens) apresenta diferenças significativas em relação à subamostra de jovens que nunca experimentou o desemprego parental: (1) possui expetativas de sucesso significativamente mais reduzidas para as suas futuras carreiras, que se acentuam mais nas raparigas, e (2) atribuiu menor valor a empregos que oferecem oportunidades de gestão. Para a autora estes resultados podem implicar condicionamentos relevantes nas carreiras dos adolescentes filhos de desempregados, desde logo pelo risco de desinvestimento a nível escolar. A autora considera que compreender as variáveis que afetam o desenvolvimento da carreira a partir da perspectiva da família proporciona o acesso a importantes recomendações para as
intervenções de carreira: o problema do desemprego deve implicar não só os desempregados, mas também, pelo seu efeito imediato nos filhos destes, as crianças e adolescentes expostos a essa situação devem ter acesso a ajuda para aquisição de estratégias saudáveis e adaptativas.
Também Sobral, Gonçalves e Coimbra (2009) abordam o impacto da situação profissional parental, em termos de emprego/desemprego, na resposta de jovens (n=327) que frequentam o 9º ano (média etária de 15 anos) e o 12º ano (média etária de 17 anos) de escolaridade, em escolas públicas da região do Porto, à Escala de Exploração e Investimento Vocacional. As respostas dos filhos de pais desempregados apresentam diferenças significativas em relação aos filhos de pais empregados: (1) menor investimento vocacional (processo psicológico em que o indivíduo parte para a ação); (2) maior difusão vocacional (ausência de exploração e de investimento vocacional); (3) maior realização de investimentos com recurso a estratégias desadequadas, quer por restrição prematura da exploração44, quer por assunção de projetos propostos por outros significativos (outorgados). Foi também analisada a relação do ESE das famílias nos resultados, verificando-se diferenças significativas desfavoráveis para os adolescentes provenientes de ESE mais baixos, replicando os resultados acima referidos (exceto para a escala de investimento). Os autores consideram que os resultados traduzem o efeito negativo da exposição dos jovens à situação de desemprego parental: uma visão mais pessimista e maior dispersão vocacional, provavelmente resultantes de expetativas de sucesso mais reduzidas, o que, em conjunto com menos recursos disponíveis, conduz ao desinvestimento vocacional dos adolescentes. Os autores consideram provável que os discursos negativos que usualmente acompanham a situação de vida destes pais, acarretem maior dificuldade em conferir valor ao trabalho e à persistência, criando situações favoráveis de desinvestimento escolar e vocacional (nem explorando, nem investindo), com propensão para a adoção de projetos considerados na família. O menor investimento poderá ter como consequência a perpetuação dos deficits da família de origem, sendo assim necessária atenção acrescida em famílias de desempregados: com os pais, visando que a situação que enfrentam não se repercuta de forma tão significativa nos filhos; com os filhos, para desconstruir ideias preconcebidas relativas à sua própria
entrada/evolução no mercado de emprego, promovendo a construção e integração de novos significados.
A repercussão das situações de insegurança no emprego tem sido também estudada em termos da ativação do mecanismo de “extravasamento”45 da pressão psicológica para a esfera familiar, com identificação de problemas sociais e escolares em filhos de indivíduos que experienciam essa insegurança. Lim e Loo (2003) estudam as respostas de estudantes de Singapura, que frequentam o ensino superior, e seus pais (n=178), a instrumentos destinados a avaliar perceções dos pais relativamente à insegurança face ao emprego, adoção de comportamentos parentais autoritários (percecionados pelos próprios), crenças de autoeficácia dos filhos em relação à sua carreira e atitudes dos filhos em relação ao papel de trabalho. No caso dos pais verifica- se relação positiva entre perceção de insegurança no trabalho e perceção de comportamentos autoritários destes na relação com os filhos. No caso das mães, a relação também é significativa, mas no sentido inverso, sugerindo que a insegurança no emprego é percecionada como impactando de forma diferente pelos pais e pelas mães nos seus relacionamentos com os filhos, o que os autores atribuem ao papel central que o trabalho assume para os homens na cultura asiática e a maior capacidade/socialização das mulheres no sentido de gerirem as suas emoções, mesmo em situações de tensão conjugal, no sentido da proteção dos filhos. As crenças de autoeficácia de carreira dos filhos só apresentam relação significativa e negativa com a perceção de comportamento materno autoritário (não se relacionando significativamente com o comportamento paterno autoritário). Os autores consideram, também aqui, o papel diferencial da socialização dos géneros, fazendo supor que quando o relacionamento materno é disruptivo é mais consequente para os seus filhos, com efeitos mais adversos para as suas crenças de autoeficácia de carreira, do que quando é o relacionamento paterno que é disruptivo. Por último, as crenças de autoeficácia de carreira dos filhos estão positivamente relacionadas com as suas atitudes relativamente ao papel de trabalho, como seria de esperar a partir da teoria da aprendizagem social. Os autores consideram a importância de se desenvolverem mais estudos sobre as consequências da insegurança parental no emprego, nomeadamente ao nível do efeito que a aprendizagem vicariante poderá acarretar para a construção de perspetivas futuras de carreira.
