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aménagement du territoire

3. D EUX SENS DU CONCEPT DE L ’ AUTO ORGANISATION

O projeto de arquitetura para o concessionário da marca Honda, em Curitiba (PR), foi desenvolvido pelos arquitetos Frederico Carstens e Antônio J. Gonçalves Jr., em 2007 com conclusão das obras em 2008. Apresenta área de terreno de 2655 m² e área construída de 2700 m².

Figuras: 5.93 / 5.94 - fachada / 5.95 – exposição. Fonte: CARSTENS e GONÇALVES (2008)

O edifício com forma triangular ocupa um terreno de esquina irregular e atende a um programa de atividades comerciais e de assistência técnica a automóveis, utilizando estrutura metálica, fachadas com painéis de vidro e concreto.

Possui três níveis: subsolo (oficina), o térreo (showroom, vendas) e o 1° pavimento (administração).

No artigo Carstens e Gonçalves (2008) comentam, com respeito à oficina, que "a ventilação e a iluminação ficaram perfeitas, mesmo em se tratando de um pavimento enterrado".

Como fechamento acima do vidro utilizou placas cimentícias, com tratamento à base de resinas acrílicas e juntas seladas, para assegurar a impermeabilidade e o conforto térmico contra as intempéries e a radiação solar.

Na fachada principal usou vidros temperados e incolores e em parte da cobertura vidros laminados refletivos cor prata neutra, de alta performance, para reduzir a entrada de luz no ambiente.

Figuras: 5.96 - planta 1° pavimento / 5.97 - planta térreo. Fonte: CARSTENS e GONÇALVES (2008)

Figura: 5.98 – elevação. Fonte: CARSTENS e GONÇALVES (2008)

Figura: 5.99 – elevação. Fonte: CARSTENS e GONÇALVES (2008)

Entende-se que a fachada envidraçada voltada para o Leste, recebe insolação em parte do dia, fato benéfico somente em épocas frias do ano.

No artigo há diversos comentários com respeito a ventilação, iluminação e conforto térmico, que fazem parte das preocupações relativas ao desempenho da edificação e seu impacto ambiental, mas não há dados relativos ao resultado obtido pelo projeto

5.6 Considerações sobre o Capítulo:

Nenhum dos projetos estudados e apresentados nos itens 5.1 até 5.4, segundo informado pelos autores, pretendeu alcançar uma certificação ambiental, porém durante as visitas procurou-se observar as decisões de projeto que também estariam contempladas nos sistemas de certificação colaborando, neste caso, na redução do impacto no meio ambiente.

As decisões de projeto pretendem melhorar o conforto ambiental e também a conservação de energia. São apoiadas em alternativas tradicionais como: beirais, brises, isolação térmica de coberturas, iluminação natural, iluminação zenital (coberturas translúcidas e lanternim), ventilação natural (cruzada e efeito chaminé), utilização de cores claras (pisos, paredes, tetos e coberturas) para maior refletância da iluminação ou da insolação, reaproveitamento da construção ou partes existentes, soluções que poderiam corroborar com o objetivo.

Somente no projeto item 5.4 para o concessionário Toyota Tsusho foram realizadas outras ações, conforme Tabela A.1.4, para a redução do impacto ambiental:

• SS 6.1- Construção de caixa para coleta de águas pluviais, porém não implementado o reuso da água;

• SS 7.1- Parte da pavimentação externa com concreto (piso cor clara) colaborando na redução da “ilha de calor” urbana, não considerado por representar cerca de 19% do pavimento;

• SS 7.2- Pintura da face externa de parte da cobertura, colaborando na refletância da insolação e na redução da “ilha de calor” urbana, não pontuada por representar apenas 32% da área coberta ;

• UEA 2- Prevista caixa para coleta e tratamento dos efluentes da lavagem de veículos, não implementada;

