• Aucun résultat trouvé

Chapitre 3 : Comprendre les comportements de sécurité à partir de la perception du risque

2. Les déterminants de la perception du risque

Depois de ZIEGLER (1988) e com DERCOURT et al. (1993, 2000) e GAETANI et al. (2003), os conhecimentos acerca da paleogeografia das regiões desenvolvidas em torno do Oceano Tétis – e, consequentemente trazendo informações adicionais à própria paleogeografia na Península Ibérica - evoluíram de forma notável. Não se pretendeu, neste trabalho, uma análise exaustiva sobre o tema; apenas se pretendeu um enquadramento paleogeográfico em linhas muito gerais.

Assim, relativamente à posição paleogeográfica da Península Ibérica durante o Mesozóico e correspondente tipo de clima e circulação oceânica, sumarizam-se seguidamente os aspectos principais:

1) Durante o Triásico, destaca-se a deposição de evaporitos em águas pouco profundas e oxigenadas, sob um clima quente e seco e que testemunham o início de uma incursão marinha na Ibéria e nas proto-bacias circum-atlânticas (HALLAM, 1984, 2001; JANSA, 1986; GRADSTEIN et al., 1990; HUBBARD & BOULTER, 1997; AURELL et al., 2003).

Todo o sector peri-atlântico encontrar-se-ia nas latitudes entre 10 e 25º N e a Ibéria aproximadamente nos 20ºN. O Mar de Tétis contactaria com o Mar Boreal a norte através do rift do Golfo da Biscaia, não estando ainda formado o Atlântico nas margens da Ibéria; a sul, o Mar de Tétis desenvolvia-se em direcção à falha de Gibraltar (JANSA, 1986; GRADSTEIN et al., 1990; DERCOURT et al., 1993, 2000); no final deste período e início do

Jurássico, o regime de circulação seria comparável ao de um golfo com mistura vertical completa, como o testemunham as rochas clásticas fortemente oxidadas, intercaladas entre as camadas de evaporitos (Fig.I.5).

2) Durante o início do Jurássico Inferior, ter-se-á verificado uma elevação do nível do mar (HALLAM, 1979, 1981, 2001; HAQ et al., 1987), devido a uma transgressão marinha, associada ao reajustamento das placas tectónicas, cujas consequências foram a mudança de fácies evaporítica para uma fácies calcária francamente marinha e um aumento da largura, da extensão e da profundidade da bacia oceânica. Esta largura da bacia deposicional que separava o oeste da Ibéria dos Grand Banks é estimada em 500 km e o comprimento em 1700 km (JANSA, 1986) (Fig.1.6).

Com o prosseguimento da transgressão, os calcários foram substituídos por sedimentos margosos de meios mais profundos e já com salinidade marinha normal (JANSA, 1986; DERCOURT et al.,1993).

A julgar pela repartição dos sedimentos, o clima era temperado e húmido no Ártico e no norte da Europa e sub-tropical e quente no centro do Atlântico Norte e sul da Europa (GRADSTEIN et al., 1990). Na Bacia Lusitânica, o clima era mais temperado e húmido devido à crescente influência oceânica (JANSA, 1986). Esta mesma influência oceânica, no que respeita ao conteúdo em oxigénio, já conferia uma estratificação na coluna de água (indicativa de um golfo profundo), com circulação relativamente restrita. No entanto, o aumento de diversidade biológica sugere já aumento de nutrientes nas águas.

Terras emersas Bauxites lateríticas Lacustre e fluvial Fluvio-deltaico Margino-litoral e lacustre Plataforma evaporítica Plataforma pouco profunda Terrígenos

Plataforma cresosa Talude ou margem

Talude/margem acima CCD Bacia profunda abaixo CCD Bacia profunda

Paleolatitude Linha costa actual Lat./Long. actuais Marcas adicionais Bauxite Fosfato Ouro Brecha Recife Depósitos oolíticos Direcção dos aportes Leques marinhos Upwelling Correntes superfície Correntes fundo Cristas expansivas Rift Falha transformante Falha

Falha activa normal Carreamento Subducção oceânica Margem acrecionária Não-deposição

Conglom., areia, silte Areia, argila Argila Flysh Carbonato/detrítico Carbonato arg./marg. Evaporito/argila/areia Evaporito Dolomite Carb.pouco prof. Carb.pelágico nodular Carbonato pelágico Carb.pelágico c/cherts Shert e carb.silicioso Radiolarito Hiato submarino Sed. Vulcano-clástico Basalto Magmatismo Terras emersas Bauxites lateríticas Lacustre e fluvial Fluvio-deltaico Margino-litoral e lacustre Plataforma evaporítica Plataforma pouco profunda Terrígenos

