Como instrumento de recolha de dados recorremos a um questionário aplicado às AAD e um formulário aplicado aos idosos. As informações obtidas foram armazenadas em base de dados própria criada para o efeito e tratadas com o Statistical Package for the Social Science (SPSS- 20).
Ajudantes de Ação Direta:
O questionário (Apêndice A) estruturado para aplicação direta, foi dividido em duas partes: a parte I, inclui aspetos de ordem demográfica e socioprofissional, integrando as variáveis
AAD Centro Social e Paroquial de Constatim 8 Centro Social e Paroquial de Mateus 25 idosos Centro Social e Paroquial de Constatim Total-11 8 Centro Social e Paroquial de Mateus Total-19 17
atributo; e a parte II, inclui questões referentes a conhecimentos sobre prevenção de quedas em idosos, com três possibilidades de resposta (Verdadeiro, Falso e Não sabe).
Para quantificar as variáveis em estudo surge a necessidade de as operacionalizar, de maneira a poderem ser avaliadas (Fortin et al., 2009). As variáveis de investigação encontram-se operacionalizadas da forma que passamos a descrever: os conhecimentos das AAD foram avaliados por 15 questões, destas, 10 questões perguntam sobre os fatores associados às quedas em idosos, três questões relativas ao impacto e complicações das quedas e, por fim, duas questões com as quais se pretende obter informação relativa às precauções de segurança. A resposta às questões tem a possibilidade de três opções (Verdadeiro, Falso e Não Sabe), que foram recodificadas em duas categorias: “resposta correta” e “resposta incorreta”, conforme descrito anteriormente no ponto 4.3. definição de objetivos e metas, sendo que a resposta “não sabe” será incluída na categoria “resposta incorreta”.
As variáveis atributo de caracterização sociodemográfica foram operacionalizadas do seguinte modo: idade, definida como intervalo de tempo que decorre entre a data do nascimento e as zero horas da data de referência, sendo expressa em anos completos (INE, 2013); o sexo, categorizada em masculino e feminino; estado civil, situação jurídica da pessoa, composta pelo conjunto de qualidades definidoras do seu estado pessoal, face às relações familiares que constam do registo civil (INE, 2013) categorizada em casado, solteiro, união de facto, viúvo e divorciado; escolaridade, número de anos completos de escolaridade, excluindo reprovações (INE, 2013), categorizado em: sem escolaridade; sabe ler e escrever; 1º ciclo de ensino básico (4ª classe); 2º ciclo do ensino básico (6º ano); 3º ciclo do ensino básico (9º ano); Ensino secundário (12º ano); Ensino superior; Outro, qual?
As variáveis socioprofissionais: tipo de contrato, no qual uma pessoa singular se obriga, mediante retribuição, a prestar a sua atividade a outra ou outras pessoas, no âmbito de organização e sob a autoridade destas (Código do Trabalho, 2016), categorizada em nomeação definitiva; contrato administrativo de provimento; contrato individual de trabalho; prestação de serviços; o tipo de horário, regime de trabalho estabelecido entre trabalhador e empregador, categorizado em horário por turnos e horário fixo.
Idosos:
Aos idosos foi aplicado um formulário (Apêndice B), no sentido de o entrevistador colocar as questões tal como são redigidas de forma a evitar que os entrevistados introduzam enviesamentos (Fortin et al., 2009), obedecendo à mesma organização do questionário.
Este formulário é constituído por cinco partes: a parte I, incluindo aspetos de caracterização sociodemográfica e socioprofissional; a parte II, que integra a versão abreviada do índice de Barthel, com a qual se pretendeu obter informação relativa do nível de independência funcional do idoso para a realização das dez ABVD (DGS, 2011); a parte III, composta por uma escala utilizada a nível internacional e recomendada em Portugal pela DGS (2011), que é a escala de Morse e que avalia o risco de queda; a parte IV, que inclui questões sobre conhecimentos de prevenção de quedas; finalmente, a parte V integra o Mini Nutritional Assessment (MNA) (Nestlé Nutrition Institute, s.d.), composto por questões que avaliam o risco de desnutrição do idoso.
As variáveis atributo de caracterização sociodemográfica e socioprofissional foram operacionalizadas e categorizadas de modo similar às AAD, mas em relação à atividade profissional anterior, considerou-se que a atividade profissional foi a fonte de rendimento principal e que permitiu fazer face às suas despesas e pagamentos. A variável fonte de rendimento principal foi categorizada do seguinte modo: rendimento mínimo garantido, pensão por velhice, pensão por invalidez, pensão de sobrevivência, sem pensão, complemento por dependência e outro, qual?. No que diz respeito à variável, vive sozinho, foi categorizada em sim e não; quanto ao tempo de frequência no centro de dia, categorizou-se em anos.
