• Aucun résultat trouvé

1.3 Couplage peigne de fr´ equences-cavit´ e et ´ etat de l’art

1.3.1 Passage en r´ esonance de la cavit´ e

1.3.1.1 Point magique

Como fica a questão da teatralidade no Drama? Vidor (2010) levanta a relação entre o método de Drama e teatralidade. Ela nos lembra que, segundo Féral, “[t]eatralidade é um conceito tão amplo que pode ser usado por qualquer disciplina, de maneira que cobre vários campos artísticos e não artísticos” (FÉRAL apud VIDOR, 2010, p.32)115. Vidor (2010), no entanto, apropria-se do termo teatralidade associado à representação teatral como uma qualidade de alguns aspectos como o cenário, a cena, o figurino, o uso do espaço e a atuação que podem receber, dentro da mesma, sendo considerado um produto composto por estes aspectos116.

Nesse caso, Vidor (2010) afirma que o caráter espetacular teatral do processo de Drama pode ser potencializado pelo condutor. Para que esses elementos de teatralidade apareçam no Drama e permitam que os participantes mergulhem na ficção, é preciso, algumas vezes, que o participante seja colocado diante da situação como quem observa os personagens desta situação. Vidor afirma que quando o professor assume um papel facilitador, e desta forma atua dentro do contexto dramático, o relacionamento entre professor e aluno é substituído pelo de colegas artistas (HEATHCOTE apud VIDOR, 2010, p. 31).

Por isso, para Vidor (2010) a possibilidade de identificação do “teatral” é mais palpável quando o papel do espectador no drama se dá alternadamente, ou seja, colocando-se às vezes como ator, às vezes como espectador, de modo a assumir um distanciamento necessário à dinâmica de ver e refletir sobre o que se viu. Dessa forma, ela ressalta que o “eminentemente teatral” opera em melhores condições se o participante ocupar em algumas ocasiões o papel de plateia em toda a sua dimensão, pois, assim como nos espetáculos fora do

115

Ver também Féral (2003, p. 11). 116

Creio que Vidor (2010) esteja se referindo a uma distinção que Féral faz entre “Teatrilidad del teatro por un

âmbito de sala de aula, quando somos espectadores, sentimo-nos impactados com o acontecimento teatral e necessitamos de um tempo para refletir sobre a experiência. Nesse sentido, a reflexão, tão preconizada em termos pedagógicos, não poderá deixar esmorecer o impacto estético que o acontecimento pode causar no participante “atuante-espectador”.

No jogo de RPG, esse elemento “dado à vista” para o participante observar muitas vezes é suprimido pela interação pura entre os jogadores. Isso gera uma situação de excessivas conversas paralelas e traz o jogo para o campo da imaginação, o que enfraquece os elementos “eminentemente teatrais”. Nesse caso, o problema acima exposto apareceu na primeira prática realizada nessa pesquisa, conforme nos relata a jogadora Katiúcia Heckler, que já conhecia o Método de Drama e cursava o curso de Artes Cênicas, mas que nunca tinha jogado RPG. Nesta prática, ela se expressou da seguinte forma117:

K: Eu acho que esse processo explorou pouco a questão teatral. A gente não fez várias experiências. Teve o momento do ritual que eu achei que foi bem teatral. Aqueles momentos em que a gente pausava e assistia uma cena também acho que dava bastante estímulo para você explorar bem o lado teatral. Mas eu acho que a gente podia ter explorado mais. E, não sei, é o que eu disse no começo, a questão da mistura da ficção com a realidade... eu acho que o jogo de RPG com teatro juntos eles... você não tem que estar totalmente imerso no personagem o tempo todo durante o jogo, as vezes deve ser isso, não sei.

A: Você acha que deve se distanciar do personagem?

K: É... um distanciamento. Porque no teatro você vai fazer o personagem, vai construir, dependendo da linha estética que você seguir e você vai ficar imerso na composição daquele personagem, certo? No processo que a gente fez, eu via isso mais evidente, por exemplo, no ritual, entende? Em momentos, em fragmentos assim que a gente colocava, mas não em tudo de uma maneira integral, entende? (Fragmento da entrevista com Katiúcia Heckler, 27 anos. Entrevista cedida no dia 2/12/2010).

Nas principais modalidades de RPG118, o mestre participa do jogo criando os personagens secundários e os antAgonistas. Porém, em LARP, normalmente não se espera que o mestre permaneça com um único personagem. Será que se colocássemos o mestre permanentemente atuando como um personagem do jogo isso poderia contribuir para a teatralidade desse jogo? Vejamos o que os jogadores Leandro Lunelli (18 anos) e Marcio Cardozo (32 anos), que participaram das duas práticas, afirmaram em entrevista:

A: você acha que a presença do mestre como personagem ajuda? L: Ajuda.

A: E o mestre “por fora”, caminhando, falando e ... ele ajuda também?

117

Ela chama de “teatral” esse momento do jogo em que o jogador age com a intenção de que os demais jogadores vejam o que ele está fazendo, ou seja, algo com caráter espetacular.

118

Excetua-se aí, obviamente, os jogos de RPG de computador que são pré-programados, pois, nesse caso, o “mestre de jogo” – o programador – não participa ao vivo da ação.