• UEA 2- Antigo poço fornece água não potável para utilização somente na lavagem de automóveis, volume não informado e portanto não considerado; Na Tabela para Avaliação do Impacto Ambiental, elaborada para aplicação durante as visitas, o número de itens atendidos pelas edificações variou de 3 a 5, de um total possível de 32 pontos, atingindo um percentual de 9,37% a 15,62%, de acordo com as

Tabelas: A.1.1; A.1.2; A.1.3; A.1.4, constantes do Anexo 1, conforme resumo apresentado, a seguir:

Concessionário Itens Atendidos Percentual

( % ) c/ relação LEED-NC Percentual ( % ) (69 + 7) original

Chevrolet Vigorito 3 9,37 4,34

Volkswagen Brasilwagen 3 9,37 4,34

Volkswagen Itavox 5 15,62 7,23

Toyota Tsusho 4 12,50 5,77

Tabela 5.2 – Comparativo da Pontuação Alcançada Fonte: PUENTE (2009)

Para avaliação neste estudo, adotou-se somente a somatória direta da certificação LEED-NC, devido ao AQUA ser um sistema qualitativo que utiliza a agregação de resultados, torna-se difícil a avaliação comparativa com a adotada.

De acordo com o LEED-NC para atingir a Certificação (categoria mínima) é necessário obter, além dos 7 pré-requisitos mais 26 pontos (um total de 43,42%). A pontuação máxima é de 69 pontos além dos obrigatórios, conforme Capítulo 3.

Pelo exposto, todos os estudos de caso não possuem baixo impacto ambiental, segundo os parâmetros adotados do referencial LEED-NC.

Com relação aos projetos publicados, itens 5.5.1 até 5.5.7, observam-se comentários que demonstram a preocupação dos arquitetos em buscar soluções adequadas para o conforto e a redução. do consumo de energia, apresentando alternativas tradicionais, que poderiam colaborar nesse sentido, porém as informações das matérias não permitem concluir se foi atingido um resultado adequado.

Considera-se que o sitio e a orientação geográfica são fundamentais na arquitetura e caso sejam adotadas soluções padronizadas para proteção solar ou fechamento externo, estas não serão adequadas as necessidades peculiares de cada projeto.

Entende-se que em todos casos, os resultados efetivamente alcançados somente podem ser aferidos por meio de medições com equipamentos e levantamentos “in

6 – Discussão dos Resultados

Observam-se nos projetos arquitetônicos e edificações pesquisadas, para fechamento externo das fachadas nas áreas de exposição, a utilização de painéis de vidro transparente e incolor.

Nos projetos estudados, itens 5.1 a 5.4, as fachadas principais possuem reduzida área para estrutura de aço ou de concreto, sendo também notada a alternativa de deslocar a estrutura para o interior do ambiente para facilitar a visualização do lado externo dos veículos em exposição.

Em outros casos, itens 5.2, 5.3, 5.5.1 e 5.5.2, são apresentadas soluções para sombreamento dos painéis de vidro da edificação, ou seja, beirais e brises, os quais não asseguram a efetiva proteção, devido a utilização de soluções padronizadas definidas pelas montadoras, independentemente da localização e orientação geográfica. Inclusive com o aproveitamento da iluminação zenital, através de telhas translúcidas e de lanternim padronizado, no interior do ambiente da exposição.

Já em outros projetos de fachadas, itens 5.1 a 5.3, 5.5.1, 5.5.2, 5.5.4 e 5.5.6, observam-se alternativas para reduzir o reflexo da luminosidade nos vidros, ou seja, o aspecto espelhado quando observados do exterior, com o objetivo de facilitar a visibilidade dos veículos, tais como: colocação do vidro inclinado para o exterior ou o mesmo em curva.

Outras medidas que poderiam atenuar o problema da insolação como vidros coloridos, cortinas, painéis verticais, etc., são evitadas em todas as instalações em função da necessidade de expor os veículos, que devem ser vistos pelo público do lado externo da edificação.

