CHAPITRE II : LES FACTEURS INTERNES
2.1 Le rôle des élites de gauche
2.1.1 La perte de la bataille culturelle
No atinente à manica flexoria, não foram observadas diferenças (p>0,05) em todas as comparações feitas entre os membros torácicos e pélvicos (Tabela 5).
Tabela 5. Médias e desvios padrão de áreas transversais (AT), em cm2, obtidas nas
mensurações da manica flexoria dos membros de novilhas mestiças da raça Nelore.
UNESP – Jaboticabal, 2010.
Manica flex MPD MPE MTD MTE
ZONA D – Axial 5,16 ± 0,72 5,10 ± 0,83 5,29 ± 0,70 5,22 ± 0,86
ZONA D – Abaxial 5,46 ± 0,75 5,45 ± 0,83 4,93 ± 0,73 4,94 ± 0,82
Não houve diferenças (p˃0,05) pelo teste Tukey nas comparações entre os membros torácicos e pélvicos. Manica flex: manica flexoria
MPD: membro pélvico direito MPE: membro pélvico esquerdo MTD: membro torácico direito MTE: membro torácico esquerdo
4. DISCUSSÃO
A avaliação radiográfica prévia de cada membro estudado foi realizada visando a identificação de possíveis lesões que acometessem as estruturas flexoras digitais e, consequentemente, interferissem nos achados ultrassonográficos. Contudo, não foram encontradas alterações indicativas de lesões ósseas ou articulares dos membros, capazes de causar alterações nos tecidos moles adjacentes.
Durante a avaliação ultrassonográfica não foram observadas injúrias tendíneas ou ligamentares. Tal avaliação foi difícil de ser feita, frente à existência de artefatos de técnica produzidos durante o exame, tendo em vista que a avaliação ultrassonográfica foi feita em peças anatômicas, onde a ausência de tensão nos tendões, que seria produzida pela sustentação de peso do animal, gerou o relaxamento dos tecidos moles, devido à transecção dos membros nas articulações do carpo e tarso. Isso produziu variações nos padrões de ecogenicidade e ecotextura, sendo evidenciadas como artefatos hipoecóicos, representados por alterações na graduação da escala de cor cinza observadas nas estruturas, conforme já relatado por WRIGLEY (2006).
Complementarmente, observou-se que a ausência de fluxo sanguíneo originou a presença de outros artefatos de técnica, onde a formação de áreas anecóicas circulares podia ser interpretada como acúmulo de líquido nos tecidos, ou a presença de vaso sanguíneo no local examinado. Tal ocorrência foi observada principalmente nas avaliações ultrassonográficas do músculo interósseo e do ligamento acessório do tendão flexor digital profundo, não sendo possível atribuir ao padrão de imagem observado, a existência de lesões músculo-tendíneas.
Portanto, neste estudo, as estruturas visibilizadas e avaliadas no exame ultrassonográfico da porção distal dos membros de bovinos incluíram os tendões flexores digitais superficial e profundo, o músculo interósseo, o ligamento acessório do tendão
flexor digital profundo e a manica flexoria, conforme terminologia adotada na Nomina
Anatomica Veterinaria (NAV, 2005). Os achados corroboram as descrições feitas por KOFLER & EDINGER (1995), KOFLER (1996), KOFLER (1999), TRYON & CLARK (1999), KOFLER (2000), DESROCHERS & ANDERSON (2001), KOFLER & HITTMAIR
(2006), ATENBRUNNER-MARTINEK et al. (2007) em pesquisas anatômicas e ultrassonográficas dos membros de bovinos.
A faixa laminar emitida pelo músculo interósseo que se une ao tendão flexor digital
superficial para formar a manica flexoria, apesar de citada por GETTY (1986), DYCE et al.
(1990b), e TRYON & CLARK (1999), não apresenta denominação individual, entretanto, DESROCHERS & ANDERSON (2001), em estudo anatômico, denominaram-na de ligamento acessório do tendão flexor digital profundo, denominação que está sendo usada neste trabalho.
Embora KOFLER & EDINGER (1995), em estudo ultrassonográfico dos membros de bovinos, tenham relatado facilidade na delimitação da bainha tendínea flexora digital, na porção proximal ao paradígito, em plano sagital com transdutor linear na frequência de 7,5 MHz, neste trabalho, não foram exequíveis as técnicas descritas por tais autores, não sendo possível a análise desta estrutura pela incapacidade de evidenciação ultrassonográfica, mesmo após tentativas de punção da bainha, como em técnica descrita por DYCE et al. (1990b), com a finalidade de distensão após injeção intrassinovial de água.
