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Description du corpus

1. Rapport méthodologique

1.4. Description du corpus

A força motriz das águas de Morton Beck levaram a que ao longo do rio se instalassem várias fábricas. Entre 1792 e meados do século XIX ocorreu a instalação de oito unidades, das quais três se dedicavam à produção de papel.

John Smith, proprietário de Oldside Mill (Low Mill), transformado em 1813 para a manufactura do papel, mandou edificar Sunnydale Mill em 1833. Desta unidade, conhecida por possuir a maior roda hidráulica de Inglaterra, saíram papel-moeda e artigos de papelaria de elevada qualidade. Mas os tempos de apogeu duraram pouco. No início de 1858, já dera entrada o pedido de falência conforme aviso publicado no jornal oficial72.

As dificuldades financeiras decorrentes dos elevados custos de transporte aliados ao colapso do banco financiador – Leeds & West Riding Bank – forçaram ao encerramento

71 SHORTER, A.; HILLS, R. L. ed. – Studies on the History of Papermaking in Britain. Hampshire: Variorum, 1993. p. 230-234.

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de Sunnydale em 1878. As instalações foram adquiridas pela Bradford Corporation, mas, permaneceram desactivadas até que em 1935 foi demolido73.

Decretada a falência, The London Gazette, publicou detalhadamente o património a ser vendido em hasta pública e dá-nos a perceber que as duas unidades funcionavam complementando-se. Assim, Sunnydale fabricava o papel que seguia para a outra fábrica – Low Mill - na qual passava pelas várias fazes de acabamento: «Low Mill has been employed in sizing and finishing the paper manufactured at Sunny Dale»74.

4.1.3.11. Langley75

Langley Mill situa-se em Brancepeth, nas margens do rio Browney, no condado de Durham. O engenho terá começado a sua laboração em 1777, tendo sido seus proprietários Eggleston e Chilton. Por volta de 1803, já estaria nas mãos dos irmãos Smith e esteve em laboração até 1870 data em que os seus proprietários concentraram os seus esforços em Relly Mill, também pertença daqueles76.

Efectivamente o jornal oficial The London Gazette refere «John Smith, of Langley Mills, in the parish of Brancepeth, Paper Manufacturer, and James Hollingworth, (…) Manager» ao registarem a patente para melhorar o tratamento de certas matérias fibrosas destinadas à manufactura de papel77.

4.1.3.12. NASH

Relativamente a esta marca, consideraremos duas proveniências distintas e ambas plausíveis. Referir-nos-emos primeiro ao moinho Nash, nas margens do rio Gade, no condado de Hertfordshire. Seguidamente falaremos de uma segunda hipótese, e esta tem

73 East Morton Conservation Area, West Yorkshire Archaeology Advisory Service, 2007 (V. http://www.archaeology.wyjs.org.uk [acedido a 24.07.2012].

74 V. The London Gazette, nº 22186, de 28.09.1858, p. 4301-4302. http://www.london-gazette.co.uk/ [acedido a 8.08.2012].

75 A descrição que se segue foi a que nos pareceu mais plausível. A pesquisa efectuada no endereço http://british-history.ac.uk nomeadamente no Dicionário Topográfico de Inglaterra, editado por Samuel Lewis, 1848, tem cerca de vinte entradas, diga-se localidades com o mesmo topónimo mas em condados diferentes. Em alguns deles também há notícia de terem existido fábricas de papel mas a que descrevemos foi, como referimos, a que considerámos ser a mais provável relativamente à marca de água encontrada. 76 V. “River that gave life and industry to community” in Durham Times 7.December.2007 http://durhamtimes.co.uk/history/pasttimes/1889473.river_that_gave_life_and_industry_to_community/ [acedido a 14.06.2012]

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a ver com a família Nash, ligada à produção de papel, mas no condado de Kent, cujo moinho Foots Cray ou Nash, se localizava nas margens do rio Cray.

A.

