AMÉNAGEMENT DU TERRITOIRE
6.1. Le remembrement-relotissement
Diversas estratégias de projeto que podem ser adotadas visando colaborar com a redução do impacto ambiental e a melhoria do conforto ambiental, são a seguir comentadas.
Conforme Edwards e Hyett (2005, p.27-30), os projetos arquitetônicos devem prever detalhes e soluções com baixo impacto ambiental. Considerando a área e a profundidade, podem ser adotados:
• nas fachadas ensolaradas a utilização de painéis externos e brise-soleil para proteção contra o aquecimento;
• fechamentos e aberturas adequados ao rendimento térmico desejado; • aproveitamento da iluminação natural através de janelas e átrios; • janelas reguláveis para ventilação natural;
• prateleiras refletivas em fachadas ensolaradas proporcionando luz indireta nos ambientes e evitando a radiação direta;
• tomada de ar externo em locais sombreados;
• aproveitamento do efeito “chaminé” para ventilação natural; • utilização do vento predominante para a retirada do ar interno;
• coleta da água das chuvas em cisternas para utilização posterior, em locais e usos determinados.
Devem ser adotadas estratégias com o objetivo de atingir o conforto ambiental, adaptadas ao clima local, minimizando o consumo de energia e requerendo a mínima potência elétrica na instalação, além de produzir o mínimo de poluição, segundo Corbella & Yannas (2003, p.37).
Para conseguir alcançar o conforto em clima tropical úmido, o projeto deverá levar em conta:
• os ganhos de calor;
• retirar a energia térmica interna; • movimentar o ar e retirar a umidade; • utilizar a iluminação natural;
• controlar o ruído.
Portanto deve ser levada em consideração ao se projetar em regiões tropicais, nos diversos ambientes de trabalho, a necessidade de soluções para:
• a movimentação do ar junto às pessoas, visando proporcionar uma sensação refrescante;
Segundo Corbella & Yannas (2003, p.30-31), a sensação de conforto térmico não depende somente da temperatura, mas de vários aspectos como:
• umidade do ar;
• radiação infravermelha (dos materiais da edificação); • movimentação do ar;
• radiação solar;
• tipo de atividade, vestimenta e ainda idade, sexo e o metabolismo dos usuários.
A radiação solar é composta por diversos comprimentos de onda, em várias proporções, que causam efeitos biológicos e físicos nas pessoas, conforme Corcuera (1999, p.xi-8):
• ultravioleta: causa descoloração dos materiais, nos indivíduos contribui para a produção da vitamina D, bronzeamento e é bactericida;
• visível: associa-se à luz branca transmitida, é o grau de iluminação; • infravermelho: contribui no ganho de calor e aquecimento.
Para reduzir os ganhos de calor em uma edificação deve-se procurar, segundo Corbella & Yannas (2003, p.37-41):
• reduzir a entrada da energia solar;
• controlar a absorção dos fechamentos externos; • utilizar isolantes térmicos, onde necessário.
Já para dissipar a energia térmica do interior da edificação, considerar:
• aumentar a ventilação quando a temperatura interna for maior que a externa (utilizar aberturas ou ventilação mecânica);
• combinar a inércia térmica com a ventilação noturna;
• transferir o calor para ambientes não habitados (garagens, etc.).
A radiação solar e o ganho de calor são os principais responsáveis pelo desconforto no clima tropical, são ocasionados pela absorção da energia do sol que atinge os ambientes. Portanto devem ser previstas proteções contra a incidência da radiação solar, que aquece a edificação:
• ao penetrar através das aberturas e ser absorvida pelas superfícies (piso, paredes), torna-se energia térmica e eleva a temperatura do ambiente;
• ao atingir os fechamentos externos converte-se em calor que, por condução, atravessa o material e aquece o ar interno.
Para reduzir os ganhos de calor devido a insolação no edifício, levar em conta as estratégias de:
• verificar e escolher a orientação mais adequada visando reduzir a carga térmica solar;
• executar simulações por computador, com a avaliação dos resultados; • realizar estudos com diagramas da trajetória do sol.
No verão, nos trópicos, as paredes orientadas para Leste-Oeste recebem mais energia solar que as voltadas para Norte-Sul, portanto estas últimas orientações seriam as mais recomendáveis para as maiores fachadas das edificações.
Conforme Corbella & Yannas (2003, p.46), o desempenho térmico dos materiais, aliado às leis básicas com respeito a transferência de calor, frente a insolação ou às mudanças climáticas, devem ser considerados quando se pretende avaliar o conforto térmico dos ambientes.
Nesse sentido para o controle dos ganhos de calor ou sua dissipação, preliminarmente pode-se adotar:
• materiais pesados ou isolação térmica para fechamentos submetidos a intensa insolação ou prever proteções externas;
• materiais leves para fechamentos e divisórias, em locais com amplitude térmica diária menor que 5°C;
• materiais pesados para fechamento, em locais com amplitude térmica diária maior que 10°C;
• utilizar materiais bons condutores de calor para paredes dividindo ambientes sem insolação, ou não habitados;
A utilização da inércia térmica dos materiais pode contribuir para regular as flutuações das temperaturas dos ambientes internos das edificações, conforme Corbella & Yannas (2003, p.167).
Com respeito à insolação, as aberturas das fachadas devem ser protegidas com a utilização de: brises, elementos vazados, painéis, beirais, marquises, vegetação e outros elementos.
Para tanto é necessário desenvolver estudos para definir a melhor alternativa e, inclusive, podem ser feitas simulações por computador.
E para reduzir a absorção através dos fechamentos externos é recomendável: • utilizar cores claras;
• prever obstáculos, vegetação, etc.;
• dimensionar as aberturas de acordo com a iluminação natural necessária. Portanto o controle da insolação é fundamental, qualquer que seja a orientação, devendo ser adequado em função da mesma.
