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1.1 Composants du syst` eme

1.1.2 Cavit´ e passive

1.1.2.3 Aspect spectral : fonction de transfert

sentido ao mundo. Esses objetos permitem que a criança se apodere do mundo porque, de certa forma, fazem parte do seu corpo.” (FÉRAL, 2003, p. 41).

Sonia Rodrigues (2004, p.65) define o RPG como um jogo de produzir ficção. É uma atividade que se realiza basicamente por meio oral. Sua pesquisa partiu dos jogos da modalidade de mesa, e por isso sua visão do jogo está relacionada ao uso da fala. É importante, primeiramente, compreendermos os jogos de mesa, pois eles originaram o jogo ao vivo (Live Action ou LARP), que foi trabalhado nesta dissertação, e contribuíram para o surgimento de problemas com o excesso de diálogo.

Segundo Rodrigues (2004), a origem do ROLEPLAYING GAME está ligada aos jogos de guerra e aos livros de Tolkien36. É um jogo de representação/interpretação/apresentação com uma enorme ênfase na elaboração de personagem. Normalmente, os livros de RPG têm capítulos inteiros a respeito da elaboração de personagens e alguns sistemas têm até livros de suplementos inteiros dedicados a esse tema. Além disso, os livros sempre trazem instruções de como elaborar cenários e enredos para o jogo.

O mestre de jogo sempre inicia o jogo descrevendo o lugar onde a aventura se passa, (descreve) as características dos personagens e leva a história até o ponto onde os jogadores começam a atuar, colocando surpresas para os jogadores resolverem. Os jogadores são responsáveis pela ação e iniciativa dos personagens (RODRIGUES, 2004, p. 66).

Pode-se destacar dessa definição de Rodrigues o fato de que os jogadores são os responsáveis por criar os personagens principais, ficando a cargo do Mestre a responsabilidade de criar a trama dos acontecimentos do jogo, gerar problemas e desafios para os personagens principais e interpretar os antagonistas.

Nesse sentido, ROLEPLAYING GAME pode ser entendido como um jogo de representação de papéis, no sentido de que os jogadores fazem “o papel do herói” enquanto que o Mestre do jogo desempenha um papel misto de árbitro do jogo, antagonista e “narrador- arquiteto” 37 - ou seja, aquele que apresenta os elementos do cenário e “constrói” as bases da história.

O RPG pode ser definido como um jogo de atuação/representação/interpretação, lembrando que do ponto de vista do jogo estes conceitos são equivalentes. Levando-se em conta os graus de realidade da personagem elaborada por Pavis (1999, p. 278), pode-se dizer que os jogadores criam personagens do tipo indivíduos enquanto o mestre tende a criar

36 Autor da série de romances O senhor dos Anéis e O Hobbit.

37 No sentido de que é o mestre o responsável por criar e descrever o ambiente de ficção. Nos jogos de RPG de computador, o Designer do jogo faria um pouco esse papel. Já no MMORPG, o mestre do jogo e o Designer são papeis ocupados por pessoas diferentes. Como acabam sendo muitos mestres de jogo, no MMORPG estes costumam ser jogadores que são promovidos para este posto.

personagens com características de tipos, papel, condição ou estereótipos. Rodrigues comenta que às vezes os livros de RPG têm um “sabor” de catálogo de personagens (PAVIS, 1999, p. 670) e, de certa forma, apresentam personagens a partir de estereótipos38 como “o mago”, “o bárbaro”, “o ladrão”, que são apresentados como “classes de personagens” e raças, como no caso dos “elfos”, “anões” ou ainda como “vampiros” ou “lobisomens”. Contudo, com o uso das fichas de personagens, o jogador transforma este “bárbaro” ou “mago” genérico em um sujeito particular, pois nas fichas constam espaços para definir atributos, conhecimentos, características, peculiaridades e também defeitos. Além disso, os jogadores costumam criar uma história do personagem e muitas vezes buscam, fora do jogo, subsídios para fazer esta história ganhar verossimilhança. Esta criação de personagem sempre é compartilhada com o mestre de jogo. Rodrigues destaca que no RPG a autoria é sempre compartilhada, pois mesmo os livros de RPG têm inúmeros autores e sempre possuem vários co-autores e jogadores que testam o jogo e fazem sugestões e críticas, os chamados player testers 39.

O RPG possui suas matrizes literárias ligadas ao folhetim e às aventuras fantásticas do conto maravilhoso e se caracteriza por uma espécie de “pilhagem narrativa” (RODRIGUES, 2004 p. 48). Em nossa prática, esta característica ficou evidente. Em alguns momentos da parte prática dessa pesquisa, os jogadores disseram que o jogo parecia uma “novela mexicana”. Isso parece agora bem compreensível, visto que o RPG se apresenta como literatura de massa, fortemente influenciado pela linguagem dos quadrinhos, dos filmes de ação e dos romances policiais. É comum encontrar nos livros de RPG citações de livros de Anne Rice40, Brain Stocker41, Neil Gaiman42 e outros. Os jogadores e os mestres costumam emprestar para os seus personagens e para suas tramas as histórias criadas por esses autores. Por esse motivo, pesquisadores como Pavão (2000) e Marcato (1996) defendem a tese de que o ROLEPLAYING GAME estimula o hábito da leitura entre os jovens – o principal público do RPG. Nessa pesquisa, essa “pilhagem narrativa”, de certa forma também ocorreu no período da prática, pois partimos da peça “As Bruxas de Salém”, de Arthur Miller, para criarmos o pré-texto “A Terra dos Pecados”.

38 Às vezes chegando ao nível dos arquétipos. Hagen cita Jung em seu livro sobre os vampiros e os chama de “arquétipos”. Em sua folha de rosto do Livro “Vampiro – A Máscara” consta: “(...) Para ser claro, vampiros não são reais. Existem apenas como arquétipos que nos ensinam sobre a condição humana e a fragilidade e o esplendor daquilo que chamamos de vida” (HAGEN, p. 1). A palavra “arquétipo” aparece também em inúmeras páginas durante o texto (p. 107, 116, 140, 141).

39 Em nossa prática também usamos um grupo de player testers que contribuiu significativamente para a pesquisa, inclusive cedendo entrevistas posteriores. No capítulo quatro apresentaremos o grupo.

40 Autora de livros da série Entrevista com Vampiros que deu origem ao filme homônimo inspirado no romance. 41Autor do romance Drácula, que deu origem ao filme homônimo dirigido por Francis Ford Copolla.