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7. P RESENTATION DES RESULTATS

7.3. D IMENSIONS ECONOMIQUES , INVESTISSEMENTS ET STRATEGIES

7.3.6. S TRATEGIES DE SELECTION , DE DECISIONS , DE DEVELOPPEMENT

Na análise visual, a percepção do sujeito não é o foco principal do processo analítico,166 como ocorre na investigação da imagem. A análise visual preocupa-se com as características do objeto que é visualizado pelo sujeito, o objeto material em si, com a forma, com a sua presença no meio; e preocupa-se também em como se estabelece uma relação configuracional entre ambos.

A preocupação em averiguar como o sujeito percebe e apreende uma imagem, no sentido de como o sujeito visualiza um objeto,167 é o foco principal dos estudos da percepção visual. Já a análise visual , embora considere esta perspectiva perceptiva do sujeito, procura abstrair possíveis conteúdos de ordem subjetiva, centrando-se na investigação a respeito das características formais do objeto e do seu meio, mesmo considerando que estas características sejam captadas pelo sujeito.168

166 Na análise da imagem visual, o sujeito é parte integrante do processo perceptivo. Já na analise visual do objeto, o sujeito já não é o foco principal da investigação, embora não se desconsidere totalmente a importância que este tem no procedimento analítico; isto é apenas um recorte analítico, visto que aqui não se pretende averiguar a percepção que o sujeito tem dos equipamentos presentes no meio urbano, mas procurar identificar a relação formal existente entre estes objetos e a configuração geral do meio.

167 Cf. A distinção entre visibilidade e visualidade em Ferrara,Lucrécia D’Alessio. Ver-a-cidade, vi-ver. In: Design em espaços. São Paulo. Rosari. 2002. pp. 117-131.

168 Nesta direção, tem-se a técnica de analise seqüencial desenvolvida por Kohlsdorf, a análise seqüencial refere-

se a determinado percurso desenvolvido pelo observador, condicionado por localização e velocidade, e pode ser sintetizada da seguinte maneira: "A técnica da 'análise seqüencial' procura investigar as seguintes características do nível da percepção: presença física e temporal de sujeito e objeto da percepção, considerando as informações provenientes dos pontos de vista onde se situa o observador; condicionamento da percepção pelo modo de locomoção do observador (velocidades e características do meio de transporte); apreensão cinética dos atributos topológicos e perceptivos dos lugares observados. Registra-se a passagem progressiva do 'visto' para o 'percebido', na sucessão de cenas seletivamente extraídas da composição morfológica de determinado lugar, tentando reproduzir o processo perceptivo, ao transformar manifestações sensíveis dos espaços observados em noções de sua estrutura." Kohlsdorf, Maria Elaine. Brailia em três escalas de Percepção. In: Del Rio, Vicente; Oliveira, Lívia de. Percepção Ambiental. A Experiência Brasileira. São Paulo. Nobel. 1999. P. 46.

É aceitável a existência de um componente de caráter subjetivo ao se proceder uma análise visual, e considerar que este componente, no momento oportuno, seja avaliado. Entretanto, é necessário, sempre que possível, procurar um distanciamento deste componente subjetivo, para uma melhor efetivação do procedimento analítico.169

Neste trabalho, o componente subjetivo aplica-se sobretudo ao sujeito observador interessado, que, munido de um conjunto de procedimentos de observação, irá analisar os objetos em seu meio.170 Não desconsideramos que o mesmo procedimento de análise, realizado por diferentes sujeitos treinados, possa conduzir a resultados diferentes, embora não antagônicos. O registro dos procedimentos de análise, neste caso, prestam-se a esclarecer as possíveis distorções que possam ocorrer no processo de investigação visual

Como observado, esta opção de enfoque é uma questão de método, uma forma de procurar objetivar o procedimento analítico, em que se opta por concentrar o foco da análise visual na forma do objeto e não na percepção que o sujeito tem deste