A área destinada à exposição é um espaço amplo, permitindo a ocupação e distribuição flexível de veículos, possuindo pé-direito duplo e gerando um grande volume de ar interno. Para o setor administrativo verifica-se a construção de mezanino, liberando área no nível térreo para as atividades comerciais e de atendimento aos clientes.

As paredes internas recebem pintura na cor branca como acabamento, em geral, e os pisos cerâmicos são de cor clara predominantemente, contribuindo para a refletância da iluminação. Para cobertura é utilizada estrutura metálica aparente ou, eventualmente, recebendo forro como revestimento.

Segundo Furlaneto et al (2003), observa-se então a principal característica de um concessionário de automóveis, comum a todas as marcas, fachadas com grandes áreas de vidros transparentes que poderiam receber e absorver insolação, ou seja, aquecendo o ambiente interior, e onde o ar aquecido não encontra saída para o exterior, sobrecarregando o equipamento de climatização.

Mesmo no caso de concessionários em uma via com orientação Leste-Oeste o problema poderia ser minorado com a utilização de alternativas para que ocorressem trocas de ar do ambiente, ou com a utilização de elementos arquitetônicos que não interferissem na visibilidade da vitrine, mas que reduzissem os incômodos da insolação.

Outras atividades comerciais não têm a mesma exigência de possuir vitrines, ou ainda de utilizar grandes superfícies de vidro como os concessionários.

Independente dos recursos tecnológicos, para corrigir os problemas de conforto, a prevenção sempre será a solução mais eficiente, econômica e menos prejudicial ao meio ambiente, e poderá se feita através de um projeto arquitetônico com essa preocupação, de acordo com Furlaneto et al (2003).

Na bibliografia das montadoras estudadas, é comum a recomendação para o fechamento da área de exposição com painéis de vidro incolor com o objetivo de não distorcer a cor dos veículos, aproveitar a iluminação natural e facilitar a visibilidade dos produtos em exposição a partir da área externa. As grandes áreas envidraçadas, por outro lado, podem absorver a energia solar e aquecer o ambiente em determinadas situações e orientações geográficas.

Não foram observadas diretrizes relativas a ventilação natural ou quanto à necessidade de climatizar ou não a área de exposição. Porém caso o ar aquecido não seja retirado

Para a região destinada à prestação de serviços, em geral, é recomendada a utilização, nas paredes, de janelas e venezianas e, para a cobertura, o uso de telhas translúcidas e lanternim, soluções que propiciam maior aproveitamento da iluminação natural e da ventilação natural (cruzada e do efeito chaminé), que podem colaborar com a redução do consumo de energia.

Já para as áreas de armazenagem e de escritórios não são apresentadas maiores sugestões ou restrições.

Com exceção da Volkswagen, não foi observado no material das demais montadoras estudadas soluções ou detalhes construtivos padronizados permitindo, portanto, ao arquiteto apresentar livremente as alternativas mais indicadas para o projeto com o objetivo de atender as diversas necessidades, inclusive com respeito à inserção urbana da edificação.

As soluções padronizadas de projeto limitam a possibilidade de atuação dos arquitetos, pois não levam em conta o sítio e sua inserção urbana, portanto não asseguram uma proteção efetiva contra a insolação ou ainda não aproveitam a ventilação natural no ambiente. Logo, podem acarretar problemas de conforto, aumento da carga térmica e do consumo de energia para climatização.

Observam-se nos projetos, ainda, itens 5.1, 5.2 e 5.3, a utilização de solução de cobertura e estrutura metálica com pilares tipo “guarda-chuva”, posicionados na área central. Soluções que simplificam a montagem, desmontagem e o reaproveitamento dos componentes para outra edificação similar, ou para reciclagem dos materiais, alternativas que reduzem o impacto da edificação no meio ambiente.

Já nos diversos artigos das publicações, itens 5.5.1, 5.5.2, 5.5.6, 5.5.7, observam-se decisões projetuais e comentários relativos ao universo de diretrizes para projetos de baixo impacto, porém as informações apresentadas não asseguram o real resultado atingido no local.