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8. D ISCUSSION

8.2. L A FONCTION FORMATION COMME GESTION DE PROJET

Os procedimentos de observação adotados nas áreas analisadas foram realizados da seguinte maneira: inicialmente, demarcou-se o solo, em intervalos regulares, para que a observação do espaço fosse realizada sempre no mesmo local e na mesma posição nos diversos intervalos de tempo,184 Obtendo-se assim o mesmo ângulo de visão.

As alturas das observações e dos registros foram mantidas como uma constante. Os locais de observação ou seja, o local onde o sujeito observador se posiciona para observar a área determinada, foram definidos como pontos visuais fixos. A partir destes pontos, foi elaborada uma seqüência de registros fotográficos, como parte da fase de observação com o sujeito observador estático, em que este ainda não descreve nenhum tipo de percurso, no sentido de caminhar ao longo do trecho observado, mas visualiza o meio posicionando-se em locais específicos e previamente determinados.

Este procedimento de observação foi exaustivamente testado como análise piloto nos arredores da Praça Tenente Alfredo Dantas em Campina Grande (ver Figura 4. 3), em

184 A respeito da idéia de tempo na análise visual dos espaços urbanos, ver Lynch, Kevin. De qué tiempo es este

função de ser um local que concentrava diversas características configuracionais que se desejava investigar, sendo uma área pequena e que facilitava a investigação. As observações foram realizadas no período de verão nos seguintes intervalos de tempo:

Primeira fase, denominada de alvorecer: observações efetuadas das 4h às 5h. Em seguida, observações efetuadas no que se denominou "dia," que compreendia os horários da manhã e da tarde: 6h, 9h, 12h, 15, 17h. A terceira fase, denominada "anoitecer," ia das 18:30, até às 19h, hora em que a luz do dia se extinguia e surgia a quarta fase, denominada "noite". Depois deste horário, os registros noturnos eram realizados após as 20h, e se prolongavam até o período do alvorecer, complementando-se o ciclo.

Figura 4. 3. Localização da Praça Tenente Alfredo Dantas. Campina Grande.

Verificou-se que alguns intervalos de tempo poderiam ser desconsiderados, pois não apresentavam mudanças que fossem significativas ao que se desejava observar no meio. As modificações eram mais evidentes nas fases do amanhecer, dia, anoitecer e noite. Exceto quando existia neblina, comum na cidade de Campina Grande mesmo

no verão, ou quando ocorriam pancadas de chuva. Durante o dia, o intervalo compreendido entre as 6h e 17h, a regularidade se mantém, tanto em termos de iluminação como em ocupação dos espaços.

Figura 4. 4. Exemplo dos pontos de localização das observações e registros utilizados na investigação da Praça Tenente Alfredo Dantas.

Figura 4. 5. Exemplos de registros da Praça Tenente Alfredo Dantas durante o dia e a noite no ponto de observação nº 9.

Figura 4. 6. Exemplo de registro realizado durante o dia na Praça Tem. Alfredo Dantas no ponto nº 6 .

Figura 4. 8. Exemplo de registro diurno realizado no ponto de observação nº 2.

Figura 4. 10. Exemplo de visualização diurna no ponto de observação nº 7.

Figura 4. 11. Exemplo de visualização noturna ponto de observação nº 7.

Depois de efetuada a análise piloto na Praça Tenente Alfredo Dantas, foi investigado o trecho compreendido entre as ruas Miguel Couto e Vidal de Negreiros (ver Figura 4.

12), onde percebeu-se alterações significativas nos horários das 6h, 17:30 e 22h. A adoção de diferentes horários de observação tinha como objetivo a verificação dos diversos aspectos configuracionais que estas áreas apresentavam no decorrer do dia e da noite. Isto levou a se optar por locais onde a iluminação, natural e artificial, alterasse acentuadamente a visualização da suas características formais do meio.

Figura 4. 12. Localização do percurso investigado entre as ruas Miguel Couto e Vidal de Negreiros. Campina Grande.

Figura 4. 13. Exemplo de registro de seqüência de trecho entre a rua Miguel Couto e Vidal de Negreiros. Campina Grande.

Nesta etapa da pesquisa, considerou-se também as diferentes formas de ocupação, distribuição e composição dos espaços, tanto por pessoas, como por veículos e demais objetos presentes no meio. Constatou-se, por exemplo, que um trecho de rua observado durante um dia de movimentação intensa, de pessoas e veículos, posteriormente observado em um dia de domingo185 ou feriado, quando analisados, apresentavam resultados diferentes dos encontrados cotidianamente.186

185 Lynch chegou a estudar a ocupação do espaço por pessoas em relação ao tempo, observando como estas

ocupavam as ruas da cidade em um dia comum e num dia de domingo. Lynch, Kevin. Op. Cit. 1975. P. 71.

186 Observa-se aqui o sentido de abdução que supõe a necessidade de que um corpo de conceitos gerais seja, dinamicamente, re-conceituado dentro de um amplo corpo de experiências, que estabelece, entre idéias, um novo sistema de relações. Ver Ferrara, Lucrecia D'Alessio. Olhar Periférico: Informação, Linguagem, Percepção. São Paulo. Edusp/Fapesp. 1999. p. 159.

Figura 4. 14. Localização das áreas com maior índice de vitalidade, neste caso, as áreas de maior vitalidade diurna, coincidiram com as áreas de maior vitalidade noturna.

As condições atmosféricas foram também consideradas e procurou-se observar o aspecto visual das áreas em dias ensolarados, nublados, com neblina, e de chuva. Este procedimento revelou como algumas características visuais do meio se alteram em função destes fenômenos, por exemplo: em dias chuvosos e com neblina, alguns equipamentos posicionados em desordem evidente, e visíveis em dias ensolarados, praticamente tornam-se ocultos, ficando a configuração dos lugares mais homogênea, disfarçando a desordem visual instalada.