Com a implementação do PC, para além dos importantes benefícios energéticos, outros fatores positivos merecem destaque. Uma das importantes vantagens do PC tem que ver com a garantia de conforto térmico interior e de níveis aceitáveis de QAI. Muitos problemas surgem de um mau projeto e/ou de uma má instalação dos sistemas AVAC. A qualidade do ambiente interior de um edifício afeta o conforto, a produtividade e a saúde dos ocupantes podendo mesmo causar dores de cabeça, fadiga ou até reações alérgicas. Fatores como a temperatura, humidade e iluminação poderão estar na origem de ambientes desconfortáveis que se traduzem eventualmente em fraca produtividade e baixa eficiência no desempenho de determinadas tarefas. O comissionamento contribui para a dissipação destas questões negativas através de uma inspeção rigorosa aquando da construção, instalação, testes de desempenho funcional e administração de formação adequada [11].
Outro benefício proveniente da aplicação do PC tem implicação direta na extensão do ciclo de vida dos equipamentos e sistemas e no modo como estes operam. Atualmente, os sistemas dos edifícios são integrados, ou seja, uma deficiência ou anomalia no funcionamento de um ou mais componentes de um deles pode significar não só um desempenho abaixo do esperado daquele subsistema, como também um mau desempenho por parte de outros subsistemas. Eliminar ou reduzir estes problemas é sinónimo de garantir um conjunto de benefícios inerentes. Através do comissionamento, os subsistemas do edifício e os seus equipamentos funcionam de modo otimizado, conduzindo a uma operação mais fiável, a uma maior longevidade e a um menor número de reparações exigidas [18].
Um outro fator bastante positivo consiste na melhoria significativa da comunicação e coordenação entre proprietário do edifício, projetistas, construtores e operadores. O diálogo permanente entre todos os membros da equipa de comissionamento (EC) é preponderante para alcançar com sucesso os requisitos do dono de obra (RDO). O PC promove diversas reuniões em que os participantes são encorajados a considerar todas as perspetivas sem nunca perder de vista as expectativas iniciais designadas para o edifício [11].
Seguem-se os principais benefícios resultantes do impacto do PC, incluindo os que foram supramencionados [7], [22]:
Funcionamento adequado e eficiente dos equipamentos;
Extensão significativa do ciclo de vida dos equipamentos ou sistemas; Melhoria na coordenação entre projetistas, construtores e utilizadores;
Melhoria da qualidade do ar interior, do conforto e da produtividade do ocupante; Aumento da segurança dos ocupantes;
Incremento da qualidade e organização da documentação do edifício; Redução dos custos operacionais e de manutenção;
Redução do período de transição para a ocupação.
No que diz respeito a estes benefícios ditos não energéticos, um estudo efetuado, [20], permitiu apurar as diferentes percentagens atribuídas a cada um deles, que refletem a frequência com que ocorrem, tanto para edifícios existentes como para edifícios novos. Na Figura 8 é possível observar o impacto do comissionamento proveniente de 81 benefícios identificados pela AC num total de 36 projetos de edifícios existentes avaliados. É facilmente observável que a extensão de vida do equipamento é a vantagem que mais vezes se observou, em cerca de um terço dos casos. Segue-se a melhoria do conforto térmico que ocorreu em cerca de um quinto dos 36 projetos avaliados [20].
Figura 8 - Impacto do comissionamento nos edifícios já existentes. [20]
Relativamente aos novos edifícios, estão presentes, na Figura 9, a distribuição percentual de 95 benefícios que foram reportados pelo dono de obra ou pela AC de um total de 44 projetos analisados. É possível observar que a extensão de vida do equipamento e o conforto térmico são reportados como benefícios da aplicação do comissionamento em 19% dos casos. Segue-se a diminuição de reclamações (18%) e a melhoria da QAI em ex aequo com a redução de custos
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Figura 9 - Impacto do comissionamento nos novos edifícios. [20]
O comissionamento como um processo, mais do que como medida prescritiva, adapta-se para ir ao encontro das necessidades únicas de cada proprietário ou dono de obra e, consequentemente, de todos os que estão em contacto com o edifício, desde a fase de planeamento até à utilização. Posto isto, é natural que as vantagens que o PC acarreta também se reflitam naqueles que participam em todo o processo, com maior proeminência para os que assumem papéis de maior destaque como o dono de obra ou proprietário, os projetistas e os empreiteiros. Sobre o ponto de vista dos principais intervenientes no PC, estes beneficiam do mesmo nos seguintes aspetos:
1. Potenciais benefícios para os projetistas [7], [23]: a) Maior facilidade no cumprimento dos RDO;
b) Menor exposição a riscos e a possíveis reclamações;
c) Melhoria da base de conhecimentos para o uso em futuros projetos, eles próprios adquirem perspetivas que os tornam mais realistas, práticos e também realizáveis;
d) Beneficia da participação de outros intervenientes o que conduz a um projeto e operação mais rentáveis;
e) Menos tempo despendido a dar resposta a questões da equipa de construção pois os projetos desenvolvidos são alvo de cada vez menos erros, muito por responsabilidade da melhoria de comunicação entre projetistas e empreiteiros.
2. Potenciais benefícios para os empreiteiros [23]:
a) Melhoria no planeamento e coordenação através da implementação do PLC; b) Melhoria na coordenação entre a EC, reduzindo substancialmente o número de
deficiências aquando da conclusão da construção e o número de reclamações; c) Redução do número de pedidos de orientação para a operação das instalações
devido à implementação de planos de formação aos técnicos de operação e manutenção.
3. Potenciais benefícios para o dono de obra [7], [23]:
a) Melhoria do conhecimento operativo sobre otimização do funcionamento e da manutenção dos sistemas;
b) Menores requisitos de formação após a conclusão da obra devido à documentação existente dos sistemas, sendo que a formação adicional só terá razão de causa na eventualidade de ocorrem mudanças nos sistemas;
c) Desempenho das instalações de acordo com os seus próprios requisitos; d) Maior facilidade de acesso à operação e manutenção dos sistemas por
intermédio do MS;
e) Redução do tempo de inatividade por causa de uma deteção de falhas mais eficaz;
f) Maior capacidade de fornecer informações precisas aos ocupantes sobre o funcionamento e manutenção das instalações;
g) Menores custos operacionais;
h) Maior capacidade de manter o projeto dentro do prazo e orçamento iniciais, muito por responsabilidade da deteção de falhas em fases precoces do processo;
i) Maior produtividade do ocupante e um menor número de reclamações produzidas pelo mesmo.