Para reduzir a quantidade de energia destinada à iluminação deve-se aproveitar ao máximo a luz solar, nesse sentido, a profundidade dos ambientes não deve ultrapassar 7,0 m contados a partir da janela da fachada, portanto as plantas para áreas de escritórios deveriam possuir aproximadamente 14,0 m de profundidade (ou 15,0 m caso haja um corredor que aproveite a luz indireta) e caso tenham aberturas nas duas fachadas, segundo Edwards e Hyett (2005, p.31).
O alcance da luz solar pode ser ampliado mediante o uso de prateleiras refletivas posicionadas no exterior do edifício. Projetadas adequadamente poderão aumentar o nível de iluminamento dentro dos ambientes e evitar o ofuscamento ou o contraste excessivo através da melhor distribuição da luz da fachada até o interior.
Para um maior aproveitamento da iluminação natural deve-se prover a edificação de aberturas que permitam a entrada luz, porém restrinjam a da radiação direta.
Conforme Corbella & Yannas (2003, p.47-48), a luz natural reproduz melhor as cores e fornece a sensação da passagem do tempo durante o dia, já a artificial é monótona.
Portanto no projeto luminotécnico deve-se considerar complementar a iluminação natural e não substituí-la pela artificial.
Para se alcançar o conforto visual deve-se buscar:
• possuir um nível de iluminamento, seguindo as normas, em função do grau de precisão, da tarefa e da idade dos usuários;
• uma boa distribuição de luz para evitar o ofuscamento e o contraste, que causariam o cansaço visual;
• utilizar cores nos acabamentos dos ambientes para corroborar na refletância da luz no ambiente.
Em alguns projetos, para a iluminação natural dos ambientes adotam-se grandes aberturas externas com vidro, porém para proteção contra a radiação são utilizados vidros de cores escuras que reduzem a iluminação e absorvem a radiação, levando ao aquecimento do vidro e a irradiação do calor para o ambiente interno. Os recintos acabam recebendo menor iluminação natural e muitas vezes acabam utilizando a iluminação artificial.
Já a utilização da iluminação zenital permite uma distribuição uniforme no ambiente, porém, sobretudo no verão, devem possuir anteparos para barrar a radiação solar direta, conforme Corbella & Yannas (2003, p.170).
Para o melhor aproveitamento da iluminação natural nos ambientes deve-se levar em conta as cores internas, posição, distribuição e tipo de aberturas, assim como dos elementos de controle da insolação.
Sem esquecer da necessidade de haver integração entre o aproveitamento da iluminação natural e a artificial, prevendo circuitos que possam ser utilizados independentemente, assim como sensores, permitindo acionar luminárias mais distantes das aberturas antes daquelas próximas as fachadas.
Segundo Corbella & Yannas (2003, p.27-30) a arquitetura de baixo impacto pode ser adotada por todo tipo de edifício, valendo-se de átrios internos e aberturas no perímetro para criar as correntes de convecção de ventilação natural, que ajudam a evitar o ar
medidas passivas com a ventilação forçada (utilizando ventiladores), além de limitar o uso do ar condicionado em locais onde haja acúmulo de calor.
Já para a retirada da umidade e ventilação do ambiente, deve-se incrementar a movimentação do ar durante a ocupação do local. Considerando que a ventilação do edifício através da movimentação do ar externo poderá contribuir, segundo Corbella & Yannas (2003, p.37-42), para:
• resfriá-lo, caso o ar externo possua temperatura inferior à interna; • aquecê-lo, caso a temperatura seja mais elevada.
Uma área ocupada terá maior temperatura e umidade que a do exterior, em função da perda de umidade e de calor por parte das pessoas, da iluminação, dos equipamentos, dentre outros, levando ao desconforto, tornando necessário dissipar a energia interna. Portanto para alcançar uma adequada e controlada ventilação natural, deve-se buscar:
• posicionar o edifício de forma a obter correntes de ar em seu interior;
• utilizar elementos no fechamento externo para alcançar a ventilação cruzada interna;
• em locais climatizados, fechamentos na caixilharia, de maneira a controlar a renovação do ar;
• posicionar divisórias no interior, de forma a facilitar a circulação do ar; • utilizar exaustores e ventiladores para contribuir na ventilação;
• se necessário, valer-se de controles automáticos das entradas e saídas do ar ou ainda da instalação de climatização;
• em caso de calmaria utilizar o efeito “chaminé”.
Neste trabalho, a arquitetura de baixo impacto ambiental é entendida como sinônimo de arquitetura sustentável, sendo um conceito mais abrangente que a comentada anteriormente por outros autores.
Entende-se que a falta de soluções ou preocupações vinculadas ao sítio, em diversos projetos arquitetônicos, deve-se à imposição de modelos internacionais previamente definidos e padronizados que, além de limitarem a busca por alternativas adequadas
para atender ao programa, representam o abandono da essência do projeto arquitetônico.
Citando Piñón (2006, p.184), a utilização de soluções padronizadas surge quando a arquitetura não é considerada uma obra, ou seja, projeto de determinado autor, e passa a ser um produto, abandonando o projeto baseado na experiência subjetiva. Essa arquitetura passa a ser signo de determinados valores, a cultura da imagem, onde o arquiteto fica praticamente anônimo, ou seja:
“Qualquer prefeitura pode ter um museu como o de Bilbao – para citar um exemplo – do mesmo modo que um turista pode comer o mesmo sanduíche em Boston ou Pequim. O artífice – não mais o autor – não é o autor – não é dono de si: pressionado pela demanda – ou pela empresa que gestiona a marca do seu nome -, só pode fazer o que já tinha feito antes” (PIÑÓN, 2006, p.184).