Plataforma cresosa Talude ou margem

Talude/margem acima CCD Bacia profunda abaixo CCD Bacia profunda

Paleolatitude Linha costa actual Lat./Long. actuais Marcas adicionais Bauxite Fosfato Ouro Brecha Recife Depósitos oolíticos Direcção dos aportes Leques marinhos Upwelling Correntes superfície Correntes fundo Cristas expansivas Rift Falha transformante Falha

Falha activa normal Carreamento Subducção oceânica Margem acrecionária Não-deposição

Conglom., areia, silte Areia, argila Argila Flysh Carbonato/detrítico Carbonato arg./marg. Evaporito/argila/areia Evaporito Dolomite Carb.pouco prof. Carb.pelágico nodular Carbonato pelágico Carb.pelágico c/cherts Shert e carb.silicioso Radiolarito Hiato submarino Sed. Vulcano-clástico Basalto Magmatismo

Figura I.5: Paleogeografia e principais fácies durante o Noriano (216,5-203,6 Ma segundo GRADSTEIN et al., 2004) nas bacias em torno da Meseta Ibérica: LB-Bacia Lusitânica, IM-Meseta Ibérica,

FC-Flemish Cap, GB-Banco da Galiza; CCD – Nível de Compensação da Calcite (retirado de DERCOURT et

Figura I.6: A- Mapa paleogeográfico da posição da Ibéria no Jurássico Inferior e B - principais fácies durante o Toarciano (183-175,6 Ma segundo GRADSTEIN et al., 2004): LB-Bacia Lusitânica, IM- Meseta Ibérica, FC-Flemish Cap, GB-Banco da Galiza (adaptado de http:// jan.ucc.nau.edu/~rcb7/Jurassic.html e de DERCOURT et al., 1993).

3) No Jurássico Médio, registava-se um clima sub-tropical, com uma melhor circulação de fundo através da comunicação entre o Atlântico e o Mar de Tétis. Neste

A

período, o tamanho da bacia oceânica, no Atlântico Norte, seria de cerca de 600 km de largura e 3000 Km de comprimento, com eixo de orientação NE-SW. A profundidade do fundo do oceano no Caloviano é ainda incerta (Fig.1.7).

Figura I.7: A - Mapa paleogeográfico da posição da Ibéria no Jurássico Médio e B - principais fácies no Caloviano (164,7-161,2 Ma segundo GRADSTEIN et al., 2004.): LB-Bacia Lusitânica, IM-Meseta Ibérica, FC-Flemish Cap, GB-Banco da Galiza (adaptado de http://jan.ucc.nau.edu/~rcb7/Jurassic.html e de DERCOURT et al., 1993).

A

4) No Jurássico Superior, a bacia do Atlântico Norte possuía já 1300 a 1500 km de largura e 3300 km de comprimento e estava conectada ao Tétis Ocidental pela passagem a sul da Ibéria e aos mares epicontinentais que cobriam os Grand Banks, a Ibéria e a Europa Ocidental. A profundidade das águas atingia já 3600 m, como, por exemplo, é sugerido para a Bacia Blake-Bahama (SHERIDAN et al., 1983 in JANSA, 1986) (Fig.1.8).

Figura I.8: A - Mapa paleogeográfico da posição da Ibéria no Jurássico Superior e B - principais fácies no Kimmeridgiano (155,7-150,8 Ma segundo GRADSTEIN et al., 2004): LB-Bacia Lusitânica, IM-

Meseta Ibérica, FC-Flemish Cap, GB-Banco da Galiza (adaptado de http://jan.ucc.nau.edu/~rcb7/Jurassic.html e de DERCOURT et al., 1993).

A

É nesta altura que se estabelece uma verdadeira circulação oceânica entre o Atlântico e Tétis, acompanhada da formação de sistema de correntes à volta do globo, já com algumas semelhanças com o sistema actual (JANSA, 1986; DERCOURT et al., 1993).

5) No início do Cretácico, já existia uma proto-corrente do Golfo com uma circulação aproximada da actual. Condições climáticas húmidas persistiram durante o Cretácico Médio e Superior (HALLAM, 1984).

As variações térmicas no Mesozóico eram relativamente pequenas quando comparadas com as actuais, devido à provável inexistência de calotes polares (WRIGHT, 1992; HALLAM, 2001; IMMENHAUSER, 2005).