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Dans le document Quelques pensées sur l'éducation. (Page 126-129)

Para manter o corpo em equilíbrio e com estabilidade é necessário um conjunto de informações sensoriais, cognitivas e músculo-esqueléticas, mas crê-se que com o envelhecimento, várias são as alterações físicas e psicológicas que ocorrem, nomeadamente desequilíbrios, fraqueza muscular e inatividade, problemas visuais, alterações nos pés, doenças crónicas, uso inadequado de medicamentos, entre outras. Os efeitos decorrentes do

envelhecimento, associados ao meio ambiente inadequado, podem predispor para a queda nos idosos (Pereira, Buksman, Perracini, Barreto & Leite, 2001).

Os fatores associados às quedas são múltiplos, com diferentes origens. A maior parte dos autores identifica-os como fatores de risco intrínsecos e fatores extrínsecos. Alguns autores (Buskman et al., 2008; Skelton & Todd, 2004; WHO, 2007), para além dos fatores de risco intrínsecos e extrínsecos, identificam ainda fatores comportamentais ou de exposição ao risco.

Fatores de risco intrínsecos

Os fatores de risco intrínsecos dizem respeito aos aspetos relacionados com a pessoa, designadamente, alterações fisiológicas decorrentes do envelhecimento, patologias

específicas e medicamentos. Nas tabelas 1 e 2 pode verificar-se os fatores fisiológicos e as

patologias que favorecem a ocorrência de quedas.

Tabela 1.

Fatores fisiológicos do envelhecimento Afetam a “perceção” do mundo que os rodeia

Diminuição da acuidade visual e auditiva.

Alterações na condução nervosa vestibular: alterações do equilíbrio. Angioesclerose do ouvido interno.

Diminuição da sensibilidade propriocetiva.

Afetam as “respostas” face às alterações externas

Redução geral dos reflexos.

Atrofia e degenerações musculares e de partes moles. Degeneração das articulações.

Fonte: Adaptado de Fundación MAPFRE, 2010.

Algumas patologias podem conduzir a um menor controlo postural e predispor para quedas.

Tabela 2.

Patologias do envelhecimento

Patologia Cardiovascular

Síncope. Disritmias Lesões valvulares Doença vascular periférica Hipotensão ortostática

Cardiopatia isquémica Insuficiência cardíaca

Patologia Neurólógica/Psiquiátrica

Síndromes de disfunção do equilíbrio Extrapiramidalismos, Doença de Parkinson Acidente vascular cerebral (AVC/AIT) Crises epiléticas

Hidrocefalia normotensiva Massa intracraniana Depressão e ansiedade Deterioração cognitiva

Patologia do Aparelho Locomotor

Patologia inflamatória Artroses Osteoporose Patologia do pé

Patologia Sensorial Múltipla

Engloba toda a patologia ocular, do sistema propriocetivo e do equilíbrio

Patologia Sistémica

Infeções, transtornos endócrino-metabólicos e hematológicos Fonte: Adaptado de Fundación MAPFRE, 2010.

Simultaneamente com as alterações fisiológicas e com as patologias do envelhecimento, enquadra-se o sedentarismo e a deficiência nutricional com consequente diminuição da força muscular. Para diversos autores (Azevedo et al., 2014; Boström, Soest, Kolewaski, Milke & Estabrooks, 2011), o estado nutricional dos idosos pode ser afetado por vários condicionantes, entre os quais, a situação social, as alterações psicológicas, as condições de saúde, as alterações na mastigação/falta de dentes, e as alterações de comportamento com consequente ingestão reduzida de alimentos. Todos estes fatores contribuem para o menor consumo alimentar, encaminhando o idoso ao desequilíbrio nutricional, aumentando os números de morbimortalidade bem como a suscetibilidade a determinadas doenças e à redução da QV (Félix & Souza, 2009).

Em relação aos medicamentos, quando tomados de forma inapropriada contribui para alterações no estado fisiológico do idoso e, consequentemente, diminui o estado de alerta e propicia a ocorrência de quedas. O uso de quatro ou mais medicamentos (polifarmácia) em simultâneo pode provocar alteração do equilíbrio, hipoglicémia ou hipotensão e incorrer no aumento do risco para queda (Maciel, 2010).