O índice de Barthel permite a avaliação da independência funcional do idoso e determina o grau de dependência de forma global e parcelar, em cada ABVD. Quanto menor for a pontuação, maior é o grau de dependência, variando a pontuação de zero a 100. As variáveis do índice de Barthel categorizadas foram: alimentação; vestir; banho; higiene corporal; uso da casa de banho; controlo intestinal; controlo vesical; subir e descer escadas; transferência cadeira/cama; mobilidade. Cada atividade pode ser avaliada por uma escala ordinal que pontua entre dois a quatro níveis de dependência, em que a pontuação “0” corresponde à dependência total, e a independência pode ser pontuada com valores diferentes de “5”, “10” ou “15” (DGS, 2011).
Sequeira (2007) baseia-se na versão abreviada do índice de Barthel (Mahoney & Barthel, 1965), tendo realizado um estudo de adaptação para a população portuguesa, e concluiu que este instrumento de avaliação do ponto de vista de fiabilidade apresenta um alpha de Cronbach de α = 0,92, considerado elevado e estabelece como pontos de corte: >90 a 100 pontos, independente; 60 a 90 pontos, ligeiramente dependente; 40 a 55 pontos, moderadamente dependente; ≥20 a 35 pontos: severamente dependente; <20 pontos: totalmente dependente.
A escala de Morse foi testada por vários autores de forma independente e destina-se ao adulto em geral (Morse, 2006), foi adaptada e validada para a população portuguesa em ambiente hospitalar, por Costa-Dias, Ferreira & Oliveira (2014). Com a disponibilização da versão portuguesa podemos avaliar o risco de queda de uma forma mais segura e ajustada à realidade portuguesa contribuindo para um adequado plano de intervenção a nível da prevenção das quedas. A escala é composta por seis variáveis distintas, facilmente identificáveis e rápidas de pontuar que refletem os fatores de risco de queda (Morse, Morse, & Tylko, 1989; Morse, 2009). Os itens na escala serão pontuados da seguinte maneira:
- Historial de quedas: pontuado com 25 pontos se o idoso tiver caído atualmente ou se história de queda anterior, ou só andar com ajuda. Se o idoso não tiver caído, o item é pontuado com 0 pontos; se tiver caído pela primeira vez, a sua pontuação aumenta para 25 pontos;
- Diagnóstico(s) secundário(s): pontuado com 15 pontos se existirem registos de mais do que um diagnóstico médico feito ao idoso, caso contrário, pontuar com 0;
- Apoio para a deambulação: pontuado com 0 se o idoso andar sem qualquer ajuda, andar de cadeira de rodas, ou se permanecer deitado e nunca sair da cama. Se usar muletas, canadianas ou uma bengala, pontua-se com 15 pontos; se o idoso se deslocar apoiando-se a uma peça de mobiliário, pontua-se com 30 pontos;
- Terapia intravenosa: pontuado com 20 pontos, se tiver um dispositivo intravenoso ou tiver inserido “lock” de heparina, caso contrário, é pontuado com 0 pontos;
- Postura no andar: um andar normal caracteriza-se por o idoso andar com a cabeça levantada, baloiçar os braços livremente dos lados do corpo e dar passos largos sem hesitação. Este tipo de andar é pontuado com 0 pontos. Com um andar debilitado, e com 10 pontos: o idoso anda curvado, mas é capaz de levantar a cabeça enquanto anda, sem perder o equilíbrio. Os passos são curtos e o idoso pode arrastar os pés. Com um andar dependente de ajuda,
pontua-se com 20 pontos: dificuldade em se levantar da cadeira, tenta pôr-se de pé apoiando-se nos braços da cadeira ou balanceando-se (isto é, fazendo várias tentativas para se levantar). O idoso põe a cabeça para baixo e olha para o chão. Como não tem muito equilíbrio, agarra-se ao mobiliário, a uma pessoa ou a ajudas técnicas para andar. Não consegue andar sem ajuda.
- Estado mental: ao usar esta escala, o estado mental é avaliado com base na autoavaliação que o próprio idoso faz da sua capacidade de se deslocar. Se a resposta em relação ao juízo que faz da sua capacidade, for consistente, considera-se “normal” e pontua-se com 0 pontos. Se a resposta não for realista, então considera-se que o doente sobrevaloriza as suas capacidades e se esquece das suas limitações. Neste caso, é pontuado com 15 pontos (Morse et al., 1989).
De acordo com a pontuação obtida, o idoso é classificado num nível de risco em que quanto maior a pontuação maior será o risco de queda, consoante os pontos de corte (Tabela 11).
Tabela 11.
Pontos de corte da escala de Morse
Nível de risco Pontuação da escala e Morse
Sem Risco 0 – 24
Baixo Risco 25 – 50
Alto Risco ≥ 51
Fonte: Adaptado de Morse et al., 1989.
A parte IV, integra as 15 questões sobre conhecimentos de prevenção de quedas, operacionalizadas no capítulo objetivos e metas e foram categorizadas da seguinte forma: 10 questões sobre os fatores associados às quedas em idosos, três questões sobre o impacto e complicações das quedas e, finalmente, duas questões com as quais se pretende obter informação relativa às precauções de segurança. Tal como nas AAD, as 15 questões sobre os conhecimentos apresentam como possibilidade de resposta, três opções (Verdadeiro, Falso e Não Sabe) que, num momento posterior, foram recodificadas em duas categorias: “resposta correta” e “resposta incorreta”, sendo que a resposta “não sabe” foi incluída na categoria “resposta incorreta”.