169 Em relação ao distanciamento e a percepção do objeto, Bourdier faz a seguinte observação: o"fundamento do principio de pertinência que é utilizado para a percepção do mundo social e que define o conjunto de características das coisas e das pessoas suscetíveis de serem percebidas, e percebidas como interessantes, (...) não é outra coisa que o interesse que os indivíduos ou os grupos considerados têm em reconhecer este traço e a incorporação ao indivíduo considerado ao conjunto definido por este traço: o interesse pelo aspecto percebido não é nunca completamente independente do interesse em percebê-lo". Pierre Bourdier. La Distrinction Critique du Jugement. Paris Editions de Minuit. 1979. p. 554: Apud: Penna, Maura. O que faz Ser Nordestino/Identidades sociais, interesses e o "escândalo" Erundina.. São Paulo. Cortes Editora. 1992. p. 143.

170 Para Popper, a observação não é um fenômeno passivo mas um processo ativo e seletivo, segundo ele "a

observação é, ao mesmo tempo, ativa e seletiva, porque é precedida e guiada por problemas, hipóteses, expectativas, interesses, etc." Popper denomina a sua teoria de holofote" porque funciona como um holofote, tornando visível apenas determinados objetos e nos dizendo para onde dirigir nossa atenção". Popper, Karl. A lógica da pesquisa Científica. São Paulo Cultrix. 1972. P. 27-29.

objeto, pois segundo Arnheim: “é preciso definir aquilo que as pessoas olham antes de se poder compreender porque, nas condições que lhes são peculiares, vêem o que vêem.”171

O sujeito observador interessado é o sujeito treinado para a execução de uma observação direcionada. É o sujeito predisposto a analisar os objetos no meio, o sujeito que, munido de instrumentos e técnicas, e com conceitos apropriados, procura esmiuçar a forma do objeto em relação ao seu entorno; o sujeito que busca compreender a forma resultante desta relação considerando as partes significativas na formação do todo, a configuração geral do meio ambiente. Este procedimento irá diferenciar o sujeito observador interessado do sujeito observador comum,172 que obviamente não necessita de munir-se deste tipo de critérios e ferramentas de observação ao contemplar um objeto e o meio envolvente.173

A análise visual da forma é aqui definida como um método de análise que busca investigar quais são os elementos responsáveis pela configuração de um objeto e o seu entorno. É uma espécie de decomposição da forma, um exame que procura esquadrinhar a relação de componentes formais do objeto no meio, procurando classificar elementos e encontrar o seu sentido na configuração final de um meio ambiente urbano.

171 Arnheim, Rudolf. Op.Cit. 1988. p. 13.

172 Aqui considera-se o pesquisador como um sujeito observador com uma atitude interessada, que possui determinados conceitos em relação ao que é observado, já o usuário é considerado como o sujeito comum com atitude desinteressada, é o sujeito livre de conceitos e técnicas de observação.

173 Segundo Thiolent, é importante notar que este tipo de observação é sempre interessada, portanto desprovida de uma neutralidade, entendendo-se assim, que antes desta observação, existe uma elaboração teórica prévia. Ver Thiolent, Michel. Crítica Metodológica, Investigação Social e Enquete Operária. 5º edição. São Paulo. Polis. 1987. pp. 19-25

O presente trabalho busca uma compreensão da forma tanto do objeto em si como do seu meio, procurando compreender como a relação entre formas se estabelece e contribui na configuração do meio. Portanto, o foco não é o da percepção dos sujeitos, dos usuários, ou como o sujeito apreende visualmente o meio urbano; também não se trata de um estudo voltado para o campo da análise da imagem, especificamente da imagem urbana, mas sim de um modo de abordagem, de como investigar os elementos visuais que compõem uma determinada forma, em um sentido mais amplo, e como estes conjuntos de formas se relacionam e compõem a configuração geral do meio urbano. É a elaboração deste procedimento analítico que é detalhada no capitulo a seguir.