As questões sobre o envelhecimento e suas implicações a nível físico e mental são preocupações que têm acompanhado o ser humano desde sempre, no entanto, são mais evidentes nos últimos dois séculos, fruto do desenvolvimento científico e social. Outrora, o mais comum era morrer antes de envelhecer, o envelhecimento não merecia, então, a atenção de todos. Atualmente, o interesse pela problemática referente às pessoas idosas cresce em todas as sociedades e as implicações do envelhecimento da população trazem novos desafios, sendo que o primeiro deles passa por definir uma idade biológica para determinar o início da velhice. Convencionou-se para os países desenvolvidos que esta seria aos 65 anos e aos 60 anos para os países em desenvolvimento (Cunha, 2006). Assim sendo, na opinião de Spirduso (2005), idoso refere-se à pessoa mais velha, isto é, com idade superior ou igual a 65 anos. Este autor classifica o idoso por grupos etários em: idoso jovem, cuja idade é compreendida entre os 65 e os 74 anos; idoso, com idade compreendida entre os 75-84 anos; idoso-idoso, com idade compreendida entre 85-99 anos; e muito idoso, todo aquele com mais de 100 anos. Farinatti (2008), citando a OMS (1995), considera: idoso, aquele cuja idade é compreendida entre os 60-74 anos; velho, com idade compreendida entre 75-90 anos; e grandes-velhos, com mais de 90 anos.
Em Portugal, 20% da população portuguesa tem mais de 65 anos (Pordata, 2017). Não existe qualquer norma específica, considerando-se pessoas idosas indivíduos com 65 ou mais anos.
No entanto, os 65 anos de idade já não podem ser, por si só, ser indicador de velhice, devendo ter-se em conta que o envelhecimento deve ser entendido como um processo individual e
diferenciado, variável de pessoa para pessoa e resultante de fatores a que cada um esteve sujeito ao longo da sua vida (Zimerman, 2005).
O envelhecimento representa, nos últimos anos, um dos maiores desafios para a sociedade moderna, facto que se deve ao aumento da percentagem de pessoas com idade avançada um pouco por todo o mundo, sobretudo nos países industrializados (Zimerman, 2005), e onde Portugal não é exceção, pois conforme o censos 2011 (INE, 2012), o aumento da população idosa e a redução da população jovem, que se tem verificado nos últimos anos, agravada na última década, confirmam este fenómeno. A população residente em Portugal cresceu cerca de 2%, situando-se em 10 561 614, distribuída por 15% da população no grupo etário mais jovem (0-14 anos) e cerca de 19% no grupo dos mais idosos, com 65 ou mais anos de idade. O índice de envelhecimento da população é de 141, o que significa que por cada 100 jovens existem atualmente 141 idosos (INE, 2014).
Segundo dados relativos a projeções de População Residente 2012-2060, em Portugal, divulgados pelo INE (2014), entre 2012 e 2060, esperam-se alterações da estrutura etária da população, resultando num continuado e forte envelhecimento demográfico. O índice de envelhecimento aumentará de 131 para 307 idosos por cada 100 jovens.
O envelhecimento da população está relacionado com vários fatores provenientes de diferentes causas, tais como a diminuição da natalidade, o aumento da esperança média de vida (envelhecimento demográfico), a diminuição da mortalidade e o aumento dos fluxos migratórios. O aumento da esperança média de vida deve-se à melhoria das condições sociais e tecnológicas, ao avanço da ciência e tecnologia na medicina, ao investimento na prevenção da doença, nomeadamente vacinas e à EpS, que permitem reduzir a taxa bruta de mortalidade, e ao combate à doença com a descoberta de novos medicamentos e novas formas de tratar em saúde (Zimerman, 2005).
Na opinião de Osório (2007) e Cardão (2009), o envelhecimento não é apenas um processo demográfico, é também um processo que assume vários aspetos biológicos, psicológicos e sociais. O envelhecimento é um processo normal, pessoal e progressivo, que determina uma fase da vida onde se verificam fenómenos de mudanças físicas, biológicas e psicológicas que resultam da passagem do tempo, e onde se vai percebendo que as capacidades da pessoa vão diminuindo, reduzindo os seus hábitos de vida, as rotinas diárias, as capacidades físicas e as atividades da vida diária (AVDs). O envelhecimento não se reduz a perdas, mas sim, a uma
conjugação permanente entre as modificações biológicas, psicológicas e sociais (Cardão, 2009).
