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La protection spécifique des mineurs dans le milieu scolaire

Dans le document Droit privé et religion (Page 49-56)

É através da ocupação do território português por parte do império romano que surge uma apropriação das águas termais pelas populações, apesar de existir a referência da exploração destas águas parte dos Celtas e Iberos, são os romanos quem pela primeira vez procedem à construção de edifícios balneares em Portugal devido ao seu reconhecimento pelo culto do banho.

Estes edifícios foram, primeiramente, contruídos em locais como São Pedro do Sul e Chaves, com as características dos balneários romanos.

Mais tarde, com a ocupação dos povos do norte da Europa, a maioria dos balneários foram destruídos.

Já na idade média, surgem as “águas sagradas” e o termalismo passa a ser visto como atividade religiosa e não de cura física. Este aspeto levou à reconstrução e exploração de alguns balneários por parte de ordens religiosas.

O séc. XV data a fundação de um primeiro hospital moderno com recurso às águas temais: o Hospital de Nossa Senhora do Pópulo, atual hospital das termas onde já eram visíveis algumas influências renascentistas.

No seculo seguinte, houve um avanço no processo do tratamento termal devido à fundação da Academia das Ciências que contribuiu para a expansão das construções balneares um pouco por todo o país.

Alguns destes balneários foram construídos como pequenas casas de habitação, segundo as técnicas e materiais de construção de cada região. Normalmente poderiam ser descritas como “uma casa, de planta retangular e com um corredor ao centro que divide os quartos de banho e de duche, uma sala de receção e uma sala de descanso para o médico”58

58 PINTO, Helena Gonçalves; MANGORRINHA, Jorge;” O Desenho das Termas - História da

Arquitectura Termal Portuguesa”. Direcção Geral da Energia e Geologia, 1ª Edição, Lisboa, 2009

Tratava-se de uma arquitetura vernacular aplicada a uma função especifica, os programas eram contidos e os custos baixos. Era uma “arquitetura que não caminhava no sentido do gosto, mas que era uma representação factual da técnica construtiva disponível.”59

Porém, os programas iam ficando cada vez mais complexos e o desenho dos balneários passa a basear-se na regra e na disciplina.

De igual modo, os espaços da água evoluíram no interior dos edifícios: “antes do séc. XIX, o contacto com a água manifestava-se por vias da imersão, ingestão e ablução. Com a gradual especialização dos tratamentos e a separação física dos sujeitos, um conjunto de novas aplicações foi disponibilizado ao aquista (…) como banhos de imersão e localizados, duches, inalações, pulverizações e piscinas de natação.”60

Os edifícios termais assumem ao longo dos anos as mudanças e as modas, renovam aparelhos e incorporam novos e luxuosos materiais. Porém a estrutura base dos balneários mantém-se e as grandes alterações do séc.

59 PINTO, Helena Gonçalves; MANGORRINHA, Jorge;” O Desenho das Termas - História da

Arquitectura Termal Portuguesa”. Direcção Geral da Energia e Geologia, 1ª Edição, Lisboa, 2009

60 PINTO, Helena Gonçalves; MANGORRINHA, Jorge; ”O Desenho das Termas - História da

Arquitectura Termal Portuguesa”. Direcção Geral da Energia e Geologia, 1ª Edição, Lisboa, 2009

18. Hospital de Nossa Senhora de Pópulo, mandado construir por D. Leonor, 1510

XIX baseiam-se na separação por sexos e na imposição da separação por classes que iria ditar a materialidade das salas de banho consoante a classe social a que cada aquista pertencia.

Este século marca ainda a arquitetura termal devido à individualização das funções decorrentes da estada dos aquistas. Se anteriormente as funções eram todas centradas no mesmo edifício, a partir daqui, começam a desenvolver-se as estâncias termais que foram idealizadas por médicos e engenheiros e dispunham de diferentes espaços separados entre si.

Estes novos complexos trouxeram algumas novidades e por isso surgiram áreas mais amplas de tratamento e uma preocupação de melhor integração dos edifícios com a paisagem, bem como na otimização da orientação da luz e da ventilação de forma a criar ambientes mais confortáveis.

A partir do estabelecimento do balneário, que constitui o elemento central, desenrolam-se todos os equipamentos do aglomerado.

No balneário centram-se todos os tratamentos termais daí a importância da sua localização ser sobre as nascentes de águas minerais. A sua disposição interna é caracterizada pelos métodos racionais e higienistas da época, comuns a todos os equipamentos de saúde, assim podemos descrever estes espaços com uma sucessão de salas e gabinetes de tratamentos acedidas por um corredor comum, nunca esquecendo a divisão por sexo e classe social. Ainda no balneário, o átrio de entrada ganha muita importância, trata-se um espaço amplo, emblemático e decorativo, que serve para encaminhar os utentes para as galerias de circulação. Neste espaço a luz e a ventilação são uma preocupação pois o objetivo é criar espaços de convívio.

Ainda neste edifício, encontramos as piscinas que constituem o elemento central e em torno das quais se desenvolvem as galerias de banhos individuais. As áreas de tratamentos eram construídas parcial ou totalmente por piscinas, tanques individuais e banheiras cuja materialidade variava consoante a classe dos utentes: se fosse de primeira classe a banheira seria revestida a lioz e ferro esmaltado; para a segunda classe era utilizado o zinco

pintado ou o revestimento de azulejo e por fim, a terceira classe onde as banheiras eram de alvenaria ou cimento.

Por outro lado, temos a buvette ou fonte termal que pode estar dentro do edifício do balneário num local central ou no exterior. Este elemento representa a função de ingestão da água termal. Normalmente é revestido em pedra, em ferro ou vitral, devido à sua forte componente simbólica, e no ponto central surge a água. O buvette funciona assim como o local de centralização do ritual, é o lugar sagrado onde não existem diferenças de classes nem de sexos que proporciona o convívio dos aquistas.

Em meados do séc. XX com o desenvolvimento industrial assiste-se a uma renovação e aperfeiçoamento dos equipamentos e como tal as estâncias termais completam-se com a junção de outros equipamentos como formas de alojamento, clubes de recreio, capelas e parques.

Os locais de recreio serviam para promover o contacto com a natureza e os salões de festas, ou clubes de recreio, serviam como “medidores” do perfil social dos utentes das termas.

Existia ainda um equipamento religioso para promover a continuidade do culto durante o período os tratamentos.

A estância termal passou a adquirir o estatuto de “festa termal” onde existiam espaços de lazer propícios ao esquecimento do quotidiano e que funcionavam como uma fuga para o desconhecido. Esta fuga do quotidiano representava uma necessidade de renovação e de descoberta de algo novo. A própria linguagem arquitetónica refletia este espírito assumindo ideologias revivalistas e de confrontações de inspirações culturais distintas.

22. Vista da Estância Termal do Estoril em meados do séc. XX 21. Edificio do casino do complexo termal das Pedras Salgadas

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