A desnutrição pode levar ao aumento exponencial do risco de doenças infeciosas, conduzindo à redução da capacidade funcional, à anemia, às úlceras por pressão, bem como a quedas e fraturas e ainda, dando origem ao aumento da morbilidade e da mortalidade (Loureiro, 2008).
Com o intuito de se obter informação relativa ao risco de desnutrição do idoso, aplicámos o Mini Nutritional Assessment (MNA) (Nestlé Nutrition Institute, s.d.), composto por questões que integram a parte V do formulário.
Este formulário é constituído por 18 questões (de A a R), sendo as primeiras seis (de A a E) correspondentes à triagem. Após o seu somatório, é possível avaliar a pontuação do indicador de desnutrição, se a pontuação total, for ≤ 11, apresenta risco de desnutrição, logo deve continuar-se com a avaliação das restantes 12 questões. Se for superior, não apresenta risco de desnutrição.
A operacionalização e categorização das questões foi feita do seguinte modo:
Questão A) ingestão de alimentos diminuiu nos últimos três meses devido à falta de apetite, problemas digestivos, dificuldade de mastigação ou deglutição (0 = redução severa na ingestão de alimentos; 1 = redução moderada na ingestão de alimentos; 2 = não houve redução na ingestão de alimentos);
Questão B) perda de peso involuntária nos últimos três meses (0 = perda de peso superior a 3 kg; 1 = não sabe; 2 = perda de peso entre 1 e 3 kg; 3 = nenhuma perda de peso);
Questão C) mobilidade (0 = preso à cama ou à cadeira; 1 = pode sair da cama/cadeira, mas não sai; 2 = sai);
Questão D) sofreu stresse psicológico ou doença aguda nos últimos três meses (0 = sim; 1 = não);
Questão E) problemas neuropsicológicos (0 = demência severa ou depressão; 1 = demência leve; 2 = sem problemas psicológicos).
As questões operacionalizadas anteriormente integram a avaliação do MNA, no que se refere à “triagem” e que se categorizam da seguinte forma: 12 a 14 pontos - os idosos encontram-se no estado nutricional normal; de 8 a 11 pontos - sob risco de desnutrição; 0 a 7 pontos - desnutrido.
Se obtivermos na fase de “triagem” uma pontuação inferior a 11 pontos, continuamos com as com as perguntas de G a R para obter a pontuação do indicador de desnutrição:
Questão G) vive independentemente (0 - não; 1 sim);
Questão I) escaras ou úlceras cutâneas (0 = sim; 1 = não);
Questão J) quantas refeições completas o doente faz diariamente (0 = 1 refeição; 1 = 2 refeição; 2 = 3 refeição);
Questão K) consumo para ingestão de proteínas (pelo menos uma porção de produtos lácteos por dia (0.0 = se zero ou uma resposta sim; 0.5 = se duas respostas sim; 1.0 = se três respostas sim);
Questão L) consome duas ou mais porções de frutas ou verduras por dia (0 = não; 1 = sim);
Questão M) qual a quantidade de líquido consumida por dia (0.0 = menos de 3 xícaras; 0.5 = 3 a 5 xícaras; 1.0 = mais de 5 xícaras);
Questão N) modo de alimentação (0 = não consegue se alimentar sem ajuda; 1 = alimenta-se sozinho com alguma dificuldade; 2 = alimenta-se sozinho sem problemas);
Questão 0) condição nutricional (0 = vê-se desnutrido; 1 = não tem certeza de sua condição nutricional; 2 = vê-se sem problemas nutricionais);
Questão P) em comparação com outras pessoas da mesma idade, como avalia sua condição de saúde (0.0 = pior; 0.5 = não sabe; 1.0 = igual 2.0 = melhor);
Questão Q) perímetro braquial em cm (0.0 = menor do que 21; 0.5 = 21 a 22; 1.0 = 22 ou maior);
Questão R) perímetro da perna em cm (0 = menor do que 31; 1 = 31 ou maior).
A avaliação global, composta pelas questões de G a R, tem no máximo 16 pontos que, quando somados com a pontuação da “triagem”, com o máximo de 14 pontos, determina a avaliação da pontuação total referente ao “indicador de desnutrição”, que tem no máximo 30 pontos. De acordo com a classificação, assim se posiciona o idoso em termos de estado nutricional.
Tabela 12.
Pontos de corte do MNA
Avaliação do estado nutricional
De 24 a 30 pontos Estado nutricional normal
De 17 a 23,5 pontos Sob risco de desnutrição
Para a apreciação da capacidade dos idosos em avaliar e responder aos formulários, foi aplicado o Abbreviated Mental Test Score (Apêndice C), com 10 questões, em que a cada resposta certa é atribuído 1 ponto e a cada resposta errada 0 pontos. Apenas quando a pontuação total foi ≥ 6 se prosseguiu com o inquérito. Os casos em que a pontuação total é <6 são sugestivos de demência, logo não reuniam as condições cognitivas para continuar. Todos os participantes reuniram condições para responder ao formulário.