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4 1 L'origine économique des sciences de la nature 173

A maternidade é uma fase que não traz exclusivamente mudanças para a mulher, mas para toda a estrutura familiar e social a qual está imersa, principalmente para a vida do casal (SHAPIRO, 2000). Desde a descoberta da gravidez, até o nascimento do bebê, muitos conflitos entre o casal podem surgir, sendo em grande parte influenciados pela angústia que é gerada principalmente na mulher (BILSZTA et al, 2006).

Os relatos das mães entrevistadas amparam o que a literatura expõe a respeito das alterações geradas no casal, levando-os a assumirem níveis tanto de integração, e apoio mútuos, quanto de ameaças, ou fragilidades no relacionamento. Para o homem podendo gerar inclusive o sentimento de ciúmes pela atenção redobrada da mãe com o bebê (MALDONADO, 1989).

“Eu tava esperando, fazia seis meses, era o sonho da vida dele esposo , todo mundo ficou feliz, minhas colegas, todos me apoiam muito, eu queria muito, quando soube que tava grávida parecia que tava no paraíso. No início foi complicado ele esposo sentiu um pouco de ciúmes, eu falava só no meu ⌡e⌡ê, e ⌠ssim, hoje tudo é Brendo, m⌠is ⌠gor⌠ ele já se ⌠costumou”. (VL) A vida de casada de duas gestantes entrevistadas, cuja gravidez não era esperada, vem sofrendo grandes mudanças, apontadas por elas como positivas. No primeiro caso, dois jovens que viviam casados, mais com hábitos de solteiros. No segundo, uma mulher madura, com filhos já criados, e que acreditava estar na menopausa, e que nunca engravidaria, contudo a gestação vem trazendo mudanças positivas na relação do casal, cujo esposo, mudou completamente seu comportamento.

“Eu tom⌠v⌠ ⌠nticoncepcion⌠l desde que c⌠s⌠mos, ⌠í decidi p⌠r⌠r um pouco, ele me falou isso não vai dar certo!Foi totalmente surpresa, a gente tá casado há oito anos, a gente não programava nem queria, minha mãe falava: o mundo tá tão difícil pra ter filhos! Eu e meu marido era como dois namorados, saia sempre, tava sempre viajando, não tinha hora pra chegar, e filho muda toda a rotina, pelo menos nos primeiros meses vai tudo mudar...A reação do meu marido? Primeiro a dor de barriga risos coit⌠do dele”. (TT)

“Só elogios, ⌠legri⌠, eu que fiquei com vergonh⌠. Norm⌠l! Agor⌠ tá tudo normal. Primeiro foi um choque, fiquei triste, mais agora não, só curtindo. É um babado, uma besteira tão grande que eu me sinto até encabulada, todo mundo apoiando da melhor forma, eu não tenho nem o que falar, e todos torcendo que seja uma menina, se for menina já tem até nome, vai ser Sofia, todo mundo na torcida por uma menina. Eu me vejo assim, como se fosse uma recém-casada, que quisesse engravidar, muito feliz, meu marido mudou o comport⌠mento, eu rejuvenesci, eu nem lem⌡ro ⌠ id⌠de que tenho”. (JE)

A notícia da gravidez, e a reação esboçada pelos amigos e familiares das gestantes entrevistadas foram de alegria e entusiasmo. Contudo, a surpresa e insegurança, interpretadas por diversas vezes como um sentimento inicial, mais extremamente acentuado, esteve presente na maior parte dos relatos. Apenas uma gestante enfrentou um sentimento de maior aversão do pai pela notícia da gravidez, gerando com isso inúmeros conflitos familiares. Além disso uma segunda gestante revelou que sofreu muito com a notícia, porém esse sentimento não se estendeu aos amigos e familiares.

