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CHAPITRE II CADRE THÉORIQUE CADRE THÉORIQUE

2.5 L’identité à travers les signes de la dualité

Na análise do efeito da aplicação de águas residuárias sobre sistemas de irrigação por gotejamento, diversas equações desenvolvidas para água podem ser utilizadas (LESIKAR et al., 2004; BATISTA et al., 2005ab; PUIG- BARGUÉS et al., 2005; CARARO et al., 2006; FRIGO et al., 2006). Entretanto, as equações mais utilizadas são:

• Equação vazão versus pressão

x

Q k P= ⋅ (6)

em que:

Q = vazão do gotejador, L h-1;

k = coeficiente de vazão;

P = pressão na entrada do gotejador, kPa; e

x = expoente da vazão que caracteriza o regime de escoamento.

• Coeficiente de uniformidade de Christiansen

n i i 1 e Q Q CUC 100 1 n Q = − = ⋅ − ⋅ (7) em que:

CUC = coeficiente de uniformidade de Christiansen, %;

i

Q = vazão de cada gotejador, L h-1;

Q = vazão média dos gotejadores, L h-1; e

e

• Coeficiente de uniformidade de distribuição 25% Q CUD 100 Q = ⋅ (8) em que:

CUD = coeficiente de uniformidade de distribuição, %; e

25%

Q = valor médio dos 25% menores valores de vazões dos

gotejadores, L h-1.

• Coeficiente de variação de vazão

Q CVQ 100 Q σ = ⋅ (9) em que:

CVQ = coeficiente de variação da vazão dos gotejadores, %; e Q

σ = desvio-padrão das vazões dos gotejadores, L h-1.

A uniformidade de aplicação de efluentes é obtida com os valores individuais das vazões dos gotejadores. No estudo realizado por Capra e Scicolone (1998), verificou-se que amostras de 16 gotejadores foram suficientes para avaliar a uniformidade de aplicação de água em sistemas de irrigação por gotejamento com problemas de entupimento.

Os valores dos coeficientes CUC, CUD e CVQ obtidos para sistemas de irrigação por gotejamento podem ser classificados. Merriam e Keller (1978) propuseram a seguinte classificação para os valores de CUC e CUD: maior que 90%, excelente; entre 80 e 90%, bom; 70 e 80%, razoável; e menor que 70%, ruim. A norma ASAE EP 405 (ASAE STANDARDS, 2003) sugere a seguinte classificação para os valores de CVQ: menor que 10%, bom; entre 10 e 20%, razoável; e maior que 20%, inaceitável.

2.12.1. Efeito do entupimento na vazão de gotejadores

Na maioria dos estudos com águas residuárias, o entupimento tem efeito direto na redução de vazão dos gotejadores (RAV-ACHA et al., 1995; TROOIEN et al., 2000; ROWAN et al., 2004; DEHGHANISANIJ et al., 2005). Na aplicação da água residuária, pode-se aumentar o tempo de fertirrigação; assim, as plantas que receberam menor lâmina de fertirrigação passam a receber maior quantidade de efluente, de modo a atender às suas exigências nutricionais. No entanto, aquelas plantas que recebiam a lâmina adequada passam a ter problema de fertirrigação excessiva, ocorrendo, também, aumento da perda por percolação (LÓPEZ et al., 1992).

Rowan et al. (2004) estudaram a incidência de entupimento em quatro tipos de gotejadores, sendo dois autocompensantes com vazão nominal de

2,31 e 2,01 L h-1 e dois não-autocompensantes com vazão nominal de 2,60 e

4,92 L h-1, operando com efluente de tanque séptico durante 448 h. Mesmo

utilizando filtro de discos com aberturas de 100 µm, a aplicação do efluente

resultou em redução de até 83% na vazão inicial dos gotejadores.

Berkowitz (2001) avaliou o desempenho de cinco sistemas de irrigação por gotejamento subsuperficiais operando com esgoto doméstico tratado durante seis anos. Foram utilizados gotejadores autocompensantes com vazão

nominal de 2,3 L h-1. O entupimento dos gotejadores foi observado somente em

dois sistemas de aplicação, com redução máxima da vazão inicial de 23%. No estudo realizado por Trooien et al. (2000), cinco tipos de

gotejadores com vazão nominal de 0,57 a 3,5 L h-1 foram testados com água

residuária da bovinocultura tratada e posteriormente filtrada em filtro de discos

com aberturas de 55 µm. Depois da aplicação de 920 mm do efluente,

constatou-se redução na vazão inicial dos gotejadores de até 22%.

Dehghanisanij et al. (2005) analisaram seis tipos de gotejadores,

sendo quatro autocompensantes com vazão nominal de 1,6 a 2,4 L h-1 e dois

não-autocompensantes com vazão nominal de 1,1 e 1,7 L h-1, com água

superficial eutroficada filtrada em filtro de tela com aberturas de 175 µm.

Depois de 200 h de funcionamento das unidades de aplicação, constatou-se redução de até 25% na vazão inicial dos gotejadores.

Rav-Acha et al. (1995) obtiveram redução de 31% na vazão inicial de

gotejadores não-autocompensantes com vazão nominal de 2,0 L h-1, depois de

137 h de operação com esgoto doméstico secundário.

