Como visto no Capítulo 2, a percepção em atividades colaborativas é importante, pois evita a falta de contexto sobre as ações dos colegas e do grupo. As ações realizadas fora de contexto podem gerar redundâncias, inconsistências e contradições dentro do trabalho do grupo. Conseqüentemente, o trabalho gerado pode ser de baixa qualidade e não atingir os objetivos propostos. Em geral, o trabalho apresentar-se truncado e sem coesão de idéias.
Segundo Pinheiro e seus co-autores (2002), o ambiente colaborativo deve empregar mecanismos que respondam às seis questões: o que, quando, onde, como, quem e quanto; as quais identificam aspectos vitais para o fornecimento de percepção. O MAC propõe mecanismos que visam responder a todas essas questões.
A questão “o que” refere-se às informações que devem ser fornecidas aos usuários. Essas informações são adquiridas pelo conhecimento do papel de cada participante e da tarefa sob sua responsabilidade. Por exemplo, se um participante pertence a um grupo, ele precisa conhecer seu papel dentro do grupo (coordenador ou colaborador), e as tarefas que foram atribuídas a ele ao restante de seu grupo.
A questão “quando” refere-se ao momento de ocorrência dos eventos geradores das informações e ao momento de apresentação dessas informações. Essas informações são adquiridas no MAC através do conhecimento do histórico das tarefas. Cada tarefa possui um estado indicando se ela foi concluída, se está incompleta e se ainda não foi iniciada. O estado das tarefas é usado no histórico para referenciar: passado (tarefas concluídas que ocorreram em um intervalo de tempo no passado); passado contínuo (tarefas incompletas que começaram no passado, mas que continuam válidas); presente (tarefas incompletas que ainda estão sendo realizadas) e futuro (tarefas do grupo ainda não iniciadas).
A questão “como” refere-se à forma com informações são apresentadas aos usuários, como é sua interface. No caso do MAC, que faz uso de RV, são utilizadas interfaces com maior acoplamento, como interfaces WYSIWIS (What You See Is What I
See), e WYSIWIS relaxadas. Nas interfaces WYSIWIS, todos os participantes têm a
mesma visão do ambiente virtual e de seus elementos, o que garante o contexto das atividades. Entretanto, essas são interfaces muito restritivas, podendo prejudicar o andamento do trabalho colaborativo. Uma alternativa para essas interfaces são as WYSIWIS relaxadas, que garantem maior liberdade aos indivíduos, como, por exemplo, a livre navegação no ambiente virtual.
A questão “quem” refere-se à identificação de quem está trabalhando e presente no momento. Essa questão trata do conhecimento da hierarquia do grupo, ou seja, cada participante precisa saber quem são seus companheiros de grupo, quem são seus subordinados, quem é seu coordenador direto e quem é o coordenador geral. Como o MAC é um modelo para autoria síncrona e assíncrona, ele ainda precisa fornecer ao participante a informação de quem está presente e ausente (online e offline) no ambiente virtual.
A questão “quanto” refere-se à quantidade ideal de informações que deve ser apresentada ao usuário. Essa questão depende da quantidade de usuários da aplicação que faz uso do MAC. Visando fornecer informações suficientes, sem sobrecarregar o usuário, cabe aos desenvolvedores limitar a quantidade de informações apresentadas.
5.7 Comunicação
Os mecanismos de comunicação são fundamentais para que a colaboração ocorra, e, portanto, essenciais para o trabalho colaborativo. O MAC emprega dois mecanismos de comunicação: o verbal, através de bate-papo textual ou vídeo conferência; e o não-verbal, através de animações do personagem virtual dentro do ambiente virtual (postura, olhar, gestos, expressões faciais, etc.).
Através desses mecanismos, os participantes podem: definir o papel de cada um dos envolvidos (hierarquia de grupo); analisar a divisão das tarefas; discutir a atribuição das dependências entre elas; e definir a responsabilidade por cada uma delas. Para auxiliar a autoria assíncrona, o processo de comunicação textual é registrado. Isso ajuda os participantes a entender o contexto das mudanças que foram realizadas quando eles não estavam presentes.
A comunicação também intermedeia o processo de negociação que ocorre durante as discussões sobre a forma como o trabalho está sendo realizado, para tomar decisões sobre situações não previstas inicialmente.
5.8 Considerações Finais
Os mecanismos definidos pelo MAC neste capítulo fornecem meios para o trabalho colaborativo, pois propiciam a discussão, a troca de informações e idéias, a formulação e a resolução conjunta de problemas, a motivação para a participação, o sentimento de responsabilidade conjunta por algo. Apesar do desempenho do grupo na resolução das tarefas ser extremamente dependente de fatores contextuais (composição do grupo,
do MAC dão suporte à interação entre os participantes de forma a minimizar as dificuldades contextuais.
A existência de modelos como o MAC que auxiliem na construção de ambientes virtuais é importante, não apenas para a equipe especializada em construir novos ambientes virtuais, como também para o usuário final, o qual pode construir seus próprios ambientes virtuais ou editar os ambientes existentes. Isso permite ampliar o número de ambientes virtuais disponíveis, além de aumentar a motivação dos usuários finais do sistema, por torná-los agentes modificadores dos ambientes que exploram.
Capítulo 6
Estudo de Caso da CRAbCVE Utilizando o Modelo MAC
6.1 Introdução
Este capítulo tem por objetivo apresentar o estado atual da implementação do conjunto de componentes definidos pela arquitetura CRAbCVE seguindo as especificações do modelo MAC. As implementações estão relacionadas ao projeto Sintegra – Sistema integrado de Educação a Distância com suporte a Avaliação de Competências – resultado de uma parceria entre SENAC/CE e a Universidade Federal do Ceará, e financiado pelo programa RHAE/CNPq.
O restante deste capítulo está dividido da seguinte forma: na Seção 6.2, é apresentado o projeto Sintegra ao qual o estudo de caso é aplicado; na Seção 6.3, apresenta-se o curso de Boas Práticas que é um dos dois cursos propostos pelo Sintegra e é utilizado como material de apoio no estudo de caso; na Seção 6.4, apresentam-se os componentes da arquitetura CRAbCVE que foram implementados para o estudo de caso; e, por último, na Seção 6.5, apresentam-se algumas considerações finais.