“Ficou todo mundo ⌠ssust⌠do, ele queri⌠ que eu tir⌠sse n⌠mor⌠do , mais eu não quis, eu liguei pras meninas, foi uma surpresa, todo mundo e agora? E agora? A reação dele foi totalmente ignorante n⌠mor⌠do . Mas eu era mulher suficiente pra cuidar do meu filho. Mais na verdade essa reação dele foi só de medo, de um momento mesmo. Depois ele aceitou, disse que eu era a mulher da vida dele. Depois ele foi na minha casa n⌠mor⌠do , e falou com meus pais, sem eu nem saber, foi como eles ficaram sabendo da gr⌠videz”. (P.A)

“Hoje tá melhor, m⌠is no começo foi muito difícil aceitar, eu nunca imaginei ser mãe, então no começo foi muito difícil aceitar, mais minha mãe, meu irmão, a família do pai do meu filho também deram apoio, aí eu fui aceitando, eu não queria nem ir ao médico, fui só com três meses, eu chorava todo dia choro ”. (CR)

De maneira geral as reações coletivas desenhadas foram de entusiasmo e contentamento. Mesmo quando a gravidez não era esperada, como é o caso das gestantes abaixo.

“A gravidez não era esperada, mais foi bom... Tá todo mundo aceitando bem, todo mundo gostou... ele esposo me apoia muito, me ajuda muito... mas tá mexendo um pouco com a cabeça dele, ele tá mechido mesmo, eu acho que a ficha dele tá começando a cair, ele passou um mês ausente quando voltou e viu minha barriga, a ficha caiu mesmo”. (C.A)

“Me ⌠jud⌠m muito, ⌠migos, f⌠míli⌠, perguntam o que pode me ajudar, tão contribuindo muito, pra ir pro posto me acompanham, estou sendo bem auxiliada, me apoiam, nunca chegou ninguém pra criticar, minha mãe me disse que queria que eu estudasse formasse, mais como foi interrompido um pouco, eu achei que ela ia criticar, mas não, foi a pessoa que mais me apoiou, meu padastro me ajudando, ele é novinho, e não tem filhos, e tá aquela coisa bem protetora mesmo, já colabora com uma coisa com outra, todo mundo ⌡em ⌠nim⌠do”. (MR)

“No começo eu tom⌠v⌠ comprimido, qu⌠ndo eu soube que falhei, aí fiquei com aquele receio, quando vi o exame eu chorava, chorava, liguei pra minha mãe, e ela que coisa boa! Depois ele disse ai que coisa boa noivo . Mas eu tive o apoio total da minha família da família dele noivo de todo mundo”. (WY)

Algumas entrevistadas aguardaram pela maternidade, e se programaram para engravidar.

“Ele ficou ⌠⌡ism⌠do, e eu fiquei m⌠is ⌠ind⌠ né, porque eu queri⌠ muito, mais tinha tudo pra não engravidar, eu não s⌠⌡i⌠ se glorific⌠v⌠, se ⌠joelh⌠v⌠”. (JL)

“...Ah to radiante, acho que eu teria uns 10 meninos se eu pudesse, mais as condições de vida não permitem. Ser mãe é a coisa mais gratificante do mundo, é um amor incondicional, é melhor perder uma mãe do que perder um filho, é um amor fora de série. Tá todo mundo radiante, minha sogra me trata como uma filha, e não tem neta, vai ser a primeira, aff, eu vou perder a menin⌠”. (AN)

“Ah é uma menina! é minha fofinha!”. (filho de AN)

“Aí risos família é só festa, todo mundo curte, só alegria, agora a ⌠nsied⌠de do fin⌠l né? M⌠is ⌠ ultr⌠ foi perfeit⌠!”. (AL)

“Foi muito ⌡om, fui muito mim⌠d⌠, minh⌠s coleg⌠s me lig⌠v⌠m todos os dias, minha família me apoiou, minha filha ficou louca pela bebezinha, então eu fui muito ⌡em ⌠colhid⌠, foi muito desej⌠d⌠ de tod⌠s ⌠s p⌠rtes”. (E.M) “Todo mundo muito feliz, muito ⌠mável, tá cont⌠gi⌠nte, todo mundo não vê ⌠ hor⌠, todo mundo ⌠nsioso nervoso, tá ⌠quel⌠ mistur⌠”. (K.F)

A categoria a seguir buscou evidenciar a relação de consumo existente entre a entrevistada e outros partícipes durante a gestação, incluindo amigos, parentes, colegas de trabalho, e desconhecidos.