À semelhança de muitos outros, o moinho de Nash, situado em Hemel Hempstead, no condado de Hertfordshire, a cerca de 39 km a noroeste de Londres, teve a sua origem numa moagem de grão de milho, cujo registo inicial se encontra no Domesday Book, sendo então propriedade da Abadia de St. Albans.

O final do século XVIII, marca o início da manufactura do papel neste moinho, convertido para a sua nova função por A. Blackwell. O primeiro moinho construído de raiz e destinado à manufactura do papel foi aqui erigido em 1796. Em 1811, John Dickinson (1782-1869), proprietário de Apsley Mill – situado a aproximadamente 1 km de Nash Mill -, associa-se a George Longman78, adquirindo-o. Em 1813, um incêndio destruíu parte considerável das instalações primitivas. Porém, com a indemnização do seguro e financiado pelo sogro, Harry Grover, do Banco Grover, foi possível reconstruir a unidade de Nash, aproveitando a introdução de novas máquinas tendo em vista o aumento da produção. Assim, em 1825 foi instalada uma máquina a vapor, alimentada a carvão79. A fábrica manteve ainda o seu próprio corpo de bombeiros, devido aos múltiplos problemas mecânicos causados pelas máquinas a vapor e elevado risco de incêndio80.

O Departamento de Engenharia da firma John Dickinson & Co. Ltd. esteve instalado até 1888 em Nash, sendo depois transferido para Apsley. No período de 1850-1885 a fábrica foi dirigida por Sir John Evans.

Antes do incêndio de 1813, a marca Nash já obtivera renome pela produção de papel fino e resistente, sobretudo após ter sido usado na publicação da “Pocket Reference Bible”, em 1812 por Samuel Bagster Sénior. Após a reconstrução e associando o carácter inventivo de Dickinson coadjuvado pelo departamento de engenharia, a fábrica rapidamente se tornou numa das mais conhecidas de Inglaterra, com máquinas movidas

78 George Longman e John Dickinson eram “stationers [papeleiros] em 1807” e, pouco tempo depois “were in partnership as paper makers at Apsley and Nash Mills, Hertfordshire.” V. SHORTER, A.; HILLS, R. L. ed. – Studies on the History of Papermaking in Britain. Hampshire: Variorum, 1993. p. 66. Este processo de associação assemelha-se ao de John Key & Co. com os Wise referido supra.

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V. History of Hemel Hempstead. Hemel Hempstead: Charter Trustees of 80 Ibidem. p. 115.

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a electricidade – uma inovação da unidade de Nash -, e pela produção de papel fino feito a partir de trapo.

Apesar de, no final do século XIX, a fábrica passar por momentos de fraca rentabilidade, foi sendo sempre alvo de alguns melhoramentos até que, em 1926, foi remodelada e aumentou as suas instalações. Em 1999, as portas de Apsley fecharam mas a unidade de Nash vendida ao grupo internacional Sappi continuou a laborar até que, em 2006, encerrou sendo também vendida. Os edifícios onde se produziu o papel em Nash Mills foram reconvertidas em zona habitacional.

B.

Ao longo de cerca de catorze quilómetros de extensão do rio Cray, afluente do Darent, encontravam-se, da foz à nascente, 14 moinhos movidos pela força das águas. Também aqui existiram alguns engenhos dedicados à produção de papel.

O moinho de Foots Cray (ou Footscray) terá também sido, inicialmente, destinado à moagem de grão. Em 1742 já havia sido convertido para a manufactura de papel. A máquina a vapor foi ali instalada em 1820. Thomas Nash, filho de Mary Ann Nash, procedeu a obras de amplicação em 1853. Com a morte prematura de Thomas, seu irmão William ficou à frente dos destinos de Footscray até 1879. Na senda do progresso, em 1898, uma máquina de condensação de vapor – Pollitt & Wigzell – com a potência de 250 cv (cerca de 190 kW) foi instalada na fábrica. Pouco tempo depois uma outra máquina de secagem foi adquirida à fábrica de William Joynson – de Joynson’s Mill, em St. Mary Cray -, para substituição de uma outra que havia sido instalada em 1890.

O complexo fabril foi demolido em 1986.