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Tous les liens ne sont pas « bons »

2. Approche chronologique

2.10. Tous les liens ne sont pas « bons »

O motivo da marca portuguesa é o ramo com três pés de oliveira unidos por uma laçada, com crescente. As variantes da marca de origem nacional ocorrem relativamente ao elemento lunar que, quando está presente ora é um quarto crescente ora quarto minguante, ora é semelhante à lua crescente concava ou lua minguante convexa. Também é representada deitada com as pontas para cima e invertida. Refira-se, ainda, que o elemento lunar ora está mais junto da haste final da letra M ora se aproxima da letra O da palavra THOMAR.

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De notar que, na figura abaixo, de um molde existente no núcleo museológico da Fábrica Prado, em Tomar, a marca a que nos temos referido, apresenta nova variante, sendo-lhe acrescentada a palavra Prado e a lua surge logo abaixo da palavra Thomar.

Fig. 2 4: Molde da marca Prado|Thomar, no qual é visível a lua numa posição diversa das que encontramos no levantamento de marcas efectuado.

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Reproduzimos infra outras marcas nacionais com o mesmo elemento vegetal das marcas portuguesas que registámos. (Fig. 2 4).

Apenas podemos propor leituras, que carecem de confirmação, dado que não possuímos elementos para afirmar o que quer que seja.

Uma primeira conjectura é bem clara e obtemo-la pela simples observação do elemento iconográfico. A marca da RENOVA é minuciosa: repare-se no remate de cada pé do ramo, nas folhas, que são mais longas e o ramo, no seu todo, é mais cheio.

Fig. 2 5 Marcas das fábricas portuguesas – Penela, Prado e Renova

Fonte: BANDEIRA, Ana Maria Leitão – Pergaminho e papel em Portugal: tradição e conservação.

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Se, por outro lado, tivermos em conta o início de actividade das fábricas em apreço – lembramos que a Renova foi a primeira (1818), seguida da Prado (1836) e finalmente a de Penela (1874) -, concluiríamos que esta marca terá tido origem, possivelmente, na unidade de Torres Novas.

No que respeita à fábrica Prado e às que por esta foram adquiridas não nos parece haver grande margem para debate, pois a partir do momento em que faziam parte do grupo papeleiro, seria natural que a marca se mantivesse apenas mudando a legenda referente à unidade de fabrico. A autora de O Papel ontem e hoje faz alusão a papel timbrado da Companhia de Papel do Prado, no qual figura a “informação de ser proprietária das seguintes fábricas: Prado, Marianaia, Sobreirinho (Tomar), Penedo, Casal Ermio (Lousã) e Vale Maior (Albergaria-a-Velha)”134. De facto encontramos o mesmo elemento vegetal em marcas da Prado, Marianaia, Thomar, Marino & Araújo, Penella, além da Renova.

A investigadora Ana Maria Leitão Bandeira informa-nos de notícia da Revista Universal Lisbonense, de 1842, no seu nº 41 “que circula papel francês com a marca Porto para mais facilmente se introduzir em Portugal e espalhar no mercado”135.

Por sua vez, Matos Sequeira refere que “as grandes marcas que abundam nos papéis usados em Portugal são, na sua grande maioria de origem italiana e francesa” e que “as marcas dos primitivos papéis de fabrico nacional são desconhecidas” 136

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Outras marcas há que, seria de esperar, serem relativas a papel de fabrico nacional mas, tal não é o caso. Considere-se, a título de exemplo o que nos diz Matos Sequeira:

“a esfera armilar que sinaliza alguns papéis de quinhentos é de origem francesa, de uma fábrica de Toulouse, que, talvez, o feiturasse propositadamente para a corte portuguesa”137

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No século XVIII temos ainda papel feito, a pedido da corte, em Itália com o escudo e as armas reais e a legenda, em italiano, denotando a origem do mesmo “Carta per la Corte di Portogal”. Ainda uma outra marca constitui manifesto exemplo de papel produzido naquele país, por encomenda, foi objecto de um interessante e aprofundado estudo de Ana Maria Bandeira. Referimo-nos à marca com a figura de um franciscano e com a

134 BANDEIRA, Ana Maria Leitão - Pergaminho e papel em Portugal: tradição e conservação. Lisboa: CELPA, BAD, 1995, p. 65.