ESE e transição para o mundo do trabalho
Com recurso a entrevistas a estudantes universitários e considerando as variáveis ESE e etnia, Shane e Heckhausen (2013) averiguam de que forma o estatuto social dos estudantes e as respectivas crenças sobre os fatores causais da mobilidade socioeconómica geram, ou não, atitudes de envolvimento na prossecução de um ESE mais elevado. Verificam duas atitudes divergentes, fortemente determinadas pela perceção do indivíduo quanto ao nível de controlo dos resultados dos seus esforços. Indivíduos que acreditam que o mérito próprio determina a obtenção de um ESE favorável tendem a esforçar-se para alcançar os seus objetivos, o que, por sua vez, aumenta as suas possibilidades de vir melhorar o ESE. Indivíduos que acreditam que o ESE depende de fatores incontroláveis, como a sorte ou mudanças económicas e sociais na sociedade, tendem a assumir uma atitude mais passiva e descomprometida para com a prossecução de objetivos relacionados com o ESE. Não obstante a recessão económica, o estudo verifica que os estudantes ainda acreditam no “sonho americano” e na mobilidade social. A maioria espera vir a conseguir um ESE superior ao dos seus pais e considera que esse objectivo depende sobretudo do mérito próprio. Os autores consideram que o enraizamento desta crença ocorre nas mais variadas culturas no início da idade adulta, fase em que são socialmente valorizadas tarefas de desenvolvimento associadas ao estatuto social, como a conclusão dos estudos e o começo da carreira profissional, O empenho dos jovens em tarefas que visam a aquisição de estatuto social é consistente com a sua fase da vida. Contudo, de acordo com a teoria motivacional do desenvolvimento ao longo da vida, as atitudes de envolvimento com objetivos não são adaptativas em si mesmas (Heckhausen, Wrosch, e Schulz, 2010), a adaptatividade destas atitudes depende da congruência entre o potencial do indivíduo face aos desafios em causa na realização de um determinado objectivo. Isto significa que a atitude de envolvimento com objetivos se torna adaptativa quando um indivíduo tem realmente oportunidades para os atingir, e que a atitude de não envolvimento é adaptativa quando as oportunidades do indivíduo são limitadas a um ponto em que a sua realização é praticamente impossível. Para a mobilidade social na fase de vida de jovens adultos, Shane e Heckhausen (2013) concluem que as crenças em fatores externos e incontroláveis inerentes à sociedade atual podem ter alguma validade, desafiando de facto a ideologia meritocrática. Porém o seu reforço pode ser contraprodutivo para um
envolvimento motivado em objetivos ambiciosos para o futuro, atitude indispensável à obtenção de um ESE mais favorável.
Noutra perspectiva, Blustein e colaboradores (2002) estudam jovens adultos que transitaram da escola para o mundo de trabalho. Na altura em que respondem às entrevistas, nenhum dos participantes completou o ensino superior, ou o frequenta a tempo inteiro, sendo as suas atividades de trabalho similares e pouco qualificadas, com um salário relativamente reduzido. No entanto, a distribuição por ESE das famílias é semelhante, metade é proveniente de famílias com baixo ESE (média etária de 22.6 anos, 4 pertencentes a etnias minoritárias) e a outra metade de famílias com alto ESE (média etária de 21.9 anos, todos norte-americanos de ascendência europeia). Verificam-se diferenças nos conteúdos das entrevistas, consistentemente associadas ao ESE das famílias de proveniência e analisadas, considerando cinco categorias: (1) funções que o trabalho cumpre na vida das pessoas: os jovens adultos de ESE mais elevado referem que através do exercício desse trabalho sentem satisfação pessoal e consideram-no conferidor de significado à vida, já os de ESE mais baixo referem tratar- se de garantir a sobrevivência económica; (2) cristalização e implementação do autoconceito: os de ESE mais elevado consideram que o trabalho lhes permite realizar aspirações e interesses e encontram-se em geral envolvidos em ações (estudo, formação ou tipo de trabalho) promotoras das suas aspirações vocacionais, já os de ESE mais baixo não encontram no seu trabalho atividades consistentes com os seus interesses e objetivos; (3) recursos educativos e barreiras: os de ESE mais elevado referem maior facilidade de acesso a experiências e a recursos educacionais, assim como a redes sociais instrumentais para a implementação de objetivos pessoais, os de ESE mais baixo relatam fraca ajuda instrumental recebida dos pais, nomeadamente a nível financeiro, ou de apoio à tomada de decisão, conduzindo à exploração e à decisão “por conta própria” que, contudo, não relacionam com falta de altruísmo das pessoas significativas, mas com escassez da exposição destas a contextos do mundo do trabalho e educativo; (4) recursos relacionais: os de ESE mais elevado descrevem mais apoio emocional e instrumental recebido das suas redes relacionais; os de ESE mais baixo tendem a relatar mais ruturas relacionais (p. ex., divórcio, conflito parental, distância emocional de um dos pais ou de ambos) que acarretam consequências ao nível dos diversos tipos de apoio; e (5) adaptabilidade de carreira: os de ESE mais elevado descrevem com maior frequência o envolvimento em atividades de exploração e atitudes de planeamento; contudo, uma análise mais fina sugere que as dificuldades de exploração e planeamento
podem relacionar-se com insuficiência de recursos educacionais, relacionais e