A avaliação ultrassonográfica dos membros de bovinos também é abordada por TRYON & CLARK (1999), que dividem a região distal, nas faces palmar ou plantar, em cinco áreas, o terço proximal, o terço médio, o terço distal dos metacarpianos ou metatarsianos, a área proximal aos paradígitos, e aquela entre os paradígitos e o casco. Com esta divisão, estes autores analisaram os tendões flexores digitais superficial e profundo, o músculo interósseo, os metacarpianos e metatarsianos III e IV e os sesamóides proximais. Os aspectos abordados referiram-se à ecogenicidade, forma e disposição das estruturas anatômicas, não sendo realizada, contudo, a mensuração de suas áreas transversais.
Esta avaliação, feita por TRYON & CLARK (1999), não permite uma visibilização completa de todas as estruturas, onde os tendões são avaliados apenas no segmento proximal, sem as ramificações para os dígitos III e IV, e no segmento distal, com estas ramificações definidas.
Em função disto, utilizou-se, nesta pesquisa, a divisão em sete zonas, tomando-se como critério a visibilização da imagem ultrassonográfica, sendo possível a observação das estruturas individualmente em todos os momentos onde ocorrem mudanças na apresentação das mesmas.
Em bovinos, a mensuração da área transversal ainda não foi descrita na literatura consultada, contudo, à semelhança do que já foi descrito em equinos (WRIGLEY, 2006), pode fornecer informação fundamental na determinação da taxa de gravidade de lesões tendíneas, assim como dos aumentos percentuais da estrutura tendínea examinada. Convém ressaltar que, em equinos, aumentos de áreas transversais da estrutura tendínea da ordem de 20% já indicam a ocorrência de lesão (SMITH et al., 1994; WRIGLEY, 2006).
5. CONCLUSÕES
Os achados obtidos nesta pesquisa indicam a exequibilidade da caracterização ultrassonográfica de estruturas músculo-tendíneas e ligamentares importantes que compõem a face flexora da porção distal dos membros, de forma ordenada, seriada e sequencial, conforme as sete zonas de avaliação pré-estabelecidas.
Com o uso desta técnica, é possível realizar a descrição estrutural das imagens visibilizadas mediante a determinação de forma, limites, posicionamento e ecogenicidade, além de mensurações das áreas transversais das estruturas anatômicas. Assim, as informações obtidas por este modo de investigação ultrassonográfica podem fornecer subsídios importantes à buiatria, especialmente no que concerne a diagnósticos e prognósticos de afecções locomotoras sediadas na face flexora das porções distais dos membros de novilhas mestiças da raça Nelore.
6. REFERÊNCIAS∗∗∗∗
ALTENBRUNNER-MARTINEK, B.; GRUBELNIK, M.; KOFLER, J. Ultrasonographic examination of important aspects of the bovine shoulder – physiological findings. Veterinary Journal, Kidlington, v. 173, n. 2, p. 317-324, 2007.
ANDERSON, D. E.; ST JEAN, G. Diagnosis and management of tendon disorders in cattle. Veterinary Clinics of North America: food animal practice, Philadelphia, v. 12, n. 1, p. 85-116, 1996.
BARNABÉ, P. A.; CATTELAN, J. W.; CANOLA, J. C. Radiologia dos dígitos de bovinos. Revista CFMV, Brasília, v. 12, n. 39, p. 44-51, 2006.
CRAYCHEE, T. J. Ultrasonographic evaluation of equine musculoskeletal injury. In: NYLAND, T. G.; MATTON, J. S. Veterinary diagnostic ultrasound. Philadelphia: W. B. Saunders, 1995. p. 265-304.
DESROCHERS, A.; ANDERSON, D. E. Anatomy of the distal limb. Veterinary Clinics of North America: food animal practice, Philadelphia, v. 17, n.1, p. 25-38, 2001.
DYCE, K. M.; SACK, W. O.; WENSING, C. J. G. Alguns aspectos e conceitos básicos. In: ______. Tratado de anatomia veterinária. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 1990a. p. 1-19.
∗De acordo com a: ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 6023:
DYCE, K. M.; SACK, W. O.; WENSING, C. J. G. O membro torácico dos ruminantes. In: ______. Tratado de anatomia veterinária. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 1990b. p. 483-495.