135 Idem, p. 62.

136 SEQUEIRA, Gustavo de Matos - op. cit., Nesta obra são ainda enumeradas algumas marcas de provável origem portuguesa e indicada iconografia que aponta para proveniência de papel estrangeiro. 137

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legenda “S ANT DI PADOVA” e “S ANT DI LISBOA E NON DI PADOVA” ou apenas “SADL” sendo que relativamente a esta última se poderia ler: “Santo António de Lisboa”138

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5. Iconografia

Os motivos mais usados nas marcas de água, e facilmente perceptíveis pelos mapas- resumo que inserimos supra, são a flor-de-lis, a trompa de caça, o leão rampante139, letras ou nomes e elementos vegetais – pés de oliveira – nas filigranas de papel de origem portuguesa.

A flor-de-lis e a trompa de caça surgem, geralmente, dentro de um escudo encimado por uma coroa e rematado por um trifólio. Apenas duas marcas com a flor-de-lis diferem do que acabámos de dizer:

a) a marca ‘WSH & Cº|1884’ (Liv. 264 da Câmara dos Pares): Escudo tendo no campo contrabanda dupla, encimado por uma flor-de-lis terminando com trifólio140 e, na parte interior, monograma com letras WSH& Cº;

b) a marca ‘’C & I Honig’ (Liv. 253 e seguintes, da Câmara dos Pares): Flor-de- lis com motivo estilizado da colmeia na parte inferior.

O leão rampante aparece apenas nas marcas de origem holandesa. O leão rampante – símbolo da marca J Honig & Zoonen, que se encontra essencialmente nas Actas da Câmara dos Deputados, é representado coroado, empunhando um alfange na mão esquerda e um feixe com sete setas na mão direita, sobre um pedestal com a palavra HONIG e com monograma JH&Z, na parte inferior.

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BANDEIRA, Ana Maria Leitão - “Santo António de Lisboa e não de Pádua: marcas de água de papel em documentos do Arquivo da Universidade de Coimbra” in O Papel ontem e hoje. Coimbra: Arquivo da Universidade de Coimbra, Renova, 2008. p. 35-40.

139Refira-se a propósito da origem da iconografia das marcas, o caso das marcas de água inglesas, por exemplo, cuja grande maioria, foi copiada e adaptada de marcas de origem francesa:

“Several English makers began to employ marks which had been, or were being used by continental makers, and these included the horn, Pro Patria, the Lion Passant, fleur-de-lis, Strasbourg Arms and Britannia. Some used a shield incorporating the horn, fleur-de-lis or bend…” V. SHORTER, A.; HILLS, R.L. ed. – Studies on the History of Papermaking in Britain. Hampshire: Variorum, 1993. p.57-58. 140

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D & C Blauw, também de origem holandesa, é a marca que podemos incluir no grupo cujo motivo consta de letras, tal como consta dos Liv. 76, 80, 82, 83 e 85, da Câmara dos Deputados.

Motivo de origem vegetal - pés de oliveira – está representado nas marcas de proveniência portuguesa, tal como consta dos Liv. 138 a 141 e 143, da Câmara dos Deputados.

Quando falámos da fusão de marca e contramarca, referimos a filigrana inglesa - John Key & Cº | 1834 | London – que apresenta como motivos, além do coração dividido em quatro campos, as letras que constituiriam a contramarca141.

Voltando ao símbolo da flor-de-lis, este é, muito provavelmente, o motivo mais usado nas marcas de água, tal como o da trompa de caça que, também ela, surge em grande número de filigranas. Mas, no que fiz respeito à flor-de-lis, provavelmente, de origem francesa, tal como surge nas marcas por nós levantadas, mais ou menos se mantém inalterável, no seu conjunto, apenas mudando o monograma ou apresentando a coroa separada do escudo. Tal como aconteceu com outros motivos, este seria um símbolo de qualidade e, como também já referimos, terá sido copiado ou adoptado por muitos fabricantes de papel. O motivo constante da marca, também designava, muitas vezes, além da qualidade o tamanho do papel. Afinal, numa época em que o marketing era um conceito ainda por descobrir, a cópia de determinados motivos poderia ser um meio para promover o papel produzido.

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