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Observations techniques concernant la réfutation du Brésil

ÉTATS-UNIS CONCERNANT LE MODÈLE ÉCONOMÉTRIQUE DU BRÉSIL

VII. Observations techniques concernant la réfutation du Brésil

Passo a tratar das histórias e trajetórias dos educadores sociais à luz dos preceitos defendidos por Josso (2004), e relacionados aos três tipos de formação: ampliada, restrita e específica.

122O conceito de formação continuada, ou formação em serviço, é bastante discutido na área da educação formal,

sobretudo na formação de professores. Destaco, por oportuno, as obras de Nóvoa (1992) e Tardif (2002). Relativamente a esta pesquisa, porém, há um impasse, porque a maioria dos educadores sociais possui ensino médio, não tendo uma formação inicial específica para atuar no serviço. Castellani Filho (2007, ao propor um programa de formação continuada para agentes sociais (ensino médio) do Programa Esporte e Lazer da Cidade (PELC) em um contexto extra-escolar, aproxima-se da perspectiva utilizada na pesquisa em curso. Isso porque, segundo o autor, reconhecer o esporte e o lazer como direito social abre uma possibilidade de articulação de uma formação em serviço que mobiliza conhecimentos que refletem o sentido e o significado do fazer esportivo por esses trabalhadores, pois dá elementos para superar um saber fazer voltado para a performance esportiva. Ao tomar essa referência de intervenção, os agentes são requalificados, dado que redimensiona seus conhecimentos, colocando-os em consonância com a realidade na qual o público alvo da política está inserido.

Cada narrativa apresentada pelos interlocutores deste estudo se compõe de conexões entrelaçadas, tornando a análise complexa, pois parte do cuidado de compreender os elementos que compõem a formação dos educadores sociais do centro pop.

As analises pautadas em Josso (2004) estão assentadas em uma teoria que rompe com a neutralidade do saber, pois, de alguma maneira, nos conduzem à valorização de uma história escrita a partir da própria experiência, como uma metodologia de pesquisa de formação, isto é, por meio da qual a pessoa exerce simultaneamente o papel de objeto e de sujeito da formação. Há, portanto, um deslocamento de perspectiva, dando maior ênfase ao ponto de vista daquele que aprende e ao seu processo de aprendizagem.

O que Josso (2004) chama de sujeito-aprendente parte do ponto de vista do sujeito que aprende ao narrar a si mesmo em sua trajetória de vida, tornando-se assim autor de sua própria formação. Para a autora, o indivíduo, ao ser compreendido enquanto aquele que aprende em uma perspectiva sociológica de formação, passa a fazer parte da sociedade, cabendo-lhe cultivar os elos coletivos constituídos no processo de aprendizagem com os outros. No contexto aqui analisado, a partir do momento em que os educadores sociais são contratados, passam a fazer parte do universo dos centros pop. Portanto, são defrontados com dificuldades como saber fazer parte da equipe, aprender as diversas linguagens e identificar-se com elas.

Ao tratar das memórias presentes nas narrativas de formação, Josso (2004) explica que, quando se fala em recordações-referências, remete-se ao simbólico, que significa, ao mesmo tempo, uma dimensão concreta-visível, baseada em nossas percepções ou imagens sociais e, a uma dimensão invisível, baseada em emoções, sentimentos, sentidos ou valores.

A recordação-referência pode ser qualificada de experiência formadora, uma vez que o que foi aprendido (saber-fazer e conhecimentos) serve de referência em diversas situações do gênero de acontecimento existencial singular e passa a ser decisivo na simbólica orientadora de uma vida. Essas experiências podem ser utilizadas para ilustrar, em uma história, a descrição de uma transformação. Essa história, narrada, nos apresenta “[...] ao outro em formas socioculturais, em representações, conhecimentos e valorizações, que são diferentes formas de falar de mim, das minhas identidades e da minha subjetividade" (JOSSO, 2004, p. 41). Portanto, o processo de construção narrativa sobre a formação de cada indivíduo conduz a reflexões em diferentes dimensões, como a antropológica (independente do contexto cultural e socio- histórico), a ontológica (relacionada a quem sou eu) e a axiológica (relacionada aos valores que orientam a nossa existência).

Josso (2004) trata da narrativa de si, direcionando o olhar do investigador para a formação narrada pelos interlocutores que, ao contarem suas histórias e trajetórias, usaram o

recurso da recordação-referência durante a vida, que lhes permitiu, na condição de sujeitos- aprendentes, a realizar associações livres para evocá-las e organizá-las de forma coerente, ou seja, em uma narrativa que gire em torno da formação.

Os interlocutores que entrevistei e/ou responderam aos questionários, ao rememorarem suas trajetórias de vida, abordaram aspectos importantes para os fins da investigação, como empregos anteriores, vínculos estabelecidos, vivências e experiências vividas nas instituições em que passaram ao longo de sua formação, dentre outros. Portanto, ao narrarem suas próprias trajetórias de vida e de formação, também puderam, assim o creio, construir uma imagem que lhes possibilitasse refletir sobre a própria formação.

Dentre as narrativas, destaco a formação na educação básica, em sua maioria realizada em escolas públicas; cursos técnico-profissionalizantes e cursos superiores que tinham relação com a área social, e outros, que não tinham relação direta. Foi-me possível identificar também a participação em projetos sociais com a intervenção do esporte, de ações religiosas e de trabalhos na área social em outros serviços.

A realização desses trabalhos, anteriores à entrada nos centros pop, contribuíram, segundo mencionaram os educadores sociais, para a aquisição de experiência para a atuação no serviço socioassistencial, podendo ter influído também nas contratações.