• Aucun résultat trouvé

par une pupille plane éclairée par une onde incidente plane

Dans le document Optique ondulatoire - Cours 2 pdf (Page 133-136)

O dejuntorio ou dejunta (como localmente são chamados os mutirões) é acionado tradicionalmente na época de plantação, período em que o serviço na roça demanda um trabalho mais intenso em comparação ao restante do ciclo de cultivo. Após esse período, os grupos se desfazem, se reunindo novamente no ano seguinte. Na região das quatro cabeceiras se formam anualmente em torno de cinco grupos, reunindo cada um aproximadamente 10 a 20 agricultores e geralmente residentes em locais próximos (ou relativamente não tão distantes).

Um dos interlocutores com o qual conversei sobre o tema é José Carlos, 28 anos, morador da cabeceira da Guaibinha e integrante de um mutirão que excepcionalmente se mantém desde o início de 2017. José Carlos integrou o grupo a partir de um convite de um amigo morador do Brejo. Ele explicou que uma tarefa que um trabalhador sozinho demandaria em torno de três a cinco dias, em dejuntório realizam em um. Também conta que os mais velhos comentam que no passado esta prática de ajuda mútua era mais frequente.

O grupo de José Carlos se reúne todas as segundas-feiras para rotativamente trabalhar na roça de cada um dos integrantes do grupo. O integrante mais velho do grupo possui pouco mais que 60 anos e o mais jovem, 25. São residentes da cabeceira da Guaibinha e da cabeceira da Guaíba. No verão, se encontram às 5h30 e trabalham até às 11h. Já no inverno, o encontro é marcado para às 6h ou 6h30 e ficam trabalhando até meio dia.

Como já relatado, em função do crescimento demográfico e dos tamanhos dos sítios, nem sempre os agricultores cultivam roças onde vivem. Muitas vezes plantam em terras de outros sítios e disponibilizadas por amigos ou parentes. As roças dos integrantes do grupo de José Carlos estão espalhadas pelo território: no Brejo, no Valença (na divisa entre o Brejo e a Fazenda Imbiara), na cabeceira do Engenho do Buraco e na “fazenda”, sendo a maioria nesta última.

Os produtos plantados são variados e cada lavrador costuma ter a preferência por determinadas lavouras: “uns plantam cana, inhame, batata, banana... (...) tem outros que só

plantam mais mandioca, aipim, outros fazem mais horta e uns preferem mais o quiabo”.

José Carlos explicou que a qualidade da terra da fazenda é “bem melhor” do que aquelas que os moradores da comunidade plantavam antes. “O que eles estão plantando aí [na fazenda], na terra que plantavam antes não dava a mesma coisa. Por exemplo, na terra que

Não é um costume na comunidade o uso de adubo químico. Utilizam a técnica de coivara (o uso do mato que naturalmente cresce após o abandono temporário de um pedaço de terra após a colheita) e também recorrem ao esterco de boi.

Todo mundo tem um animal ou dois, aí colocando ele todo dia naquele mesmo lugar, você vai ter aquele adubo ali. (..) Tem gente que tem [adubo] de mais, ou uma terra boa que não precisa adubar, aí o adubo dele já serve pra outra pessoa. (...) ‘tenho lá, pode ir lá pegar’.

Com exceção da tarefa de arar a terra, para a qual alugam um trator, todo o processo de plantio e colheita é feito manualmente.

José Carlos destaca o mutirão como “uma folia”, “trabalham naquela brincadeira”. Ao fim do expediente, se reúnem na casa do dono da roça daquela segunda-feira. Lá permanecem “conversando, resenhando, comendo, bebendo, jogando conversa fora”. (...) “Tipo assim, hoje é meu dia. Aí vou levar uma cachaça e quando terminar o serviço, vem pra

minha casa pra preparar um tira-gosto. Vamos comer uma farofinha”. Por “farofinha” se refere

a pratos que podem ser feijoada, galinha de quintal ou moqueca de ostra, por exemplo. A cachaça, ele observa, “toma lá [na roça] e toma aqui”.

José Carlos credita o sucesso do seu grupo de dejuntório - que se estendeu para além do período de preparação da terra - à disponibilidade de terras gerada com a ocupação da fazenda: “Com certeza é isso. Com certeza!”; “É o motivo que fortaleceu [o dejuntório].”

Adriana é outra moradora com quem conversei sobre dejuntório. Ela nasceu no Sítio Santo Antônio, mora na cabeceira do Engenho do Buraco (em um terreno de seu falecido esposo) e ocupa um pedaço de terra na “fazenda” nas proximidades do Sítio Santo Antônio. Sobre esta prática ela explicou:

As vezes junta uns colegas e faz um dijuntoriozinho, aí vai todo mundo. [Como funciona?]. Compra uma cachaça, faz uma comida e chama o pessoal. (...) Aí trabalha. Volta, come bebe. (...) Faz mais é no tempo da plantação, que é agora, tempo de São Joao. [A última vez que você chamou faz quanto tempo?] A última vez que chamei foi pra cavar as covas. Vai fazer um ano. [Quem a senhora costuma chamar?] A maioria lá perto do Sitio [Santo Antônio] mesmo. Que é perto... Cláudia, 43 anos, também comentou sobre o dejuntório: “[Vocês fazem dejunta?] A

gente faz muita dejunta. (...) Aqui a semana toda é dejunta, um vai pra um, na outra semana vai pra um, na outra semana vai pra outra. E não é pouco homem não. É dez, quase vinte homens.”

Esta prática de ajuda mútua resiste ao longo das gerações. Segundo nossos interlocutores, “sempre existiu”. Corroborando a imemorialidade desta prática cultural na região, FRAGA FILHO (2006), a partir de consultas à “processos-crimes” instaurados após a

abolição, registra as práticas de ajuda mútua e solidariedade entre os negros nas comunidades, fundadas após 1888 no Recôncavo Baiano. Os “processos-crimes” revelam esse tipo de informação uma vez que, frequentemente, as reuniões dos moradores para articular suas estratégias para garantir o que entendiam como liberdade aconteciam durante os mutirões para plantio ou colheita. (FRAGA FILHO, 2006, p. 296-297)

Dans le document Optique ondulatoire - Cours 2 pdf (Page 133-136)