2.12.2. Efeito do entupimento de gotejadores na uniformidade de

aplicação de efluente

Outro impacto negativo do entupimento de gotejadores consiste na aplicação desuniforme das águas residuárias pelos sistemas de irrigação por gotejamento (CAPRA; SCICOLONE, 2004; BATISTA et al., 2005ab; PUIG- BARGUÉS et al., 2005; CAPRA; SCICOLONE, 2006; CARARO et al., 2006; FRIGO et al., 2006). Segundo Chieng e Ghaemi (2003), o número e a localização de gotejadores parcialmente entupidos foram os fatores que mais afetaram a uniformidade de aplicação de água de sistemas de irrigação por gotejamento. Os referidos autores obtiveram valores de CUC de 96, 95, 87, 82 e 69% para unidades de aplicação dotadas de gotejadores com entupimento parcial de 0, 5, 10, 20 e 30%, respectivamente.

Puig-Bargués et al. (2005) analisaram o desempenho de três unidades de irrigação por gotejamento, dotadas de gotejador não-autocompensante com

vazão nominal de 1,9 L h-1 e operando com esgoto doméstico tratado. Dois

sistemas de irrigação, um com filtro de discos e outro com filtro de tela, ambos

de 130 µm, foram abastecidos com esgoto doméstico secundário. O terceiro

sistema de irrigação constava de filtro de tela de 130 µm e foi abastecido com

esgoto doméstico terciário. Depois de 750 h de funcionamento das unidades de aplicação, os valores de CUD foram de 0, 50 e 92% e de CVQ de 58, 35 e 5% para as unidades de irrigação aplicando efluente secundário filtrado em filtro de

discos de 130 µm, efluente secundário filtrado em filtro de tela de 130 µm e

efluente terciário filtrado em filtro de tela de 130 µm, respectivamente.

Cararo et al. (2006) constataram redução de 5 a 28% nos valores de CVQ em 15 tipos de gotejadores testados com esgoto doméstico tratado durante 373 h. O efluente passou por filtros de areia (com tamanho efetivo de

0,59 mm), de discos (com aberturas de 100 µm) e de tela (com aberturas de

Batista et al. (2005a) utilizaram sistemas de irrigação por gotejamento,

dotados de fitas gotejadoras com vazão nominal de 1,0 L h-1, para aplicação de

água residuária da despolpa dos frutos do cafeeiro tratada em filtro orgânico. Notaram drástica redução do CUD, que passou de 94 para 0% com 144 h de operação. Em outro estudo, Batista et al. (2005b) obtiveram valores de CUD de 90, 65 e 72% nas unidades de aplicação dotadas de gotejadores com vazões

nominais de 1,7; 2,1; e 2,0 L h-1, depois de 560 h de funcionamento com esgoto

doméstico tratado e posteriormente filtrado em filtro de discos com aberturas de

130 µm.

Capra e Scicolone (2004) estudaram o desempenho hidráulico de sistemas de irrigação por gotejamento dotados de quatro tipos de gotejadores,

não-autocompensantes, com vazão nominal de 3,8 a 4,0 L h-1 e abastecidos

com esgoto doméstico tratado durante 60 h. Os referidos autores concluíram que os valores de CUD nos sistemas de irrigação oscilaram de 0 a 77%.

2.12.3. Efeito do entupimento na pressão de serviço de sistemas de

irrigação por gotejamento

Mudanças na magnitude da pressão de serviço podem interferir no processo de entupimento de gotejadores devido à alteração no regime de escoamento, acarretando impactos na deposição de sedimentos e formação de biofilme. Lesikar et al. (2004) utilizaram sistemas de irrigação por gotejamento

para aplicação de esgoto doméstico tratado e filtrado em filtro de tela de 74 µm.

Constataram nos sistemas de irrigação operando com pressões de serviço de 58 e 78 kPa que 2 e 30%, respectivamente, dos gotejadores avaliados apresentaram entupimento total. Entretanto, no sistema de irrigação que operou com pressão de serviço de 296 kPa nenhum gotejador foi completamente entupido.

O entupimento dos gotejadores pode acarretar mudanças nos valores da pressão de serviço em todo o sistema de irrigação por gotejamento. Faria et al. (2002) estudaram a elevação de pressão na rede hidráulica de um sistema de irrigação por gotejamento, quando ocorre redução na vazão por entupimento de gotejadores. Os resultados indicaram que a redução na vazão dos gotejadores provocou aumento considerável na pressão da tubulação de

distribuição de água, particularmente na condição de 50% de entupimento; 80% do comprimento da malha hidráulica apresentou pressão superior à da classe de pressão da tubulação.

Talozi e Hills (2001) desenvolveram um modelo matemático para simular o efeito do entupimento de gotejadores no desempenho hidráulico de sistemas de irrigação por gotejamento. Os citados autores concluíram que o entupimento reduziu a vazão na entrada das linhas laterais obstruídas e aumentou a vazão na entrada das linhas laterais não obstruídas; além disso, o entupimento causou aumento na pressão de serviço na entrada das linhas laterais com e sem entupimento.