Todas as gestantes entrevistadas, sem exceção, esboçaram sentimentos e expectativas de alegria, emoção, comoção e felicidade pela chegada do bebê. Contrariamente, três entrevistadas demonstraram que sua visão de ser mãe é a de “p⌠decer no p⌠r⌠íso...”. Duas delas já tiveram a experiência da maternidade, sendo uma com 42 anos, mãe de dois filhos, o mais velho com 22 anos, e a segunda com um filho na adolescência, ou seja, já vivenciando as maiores dificuldades e responsabilidades pela criação familiar. A terceira gestante, uma jovem que está na sua primeira gravidez, porém, por tratar-se de uma gestação envolta em conflitos familiares,
e sem preparo algum para tal, acredita-se que de alguma forma tenha influenciado em sua resposta.
“...em todos os momentos você p⌠dece mesmo, o p⌠r⌠íso é o seu filho, e ⌠ vida assim p⌠us⌠ , porque você tá sempre ocupada, você não se desliga dele, não importa se seu filho tenha 20 30 ou 40 anos, você nunca vai se desligar dele, então ser mãe é padecer no paraíso mesmo”. (C.A)
“P⌠decer no p⌠r⌠íso”. É difícil viu! É muito difícil. Tem que ter muita respons⌠⌡ilid⌠de, ⌠ educ⌠ção hoje não tá fácil, não é fácil não”. (JE) De maneira geral, a visão poética do “ser mãe”, pode ser observada na maioria dos relatos, como uma condição maternal pura e divina, cujo amor ao filho é tomado de maneira incondicional. Essa visão se reverberou neste estudo como uma expressão afetiva da relação mãe e filho cuja principal característica demonstrada foi a ternura, dedicação e carinho.
“Ser mãe é um⌠ dádiv⌠ divin⌠, é s⌠⌡er que ⌠lguém te ⌠m⌠ incondicion⌠lmente”. (AD)
“Tod⌠ mãe é um ⌠njo, ser mãe é como um ⌠njo é m⌠r⌠vilhoso”. (K.F) “Ser mãe, ⌠cho que é tudo, um sonho, um sonho d⌠ minh⌠ vid⌠ que tem hor⌠ que nem ⌠credito que tô grávid⌠, um desejo muito gr⌠nde”. (VL)
“Nem sei como explic⌠r, emoções nov⌠s, tudo novo. A melhor emoção vai ser qu⌠ndo ⌠ cri⌠nç⌠ tiver chor⌠ndo e só eu puder ⌠c⌠lent⌠r”. (MY)
“Ai m⌠r⌠vilhos⌠, é t⌠nto que já é o segundo ⌡e⌡ê, eu já tenho um⌠ que tem dois anos e é a melhor sensação que já tive até hoje. Ser mãe é tudo, eu fico impressionada quando vejo uma pessoa que não quer ser mãe, porque eu acho que quem não experimentou ainda, é tudo, é dedicação, amor incondicion⌠l, é tudo, ⌠ sens⌠ção de ser mãe é m⌠r⌠vilhos⌠”. (AL)
“Ser mãe é ⌠ cois⌠ m⌠is gr⌠tific⌠nte do mundo, é um ⌠mor incondicion⌠l, é melhor perder um⌠ mãe do que perder um filho, é um ⌠mor for⌠ de série”. (AN)
A idealização da identidade materna é construída durante a gravidez, por meio de uma imagem a qual a gestante tem de si como mãe, e do seu bebê como filho. Quando a mulher se torna mãe, tem como tarefa principal traçar uma imagem maternal. Essa transição de identidade pode ser visualizada como uma fase crítica na construção da personalidade da mulher, e na reestruturação de seus papéis (MALDONADO, 1989). Essa imagem está incluída no papel materno que a mulher passará a assumir. Tratando-se de uma difusa mudança em sua vida, onde a mesma assume uma nova função social, a de provedora de cuidados ao filho (RUBIN, 1984). Alguns mitos da
maternidade puderam ser evidenciados pelas gestantes entrevistadas neste estudo, como a condição de “boa” mãe, da busca constante pela perfeição, e da necessidade premente de atender às necessidades dos filhos, ou seja, na idealização criada do papel materno (BILSZTA et. al. 2006).
“Ser mãe é tratar bem, é cuidar, é dar amor, é abrir mão de muita coisa, é tá junto, tá perto, saber impor limite, mesmo que doer um pouquinho, é isso, é tá perto!”. (WY)
“Ser mãe é um⌠ respons⌠⌡ilid⌠de que você lev⌠ pro resto d⌠ vid⌠, e é um⌠ coisa que eu considero assim como um investimento, assim se você for uma mãe dedicada, que se dedica em tudo, em termos de estudo, de acompanhamento, de amizade, tudinho, você vai ter isso no futuro. Se você é uma mãe ausente, se você não der a atenção ao seu filho , não acompa nhar e não ser amiga dele você, vai ter tudo de ruim de volta, você pode ter filho com envolvimento com drogas, filha engravidando antes do tempo, você vai ter dele o que der ⌠ ele!”. (EW)
“É s⌠⌡er que ⌠gor⌠ tem re⌠lmente ⌠lguém dependendo de mim. Aind⌠ não vi, nem provei, mais já percebo que vai ser uma dependência muito grande de mim. Tô tent⌠ndo enc⌠r⌠r como um⌠ cois⌠ ⌡o⌠”. (TT)
“Ser mãe pr⌠ mim é um⌠ felicid⌠de, eu me sinto re⌠liz⌠d⌠, porque eu já passei muita decepção por conta de gravidez, eu perdi, tive prematuro, faleceu com um ano, tive que fazer tratamento psicológico, e glória a Deus tenho aí agora a minha benção né? Ser boa mãe é saber educar, dar amor, atenção, temo nossas hora de repreender nossos filhos, sim! mais nossos filhos precisam de muito carinho, principalmente nos dias de hoje, e eu me sinto um⌠ ⌡o⌠ mãe”. (JL)
“Eu não sei explic⌠r. Eu vou s⌠⌡er ⌠gor⌠, porque todo mundo f⌠l⌠ que ⌠ mulher só se realiza quando é mãe, eu vou saber isso agora, mais ele vai ser dependente de mim o resto d⌠ vid⌠, o filho num sempre corre pr⌠ mãe?”. (CR)
“É muito ⌡om, é muito gr⌠tific⌠nte, eu fico p⌠quer⌠ndo os filhos dos vizinhos, meu filho já com quinze anos, e eu já não tinha mais nada pra fazer, aí assim, eu vou ficar como? Eu tenho que ter um filho! É muito bom, é muito gratificante. Eu gosto muito de ser mãe, eu sou mãe de educar, dar as melhores escolas se eu puder, meus filhos são primeiro lugar em tudo acima de qu⌠lquer tipo de rel⌠cion⌠mento”. (JN)
A categoria a seguir buscou analisar o contexto vivido pela mulher gestante após a descoberta da gravidez, bem como as reações dos esposos, parentes e amigos, e a consequência dessa interação na estrutura familiar e social das entrevistadas.