L: É, ele ajuda pra você entender os “links”, assim. Eu tinha muita dificuldade de entender os links. Talvez também porque eu entrei no meio do processo...

A: É... talvez fosse mais fácil se eu estivesse desde de o começo...

L: É! Para os “links” é essencial. Essa olhada de fora e te dizendo: “olha ali... tem tal coisa”.

M: A gente não tinha experiência. Quando tu tem experiência você joga como aquele rapaz lá o ....

A: Fernando, digo, Felipe.

M: O Felipe! Ele já tinha uma visão pra conseguir se situar, sabe? Então eu confesso, por vezes ali eu me sentia perdido. Tinha horas que eu pensava: “É teatro ou é RPG... o que é?”. Mas a tua presença e a presença da Biange quando davam o foco ali é o que conduzia, era a linha. Eu acho muito importante, até pra diferenciar o RPG dentro do teatro. Eu não sei o RPG fora como é que você trabalha, mas na parte do teatro é legal, até porque, querendo ou não, fica um diretor dentro do RPG como um personagem, pois você não está fora demais e você consegue conduzir. Isso era o mais legal! Essas são as melhores lembranças que tenho, tanto lá (na igrejinha) quanto aqui (na UDESC). Essa direção. (Entrevista com os jogadores Marcio Cardoso. e Leandro Lunelli, realizada no dia 4/05/2011).

Observando a estratégia do teacher in role do Drama, vemos que acontece algo semelhante ao papel do mestre de RPG assumindo um personagem. Segundo Vidor (2010), no Drama o professor não precisa atuar como ator, embora possa ser, desde que não perca de vista o objetivo do trabalho. Segundo a autora, o professor deve enfrentar alguns desafios ao assumir um papel:

1. Agir como se fosse outra pessoa diante dos alunos;

2. Improvisar sua fala de acordo com o que surge da relação aqui e agora como os participantes;

3. Sustentar o papel e sua lógica;

4. Simultaneamente, manter os objetivos pedagógicos; 5. Aceitar o imprevisto, o acaso;

6. Ser flexível para mudar o rumo sempre que necessário. Além de:

1. Ser um ouvinte;

2. Responder ao que é oferecido;

3. Incorporar as ideias dos participantes; 4. Controlar o tempo;

5. Agir como diretor do drama; 6. Agir como dramaturgo; 7. Participar da ação;

A professora Beatriz Cabral, por sua vez, aponta as seguintes funções que o professor pode assumir ao explorar a estratégia do Teacher in role:

- buscar auxílio ou conselho; - buscar informações;

- coordenar – um investigador coordena uma equipe de policiais;

- desafiar – um detetive que não acredita que seus auxiliares serão capazes de interpretar as pistas deixadas por um criminoso;

- introduzir informações. (CABRAL, 2008, p.21)

Já o mestre de jogo (ou narrador, dependendo do sistema) é, segundo o sistema Storytelling, o “diretor” ou “roteirista” da história interativa contada pelos jogadores. O narrador cria o enredo e interpreta os personagens coadjuvantes com os quais os personagens dos jogadores interagem, tanto aliados quanto vilões (BRIDGES, et.al. 2006, p.37). Nessas condições, o mestre tem a função de conduzir a história e gerar situações de tensão e conflito no jogo. Uma das possibilidades do mestre fazer isso é apresentando-se como um personagem.

Em LARP, normalmente não se espera que o mestre (tal qual o professor no Drama) sustente um personagem durante todo o jogo. No entanto, ele está autorizado a fazer isso. O que acontece quando o mestre mantém um papel? Primeiramente, ele deve procurar um papel ou personagem que o jogador não deve ou não pode desempenhar. Este personagem tem o papel de cobrar dos jogadores que busquem informações sobre o jogo e os estimule a arriscar e a buscar a interação. Este personagem pode, ainda, saber de algo que os jogadores não sabem e serve para introduzir informações novas ao jogo. O mestre deve sempre estar atento aos elementos principais da história, tais como o tema, a atmosfera, o enredo, o cenário e o ritmo, e seu personagem pode estimular o andamento do jogo.

Dessa forma, o mestre apresenta funções semelhantes às do professor-personagem do Drama, tais como desafiar os jogadores, introduzir informações, coordenar o jogo de dentro da ação, entre outras. O Mestre, assumindo um personagem e o sustentando, cria um “algo a ser visto”. Se o Mestre planeja sua entrada e traz um texto básico para apresentar o pré-texto do jogo, cria uma atmosfera teatral que estimula os jogadores a jogarem “pra fora”, ou seja, mostrar para os colegas de jogo o que estão fazendo e, mesmo que estejam fazendo algo secreto, procurem mostrar o ato de esconder. O Mestre também pode estimular a atuação dos jogadores no sentido de “mostrar” congelando cenas, separando-as, criando rituais, exigindo

apresentação dos jogadores e instigando e exigindo que os jogadores mostrem com ações físicas as características dos seus personagens.

3.7 AS ESTRATÉGIAS DE CONSTRUÇÃO NARRATIVA EMPREGADAS NO DRAMA