Frequentemente, observam-se mitos, crenças e ideias pré-concebidas relacionadas com o envelhecimento. A mais frequente, e talvez com maior impacto, é a ideia de que o envelhecimento é sempre acompanhado por deterioração mental e física, doença e incapacidade, podendo conduzir a dependência física, perda de autonomia, doenças e respetivas sequelas, declínio funcional, perda de autonomia, isolamento social e estados depressivos. Mas nem sempre o envelhecimento é sinónimo do referido, podemos encontrar pessoas idosas totalmente independentes e autónomas, com grande capacidade de desempenhar as suas AVDs e de estabelecer relações sociais que lhe garantem uma boa qualidade de vida (QV) (Paschoal, 2004). A QV é condicionada pela capacidade em manter a autonomia e independência (Oliveira, Oliveira, Arantes & Alencar, 2010). Se é certo que a velhice não é sinónimo de doença, é certo também que o envelhecimento pode dar origem a uma diminuição da capacidade de adaptação e resposta às variadas solicitações criadas ao idoso. Pela sua vulnerabilidade, os idosos estão sujeitos a adoecer com mais facilidade, as doenças crónicas existentes limitam e conduzem à perda da capacidade funcional e perda de autonomia, podendo levar a uma maior dependência (Rebelatto & Morelli, 2004; Squire, 2005), pelo que a tendência habitual é a de aliar o envelhecimento a questões como dependência, independência e autonomia (Rebelatto & Morelli, 2004). A dependência resulta do aparecimento de uma limitação, que impede a atividade em termos da funcionalidade, e que surge de um processo patológico ou acidente (Sequeira, 2010), é considerada a condição em que se encontra determinada pessoa atendendo à falta ou perda de autonomia física, psíquica ou intelectual, que resultou ou exacerbou-se por doença crónica, demência orgânica, sequelas pós-trauma, deficiência, doença grave e/ou incurável em fase avançada, ausência ou escassez de apoio familiar ou de outra natureza, não conseguindo sozinha executar as AVDs (artigo 3º do capítulo I do decreto-lei nº 101/2006, de 6 de junho).
Muitos dos receios que as pessoas têm do envelhecimento surgem da forma como a sociedade entende a velhice. É fundamental auxiliar a população idosa a adaptar-se ao envelhecimento como um processo normal e às alterações e dificuldades que dele possam emergir (Imaginário, 2008). O envelhecimento deve ser encarado como uma etapa positiva da vida onde as pessoas idosas devem caminhar no sentido de obter e/ou prolongar a vida com autonomia e independência e, sempre que possível, sem doenças associadas (Sequeira, 2010).
Lemos e Medeiros (2006), consideram que a independência se caracteriza pela competência em sobreviver sem ajuda. Os autores são ainda da opinião que a autonomia resulta da capacidade de autossuficiência, associada à liberdade individual, privacidade e livre escolha, realizando de forma independente as suas atividades básicas de vida diária (ABVD) como: alimentar-se, uso da casa de banho, arranjar-se, vestir-se, tomar banho, deambular, transferir- se, subir e descer escadas, controlo intestinal e vesical (DGS, 2011).
Nas situações em que os idosos não sejam capazes de realizar as suas ABVD de modo autónomo, pode ocorrer a necessidade de apoios de âmbito institucional. Este apoio, proporciona uma maior segurança e descanso no cuidar do idoso com algum défice de autonomia, capacidade funcional ou outro, com grande impacto no seio familiar, aliviando as famílias da preocupação do cuidar.
Os efeitos das mudanças resultantes do envelhecimento, associadas muitas vezes, a condições habitacionais inapropriadas, são alguns dos fatores que contribuem frequentemente para a ocorrência de acidentes domésticos, nomeadamente as quedas, o que de algum modo, pode contribuir para a dependência física do idoso com necessidade de cuidados em instituições, designadamente em centos de dia ou outras (Buskman et al., 2008). As quedas e as suas consequências podem ter um enorme impacto na independência funcional e na QV do idoso (Peel, Bartlett & McClure, 2007).