FRASER, A. F.; NAGARATNAM, V.; CALLICOTT, R. B. The comprehensive use of doppler ultra-sound in farm animal reproduction. Veterinary Record, London, v. 88, n. 8, p. 202-205, 1971.
GETTY, R. Fáscia e músculos dos apêndices. In:_____. Anatomia dos animais domésticos. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 1986. p. 777-805.
GODINHO, H. P.; CARDOSO, F. M.; CASTRO, A. C. S. Dissecação e estudo do membro torácico. In: _____. Anatomia dos ruminantes domésticos. Belo Horizonte: UFMG, 2001. p. 56-87.
INTERNATIONAL COMMITTEE ON VETERINARY GROSS ANATOMICAL. ICVGAN. Nomina anatomica veterinaria. 5. ed. Hannover: Editorial Committe, 2005. p. 42-51.
JACKSON, P. G. G.; COCKCROFT, P. D. Clinical examination of the musculoskeletal system. In:_____. Clinical examination of farm animals. Oxford: Blackwell Science, 2002. p. 169.
KOFLER, J. New possibilities for the diagnosis of septic tenosynovitis of the digital flexor tendon sheath in cattle using sonography – therapy and long term results. Deutsche Tierarztliche Wochenschrift, Hannover, v. 101, n. 6, p. 215-222, 1994.
KOFLER, J. The use of ultrasonic examination for the diagnosis of diseases of the locomotor system in cattle. Schweizer Archiv für Tierheilkunde, Bern, v. 137, n. 8, p. 369-380, 1995.
KOFLER, J. Ultrasonographic imaging of pathology of the digital flexor tendon sheath in cattle. Veterinary Record, London, v. 139, n. 13, p. 36-41, 1996.
KOFLER, J. Ultrasonographic examination of the stifle region in cattle – normal appearance. Veterinary Journal, Kidlington, v. 158, n. 1, p. 21-32, 1999.
KOFLER, J. Ultrasonographic examination of the carpal region in cattle – normal appearance. Veterinary Journal, Kidlington , v. 159, n. 1, p. 85-96, 2000.
KOFLER, J.; EDINGER, H. K. Diagnostic ultrasound imaging of soft tissues in the bovine distal limb. Veterinary Radiology & Ultrasound, Raleigh, v. 36, n. 3, p. 246-252, 1995.
KOFLER, J.; HITTMAIR, K. Diagnostic ultrasonography in animals – continuation of the clinical examination?. Veterinary Journal, Kidlington, v. 171, n. 3, p. 393-395, 2006.
KOFLER, J.; MARTINEK, B. New surgical approach to the plantar fetlock joint through the digital flexor tendon sheath wall in cases of concurrent septic synovitis. In: WORLD BUIATRICS CONGRESS, 23., 2004, Québec. Proceedings... p. 10-11.
KOFLER, J.; MARTINEK, B. New surgical approach to the plantar fetlock joint through the digital flexor tendon sheath wall and suspensory ligament apparatus in cases of concurrent septic synovitis in two cattle. Veterinary Journal, Kidlington, v. 169, n. 3, p. 370-375, 2005.
NUSS, K. Surgery of the bovine digits. In: WORLD BUIATRICS CONGRESS, 23., 2004, Québec. Proceedings... p. 13-14.
NUSS, K. Ultrasonography of musculoskeletal disorders in cattle: a practical tool for veterinary surgeons. Veterinary Journal, Kidlington, v. 173, n. 2, p. 239-240, 2007.
SMITH, R. K. W.; JONES, R.; WEBBON, P. M. The cross-sectional areas of normal equine digital flexor tendons determined ultrasonographically. Equine Veterinary Journal, London, v. 26, n. 6, p. 460-465, 1994.
ST CLAIR, L. E. Miologia geral. In: GETTY, R. Anatomia dos animais domésticos. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 1986. p. 38-46.
TRYON, K. A.; CLARK, C. R. Ultrasonographic examination of the distal limb of cattle. Veterinary Clinics of North America: food animal practice, Philadelphia, v. 15, n. 2; p. 275-300, 1999.
TURNER, A.S.; McILWRAITH, C. W. Anestesia e fluidoterapia no animal de grande porte – paciente cirúrgico. In:_____. Técnicas cirúrgicas em animais de grande porte. São Paulo: Roca, 2002. p. 15.
WRIGLEY, R. H. Ultra-sonografia de tendões, ligamentos e articulações. In: STASHAK, T. S. Claudicação em eqüinos segundo Adams. São Paulo: Roca, 2006. p. 278-310.