Na tabela 3, registam-se alguns medicamentos que fazem parte da rotina diária dos idosos.

Tabela 3. Medicamentos Ansiolíticos hipnóticos e anti-psicóticos Anti-depressivos Anti-hipertensivos Anti-colinérgicos Diuréticos; Anti-arritmicos Hipoglicemiantes Anti-inflamatórios não-hormonais Fonte: Adaptado de Maciel, 2010.

São ainda fatores a reter, a história prévia de queda (pelo menos uma queda no ano anterior aumenta o risco de queda no ano seguinte), a idade avançada, o sexo feminino, o estado psicológico (medo cair novamente) bem como, os transtornos do sono, são fatores que também predispõem para a ocorrência de quedas em idosos (Buskman et al., 2008; Lord, Dayhew & Howland, 2002; Maciel, 2010; Pereira et al., 2001; Skelton & Todd, 2004; Uller, 2000).

Fatores de risco extrínsecos

Os efeitos decorrentes do envelhecimento associados ao meio ambiente inadequado, parecem conduzir para a queda nos idosos (Pereira et al., 2001).

Os fatores de risco extrínsecos ou fatores ambientais podem ter um papel relevante na ocorrência destes acidentes. Classificam-se como sendo aqueles que envolvem o meio social e ambiental e que podem fazer cair qualquer pessoa, onde se inclui: a) iluminação pobre nas casas; b) pisos escorregadios; c) superfícies irregulares; d) tapetes sem superfície antiderrapante ou com pregas; e) escadas com degraus altos ou estreitos e sem corrimão de proteção; f) obstáculos nas áreas de passagem; g) uso de banheira em vez de polibã; h) ausência de tapetes de segurança no banho; i) calçado inadequado ou patologias dos pés; j) utilização de roupas inapropriadas: largas e compridas; k) obstáculos no caminho e mobiliário desajustado (sofás, cadeirões ou camas muito altas ou baixas, prateleiras demasiado altas ou baixas, fios soltos); l) maus-tratos; m) espaço público mal conservado (Buskman et al., 2008; Lord et al., 2002; Maciel, 2010; Pereira et al., 2001; Skelton & Todd, 2004).

Fatores de risco comportamental ou de exposição ao risco

Tal como a designação indica, os fatores de risco comportamental ou de exposição ao risco dizem respeito aos comportamentos de risco a que o idoso se expõe com as suas ações, escolhas diárias e emoções (Buskman et al., 2008; Skelton & Todd, 2004; WHO, 2007). São exemplos de ações que se devem a comportamentos pouco prudentes, o subir uma escada dobrável para limpar um armário alto ou para retirar ou colocar cortinas ou ainda entrar numa sala e não acender a luz. Estas são atitudes de risco praticadas por idosos que nunca caíram e apresentam bom estado funcional, mas são de extrema relevância pela presença ou exposição ao risco ambiental a que se submetem (Messias & Neves, 2009).

O conhecimento dos fatores que predispõem para a ocorrência de quedas pode contribuir para prevenir algumas situações (Cruz et al., 2007). Estudos realizados nos últimos anos revelaram que a compreensão dos fatores de risco era o primeiro passo para a redução destes acidentes com pessoas idosas. Sabe-se que os idosos, pela sua idade, têm risco acrescido de sofrer uma queda, este tipo de acidentes acontece com maior frequência nas mulheres com ≥ 55anos, com origem em múltiplos fatores, e representa a principal causa de morte acidental em pessoas idosas (National Center for Injury Prevention and Control, 2008).

Tendo em conta o impacto que as quedas causam na vida dos idosos, das suas famílias e da própria sociedade, torna-se imperativo definir medidas preventivas com o intuito de as evitar ou minimizar os seus efeitos, numa perspetiva de promoção de saúde. Segundo Siqueira et al. (2007), a prevalência de quedas na população idosa poderá ser reduzida com o planeamento de intervenções dirigidas aos fatores de risco a elas associados. Para Morse (2009), o mais importante na prevenção de quedas, é antecipar o seu acontecimento.

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